Lembrar-se De Mim
14 Lembrar-se de: Uma morte
Notas iniciais
Só esclarecendo esse capítulo se passa no início do final de semana :)
AAh eu usei algusn trechos de Room of Angel *-* -música tema de Silent Hill 4-The Room Se quizerem ouvir lendo fica a dica-Q
Divirtam-se *-*
Obrigada pelos Reviews =3
Os dias da semana corriam..o tempo passava..
Na escola, Raito e Ryuuzaki se davam bem, amigável e escolarmente, deveras o japones não deixava de notar no moreno uma tristeza,
descrita somente em seus olhos. Tentava conversar com ele..Mas Deus como era esquivo! Sempre conseguia mudar de assunto..
Embora tivesse certeza de que tudo devia-se a saúde frágil do pai do amigo, queria ouví-lo dizer isso..Queria confirmar.
Tentava..
Chegara até a conversar com Misa, adquirindo com a garota certa intimidade, mas não adiantou muito..Ela não sabia mais do que ele..
Ryuuzaki sabia guardar o que sentia..Como um segredo a sete chaves.
A algum tempo atrás apresentaram o trabalho proposto, sobre a cirrose hepática, o moreno parecia meio..atordoado com aquela situação..
Desconfortável..Talvez não gostasse de falar em público..
Sim..devia ser isso.
Sentavam-se em dupla e sem dificuldade realizavam as atividades propostas.
Ora..Chegaram até a jogar tênis como dupla!
Eram imbatíveis juntos..E resolveram se desafiar..Terminou empatado..Como é possível?
Simples..o professor invadiu a quadra e apanhou a bola de tênis. O placar estava empatado..E o sinal havia tocado..ele era o professor..devia fazer algo..!
Pediu para que eles parassem..Mas como que ensaiados responderam: "Ele primeiro!" ...O professor então invadiu a quadra e realizou a ação.
Desde então eles vêem o quanto são parecidos..O quanto são competitívos..inteligentes..o quanto são diferentes..
A ideia do ursinho ainda não havia deixado os pensamentos de Raito e quando podia tentava pegá-lo..sem êxito.
Bem..era tarde de sexta e o dia estava nublado, iluminado por poucos raios de sol que escapavam das densas nuvens e alcançavam o chão.
Todos andavam apressados..pareciam correr de algo..Mas com o tempo daquele jeito, não era difícil adivinhar do que eles corriam..Provavelmente corriam de uma possível chuva.
Raito e o amigo despediram-se no lugar de sempre cada um para seu rumo.
O moreno andava lentamente para o hospital, gostava de tempos nublados, era acalmante..
Gostava da chuva..era relaxante..
Não se importaria se ela o pegasse ali mesmo..
Sentiu o vento frio que carregava folhas tocar sua pele..se arrepiou.
Um leve sorriso tomou seus lábios, levantou a cabeça e encarou o céu...logo ele ficaria tão negro quanto seus olhos.
Parou um pouco na calçada, sentiu pessoas desviarem de si e mandarem olhares fuzilantes..Não se importou.
Calmamente voltou a olhar para o chão e a andar.
Chegou ao hospital uma estranha movimentação de médicos e aparelhos subindo e descendo de rampas e elevadores o chamou atenção.
O porteiro se aproximou.
" Ryuuzaki.." -seu semblante era pensativo, ele parecia escolher bem as palavras.
O vento se tornava cada vez mais forte lá fora.
Ryuuzaki desviou o olhar do chão e encarou o jovem.
" Sim? "
"É...seu..seu pai.."
O semblante do moreno tornou-se um misto de procupação e angústia, o porteiro desviou o olhar.. não conseguiu mais falar..Ele sabia que o pai era a única coisa que o moreno tinha.
Ali em sua frente estava um garoto que podia imaginar o que iria ser dito e por essa razão correu o mais rápido que pode, enfrentando todos os lances de escada...
E que por essa mesma razão, empurrou médicos e enfermeiros..ele desejava ver o pai..precisava vê-lo.
Alcançou o quarto sem muita demora, adentrou-o e seus olhos foram imediatamente direcionados para a figura em cima da cama.
The wind howling at the window,
( O vento assoviando na janela,)
" Pai" -sussurrou aproximando-se da cama.
" Law..liet.." -ele sorriu, reuniu as forças que tinha e segurou forte a mão do filho a sua frente.
The love you never gave,
(O amor que você nunca deu, )
" Tudo bem...eu estou aqui.." -L forçou um sorriso, as lágrimas já estavam em seus olhos e ele fazia o possível para não deixá-las cair.
O homem acima da cama, olhava com suas olheiras enormes para o garoto e sorria puramente, lágrimas também foram a seus olhos, mas diferente do mais novo, deixou que elas caíssem e rolassem pelo seu semblante.
I give to you
(Eu dou a você )
" Law..liet.." -disse fracamente entre soluços -" Eu..vou...morrer..filho..eu vou..morrer" -A dor era presente em seus olhos, naquela cama de hospital, ele já havia aguentado tempo demais..
Dores insuportáveis, remédios de hiperdosagens e o filho a quem sempre machucara esteve ali..o tempo todo..
Isso machucava mais do que qualquer doença..
Ele havia perdido o tempo..precioso tempo que poderia ter arrancado risadas e sorrisos do garoto a sua frente..Se não o peresse batendo e machucando-o..
Achou que ele não fosse se importar..Mas agora ele tentava não chorar na sua frente.
Really don't deserve it,
(Realmente não merece, )
" Vai...ficar tudo bem..pai.." -o garoto agora alisava os cabelos do enfermo enquanto segurava firme a sua mão..Era como se enquanto ele não o soltasse, o pai ficaria ali..vivo
" Não..."
" Vai sim!" -uma lágrima rolou pelo olho do garoto caindo no peito do pai
" Não minta..pra si mesmo..meu filho.."-ele mantinha o sorriso doce na face, queria consolar o filho..Talvez fosse por isso que ele sempre o maltratava..
Não queria que ele sofresse quando chegasse sua hora..Não queria que ele sentisse a dor da perda..
Queria que ele o odiasse..Queria que ele o largasse em cima de uma cama para morrer..Era para isso que havia bebido tanto!
Para pagar tudo de ruim que havia feito e morrer como um sofredor.. largado como um cão..
Mas Lawliet não era esse tipo de pessoa..Nunca deixaria o pai sozinho..E só agora ele percebia isso..
But now, there's nothing you can do.
(Mas agora, não há nada que você possa fazer. )
" Pa..Pai!" -L percebia que a força do homem a sua frente tornava-se cada vez menor e por isso apertava sua mão com mais força.
" Seja..Seja alguém melhor que eu..Por..Por favor..Lawliet..Lawliet..Seja alguém melhor que eu.." — ele repetia como num sussurro, as lágrimas rolavam por sua face, Ryuuzaki se limitava a secá-las.
E a acentir para o pai..
" Eu nunca fui..um bom pai..Mas..você..." -uma pausa em sua respiração causou arrepios ao garoto — " é...um filho..perfei..to.." — ele sorria sinceramente, um sorriso angustiante, mas sincero.
So sleep, in your only memory of me..
( Então durma, em sua única memória de mim, )
" Me..perdoe..Me..perdoe..Me..per..doe..M...e..per..doe.." -ele repetia incontáveis vezes, em sua face estavam lágrimas e mais lágrimas que ainda escorriam de seus olhos.
Ryuuzaki acentiu, tentou dizer algo..mas a voz não saia..as palavras não pareciam tão necessárias agora.
" Eu..te..amo..fil..filho.." -os dedos que seguravam a mão de Lawliet começaram a se soltar vagarosamente, perderam a força e cairam sobre o corpo do homem.
Os olhos perdiam o brilho e aos poucos se tornavam foscos, o sorriso se desfez e a última lágrima salgada rolou pelo canto de seu olho esquerdo.
" Pai.." -chamou baixinho
" Pa..Pai?" -as lágrimas começavam a escorrer em seus olhos.
" PAAAAAAAAAAAAI!" -gritou levando as mãos ao peito do homem, numa tentativa inútil de tentar reanimá-lo com uma massagem cardíaca.
" Pa..pai?" -debruçou-se minutos depois sobre o peito do homem.
As lágrimas rolavam de seus olhos e caiam nas vestes do agora morto.
Levantou a cabeça devagar e em seguida já estava de pé ao lado do pai.
Deu lhe um beijo na testa e fechou os seus olhos. Lágrimas rolavam pelo rosto do garoto, mas não somente dele..De todas as enfermeiras e médicas que assistiram a cena e até mesmo alguns homens..
Here's a lullaby to close your eyes,[Goodbye],
(Aqui está uma canção de ninar para fechar os olhos, [adeus],)
Passou os dedos por entre os fios de cabelo do pai chorando incontrolávelmente, mas ainda em silêncio.
"Pai..eu fiquei...sozinho? " — Sua voz saiu fraca..Deixava as lágrimas cairem de seu queixo até qualquer superfície que alcançassem.-" Sozinho..Denovo?"
Mergulhou a mão em sua bolsa escolar e retirou o ursinho de dentro dela, ficou o encarando, jogou a bolsa no chão e saiu correndo pela porta na mesma velocidade que havia entrado.
Precisava pensar..Em um lugar só dele..
Precisava decidir o que fazer..
Precisava conseguir forças..
Apertava o ursinho com força, era a única coisa que ainda tinha..
Correu o mais rápido que pode até chegar ao primeiro lugar que veio em sua cabeça, um parquinho infantil.
Estava vazio..Por medo da chuva as crianças haviam ido embora.
Caminhou até um dos balanços e sentou-se lá, não de seu jeito fetal mas, com os dois pés no chão e a coluna curvada, não estava a fim de pensar..
As lágrimas ainda corriam pelo seu rosto.
Pegou o ursinho entre as duas mãos e o ficou observando e acariciando com a ponta dos polegares..
" Você..é..a única coisa..que ainda tenho.." -entre soluços concluiu a frase.
Sentiu algo gelado molhar-lhe as costas, era um pingo de chuva que veio seguido de vários outros.
A chuva começara, ele abaixou mais a cabeça deixando o ursinho são e salvo abaixo dela ainda entre as duas mãos.
" Eu não quero ir...para..casa.." -voltou a sussurrar para o ursinho.
Queria ficar ali..Não queria ser encontrado..Queria esquecer..De tudo de todos..!
Mas a única coisa que podia fazer era ficar sentado no balanço encarando a única coisa que ainda restava de L, Lawliet ou Ryuuzaki.
Here's a lullaby to close your eyes,
[Goodbye],
Notas finais
Gostaram? =3
Podem tacar doces pra mim -QQ
Kisu =*
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