Lembranças Vivas
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Capitulo dois:
–Zi devagar! –Ela reclamou correndo para me acompanhar, percebendo o que estava fazendo parei a deixando respirar um pouco, eu tinha que levar em consideração que ela era mais nova que eu.
–Desculpe, mas Ari disse que ia nos ver hoje e faz tempo dês que o vimos. –Disse explicando o motivo da pressa, Tali olhou para mim com os olhos brilhando por conta da revelação, ela ainda não sabia, era para ser uma surpresa, mas se queria chegar antes dele tinha que correr e ela também.
–Então vamos logo. –Ela disse agora animada, já estávamos retomando a correria quando uma voz a chamou.
–Tali! –Olhei para trás e vi um menino um pouco maior que minha irmã vindo em nossa direção, instantaneamente me coloquei a sua frente.
–Tudo bem Zi, ele é meu amigo, seu nome é Isaac. Eu me esqueci de avisar, ele se mudou para perto de nós e eu disse para ele vim com a gente, não é bom andar sozinho.
Olhei para minha irmã com seus sete anos de vida, ela sempre foi gentil com as pessoas e por isso eu temia, Tali não via a maldade e eu tinha que ver por ela.
–Shalom. –Ele disse quando chegou a nos, o olhei o estudando, não parecia ser perigoso.
–Shalom, se quer ir vim com a gente é bom correr. –Falei segurando mais forte a mão de Tali e voltando a correr com ela, e para minha surpresa ele conseguiu nos acompanhar.
O som do teclado de McGee me fez acorda de meus pensamentos, olhei ao redor e vi que Tony ainda não tinha voltado dês da nossa discussão no elevador. Suspirei ao pensar nisso, eu tinha que fala com Tony, o fazer ficar longe do que estava acontecendo.
–Algum problema Ziva? –McGee perguntou sem tirar os olhos da tela de seu computador, mas percebendo minhas ações. De fato ele está andando muito com Tony.
–Nenhum, onde está o Gibbs? –Perguntei vendo que ele também não estava conosco.
–Com Tony falando com o diretor sobre... –Ele estiou antes de continuar, logo percebi sobre o que era, mas o olhei dando a entender que ele podia falar, não foi preciso.
–Sobre a ligação que o Mossad deu para um marinheiro morto. –Gibbs completou voltando com seu agente sênior que sentou em seu lugar sem disser nada.
–O diretor conseguiu descobrir o que o Mossad queria? –McGee perguntou por mim, mas Gibbs fingiu não ouvir sua pergunta e andou ate minha mesa parando na minha frente e me olhando nos olhos. Vi Tony olhar para minha direção.
–Vance ligou para seu pai. –Ele declarou.
–Tenho certeza que não esta aqui para disser que ele me mandou lembranças. –Falei e McGee me encarou como se quisesse disser uma expressão que nunca entendi muito bem, algo sobre brincar com fogo.
–Você esta certa, ele não mandou lembranças, pelo contrario, disse que ele mesmo entrou em contato com a vítima.
–Mas ele não contou o que queria com ela. –Deduzir.
–Exatamente.
–E você acha que eu ele me contou o que falou? –Perguntei surpresa ao percebe o que Gibbs queria me confrontando, de todos ali ele era o que mais deveria saber que eu sempre fiquei no escuro tratando de meu pai, mesmo quando era uma oficial do Mossad.
–Eu não sei, ele te falou?
–Não Gibbs ele não me falou, a última vez que meu pai entrou em contato comigo foi hoje, para me disser em outras palavras que estava decepcionado e que eu trair Israel.
Falei sem perceber a raiva em minhas palavras, meu chefe simplesmente virou as costas e sentou em sua cadeira. Antes de pensar duas vezes me levantei e fiz o que me foi feito antes, parei na sua frente e o encarei.
–Eu estou falando a verdade, eu sei o que você sabe sem nem uma vírgula a mais, eu não pertenço mais ao Mossad ou a Israel, não sei o que meu pai queria com o marinheiro e muito menos seus planos. Se não acredita em mim porque me deixou voltar? –Perguntei cruzando a linha, mas não podia deixar ele acredita que eu estava o enganando, não depois do que ele fez por mim mesmo sabendo qual era minha missão original, e muito menos depois de eu esta fazendo o máximo para reconquistar sua confiança.
–Abaixe seu tom David, eu a aceitei de volta por acreditar em você. –Ele disse se levantando para ficar da minha altura, quando achei que algo mais fosse ser dito ele deu de ombros e voltou sua atenção para McGee.
–Descobriu algo?
–Sim chefe, olhando as câmeras de segurança da rua vi que alguém entrou na casa um pouco antes do assassinato, foi difícil ter uma boa imagem, mas...
–McGee. –Gibbs o advertiu.
–Desculpe chefe, resumindo o nome é Sebastian Siegle, têm 47 anos, pai da vitima e de sua irmã, puxei dados bancários e ele esta devendo muito dinheiro.
–Tem um endereço?
–Sim aqui está. –McGee entregou o papel do endereço para Gibbs, que deu para Tony.
–Quero esse cara aqui, leve Ziva com você. –Estremeci com as palavras, voltar para um elevador com meu parceiro enfurecido não era uma boa idéia. Mas não podia pedir para Gibbs manda McGee em meu lugar, não depois do que tinha dito.
Sem disser nada e aceitando parcialmente minha condição peguei minhas coisas e entrei no elevador antes das portas se fecharem. Achei o que o silêncio ia me atormenta, mas me enganei.
–Eu não disse a Gibbs sobre a ligação que você recebeu. –Toyn disse.
–Por quê? –Perguntei curiosa, mas eu sabia que ele não tinha dito nada, Tony que saber de mim o que esta acontecendo.
–Gibbs já esta preocupado demais por causa de Eli. Ele teme o que seu pai pode fazer para te afeta.
–Odeio admitir isso mais ele já afetou. –Falei me sentindo mal por ter duvidado de Gibbs.
–Você é mais forte. –Já isso não sabia como responder, não queria pensar mais em meu pai, já tinha muita coisa para resolver.
–Obrigada.
–Só disse a verdade.
–Não isso, por não ter contado ao Gibbs. –Expliquei, a porta se abriu e nos saímos em direção a seu carro. Se fosse um dia qualquer teria brigado para dirigir, mas não hoje, não com Tony chateado por minha falta de confiança. O que ele não vê é que eu confio nele, e muito, porém é este o problema, não posso confiar em Tony agora, se contar a ele sobre Isaac ele vai querer ajudar, eu vou acreditar que ele ira me salvar novamente e posso perdê-lo de novo.
No fim das contas só quero fazer o que ele também tenta: Proteger seu parceiro. E para eu conseguir isso ele precisa continuar acreditando que eu não confio nele, o manter longe, o machucar para que ele não corra risco, ainda mais com a nova descoberta sobre Eli no caso. Como Gibbs disse, não existem coincidências.
–Ziva se eu ver que você corre perigo Gibbs saberá de tudo. –Tony falou tirando o carro da garagem e confirmando suas intenções.
–Tudo bem. –Disse fazendo com que minhas palavras encerrassem a discussão, pelo menos naquele momento. –E só para avisa, na volta eu dirijo, você é muito devagar.
–Isso é o que vamos ver David. –Sorrimos com a provocação, era assim que sempre terminava, uma provocação ou duas, um sorriso e então vem o momento de fingir que esta tudo bem, tem sido assim por quatro anos e agora me pergunto até quando isso vai durar.
**********
Minutos depois chegamos ao local do endereço, a casa do nosso suspeito parecia uma mansão, dentro de um bairro nobre e tranqüilo. Saltamos do carro e andamos em direção ao nosso destino.
–McGee não disse que o senhor Siegle devia muito dinheiro? –Perguntei.
–Talvez ele não sabia disso ainda.
–Vamos contar. –Falei tocando a campainha. –NCIS abra a porta!
–Não precisa gritar senhorita, estou aqui. –Um sujeito disse abrindo lentamente a porta, seu rosto não mostrava a dor de ter perdido um filho e sim apreensão. Estranhamente aquela fisionomia me pareceu familiar, não conseguir me lembrar de nada que pudesse causar essa reação.
–Você é Sebastian Sielge? –Perguntei.
–Sou.
–Gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas, estamos investigando a morte de seu filho. –Tony explicou calmamente. Não tínhamos um mandado, mas isso não foi usado contra nós, antes que o possível suspeito pudesse disser qualquer coisa ouvi um barulho de pneus sendo arrastados pelo asfalto, olhei para trás vem a tempo de ver um carro preto com apenas dois passageiros: Um motorista e capuz, e seu parceira da mesma forma ao lado, com uma arma na mão e o vidro aberto.
–Para dentro agora! –Gritei e para nossa sorte Tony já tinha percebido o perigo.
A porta que estava timidamente aberta foi brutalmente aberta, em um gesto rápido empurramos o senhor Siegle para dentro da casa. Instantaneamente me joguei em cima dele para fazê-lo se abaixa suspeito de assassinato ou não era meu dever protegê-lo.
Segundos depois de Tony também se proteger vários tiros foram dados contra nos, pedaços de vidro vindo das janelas se espalharam no chão. E só cessaram quando o carro saiu da rua escapando dos tiros que Tony deu tentando atingir os pneus.
Sair de cima do senhor e vi que estava sem qualquer machucado, me virei para meu parceiro que tinha sangue saindo de seu braço esquerdo.
–Tony não se mexa tanto. –Falei para ele que procurava alguma coisa em sua roupa, percebi que era o celular.
–Tenho que ligar para Gibbs. –Tony falou em sua defesa ignorando minha ordem.
–Depois eu faço isso. –Falei ríspida tirando o celular da mão dele e colocando no meu bolso. –Tire o palitor e a camisa.
–Apressadinha você, sabia que não ia resistir aos encantos de Anthony Dinozzo. –Segurei a vontade imensa de agredi-lo por esta fazendo piadas nessas horas, esse era Tony lidando com as situações mais difíceis como se tivesse em um circo, fingindo para se mesmo que estava tudo bem. Mas no fundo todos nos fazemos isso, eu uso a raiva e agressão ele o bom — humor.
O ajudei a tirar o que tinha dito, pegando sua camisa e amarrando com o ferimento de raspão que uma das balas deu. Segurei seu braço pressionado minha mão contra o ferimento, tentando estancá-lo. O bom que não foi nada grave. Porém fiquei preocupada em proteger alguém que talvez tenha matado o próprio filho e me esqueci do meu próprio parceiro.
–O sangue já esta estancado. –Ele declarou, e eu tirei minha mão de seu braço.
–O que aconteceu? –O senhor Siegle perguntou, o óbvio por sinal.
–Caso não tenha percebido atiram em sua casa, talvez para te matar. –Respondi olhando para a bagunça de vidros a nossa frente.
–Vamos quer que levá-lo para o NCIS.
Para meu alivio Sebastian não protestou e nos seguiu ate o carro onde eu no fim das contas dirigir.
–Quando chegarmos você vai ver o Duck. –Falei para Tony enquanto pegava o celular para avisar o acontecido para nosso chefe.
–É impressão minha ou esta preocupada?
–E como não esta? A bala podia ter acertado seu coração, você podia está morto.
–Ziva, eu sou um agente ok? Seu me defender, tentei me proteger e atirar ao mesmo tempo, não deu certo, mas eu sei o que faço. E por favor, me de o celular para que possa dirigir com as duas mãos. –Considerei a verdade em suas palavras e sorri com o comentário sobre minha direção, mas o obedeci, se alguém quisesse nos atingir de novo teria que esta preparada.
Alguns minutos depois de observação e chegando a conclusão que ninguém nos seguia deixei minhas mãos diminuir a força com que seguravam o volante e deixando a culpa de ser responsável por Tony esta ferido de lado. Segui a protocolo, proteger o civil, ele sabia que também deveria se proteger. Mas a idéia de quase ter perdido Tony não me abandonou, e o que foi um simples arranhão poderia ter sido um ferimento fatal, e diante desse pensamento decidir: Tony ou qualquer outro da equipe ficariam distantes de minhas ações não relacionadas com o NCIS.
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