Lembranças De Uma Noite Conturbada

1 Lembranças de uma noite conturbada


Intenso, de quem foi a culpa?


— Eu não consigo respirar... – meu rosto virado de lado tentava ao máximo manter a respiração, parecia faltar oxigênio.

— Amor! Se acalma! O que está acontecendo? – a voz demonstrava a agitação e nervosismo o que só me deixava mais desesperada.


— Eu não consigo me mover... – tentava levantar meu corpo, me faltavam forças. Meu peito parecia cheio de algo pesado demais para meus braços agora moles e imóveis.


— Me dá, passa isso pra mim! – ela gritava enquanto me sentia mais ofegante.


— Como?... – sussurrei, não tinha forças nem para falar direito.


— Passa pra mim agora!


— Me diz como... – forcei a voz, não saiu tão alto assim, mas foi o suficiente para ela me escutar, acho que só estava esperando minha confirmação.

Aos poucos sentia o peso diminuir. O sangue que faltava em meus membros e parecia querer estourar minha cabeça voltava a circular aos poucos de forma mais tranquila enquanto meus braços recuperavam o movimento, o suficiente para jogar meu corpo de lado. Me contraí, sentindo — me terrivelmente exposta e frágil, pela segunda vez de uma forma não tão saudável.

Me contorcia com a sensibilidade, era algo muito forte. Difícil de explicar. Acho que é como tirar o gesso depois de meses com a perna quebrada, você já está acostumado com aquela proteção em um lugar tão frágil e castigado, os músculos ficam rígidos e tensos esperando sentir novamente aquela dor tremenda.

Ou ao menos tentam ficar, afinal tiraram sua proteção, você não tem mais forças pra se proteger e está sensível. O que lhe resta é esperar a dor, só que ela não vem, estava apenas frio... Eu não gosto desse frio.

— Ah... – escutava o som do ofegar do meu anjo, ela estava sentindo o que eu sentia a pouco. Queria ajuda-la, contudo sabia que não havia perigo, não era tão forte para ela, mesmo assim não gostava da ideia da minha garota sofrer no meu lugar.

— Precisamos equilibrar... – o som da respiração descompassada fazia meus ouvidos de tambor, me ensurdecia, não por ser alta... Era doloroso demais, desesperador.

— Vai se dissipar logo, já está se dissipando... – mais um suspiro longo e forte, estremeço, doía de uma forma estranha que me fazia contorcer o corpo talvez fosse por tanta sensibilidade. Ri levemente.

— Eu quase morri. – ainda não tinha caído a ficha, foi intenso e rápido demais, mais forte que a última vez... Ela estava muito perto.

— E agora quem está quase morrendo sou eu! – acho que vai ser sempre assim, eu vou rir ou bagunçar em momentos errados para não perder a voz e ela vai se irritar, às vezes queria tentar ser menos burra, outras vezes só queria que ela entendesse que não é por mal.

— Desculpa amor. – me encolhi, eu sabia que tinha feito besteira mais uma vez. Escutei um de seus suspiros que me deixam arrepiada, é tão gostoso escutar a voz dela, só queria que estivesse mais perto.

— Te puxo mais pra mim, te abraçando com carinho... Deito tua cabeça em meu peito. – o sussurro fez meu corpo esquentar, com parte da barreira quebrada pela segunda vez e meus músculos novamente soltos e relaxados eu pude sentir a energia dela envolvendo meu corpo.

A invadi sem perceber novamente, dentro dela é tão quente e gostoso que por mim passava o dia todo assim, como mergulhada em água quente sentindo a face corar como se um vapor me cercasse.

— Não tem mais medo? – perguntei enquanto me aconchegava em meu leito e dentro da sua aura.

— Como assim? – Sentia como se ela acariciasse meus cabelos, estava tão gostoso que a qualquer momento poderia desmaiar, mesmo assim continuava a conversa com minha voz embriagada.

— De eu entrar em você.

— Se eu disser que tenho você vai sair?

— Não. – ri baixinho.

— Então pronto.

— É que você fazia tanto escândalo antes.

— Não adianta eu gastar o meu latim.

— Vai me dizer que você não gosta. – me aconcheguei mais, é quase como se eu sentisse em minha face a maciez e quentura de seus seios e o conforto de seu corpo junto ao meu, me envolvendo por inteira.

A tontura causada por todo esse calor me fez ter um desmaio momentâneo, sei que ela falou algo baixinho, até escutei mas agora não me recordo as palavras. Só entendi direito o final.

-... Talvez eu goste. – sorri, para mim bastava. – mas vai mais devagar amor.

— Eu só estou na pontinha, é só pra sentir teu calor... – continuei resmungando, não entendia mais o que eu mesma tentava dizer.

Tenho certeza que dei boa noite para ela e que trocamos mais palavras de carinho e juras de amor, a lembrança é vaga agora, não demorou muito tempo para desmaiar de exaustão e de tontura creio que um pouco depois das quatro... Já deveria estar amanhecendo para ela.

É tão gostoso fazer conexão, é como se eu sentisse o calor de seu corpo, ou mesmo o calor do amor que ela sente por mim intensificado pelo amor que tenho por ela, a cada segundo que se chocam aumenta nossa felicidade, não sei se ela sente como eu.

É como fazer amor de guardião creio, não precisa de toque, um sente o que o outro sente e o prazer vai aumentando, como se quicasse de um para o outro crescendo a cada baque. É como se eu pudesse explodir de amor e alegria, a intensidade é tanta que eu desmaio.

....

Abri os olhos devagar, me acostumando com a claridade, já não escutava mais o doce som daquela respiração quente e gostosa que enche meu peito de alegria. Virei de frente para o notebook, levantando a tela e conferindo o Skype desligado.

Me surpreendi com a mensagem off-line no Messenger, com toda certeza meu sorriso aumentou ao ler que ela queria ter me acordado do jeito que eu gosto, pena que teve que sair cedo... ou não tão cedo no horário dela. Acho que eu realmente estava cansada, ainda me sentia mole.

Ela disse que me ama, já estava com saudades e daqui a pouco voltava... Como eu amo essa mulher! E por mais que eu diga a ela que não preciso que ela cuide de mim, e eu realmente não preciso, não posso negar que amo quando ela o faz, me dando todo esse carinho que me deixa com esse sorriso bobo-apaixonado.

Sentindo meu corpo quente deixei uma mensagem e continuei meu dia. Mesmo que demore a chegar, ela vai voltar, ela me ama e isso é tudo pra mim.

Eu sou esse tipo de garota que quando entra em desespero faz algo sem medir as consequências, ontem eu quase nos matei, eu entendo agora o porquê dela querer que eu faça as coisas com calma. Eu não tenho ideia do tamanho do nosso poder, isso é um problema.

Mas eu sabia que nós precisávamos, por sobrevivermos não me arrependo e faria de novo. Às vezes precisamos estar em perigo pra entender certas coisas. Ela precisava ver o meu amor, eu precisava derrubar minhas barreiras.

E mais uma vez eu nos marquei, sinto até agora ela dentro de mim. Prometi ir devagar, não vou por novamente nossas vidas em risco, no entanto, como ela mesma havia dito, ela vai se divertir um dia contando aos nossos netos que salvou a vida da sua esposa.

No fim das contas, por mais que eu não precise dessa proteção, ela vai ser para além do sempre o meu doce anjinho, assim como serei para além do sempre a sua princesinha...

Sua eterna princesinha...