Lembranças De Uma Assassina
3 Revelação
Notas iniciais
Natália acordou, estava em um quarto escuro. Na janela, as cortinas balançavam com a brisa de inverno. Ela olhou ao seu redor e percebeu que a mobília do quarto era simples, um guarda-roupa, um espelho e uma mesa no canto contrário da cama.
A garota havia esquecido o sonho, até que viu o brilho sombrio e característico dos cutelos sob a luz do luar. Foi então que o terror chegou a ela:
- Na-não pode ser...
Saiu do quarto. Não aguentava ficar na presença daquelas armas, seguiu por um corredor até chegar a uma escada que levava ao andar térreo do lugar. Decidiu descer, encontrou uma cozinha no seu lado direito, resolveu procurar leite para se acalmar, mas lá encontrou um jovem que parecia ser pouco mais velho que ela.
- Ora, ora se não é a pequena gatuna das noites. – Disse o garoto em tom brincalhão.
- Q-quem é você, e o que faz aqui?! – Respondeu Natália quase gritando.
- Pelo visto, realmente chegamos tarde. Juro que se vejo ele mais uma vez o mato! Ah, me desculpe, você não deve lembrar, mas sou Klaus.
Klaus Vincent era um jovem de 17 anos, herdeiro de uma das fortunas mais cobiçadas de Fering. Alto, cabelos loiros que mais pareciam prata, corpo esguio e olhos de um verde que não seriam páreos nem mesmo para uma esmeralda.
A garota foi fitada por aqueles olhos, mas mesmo assim ainda estava em pânico. Logo saiu correndo em busca de abrigo. Não conseguia acreditar no que estava vivenciando: o sonho, a falta de lembranças, e ainda aquele garoto que dizia conhecê-la. No desespero entrou na primeira porta que encontrou, por sorte era um banheiro. Ficou lá até cair no sono.
De manhã, Klaus bateu na porta:
- Desculpe, mas estou um pouco apertado, Natália.
- Saia daqui!
- Vou te contar a versão bem resumida então, porque estou quase explodindo aqui. – Respondeu Klaus. – É o seguinte, numa noite de trabalho você foi sequestrada e eles tiraram as suas memórias, pronto. Agora, por favor, me deixe entrar!
Natália tentava ligar os pontos, mas nada surgiu, não tinha informações suficientes. Decidiu sair correndo e deixar Klaus entrar, até por que estava faminta. Foi para a cozinha, abriu a geladeira e lá encontrou ovos e frutas, no balcão ao lado havia pão. Decidiu fazer uma omelete e talvez alguma vitamina com as frutas. Enquanto isso pensava, “Porque continuo aqui? Deveria estar fugindo daqui nesse exato momento. E porque algo também me diz que conheço aquele garoto?” Ficou naquilo até o jovem Vincent chegar e assustá-la enquanto cortava as frutas para a vitamina.
Instintiva e rapidamente a faca já estava no pescoço de Klaus. Natália mal havia percebido o que tinha feito, porém, o jovem fez questão de acrescentar:
- Pelo visto você ainda se lembra de alguns truques, hein?
- O que eu fiz? – Natália estrou em estado de choque.
- Bem, como você deve ter ouvido no banheiro, aquela era uma versão resumida de todo o ocorrido. – Explicou. – Na verdade, você é uma assassina.
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