Lembranças de Nós Dois
10 Enchanted
Notas iniciais
🌙 Capítulo 10 — Enchanted
A manhã seguinte em Forks não se apresentou com o habitual desinteresse das terças-feiras cinzentas; ela surgiu sob uma redoma de vidro, onde cada som parecia ecoar com uma frequência diferente e cada partícula de umidade no ar carregava o peso de um segredo compartilhado. O céu, um lençol de linho sujo e pesado, mantinha a promessa de uma chuva que nunca desabava completamente, apenas pairava, transformando a pequena cidade em um cenário de sonhos melancólicos. Bella Swan atravessou o estacionamento da escola sentindo que a picape sob seus pés não era a única coisa vibrando; havia um eco persistente da noite anterior, o toque de Edward e a confissão silenciosa no jardim da casa dos Newton, que pulsava em suas têmporas como uma música que ela ainda não sabia se tinha permissão para cantar.
Os olhares não foram sutis, e Forks, com sua miopia seletiva, parecia ter recuperado a visão de repente. Quando ela saiu da cabine de metal enferrujado, sentiu a pressão atmosférica mudar. Não era apenas o frio cortante que subia por suas botas de couro, mas a sensação de que sua invisibilidade, aquela capa de chuva emocional que ela usara por anos, fora arrancada. Os sussurros serpentearam entre os carros estacionados, saltando de boca em boca como fagulhas em palha seca. — É ela... — murmurou uma voz feminina perto das escadas, carregada de uma incredulidade que beirava a inveja. — Eu falei que era verdade, no parque eles pareciam estar em outro mundo... — respondeu outra, menos discreta. Bella manteve o ritmo dos passos, os braços cruzados sobre o peito em um gesto reflexivo de proteção, sentindo a textura áspera de seu casaco sob os dedos. Ela não vacilou, mas o calor que subiu por seu pescoço denunciava que, embora a fachada estivesse intacta, o interior estava em plena reconstrução.
— BELLA! — O grito de Alice Brandon cortou o murmúrio coletivo como um raio em um dia de névoa. A garota surgiu de trás de um dos pilares da entrada com a agilidade de um pequeno animal selvagem e a energia de um sol que Forks nunca viu. Seus cabelos curtos e repicados emolduravam um rosto que exalava uma empolgação quase febril. Ela agarrou o braço de Bella, girando-a com uma força surpreendente, os olhos amendoados brilhando com uma satisfação que não cabia em seu corpo miúdo. — Eu estou vivendo o melhor momento da minha vida! — exclamou ela, as palavras atropelando-se na ansiedade de quem assiste ao ápice de um romance épico. — Você, o Edward, o parque de diversões, a roda-gigante... Bella, isso aqui é puro cinema e eu sou a produtora executiva!
Bella sentiu um sorriso involuntário puxar os cantos de sua boca, uma capitulação diante da alegria transbordante da amiga. — Alice... por favor, as pessoas estão olhando... — sussurrou ela, embora soubesse que qualquer tentativa de conter Alice era como tentar segurar o vento com as mãos.
— Não, não fala nada! — Alice interrompeu, apontando um dedo indicador perfeitamente lixado para o rosto de Bella, os lábios pintados de um tom suave de pêssego curvados em um triunfo absoluto. — Só deixa eu aproveitar esse arco de personagem maravilhoso.
Foi nesse momento que o ar pareceu esfriar de forma agradável, e Jasper Hale surgiu ao lado delas. Ele se movia com uma economia de movimentos que beirava o felino, a postura ereta e os olhos claros transmitindo uma serenidade que contrastava drasticamente com a agitação de Alice. Ele não apenas caminhou até elas; ele reivindicou o espaço. Com uma naturalidade que deixou Bella momentaneamente sem fôlego, Jasper deslizou o braço pelos ombros de Alice, puxando-a para junto de seu corpo. — Bom dia — disse ele, a voz um barítono suave que parecia vibrar diretamente nos ossos. Ele inclinou a cabeça, olhando para a garota hiperativa ao seu lado com uma ternura tão crua que parecia quase íntima demais para ser observada em público. — Bom dia, pitica.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Bella piscou, o cérebro tentando processar a dissonância entre a aura perigosa de Jasper e o apelido açucarado. Edward, que se aproximara silenciosamente por trás de Bella, vindo do nada como sempre fazia, soltou uma risada curta e anasalada, o som carregado de um deboche fraterno. — Pitica? — repetiu ele, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada, os olhos verdes cintilando com uma diversão perversa.
Alice não se abalou; pelo contrário, aninhou-se ainda mais no abraço de Jasper, o rosto radiante desafiando qualquer um a questionar sua felicidade. — E ele é meu mômôzão — declarou ela, com uma seriedade cômica que fez a pose de "garotos problema" dos Cullen desmoronar em segundos.
— Não... — Bella começou, cobrindo a boca com a mão para abafar uma gargalhada que ameaçava explodir de seu peito. — Jasper, mômôzão? Isso não pode ser real.
— Não é possível — Edward completou, passando a mão pelo rosto e bufando enquanto tentava, sem sucesso, manter sua expressão de tédio existencial. — Eu perdi completamente o respeito por você, Hale.
Jasper apenas deu de ombros, um brilho de desafio nos olhos enquanto apertava levemente o ombro de Alice. — Inveja é uma coisa muito triste, Edward. Nem todo mundo tem o privilégio de ser um mômôzão oficial.
— Inveja nenhuma — Edward rebateu imediatamente, embora o canto de seus lábios estivesse traindo sua vontade de rir.
— Total — Bella completou, sentindo uma leveza que há muito tempo não visitava sua alma. Por aqueles breves minutos, entre os armários cinzas e o cheiro de cera de assoalho e livros velhos, a teia de complexidades que os envolvia parecia ter desaparecido, deixando apenas quatro adolescentes vivendo a estranheza deliciosa dos primeiros afetos.
O dia letivo arrastou-se como uma fita de vídeo em câmera lenta, mas para Bella, cada aula de biologia ou cálculo parecia tingida por uma saturação nova. Ela se pegou observando o movimento das nuvens lá fora, sua mente divagando para o calor das mãos de Edward no parque, a textura de sua pele e o jeito como ele a olhava — como se ela fosse a única coisa sólida em um mundo de sombras. A expectativa de encontrá-lo no estacionamento tornou-se uma âncora que a mantinha sã através das horas. Quando o sino final tocou, ela não caminhou; ela flutuou em direção à saída, sentindo o ar frio de Forks golpear seu rosto com uma agressividade bem-vinda.
Ele estava lá, exatamente como ela o visualizara durante o dia todo. Edward estava encostado no capô reluzente do Volvo prateado, uma mão no bolso do jeans escuro e a outra segurando distraidamente um maço de chaves. O vento bagunçava seu cabelo cor de bronze, jogando mechas sobre sua testa, e a luz pálida do final da tarde destacava a linha aristocrática de seu maxilar. Ele parecia uma pintura de um romantismo trágico, até que seus olhos encontraram os dela. O impacto foi físico; Bella sentiu um frio na barriga que nada tinha a ver com a temperatura ambiente.
— Você me persegue, Cullen? — perguntou ela, aproximando-se com os passos hesitantes de quem ainda está aprendendo a lidar com a gravidade daquele novo relacionamento. Ela sentia o peso dos livros em seus braços, mas o olhar dele os tornava leves como penas.
Edward inclinou a cabeça, um meio sorriso enigmático dançando em seus lábios. — Eu prefiro chamar de consistência, Swan. Algumas pessoas apreciam isso em um homem.
— Isso não melhora muito o seu caso, parece mais um hábito preocupante — respondeu ela, tentando manter o tom provocativo enquanto o coração martelava contra as costelas.
— Pra mim melhora bastante. Significa que eu sei exatamente onde eu quero estar — ele rebateu, a voz baixando para um tom mais rouco, mais íntimo. Ele se endireitou, a postura desleixada dando lugar a uma atenção absoluta voltada para ela. — Como foi sua manhã sendo o epicentro do terremoto social de Forks?
Bella soltou um suspiro longo, o vapor de sua respiração condensando-se no ar. — Intensa. Senti como se estivesse sob um microscópio em uma aula de ciências onde eu era o espécime esquisito.
— Eu gostei da vista — disse ele, dando de ombros com uma indiferença calculada. — Gosto quando as pessoas percebem que você é... bom, que você é minha.
Bella estreitou os olhos, sentindo o calor subir por seu rosto. — Claro que você gostou. Você se alimenta de caos, não é?
— Eu gosto de causar, Bella. Mas eu gosto mais ainda de ver como você lida com isso — ele confessou, estendendo a mão para pegar a mochila dela, um gesto de cavalheirismo que parecia natural demais nele. — Quer uma carona? Ou vai preferir sua picape barulhenta?
Bella hesitou por apenas um microssegundo antes de assentir. O convite era mais do que apenas uma viagem de carro; era a permissão para entrar no mundo dele por mais alguns minutos.
O trajeto até a residência dos Swan foi envolto em uma tapeçaria de silêncios confortáveis e trocas de olhares que valiam mais do que mil páginas de diálogo. O interior do Volvo cheirava a couro novo e a algo que pertencia apenas a Edward — um perfume cítrico com notas de terra molhada. Bella observava o perfil dele enquanto ele dirigia, a precisão com que suas mãos longas e pálidas controlavam o volante, a forma como seus olhos escaneavam a estrada com uma cautela que parecia excessiva, mas que ela achava estranhamente protetora.
Quando o carro parou diante da casa de Charlie, a tensão familiar voltou a se instalar. As luzes da varanda já estavam acesas, projetando sombras longas sobre a grama úmida. — Você vai continuar fazendo isso? — ela perguntou, a voz suave, quase um murmúrio dentro da cabine silenciosa.
— Isso o quê, especificamente? — ele perguntou, virando-se para ela, o corpo relaxado contra o banco.
— Me trazer até aqui, na porta de casa, sabendo perfeitamente que meu pai provavelmente está com o dedo no gatilho ou, no mínimo, com o distintivo pronto para me dar uma advertência — explicou ela, com um leve sorriso de resignação.
Edward sorriu, um brilho de pura diversão travessa cruzando seu olhar. — Provavelmente. Há algo de terapêutico em desafiar a autoridade local, você não acha?
Bella balançou a cabeça, o cabelo roçando em seus ombros. — Você gosta de provocar ele, admite. É um esporte para você.
— Eu gosto de provocar você, Bella. Ver essa centelha de irritação e diversão nos seus olhos... — ele se inclinou na direção dela, reduzindo o espaço até que ela pudesse sentir o calor de sua pele. — E qual a diferença, afinal? Se eu provoco ele, eu chego mais perto de você.
O ar entre eles tornou-se denso, eletrizado. — E você acha que eu gosto disso? — perguntou ela, a respiração falhando.
— Eu tenho certeza que gosta — respondeu ele, a voz como veludo sobre pedra.
Bella não respondeu com palavras. Ela agiu por instinto, um impulso que nasceu em seu peito e guiou seus movimentos. Ela se inclinou, encurtando a distância final, e o beijou. Não foi um beijo de descoberta como o do parque; foi um beijo de reivindicação. Suas mãos subiram para o rosto dele, sentindo a aspereza da pele recém-barbeada, enquanto Edward a envolvia com uma calma possessiva, aprofundando o contato como se estivesse memorizando o sabor dela.
*TOC! TOC! TOC!*
O som violento de nós de dedos contra o vidro do motorista fez Bella saltar para trás, o coração disparando como um motor desregulado. Charlie Swan estava parado do lado de fora, a jaqueta de xerife ainda vestida, os braços cruzados e uma expressão que poderia congelar o inferno.
Edward encostou a testa no volante, fechando os olhos e soltando um suspiro que era metade risada, metade frustração pura. — Eu estou começando a acreditar seriamente que ele tem um sensor de proximidade instalado no meu carro ou fica escondido atrás das cortinas cronometrando cada segundo.
Bella riu nervosamente, ajeitando o cabelo com as mãos trêmulas enquanto Edward abria o vidro lateral. — Xerife Swan — disse ele, recuperando sua compostura aristocrática com uma facilidade irritante.
— Acho que vou ter que pedir uma medida protetiva oficial contra você, Cullen. Ou talvez instalar uma guarita aqui na frente — declarou Charlie, a voz dura, embora houvesse uma exaustão de pai no fundo de seu tom.
— Pai... por favor, não comece — implorou Bella, saindo do carro e sentindo o ar frio tentar acalmar seu rosto febril.
Edward inclinou a cabeça para fora do vidro, um sorriso de pura audácia iluminando seu rosto. — Não esquenta, sogrão... eu já estou treinando minha paciência pra quando eu tiver que te levar no médico ou te dar comida quando você estiver bem velhinho e rabugento.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que Bella temeu que o asfalto cedesse. Charlie apenas encarou Edward por um longo minuto, um duelo de vontades que parecia não ter fim. — Desce do carro, Isabella. Agora — ordenou ele, virando as costas e caminhando para a varanda.
— Eu já estou fora, pai! — gritou ela, antes de olhar para Edward, que levantava as mãos em um gesto de paz fingida. — Você é um idiota completo! — sussurrou ela para ele, mas seus olhos brilhavam com uma admiração que ela não conseguia esconder.
— Boa noite, Swan — disse ele, e o jeito como ele pronunciou o nome dela foi como uma promessa.
Bella entrou em casa rindo, apesar da bronca iminente. Aquela noite, deitada sob seus cobertores, ela encarou o teto sentindo que sua vida havia se tornado um livro que ela não conseguia parar de ler. Mas na mansão Cullen, Edward olhava para o teto de seu quarto escuro, o celular na mão com a conversa de Emmett aberta. O brilho da tela iluminava sua expressão, agora desprovida de humor. Ele pensava na aposta, no dinheiro, na mentira que agora parecia uma ferida aberta e purulenta em meio à beleza do que ele sentia. Ele não queria estragar aquilo. Ele não podia estragar aquilo.
A madrugada em Forks chegou com uma névoa que transformava as árvores em fantasmas e o silêncio em algo vivo. Bella estava submersa em um sono profundo quando o primeiro som a atingiu. *Clack.* Uma pequena pedra contra o vidro. Ela se moveu, incomodada. *Clack.* Outra. Seus olhos se abriram bruscamente, o coração acelerando instantaneamente. Ela sentou-se na cama, o quarto mergulhado na penumbra azulada, e caminhou até a janela com passos hesitantes.
Lá embaixo, parado no jardim como se o tempo não existisse, estava Edward. Ele usava um casaco escuro e sua pele parecia brilhar sob a luz fraca da lua velada. Ele sorriu, um gesto que era ao mesmo tempo um convite e um desafio, e sinalizou para que ela descesse.
— Você só pode estar brincando... — murmurou Bella, sentindo uma adrenalina gelada percorrer suas veias. Ela não hesitou. Lavou o rosto, escovou os dentes rapidamente e vestiu as primeiras roupas que encontrou, descendo as escadas com a cautela de um ladrão na própria casa. Charlie roncava suavemente em seu quarto, e ela deslizou pela porta dos fundos como uma sombra.
— Você é maluco, sabia? — sussurrou ela assim que o alcançou, o hálito formando nuvens brancas no ar da madrugada. — São três e meia da manhã. Se meu pai acordar, ele não vai te prender, ele vai te caçar.
— Eu já corri riscos maiores hoje, sogrão é uma fera difícil de domar — respondeu ele, a voz baixa e melódica, os olhos fixos nela com uma intensidade que a deixava sem chão. — Mas eu precisava te levar em um lugar.
O carro cortou a estrada em direção a La Push com uma urgência silenciosa. O mundo lá fora era um borrão de floresta negra e asfalto úmido. Quando chegaram à praia, o som das ondas era um rugido constante, uma força primordial que parecia purificar tudo ao redor. Eles se sentaram na areia fria, observando o horizonte onde o azul escuro começava a dar lugar a um cinza pálido.
— Eu vinha aqui quando precisava pensar e o silêncio da casa era ensurdecedor demais — confessou Edward, os dedos traçando padrões invisíveis na areia. — Funciona às vezes. Outras, apenas torna os pensamentos mais altos.
— Eu entendo — disse Bella, abraçando os próprios joelhos. — A gente vive como se o tempo fosse infinito, não é? Como se pudéssemos consertar tudo amanhã.
Edward virou o rosto para ela, a luz do amanhecer começando a esculpir suas feições. — Mas o tempo é um trapaceiro, Bella. Ele foge entre os dedos enquanto a gente finge que tem o controle de tudo. Eu nunca fui o que Carlisle esperava. Eu sou o erro sistemático nos planos dele.
— Você não é um erro, Edward. Você é apenas... você. E isso é mais do que suficiente para mim — afirmou ela, tocando a mão dele. A pele dele estava fria, mas o toque enviou uma onda de calor por todo o corpo dela.
— Eu tenho medo, Bella — ele admitiu, a voz falhando ligeiramente, uma rachadura em sua máscara de porcelana. — Tenho medo de gostar tanto de você que eu acabe te destruindo com o caos que eu carrego.
— Então não pense no caos. Só sinta o agora — sussurrou ela, aproximando seu rosto do dele. O primeiro raio de sol rompeu o horizonte, banhando-os em uma luz dourada e etérea enquanto seus lábios se encontravam. Foi um beijo que carregava o peso de confissões não ditas e a esperança de um novo começo.
— Fica comigo — ele pediu contra os lábios dela, a urgência em sua voz fazendo o coração de Bella saltar. — Namora comigo, de verdade. Sem jogos, sem Forks assistindo. Só a gente.
— Eu achei que você nunca fosse pedir, Cullen — respondeu ela, sorrindo entre as lágrimas que teimavam em surgir.
A volta para casa foi diferente. Edward dirigia com uma intensidade febril, o velocímetro subindo enquanto ele cortava as curvas da estrada com uma precisão perigosa. — Edward, está rápido demais! — gritou Bella, segurando-se no painel enquanto o mundo passava como um flash.
— Sinta a velocidade, Bella! É assim que eu me sinto com você! — ele respondeu, um brilho selvagem nos olhos.
— Você dirige como se não tivesse medo de morrer! — exclamou ela, o coração na garganta.
Edward ficou em silêncio por um segundo, o olhar fixo na estrada que se estendia à frente. — Talvez eu não tenha medo, Swan. Talvez, antes de você, eu não tivesse nada a perder — disse ele, a voz sombria. E aquela frase ecoou no carro, mais fria que o vento de Forks, deixando um rastro de presságio que Bella não soube como apagar. Quando ele a deixou na porta de casa às seis da manhã e ela encontrou Charlie em pé na sala com um olhar carregado de medo, ela percebeu que o amor deles era um incêndio que poderia aquecê-los... ou reduzi-los a cinzas antes que o sol se pusesse novamente.
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