Lembranças De Um Outro Mundo
5 Capítulo 4 - Louis e Thomas
Notas iniciais
Louis Moore estava na casa de Thomas. Havia entrado pela janela do quarto de Thomas, depois de ver que parte do vidro da janela estava quebrado. Louis estava muito nervoso. Deitado na cama de Thomas, alguns pensamentos assaltavam sua cabeça: Eu não o matei, eu não teria coragem. Não, eu não teria mesmo.
Seu irmão gêmeo, George, descobrira que Louis fumava escondido da família, e ameaçava constantemente de falar para os pais sobre isso. Com medo de que os pais o odiassem, Louis se tornara algo como um escravo de seu irmão. Vivia fazendo o que ele mandava, gastava seu dinheiro com coisas para ele, e isso só parecia fazer ele cada vez mais querer um cigarro.
Na noite anterior, estavam jogando vídeo-game, até que George começou a perder, e ameaçar mais uma vez Louis. Sem dinheiro para cigarros e cansado das ameaças do irmão, saiu da sala em direção a cozinha. George continuou jogando sozinho, e só percebeu que seu irmão o olhava depois que o silêncio havia tomado conta do lugar.
Louis estava segurando uma faca, e a deslizava delicadamente por cada um dos dedos da mão esquerda. George estava começando a ficar com medo.
- Então, irmãozinho – disse Louis, sorrindo e apontando a faca para George. – Vamos jogar um jogo diferente hoje.
- Do que você está falando, cara? Se é sobre você fumar, não precisa se preocupar, não vou contar para os nossos pais... – disse George enquanto Louis o esfaqueava na barriga. Sua camisa azul começara a ficar vermelha, e ele pôs a mão onde o sangue não parava de sair. Com a mão coberta de sangue, olhou para seu irmão.
- O que você fez? O que você fez? – disse George, com a voz um pouco rouca. Louis começou a rir e não perdeu tempo. Enfiou a faca na cabeça de George, até o cabo impedir de que ela entrasse completamente no crânio do irmão. Ainda estava rindo quando ouviu o barulho do carro dos seus pais chegando.
Preciso tirar ele daqui, disse para si mesmo. Arrastou o corpo para a porta dos fundos, foi para o seu quarto e pegou dois cobertores, um para cobrir o sofá, impedindo (por um tempo) que os pais vissem o sangue; e o outro para cobrir seu irmão. Utilizou esse segundo para secar o sangue que estava no chão.
Abriu a porta dos fundos e carregou seu irmão nos braços. Olhou ao redor, procurando um lugar para esconde-lo. Avistou a sua antiga casa na árvore, e decidiu que aquele era o melhor lugar. Subiu a escada com esforço, levando o corpo do irmão pelo que parecia ser um abraço. Abriu a porta, e aranhas saíram correndo de dentro da casa. Colocou cuidadosamente o corpo do irmão lá dentro, fechou a porta e desceu as escadas.
Viu que havia luzes acesas em casa, e achou melhor ir para a casa de Thomas. Louis precisava se esconder, e Thomas precisava de um amigo. Não é sempre que seu pai fica em coma, sua mãe se suicida e seu tio morre em um acidente de elevador. Depois de algum tempo caminhando com cuidado pelas ruas, Louis chegou na casa do seu amigo.
Estava escura; não havia nenhuma luz para indicar se havia alguém lá dentro. A porta encontrava-se trancada, e Louis foi olhar para a janela do quarto de Thomas. Parte do vidro estava quebrado, e foi fácil para Louis conseguir entrar.
§§§
Passado algum tempo depois de deitar na cama, Louis decidiu procurar um cigarro pelo quarto. Sabia que Thomas não era do tipo que usava essas coisas, mas ele realmente achava que precisava procurar. Encontrou no guarda-roupa um pouco (muito pouco) de crack, e se surpreendeu. Thomas está usando drogas? Perguntou a si mesmo.
Resolveu experimentar aquilo, e gostou do que aconteceu. Sentiu-se calmo, como se o corpo fosse uma coisa etérea, e o sono chegou com facilidade. Estava sonhando, e no sonho Louis ainda era criança. Brincava com George – uma replica sua, mas um pouco mais magro — e Thomas em um campo enorme cheio de flores. O dia estava ensolarado, e eles corriam por quilômetros e sem cansar.
De repente, as flores começaram a morrer, e o céu estava ficando escuro. Olhou para trás e não encontrou nenhum dos dois que o seguiam, e foi quando acordou. Viu Thomas na porta do quarto, acendendo a luz e se assustando ao ver que não estava sozinho.
Louis levantou com esforço e o abraçou.
- Tom – disse Louis enquanto um estava encostado no outro. Thomas o empurrou para a cama e começou a procurar por algo no guarda-roupa. – Se o que está procurando é uma droga, me desculpa, mas eu a usei...
- Você o que? – indagou Thomas. Estava furioso.
- Escute, Tom, eu sei onde podemos arranjar mais disso, eu acho...
- Por que está aqui em casa... na minha casa?
- Eu precisava me esconder, e esse era o melhor lugar. Mas não vamos brigar, nossa amizade é eterna.
- Se há algo realmente eterno, é a morte – disse Thomas. Chutou a cara de Louis, e ele acabou desmaiando, e então Thomas o levou para o porão. Amarrou-o em uma cadeira, e colocou um adesivo em sua boca, para impedir que os vizinhos ouvissem seus futuros gritos.
Voltou para cima e sabia que precisava desesperadamente de um pouco da droga. Louis ainda vai estar ai quando eu voltar, mas onde posso encontrar o que quero? Perguntou Thomas para si mesmo. Não houve resposta, mas ele tentaria encontrar o que queria, mesmo que isso lhe custasse a vida.
Saiu de casa e começou a corre em direção ao centro da cidade. Entrou em muitos becos a procura de drogas, mas não encontrou nenhuma. Lágrimas começaram a cair de seus olhos, e então ele sentiu o cheiro da mesma droga que ele usava. Olhou a sua volta e viu um mendigo sentado no chão. Sabia o que precisava fazer.
Agarrou a mão do morador de rua e começou a tentar pegar algo, mas era impossível. Não queria violência, mas era preciso. Deu um soco na cara do homem e continuou fazendo isso até ele soltar completamente o que segurava. Thomas sentou-se no chão e começou a usar. Constatou que matara o homem, mas isso não importava mais. Nada mais importava.
§§§
Na UTI do Hospital, Dave Lewis finalmente abriu os olhos, depois de muito tempo fechados.
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