Notas iniciais
Olá gente, olha eu aqui com uma nova história, não é? Bom... Quem lê minhas fics sabe que estou perto de concluir duas fics, estou concluindo "O caminho para esperança"e "Believe in your dreams", o "Em nome do amor" não demorará muito para terminar, e logo veio a duvida de que histórias eu irei me dedicar agora... Claro, ainda estarei com "Abrakdabra" e "As Escolhidas" que entrarão para segunda fase, estou escrevendo ainda duas histórias que estão perto também de vir que é a "The Secrets" nova versão e "Popstar" uma comédia romântica, porém minha experiencia com "O caminho para esperança" é muito boa, foi uma fic muito especial para mim, então como vai terminar não queria ficar sem uma história do mesmo genero, e nasceu essa história. Esse titulo veio de uma obra minha baseado na segunda guerra mundial, porém eu mudei o nome do projeto para "Catastrofe" e reaproveitei o titulo para essa história, então, ela não é da guerra, para quem conhece esse projeto, ela é uma fic de drama meio gospel como foi caminhos, terá criança, e gosto disso. Porém serão bem diferente, não teremos um Edward bonzinho, amavel, evoluido espiritualmente que vimos em Caminhos, aqui ele é personagem amargurado, vocês em alguns momentos poderão sentir raiva dele, principalmente com a relação dele com Emma, claro que com tempo, vocês entenderão porque ele é assim, assim como Bella também que tem muitos mistérios envolvidos, o passado deles não serão entregues de imediato, sim aqui teremos também mistérios e somente pouco a pouco vou dando as respostas, amo isso! Será uma fic bem detalhista, estou tentando trabalhar mais com detalhes, e por ser um tema mais profundo, trabalhar com depressão, dor, traumas, é algo que precisa detalhar muito os sentimentos para vocês sentirem o que eles pensam, o que eles vivem, nesses primeiros capitulos serão mais a apresentação dos personagens, a fic será narrada na visão de Bella, Edward e Emma. Espero que gostem, comentem, eu pensei muito antes de postar ela, será dificil de trabalhá-la, tanto que de imediato só será essa fic que irei postar, popstar e the secrets provavelmente ficará para final de setembro, bgs e espero encontrá-los nos comentários, boa leitura!

UM

Isabella

...É difícil de viver o presente, quando sua vida se resume em viver o passado...

AGORA

...Eu suspirei, tirei a carta do envelope, e então a abri, observei aquela letra infantil, antes de começar a ler palavra por palavra, bem lentamente...

Querida mamãe

Eu estou com muita, mais muita saudades, o meu coração até mesmo dói, dói tanto, parece que vai explodir, eu juro mamãe, que tento fazer o que você me ensinou, quando to com essa saudade toda, eu olho para o céu e fico procurando aquela estrela bem brilhante, eu queria pegá-la, para ver se realmente você está lá, se eu te encontrasse eu ia pedir para que você me levasse com você, queria ficar bem do seu ladinho, pois sei que assim eu não teria mais medo de nada. Mamãe eu queria que você pudesse cantar aquela canção que cantava todas as noites para mim, para que eu não tenha nenhum pesadelo, e ai eu ia poder dormir abraçada com você, no quentinho e sentindo seu cheirinho, eu sei que assim eu iria ter sonhos bons. Quer que eu te conte um segredo? Eu não tenho mais sonhos bons, desde que você foi embora...

ANTES

Ás vezes eu me pergunto: Existe algum tipo de regra para superar uma dor? Acho que dificilmente alguém conseguiria responder com total certeza essa pergunta.

Depois de muito pensar e viver, eu cheguei a minha teoria de que nós não superamos a dor, o que acontece é que no fundo, lá bem escondido, nas profundezas de nossa mente as pessoas esperam que você siga e finja que aquela dor nunca tenha de fato existido, é como apagar um evento de sua cabeça, achando que simplesmente não falar mais disso, agindo como se este fosse um assunto feio ou muito errado magicamente ele é apagado, deixa de existir. Mas vamos dizer que na pratica isto não funciona tao bem, os resultados acabam não sendo digamos... Satisfatório.

Vejo o problema do passado como uma cicatriz, uma cicatriz muito feia, que fica num local que até é possível de esconder e é o que nos fazemos, vestimos roupas no intuito de tampá-la, para esconder dos outros,para que eles acreditem que essa cicatriz nunca existiu, mas na verdade ela apenas está escondida.

Talvez ainda, algumas pessoas mais observadoras continuem achando que você tem algo de feio, talvez sem querer você acabe dando esse indicio. Mas o importante é que eles não sabem o que de fato é, essa acaba sendo a intenção, bom pelo menos fora o que deu certo comigo.

Quando decidi mudar para Green Ville fora no intuito de esconder as feias cicatrizes, ainda chamo a cidade de nova, a minha casa de nova, tudo de novo, mas isso já faz mais de dois anos, assim como o corte do cabelo que não deixo chegar mais nos ombros, como a nova cor, o loiro platinado, tudo isso na tentativa de deixar a velha Isabella para trás, agora é Isabella nada de Bella, mas vamos ser sinceros, quem estou querendo enganar?

Tudo bem Green Ville não sabe quem eu sou, ali sou olhada também, sou apontada também, mas por outros motivos, não é legal, mas é mais legal do que em Washington, prefiro ser a louca, ou a depressiva, ou a misteriosa, ou a esquisita, qualquer coisa do que eu era há dois anos.

~*~

Eu não sabia como era difícil ser “a perseguida”, mas parece que com os anos as coisas tornaram-se mais fáceis, não mais fáceis, mas simplesmente tudo se torna mecânico e nada mais te deixa mal ou te surpreende. Mecanismo de defesa? Quem sabe! Virou rotina? Talvez!

O mais provável é que a segunda opção esteja mais certa, já que aprendi a acordar todos os dias às seis horas da manhã, um horário tão redondo eu sei, mas sempre parecia ideal para a minha barriga roncar, porém, mesmo com fome, meu corpo nunca parecia querer sair do lugar, fico todos os dias por mais trinta minutos enrolada na minha cama, coberta por um longo e quente cobertor, nesses últimos dias meus olhos acabavam sempre se fixando na minha nova cortina branca, que eu comprei exatamente há uma semana pela internet, estava em liquidação e acabei comprando mais três, para por nas outras janelas da casa.

Fico ali a olhando, notando que ela quase nem se move. Também, todas as janelas da casa vivem fechadas praticamente vinte e quatro horas por dia, antigamente acharia que isso deixaria o ambiente escuro e com um ar meio estranho devido á falta de ventilação, mas hoje o ato de fechar as janelas me deixa um pouco mais sossegada, acostumei deixar a luz do abajur acesa para não ficar totalmente no escuro durante a noite, um costume que comecei a ter já alguns anos, agora não faz diferença alguma mantê-lo, já que não tenho mais o meu marido do meu lado para reclamar.

Pensar nele fez com que eu notasse o quanto a cama estava grande, é ai que eu penso que eu poderia ter comprado uma nova cama assim que me mudei para Green Ville, poderia optar para uma de solteira, para dar a sensação de menos vazio, mas insisti em ficar com a mesma e ainda não entendo o porquê, talvez já estivesse me acostumado a me torturar, ficar olhando para o travesseiro vazio, como se ficar presa a essa lembrança, e ela pudesse ser uma boa companhia.

Só que não é, mas não consigo aprender isso...

— Bom dia Isabella! –falei para mim mesma, soltando um suspiro, virando na cama e parando o olhar no teto do meu quarto. Há uns três atrás, eu falaria “Bella”, mas “Bella” começou a soar estranho, começou a trazer certo revirar no estomago, agora é Isabella e nada mais.

Cocei os olhos, os pisquei e comecei a me movimentar na cama, ouvi o barulho dela, me lembrando do quanto ela está velha, mas como todos os dias eu ignorei o barulho e simplesmente me levantei.

Olhei em volta do meu quarto, que não estava nas melhores condições, ali a única coisa de novo é as cortinas e a casa, quer dizer a casa não tão nova assim.

A casa “nova” definitivamente não era a casa dos meus sonhos, tinha muita coisa para reformar e para mexer, coisas das quais meu orçamento não permitia fazê-lo. É então que fico pensando em como tudo mudou rapidamente em apenas três anos, claro, que a queda foi ocorrendo gradativamente. E não me surpreendo, não conseguia imaginar um final diferente do que esse... Pois é como minha mãe sempre diz se está na lama é para se sujar mesmo. Ela usava essa frase para usar o mesmo sentido de que: Quando algo começa errado, tudo termina errado.

E essa frase com certeza eu poderia levar para minha vida, afinal, o errado nunca fora tão freqüente, agora é mais do que obvio que um erro gera frutos e pode ganhar proporções imensas, mudar vidas e também destruí-las, e praticamente fora o que me aconteceu.

Tento desviar o assunto de meus pensamentos, mas quando cheguei á cozinha, logo penso em Jacob novamente. Com certeza se meu marido estivesse aqui, eu nesse momento estaria fazendo omeletes para nós dois, estaria cantarolando em frente ao fogão, e seria recebida por um abraço por trás, ele me daria um beijo no rosto, e diria “Bom dia Bella”, como todos os dias ele costumou fazer, por anos e anos.

Hoje, eu me contento a ir ao armário velho, o abro como todos os dias e pego uma caixa de cereal, encho numa bacia, jogo leite, misturo tudo e engulo, é o suficiente para matar a fome e a caixa de cereal dura mais tempo que os ovos, o que é a minha intenção, ir menos o possível no supermercado, ou melhor, dizendo, sair menos possível de casa.

Parei um pouco com a cafeína, já que ela estava me dando problemas para dormir, então apenas tomo um copo de leite puro após comer o cereal, e volto para o quarto, passo a maior parte do tempo ali, assistindo televisão e lendo livros, ás vezes nem perco tempo me trocando, prefiro ficar de pijama já que ninguém me vê mesmo.

Ás vezes enquanto leio eu me perco em meus pensamentos e é quando eu me pego me perguntando: se Jacob me visse agora, será que ele me reconheceria? Eu confesso que eu evito me olhar no espelho, mas ás vezes eu acabo ficando tentada a me observar e arrisco ficar me olhando sem parar por até quatro minutos seguidos.

Quando eu conheci Jacob lembro que eu tinha longos cabelos da cor de chocolate, eles eram brilhosos e era o que mais eu gostava em mim, eu sempre fui muito branca e meus olhos são da mesma cor de meus cabelos, também sempre fui muito esbelta, nunca tive problema com o meu corpo, não tive muita experiência com homens, mas sei que muitos me achavam bonita.

Agora, um pouco mais velha, mantenho os cabelos um pouco acima dos ombros e são loiros platinados, porém a raiz está escura porque não quero sair para comprar tinta, confesso que a minha aparência não está uma das melhores, eu conseguia enxergar um “ar cansado” em minha expressão, meus olhos estão inchados e com olheiras profundas, minha pele está com aparência de ressecada, eu não estava mais com paciência de fazer a unha, e nem tinha motivos para isso, não queria me arrumar. Vivia os meus dias vestida com o meu pijama velho, e nos pés apenas arrastava minha velha pantufa. Às vezes canso do pijama e visto algumas roupas folgadas, Jacob realmente me odiaria se me visse dessa forma. Ou, no mínimo me perguntaria: O que você fez consigo mesma? Nem eu mesma teria essa resposta.

Nesse ultimo ano me sustentei com o resto da venda da casa em que Jacob e eu vivíamos antes de tudo acontecer, há mais de dois anos eu a vendi e comprei uma mais barata, saindo de Washington e vindo para Green Ville, uma cidade pequena, pouco longe, pacata, e os moradores dali, claro, adorava falar da vida dos outros, o que é comum em cidades pequenas.

Embora com todos esses defeitos, era uma chance de recomeçar e fui sobrevivendo, meu gasto não é muito grande, já que não saio nem mesmo de casa, mas eu sabia que o dinheiro uma hora iria acabar e eu precisava de um emprego, mas eu sabia que seria difícil conseguir algum nessa situação em que eu estava.

E é então que me pergunto: Onde fora parar os meus sonhos? Por acaso eles realmente se acabaram naquele dia nove de outubro? Confesso que sinto como se minha alma ainda estivesse naquele episodio. Como se tudo tivesse chegado ao fim, e eu estivesse apenas fazendo hora extra na terra. Sinto como se meu dever de estar respirando é apenas para ficar fazendo perguntas, e não encontrar respostas... E continuar nesse ciclo, infinito, em minha eterna jaula.

Sinceramente não é fácil viver reclusa eu sei, mas é uma situação um pouco mais confortável do que ir para rua, pois só de pensar em pisar o pé para fora de casa me sinto nervosa, nervosa o suficiente para a palma das mãos soarem, a respiração até mesmo falhar, é uma briga interna constante, com o cérebro dizendo “vai” e o corpo dizendo “fica em casa”.

E eu sei que toda essa briga é porque toda vez que saio pela porta de entrada tenho que encarar o mundo mais uma vez. E eu sabia que se começasse a trabalhar, terei que encará-lo todos os dias e não apenas para fazer compras ou visitar o David, o único do meu passado que esta presente aqui. Porém, há mais ou menos uma semana a palavra “trabalho” começou a rodear a minha mente, começou a me incomodar profundamente, era como se fosse um peso na consciência, eu sabia que precisava trabalhar se não quisesse nos próximos meses ter que começar a pedir ajuda de meus pais para sobreviver.

Como sabia que dificilmente alguém me daria um emprego, tive uma ideia numa noite enquanto assistia jornal.Apelar para pessoa mais próxima que tinha em Green Ville. Jéssica Stanley.

Um mês após me mudar, isso há mais de dois anos, eu a conheci na estrada que levava a entrada da cidade, o carro dela havia quebrado e ela havia torcido o tornozelo, estava desesperada no meio da rua, e eu a encontrei, aquele dia eu estava resolvendo algumas coisas da venda da casa de Washington e também ainda estava no processo de mudança Assim que a vi lhe dei uma carona, ela foi muito legal e me disse que o que precisasse poderia lhe pedir, sei que ela tem um cargo de chefia nos correios. Acho que chegara o momento dela retribuir esse favor.

Porém embora me viesse essa ideia na cabeça, eu sabia que podia não dar certo, isso já faz muito tempo, e faz tempo também que não a vejo.Devido a isso passou os dias, e ainda não tinha tido a coragem de sair de casa e tentar, pelo menos arriscar.

Mas teve um momento que esse tempo chegou, numa manhã quando acordei para mais um dia de rotina, fui até o armário da cozinha e vi que estava ficando vazio. Logo pensei. Eu teria que ir ao supermercado.

Uma coisa que antes era simples se tornou uma tortura para mim. As palmas da minha mão soaram e meu coração disparou, eu senti como se tivesse despencando no chão, pois odiava ir ao supermercado, mas logo pensei já que eu ia ter que sair, aproveitaria e tentaria falar com Jessica, ela seria a única que talvez pudesse me ajudar.

~*~

Fora numa quarta-feira de manhã que eu decidi sair para o mundo, fazia mais ou menos uns quinze dias que eu estava dentro de casa e não tinha coragem nem mesmo de me aproximar da janela, dentro desses quinze dias eu ouvi barulhos estranhos do lado de fora, sabia que tinha gente aprontando, e até pensei como estaria o estado do meu carro, mas não tive coragem nem mesmo de olhar.

Decidi sair de casa ás sete e quinze da manhã, comecei me arrumar exatamente ás seis e meia, mexi em meu guarda-roupa e procurei a roupa mais adequada para vestir, eu sabia que iria conversar com Jéssica Stanley, e o meu estado tinha que estar o melhor possível, eu me decidi por uma saia vermelha e uma blusa social branca, lembrei que a ultima vez que usei esse traje fora há mais de três anos, Jacob estava comigo,logo então desviei os meus pensamentos.

Ajeitei a saia, enquanto me observava no espelho, os meus cabelos estavam soltos, por serem curtos não tinha muito que fazer com eles,eu precisei passar muita maquiagem para esconder o meu “ar” triste e cansado. Tinha que pelo menos fingir que estava bem. Sai do quarto, peguei minha bolsa que já estava na sala de estar e quando eu já estava em frente á porta de casa, prestes a dobrar a maçaneta e sair para o mundo afora, o telefone de casa tocou, e como sempre eu senti no mesmo momento um frio no estomago. Era agora que tudo ia começar. Eu respirei fundo e voltei para trás, para pegar o telefone.

— Alô? – falei, assim que o atendi.

— Bella... Minha filha! – escutei a voz de minha mãe Renée. – Se eu não te ligo, você nem sequer se lembra de mim, como você está?

— Eu estou bem mãe... – respondi para ela. – Você sabe muito bem porque eu evito ligar, mas não é porque não me lembro de você!

Ouvi minha mãe suspirar.

— Eu sei que os meus sermões te irritam, mas você sabe que tudo que eu falo é por preocupação, já faz mais de um ano que eu não te vejo, eu estou pensando em até...

— Não! – eu falei já a cortando, pois sabia o que ela ia dizer.

— Você ainda não quer me ver, não quer ver seu pai...

— Eu pedi um tempo! – falei.

— Já demos tempo demais, não acha? – ela perguntou, e sua pergunta por algum motivo me afetou, tanto que até senti as lágrimas se formando dentro dos meus olhos, já fazia algum tempo que eu não chorava. Isso porque parece que as lágrimas com tempo endurecem e se tornam mais difíceis de escorrer dos olhos. – Nem a sua casa de Green Ville eu conheço...

— Eu sei, mas eu quero continuar aqui sozinha... Além do mais, comprei a casa há pouco tempo e ainda precisa de algumas reformas, antes de eu receber visitas...

— Você já tem essa casa há uns dois anos! – ela falou. – Bella, você diz que está bem, mas ás vezes eu sinto como se você estivesse precisando muito de mim, não é bom sempre estar sozinha...

— Só mais um tempo, ta? Além do mais eu não estou sozinha, estou com David...

— David... Ai minha filha! – ela falou.

— Mãe, agora eu preciso ir... – já a interrompi, pois eu sabia que se eu não a cortasse, o assunto iria se alongar demais.

— Por favor, me liga! – a ouvi dizer, antes de eu desligar.

Coloquei o telefone na mesa da cozinha e olhei novamente para a porta, eu sabia que agora era á hora de eu ultrapassá-la como se ela fosse uma barreira. Eu senti-me quase fraquejar quando dobrei novamente a maçaneta e dessa vez sai de casa, assim que dei o primeiro passo para o lado de fora, eu abri minha bolsa para pegar os meus óculos escuros, coloquei no rosto como se com ele fosse possível me esconder, mas eu sabia que só os óculos não seria o suficiente.

Olhei ao redor, enquanto respirava fundo. Confesso que respirar o ar do lado de fora é diferente, ás vezes sinto como se ele sequer me pertencesse, acho que é porque quase não o respiro mais.

Fora só eu começar a descer os degraus para chegar á calçada, que eu começo já a notar o clima pesado a minha volta e alguns pares de olhos parados em minha direção, primeiro do Sr. Wilson, o vizinho que está cortando a grama de seu jardim, depois de um menino que não conheço que está parado na calçada com uma bola na mão, esse deve ter apenas uns onze anos de idade e me olhava com os lábios entreabertos e com uma expressão como se eu fosse até mesmo um extraterrestre.

Abaixei a cabeça, ignorei os olhares e fui me aproximando do meu carro, senti um cheiro desagradável e logo notei que alguém tinha acertado ovos nele, provavelmente estavam podres. Abri a porta do carro, peguei um pedaço de jornal que tinha no banco de trás e fui até a frente do carro para limpar o vidro, onde havia acertado os ovos, não ficou muito bom e o cheiro desagradável continuou, mas pelo menos eu conseguiria dirigir.

Fui até o supermercado mais próximo de minha casa, além de ser o mais barato da região, também não precisava ir muito longe para fazer as compras. Somente quando cheguei ali, que retirei os óculos escuros, ainda fiquei uns dez segundos paralisada no carro, antes de abrir a porta e ir até o supermercado.

Devo confessar que entrar naquele ambiente me deixava extremamente nervosa,eu tinha perdido o costume de freqüentar ambientes que tivessem outras pessoas e ainda mais quando estão juntas e em um numero tão considerável.Então tento não olhar para elas, permaneço de cabeça baixa enquanto pego os produtos o mais depressa possível, ao entrar no novo corredor do mercado, paro o carrinho imediatamente, ao ver logo em frente a senhora King. Embora chame de senhora ela tem a minha idade. Ela é professora de uma escola infantil da cidade, e confesso que escolas infantis me deixam um pouco nervosa, ainda mais quando vejo crianças correndo na frente delas, me lembram de coisas, que não desejo lembrar.

Fora o marido dela que vendeu a casa para mim e ela o acompanhou em algumas visitas, acha que é minha amiga. Mas acho que amizade é algo muito profundo para considerá-la assim.

Assim que nossos olhos se encontraram, rapidamente abaixei a cabeça, mas sei que ela tinha parado o carrinho apenas para me olhar. Depois da ultima vez que a vi, notei que ela engordou uns cinco quilos, mas ainda eu podia chamá-la de magra, seus cabelos loiros também eram tingidos, mas estava desbotado, assim como os meu precisava ser tingido de novo.

Eu senti minhas mãos tremerem e passei rapidamente ao lado dela, eu ainda tinha que pegar uma caixa de cereal, mas acabei desistindo ao vê-la, eu não queria falar com ela, pois sei que ela me encheria de pergunta, tipo: Onde você esteve esse tempo todo que eu nunca te vejo pela cidade? São perguntas que com certeza eu não saberia responder.

Então já fui direto para o caixa, entrei na fila e olhei para trás, fiquei nervosa ao ver que a senhora King estava se aproximando com seu carrinho, rapidamente então olhei para minha frente.

— Bom dia Isabella! – ouvi ela me cumprimentar, a respiração no mesmo instante falhou, senti como se tivesse tomado um choque elétrico. Quanto tempo eu não via a senhora King? Se eu fizer um rápido calculo mental, já fazia quase um ano, acho que nove meses para ser exata. Tempo suficiente para ela engordar cinco quilos.

Lentamente virei á cabeça para trás para encará-la, tentei sorrir para ser simpática, mas acho que desaprendi a fazer isso, é como se o meu rosto estivesse endurecido e perdido toda expressão facial.

— Bom dia... – simplesmente falei, a voz saiu mais baixa do que eu queria, rapidamente olhei para frente. Agradeci em pensamentos ao ver que havia chegado a minha vez.

Fiquei olhando ansiosamente a funcionaria passar os produtos, queria que aquilo terminasse o mais rápido possível.

— Faz tempo que não te vejo, acho que quase um ano, parece que desapareceu, é como se nem morasse mais na cidade... – ela comentou, parecia querer ser simpática, mas eu não estava mais acostumada com a simpatia das pessoas. Talvez ela estivesse com pena, á maioria sempre está com pena de mim.

Assim que a funcionaria terminou, eu rapidamente tirei o dinheiro da bolsa, a paguei em dinheiro para ser mais rápida, peguei a sacolas, e fiz menção de sair.

— Até outro dia, Janet! – falei, evitando olhá-la de novo. Mas assim que me viro, sinto uma mão segurar o meu braço.

Eu olho rapidamente para ela, assustada e ao mesmo tempo surpresa com seu gesto.

— Você não tem que viver sozinha Isabella, todas nós precisamos de alguém para conversar. – ela falou e sorriu, parecia ser um sorriso sincero, tenho que confessar que Janet até parecia ser uma boa pessoa, poderia ter sido minha amiga, isso se fosse numa outra época, há uns três anos atrás, mas agora, não tinha espaço para ela, não tinha espaço para ninguém..

— Certo! – foi á única palavra que consegui soltar. Não consegui dizer mais nada, apenas me virei e sai do supermercado rapidamente, como se tivesse fugindo dela, o que era um gesto bem idiota.

Abri a porta de trás do carro e coloquei as sacolas rapidamente lá, ao sentar no banco do motorista e fechar a porta eu senti uma enorme vontade de chorar. Eu odiava agir assim, eu odiava o que me tornei, mas parecia ser mais forte do que eu. Era como se eu tivesse caído num abismo, criado uma espécie de fobia, eu estava presa no mais profundo dos buracos e eu não conseguia sair dele, não tinha forças para lutar, não tinha forças para nada.

Coloquei novamente os óculos escuros, fechei os olhos por alguns segundos, antes de abri-los novamente, ligar o carro e pisar no acelerador.

~*~

Como ainda o carro estava fedendo a ovo, preferi deixa-lo numa distancia razoável dos correios, tranquei o carro e segui para dentro do local, ao parar na porta tirei os óculos escuros novamente e os guardei em minha bolsa, olhei a entrada por mais alguns segundos, antes de ter a coragem de entrar.

Vi que vários pares de olhos já vieram em minha direção, confesso que eles me deixam um pouco nervosa, porém eu estou acostumada, ainda sou uma novidade. É uma surpresa me verem, ainda mais no correios.

Eu decidi ir logo direto ao ponto, pedi para recepcionista me levar até Jéssica Stanley, e acredito que pela surpresa de minha visita repentina, Jéssica acabara me atendendo rápido, rápido demais para quem tem um cargo importante nos correios.

— É uma surpresa receber sua visita... – Jéssica comentou assim que entramos em sua sala, ela sentou primeiro em sua mesa, e eu sentei na cadeira a sua frente, cruzei as pernas e coloquei a minha bolsa em meu colo. – Acho que faz muito tempo que não nos vemos, acredito que para você aparecer aqui deve ser algo importante, está com algum problema?

— Na verdade sim, quer dizer, preciso da sua ajuda,eu me lembro de uma promessa que você me fez assim que nos conhecemos, que quando eu precisasse de alguma coisa você retribuiria um favor que te fiz, se lembra da carona? – falei, e ela deu uma leve risada, como se tivesse realmente achado engraçado o meu comentário.

— Você tem uma memoria boa, quase nem me lembrava mais disso, quer dizer, não esqueci a sua ajuda, mas o que conversamos já está meio vago para mim... – ela falou.

— Eu nunca esqueço nada, acho que isso é um grande problema...

— Problema? Ter uma boa memoria é uma qualidade... – ela disse, me interrompendo. A essa altura as minhas mãos estavam muito molhadas devido a quantidade de suor, e meu coração disparava acelerado. – Mas que favor você quer me pedir?– ela perguntou, minha boca estava totalmente seca, necessitava urgentemente de um copo de água, mas sei que naquele momento eu iria ter que continuar com sede, não era a hora mais adequada de ir ao bebedouro.

— Um emprego... – falei, e a voz quase fraquejou. – Eu preciso de um emprego... – disse, notei que pela expressão dela ela ficara imensamente surpresa com o meu pedido.

Continua...

Notas finais
N/A: A atualização dela começará depois da conclusão de Believe e Caminhos que estão bem no seu final já, espero que tenham gostado, espero encontrá-los nos comentários