Hoje estou com mais dores do que o normal, não sinto minhas pernas mas meus braços tenho certeza que sim. Tenho constantes dores nas costas por passar todo o tempo deitada.

– Elisa pisque os olhos uma vez se está me ouvindo, tente fazer isso querida.

Minha médica faz isso diariamente, depois que acordei à três dias, nunca respondi, não sinto que estou preparada para toda aquela pressão de reabilitação ainda, me sinto cansada e tenho muitas dores. Ela saiu outra vez do quarto sem nenhuma melhora e agora voltei ao meu passado.

Ele chegou e foi pontual como todas as outras vezes, isso é algo que admiro muito. Nós não éramos o tipo de casal comum, eu achava isso especial. Éramos melhores amigos, tirávamos sarro um do outro e não ficávamos chateados, costumava chamá-lo de "Tuti", era seu apelido familiar.

– Como está horripilante hoje! — Tuti diz.

– Obrigada! Você é muito gentil... — Respondo e bagunço seu cabelo.

– Ah, qual é Éli! — Ele corre atrás de mim.

Já chegávamos dançando no "Rock bar", comíamos ou bebíamos muito pouco. De repente no meio de toda a agitação de "The Rolling Stones", "Bon Jovi" e "Nirvana", começa a tocar minha música preferida da minha banda preferida, "In my life" por sinal muito romântica. Era a primeira música romântica que dançávamos juntos. Julio e eu não sabíamos muito o que fazer, ele era tímido e eu mais ainda. Ele pegou então na minha cintura e eu o abracei , nesse momento todas as bombas nucleares que estavam presas dentro da minha barriga, explodiram. O seu abraço naquele momento pra mim era o melhor lugar do mundo. Ele então olhou para mim e ficamos nos admirando por um tempo, ele acariciou meu rosto e em seguida meu cabelo, dai olhou para os meus lábios e eu para os dele. Nosso primeiro beijo aconteceu, de um jeito mais perfeito do que eu imaginava.

Nos beijamos até a música acabar e depois ele me olhou e sorriu, sim, aquele sorriso que eu amava e eu o abracei novamente. Naquele momento eu senti uma grande necessidade de tê-lo por toda a vida.

– Você é tão linda, eu não via a hora disso acontecer. Tuti diz e eu passei a mão no seu rosto e beijei sua bochecha.

– Acho que já temos uma música — Eu digo.

Ele sorriu.