Depois de termos dançado muito, Tuti me leva para casa, dessa vez não tínhamos hora para chegar e nem ter que ir andando correndo risco de sermos assaltados como já acontecido.

Ele para o carro em frente de casa.

– Bom, chegamos. — Diz Tuti.

– Foi incrível. — Eu tiro meu cinto de segurança.

– Eu tenho tanta coisa para te falar Éli. — Ele olha para mim.

– Eu sei, tudo isso nos serviu de grande lição, não é? — Respondo.

– A lição mais difícil que já enfrentei. — Ele diz.

– Essas são as que mais nos afetam. — O carro fica tomado por um silêncio de duas pessoas pensativas que se amam mas não sabem o que fazer daqui para frente em relação a isso.

– Bom, então é isso. — Eu falo e Tuti que estava olhando para o retrovisor volta sua atenção para mim novamente.

Ele fica um tempo olhando para mim sem me responder, seu rosto era de uma pessoa que estava aflita.

– Tuti, pode me ajudar a... — Ele me interrompe.

– Eu não consigo mais me despedir de você. — Ele me abraça.

– Mas eu preciso ir. — Eu respondo falando com dificuldade porque seu abraço era um tanto apertado.

– Fica mais um pouco. — Ele me pede. — Por favor?

– Estou com tanto sono. — Eu respondo ainda no meio de seu abraço.

– Tive uma ideia. — Ele então me solta.

– É para eu me preocupar? — Pergunto.

Ele liga o carro e partimos.

Nós estávamos de volta ao porão, ele me tira do carro e sem me colocar na cadeira, vai direto ao sofá comigo em seus braços e me deita ali. Depois ele se deita atrás de mim e entrelaça seus braços na minha cintura. Ficamos virados um de frente para o outro com apenas os nossos narizes separando nossos lábios.

– Não quero que essa noite continue sem você. — Ele diz e eu seguro seu rosto.

Ficamos um bom tempo acordados mas sem dizer mais nenhuma palavra, apenas nos olhando e tentando decifrar o que o outro estava pensando. Toda a nossa história veio em minha cabeça, tanto o lado bom como o lado ruim, mas eu sabia que aquela era a hora de tentar um recomeço, sabia que era ele que eu queria passar o resto da minha vida, era com ele que eu queria acordar toda manhã e dizer "Bom dia querido", ou "Tenha um bom trabalho" e todas essas coisas de casados. Não posso saber o que o futuro nos promete, se tudo isso vai dar certo depois de ter dado errado uma vez, eu não sei. Mas eu sei que o amor supera todas as coisas, e que podemos tentar de novo.

Fecho então os olhos e pego no sono enquanto Tuti ainda me olhava.