Caminhei pelo jardim com o coração na boca, com a sensação de que agora era para valer. Morar juntos esse tempo havia sido apenas um teste, a partir de hoje começaria de verdade. Meus pés desaceleraram quando cheguei no lugar combinado para iniciar a marcha nupcial. Observei a Alice parar em minha frente, seu traje azul em tom pastel era frente única todo larguinho com um cinto de brilhantes que marcava sua cintura e o cabelo estava preso em um rabo de cavalo todo alinhado, sem nenhum fio desgrenhado.

― Rose, cadê o papai? ― Minha prima olhou para a loira ao seu lado.

Rosalie apontou para trás e notei seu vestido rosa, também na cor clara, esvoaçar com o movimento. Ficou decidido que as madrinhas usariam qualquer nuance desde que fosse suave, para combinar com o estilo da cerimônia. Na parte de cima ele parecia com uma capa só que possuía uma abertura para os braços e no busto se assentava ao seu corpo, já a de baixo o tecido leve caia revoado até seu sapato, com uma fenda discreta na lateral. A loira escolheu um penteado mais elaborado, uma trança vinha pelo lado de sua cabeça e se encontrava com um coque meio folgado, além de algumas mechas soltas.

― O seu pai? ― eu disse confusa, segundos depois ao me atentar em sua frase.

― Sim... Você achou mesmo que iria entrar sozinha? ― A Lice fez uma careta.

Meus olhos se encheram de lágrimas, um filme se passou em minha mente. Começou pelo momento em que fui para a casa dos meus tios, o acolhimento deles e... o Ed. Ao conhecê-lo naquele dia no parquinho, transformou completamente a ocasião, devolveu o brilho para os meus olhos. Eu acordava cheia de esperança de que a qualquer hora a dor por perder meus pais seria fechada. Com o tempo as feridas se cicatrizaram, embora a saudade de tê-los comigo era grande, eu sabia que eles estariam sempre ao meu lado, em espírito.

― Ai, Alice! ― Sequei uma lágrima que escorreu com o dedo. ― Você é a culpada por tudo isso aqui. ― Apontei para o meu rosto. ― E, principalmente, a carta da mamãe. ― As meninas me encararam com as testas franzidas. ― Se não fosse essa ajudinha de vocês, eu não reencontraria o Ed. ― Sorri acanhada.

― É bom terem comprado muito lenço, hoje a gente vai se acabar de chorar ― Rosalie falou com os olhos cheios de água, e nos abraçamos emocionadas.

Assim que nos separamos, um pouco recuperadas, as duas se dirigiram para suas posições e o meu tio se aproximou, estendendo o braço. Não consegui evitar que outras lágrimas rolassem pela minha bochecha. Não é que a Rose tinha razão? No instante seguinte, a música dos padrinhos tocou e eu inspirei o ar, outra vez, na tentativa de acalmar meu coração. Enquanto me movia a passos lentos, reparei a decoração, havia flores enroscadas pela ponte, alguns refletores e um tapete vermelho esticado até o deque de madeira. Mais flores enfeitavam o altar improvisado. A marcha nupcial ressoou no momento em que avistei o Edward, com as mãos cruzadas em frente ao corpo, mexia impacientemente os dedos, seu cabelo foi aparado e um singelo topete se moldava nele. Sorri ao encará-lo e ele retribuiu o gesto. Todo o meu nervosismo anterior desapareceu, podia apostar que o dele também. Só importava nós dois agora.


Após percorremos o trajeto, meu tio beijou minha mão e me entregou para o Ed, que encostou seus lábios na minha testa. Quando ele se afastou, entrelacei meu braço com o dele e nos viramos para a cerimônia se iniciar.

― Estamos aqui reunidos para celebrar o amor e a união desses dois jovens, Edward e Bella. ― Trocamos um olhar cúmplice. ― Eles escolheram um ao outro como sua família e hoje oficializarão algo que já começou ao longo desses anos. O casamento é uma caminhada ousada para um futuro desconhecido que envolve abrir mão de algumas coisas, em prol de tudo o que vocês viverão juntos. Sejam a prioridade um do outro. ― Ed e eu nos fitamos novamente e jurei que havia estampado em seu semblante um "eu te amo". ― A partir de agora, os dois terão que pensar e agir como um casal. ― Nós sorrimos ao mesmo tempo. ― Podem trazer as alianças.

A daminha, uma prima do Edward que aparentava uns cinco anos começou a andar pela ponte em nossa direção.

― Com os votos que vocês estão prestes a dizer para os amigos, a família e ao mundo que este é meu esposo, esta é minha esposa.

Nós nos viramos para ficarmos um de frente para o outro.

― Eu, Edward Anthony Cullen, recebo a ti, Isabella Marie Swan, como minha legítima esposa, prometo ser fiel, amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, por todos os dias de nossas vidas. ― Ele repetiu as palavras sussurradas pelo sacerdote enquanto colocava a aliança em meu dedo.

― Eu, Isabella Marie Swan, recebo a ti, Edward Anthony Cullen, como meu legítimo esposo, prometo ser fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, por todos os dias de nossas vidas ― disse emocionada após posicionar o anel na sua mão esquerda.

Assim que fomos oficializados como marido e mulher, nos beijamos sob aplausos animados. E, ao nos conduzirmos pela ponte, uma chuva de arroz caiu sobre nossas cabeças. A festa seria no gramado da propriedade, observei as mesas decoradas, o painel de flores onde se localizava o bolo, bem no meio do jardim.


Depois do jantar e das fotos que tiramos com os convidados, a banda contratada posicionou alguns instrumentos no tablado de madeira instalado somente para o casamento, formando uma pista de dança. Logo que os primeiros acordes da música ecoaram no ambiente, algumas pessoas se levantaram entusiasmadas para o centro do salão improvisado.

― Bella, cadê o Ed? Gostaria de me despedir de vocês. ― Minha tia se aproximou de mim.

― Já? Por quê? ― perguntei confusa. ― Ele foi buscar alguns docinhos, pois do nada me deu uma vontade louca de comer.

Ela sorriu solidária e em seguida, suas mãos pousaram na minha barriga.

― O seu tio, você sabe como ele é. ― Balancei a cabeça, o homem não era muito de festas. ― E esse bebezinho? Quando nascer, a tia queria ajudá-la no pós-parto. ― Eu pensei em mencionar que não precisava, porém, a mulher parecia ter lido a minha mente. ― Faço questão.

― Será um prazer poder contar com a senhora nesse período. ― Nós nos abraçamos. ― Mas fala para o tio que só aceito a saída de vocês após a nossa valsa.

Ela acenou, afirmando e então se retirou. Meus olhos procuraram pelo Edward, notei que ele havia parado atrás da mesa dos docinhos e conversava com alguns amigos. Resolvi ir até lá, entretanto no meio do caminho uma pequena confusão se instaurou na pista de dança.

― O que está acontecendo, Rose? ― questionei a loira assim que a avistei.

― Alice surtou com o padrinho ― ela comentou com a boca entreaberta. ― Jogou champanhe na cara do coitado.

― Mas por causa de quê?

― Não sei, vamos perguntar para a lesada. ― Rosalie apontou para frente, a Lice vinha na nossa direção bufando de raiva.

― Cansei das gracinhas daquele primo do Ed ― ela pronunciou exasperada.

― Oh gatinha, era só um beijinho ― o rapaz gritou de longe.


Alice revirou os olhos e respirou fundo.

― Ok... Rose, você e o Emmett cuidam do padrinho e eu vou levar a Lice para tomar um ar.

Nós nos afastamos da festa e enquanto ela se acalmava, eu desviei minha atenção por um instante, pois meus olhos focaram na loira dançando com o seu acompanhante. Nesse pequeno intervalo, em um mês, os dois se aproximaram bastante. Rosalie não perdeu tempo ao voltar para o hospital e chamá-lo para sair. E, desde então, eles não se separaram mais. Estendi o convite do casamento para ele, pois algo me dizia que dessa vez ela acertou em cheio.

― Eu não aguento mais, tô exausta ― minha prima resmungou e retornei para o seu problema. ― Eu não consigo ― Sua voz embargou e eu me assustei, Alice quase não chorava. ― Sinto muito por estragar a sua festa.

― Você não estragou nada. ― Segurei sua mão. ― É só espiar ao seu redor.

Ela me obedeceu e comprovou por conta própria que as pessoas continuaram se divertindo como se nada tivesse acontecido. Talvez porque muitas não perceberam a confusão.

― Mas o que houve para você ficar assim?

― Esgotei meu nível de ser forte. ― Uma risada nervosa escapou de seus lábios. ― Todo mundo tem seu limite e hoje o primo do Ed me tirou do sério. ― Realmente isso era algo difícil de ocorrer.

― Então, chega! Para de carregar o mundo nos ombros e se permita errar, cair e levantar. Curte mais a vida Lice, nós crescemos. Aquelas duas garotinhas desejam isso, a felicidade.

― Você possui toda razão, vou tentar me libertar disso. ― Ela sorriu envergonhada e nos abraçamos.

― Bella? ― Escutei a voz da cerimonialista meio sem jeito. ― Está na hora da valsa.

― Não quero atrapalhar seu momento, melhor você ir ― Alice falou ao me soltar.

― E esqueceu que os padrinhos também dançam? ― mencionei.

― Ah é mesmo, precisava me colocar junto daquele Jasper?

― Pensando dessa forma, acho que a ideia foi ótima. ― Recebi uma careta dela. ― Quem sabe, ele possa te ajudar a aproveitar mais a vida. ― Pisquei para minha prima antes de sair ao encontro do Ed.

Logo que cheguei perto da pista, meu marido — era esquito chamá-lo assim, pelo menos por enquanto, a ficha caía aos poucos — e a sua mãe se encaminhavam para o centro do tablado. Meu tio se aproximou de mim, na mesma hora que a música começou a tocar. Iniciamos os passos lentos e uma sensação de que meu pai também dançava comigo se apossou de mim. Na metade da melodia, fizemos uma troca, o senhor Carlisle pegou na minha mão me conduzindo pela pista, o Ed com a minha tia e a sua mãe com o meu tio.

Finalmente quando me entregaram para o meu esposo, a canção encerrou, olhei com a testa franzida para o palco. Os músicos se posicionaram em frente dos microfones e busquei pelas meninas que se localizam com seus parceiros, os padrinhos. O que estava acontecendo? Era para tocar a valsa até o final. Alice devolveu minha piscada anterior com uma expressão divertida, pelo jeito seguiu meu conselho direitinho.

― A próxima canção é um presente das madrinhas para os noivos.

Os primeiros acordes repercutiram em um ritmo suave e tentei lembrar de onde conhecia a melodia. Edward me observou com curiosidade, será que ele já sabia qual era a música? Nós nos movemos devagar, no embalo da combinação harmoniosa dos sons.

― Sua memória é mesmo fraca ― o Ed comentou com risadinhas.

― Às vezes ela falha ― respondi em seguida.

Assim que a segunda estrofe ressoou, identifiquei a canção e um sorriso bobo estampou em meus lábios.

"Heart beats fast. Colors and promises. How to be brave?"

A mesma música que dançamos no meu aniversário de dezoito anos! E então, como um estalo, recordei que na próxima semana seria doze de outubro. Pela primeira vez, passaria longe das meninas, mas combinamos de marcar algo para quando eu voltasse da lua de mel. Parecia loucura imaginar que há quatro anos, nesse dia, nos reencontramos e agora... estávamos casados! Encostei minha cabeça em seu peito, desfrutando desse momento nostálgico, enquanto nossos pés se moviam em sincronia, pude ouvir perfeitamente cada batida de seu coração em um ritmo frenético.

Quase no final da melodia, Edward me girou não muito veloz e me beijou no mesmo instante em que a música terminava. Escutamos alguns assovios e palmas.

― Só espero que dessa vez você não saia correndo para não virar abóbora ― disse zombando dele, logo que nos separamos.

― Eu não pretendo ir a lugar nenhum. ― Um sorriso apaixonado se manifestou em nossos lábios.


***

― É 1, 2 e... 3 ― Houve algumas reclamações quando ameacei em atirar o buquê pelos ares. Então, rapidamente, joguei sem nenhum aviso, mirando na direção das meninas.


Ao me virar consegui ver a tempo o ramalhete de flores acertar a cabeça de Alice e depois cair em suas mãos.

― Não acredito! ― Rosalie protestou. ― Ela nem quer casar, fala sério.

― Não sabemos o dia de amanhã ― Alice respondeu descontraída e a loira lhe lançou um olhar espantado.

― Opa! Isso é um convite, gatinha? ― Jasper apareceu do nada ao lado da minha prima. ― Acho que o noivo já temos aqui.

― Você acha que tudo gira em torno de você, né? ― Minha prima balançou a cabeça em negação.

― Se eu não achar, quem que vai? ― ele declarou convencido, no mesmo momento a banda logo retornou a tocar uma música animada e o rapaz olhou sugestivo para a Lice. ― Vamos dançar?

Percebi que a Alice relutou um pouco para aceitar, seus olhos me procuraram como se pedisse por ajuda. Em um aceno apontei no sentido do tablado e movi os lábios, sem emitir nenhum som, para ela ir se divertir.

― Só uma ― respondeu para o rapaz e os dois saíram do meio da rodinha de mulheres se encaminhando para o centro da pista.

― O que eu perdi? ― a Rose pronunciou perplexa. ― A Alice está... mais leve? ― perguntou confusa.

Eu deixei uma risada escapar e expliquei a nossa conversa para a loira. Nós voltamos para o tablado de madeira e quando me aproximei do Ed, ele segurava um pedaço de bolo. Ofereceu um pouco do doce em seu garfo e eu aceitei. Observando com atenção o meu... marido, suspirei sem acreditar que a partir de hoje eu o chamaria desse jeito. Quase me belisquei para ter certeza de que não passava de um sonho, principalmente porque a minha garotinha interior havia realizado a sua maior fantasia.

Notas finais
É, agora começamos a segunda parte da fanfic. Estamos na metade, espero que estejam gostando :)