Lembranças
41 Capítulo 41
PDV Daniel
Fiquei ali, parado, sentindo como se cada palavra dele estivesse arrancando um pedaço do meu peito. A verdade é que eu nunca tinha enxergado as coisas por esse ângulo. Sempre achei que Chuck era forte demais, orgulhoso demais, sarcástico demais para sentir qualquer tipo de carência. Mas agora ele estava ali, despido de qualquer armadura e pela primeira vez, me mostrando um lado dele que eu nunca conheci.
— Chuck... — comecei, sentindo minha garganta fechar. — Eu nunca soube que você se sentia assim.
Ele se recostou mais no travesseiro e desviou o olhar, como se estivesse arrependido de ter dito tudo aquilo.
— Não precisa dizer nada — murmurou com a voz trêmula, mas firme. — Eu só... Eu precisava tirar isso de dentro de mim antes que explodisse.
Me aproximei devagar, sentindo o chão parecer mais instável a cada passo. Quando parei ao lado dele, hesitei por um segundo antes de colocar a mão em seu ombro. Ele não recuou, mas também não reagiu.
— Você tem razão. Não é justo. — Admiti, engolindo a culpa como uma pedra. — E eu não tenho como mudar o passado, ou fazer os seus pais te amarem como você merecia... Mas eu posso te prometer uma coisa.
Ele virou o rosto em minha direção, os olhos vermelhos e atentos.
— Você não vai passar por essa merda sozinho. Nunca mais. — Falei com toda a certeza do mundo. — Eu estou aqui. Eu, Phoebe, Ana... até o Christian se bobear. Você não tá sozinho, Chuck. E mesmo que o seu pai continue sendo um babaca, eu vou ser a porra da sua família. Quer você queira ou não.
Uma lágrima escapou do canto do olho dele, mas ele não tentou esconder.
— Você já é, idiota.
— Então para de achar que não merece isso. — Completei. — Porque você merece. Merece amor, merece carinho, merece ser lembrado e escolhido. Sempre.
Antes que Chuck pudesse sequer abrir a boca, a porta do quarto se abriu, revelando uma enfermeira e uma médica que entraram com sorrisos ensaiados — o tipo de expressão que se usa mais por protocolo do que por empatia — ao perceberem que ele finalmente havia despertado.
A médica se aproximou com um leve aceno de cabeça para mim e mantendo a voz suave, porém firme ao pedir para eu me retirar do quarto para que ela pudesse examinar Chuck com mais privacidade.
Hesito por um segundo, olhando para Chuck para saber como ele se sente em relação a isso. Ele assente com a cabeça, abrindo um pequeno sorriso, mostrando que está bem. Então sem dizer uma única palavra, saio do quarto em silêncio.
Collin permanecia ali, encostado na parede fria, com seus braços cruzados e uma expressão nada agradável em sua face. Se tinha escutado o que Chuck havia falado era impossível dizer.
— Posso fazer algo pelo senhor ? — Pergunta o segurança.
Ainda sem dizer uma única palavra saio andando pelos corredores do hospital para tentar silenciar a confusão de pensamentos que havia se formado em minha cabeça
O corredor branco e silencioso pareceu mais sufocante do que antes. O cheiro de desinfetante misturado com o eco abafado de passos e máquinas monitorando vidas frágeis criava um clima frio, quase estéril demais para a tempestade que rodava dentro dele.
Não sabia exatamente para onde estava indo. Só andava. Precisava respirar, pensar, entender.
Foi só quando o cheiro fraco de café queimado e pão amanhecido chegou que percebo onde tinha parado.
A cafeteria do hospital estava quase vazia devido ao horário. Algumas poucas pessoas com expressões exaustas, uma enfermeira tomando café em pé, e um homem de paletó olhando fixamente para um celular trincado.
Caminho até o balcão, pego dois copos de café, entrego um para o segurança e me viro para procurar uma mesa vazia.
E então a vi.
Ana estava sentada em um canto discreto, de costas para a entrada, com uma xícara nas mãos e os ombros levemente curvados, como se o peso do mundo estivesse apoiado ali. O cabelo preso em um coque malfeito, os olhos fixos em um ponto qualquer à frente. Ela parecia tão perdida quanto eu.
— Mãe... — chamo, baixinho.
Ela ergueu o olhar devagar, surpresa primeiro, depois aliviada, mas havia uma sombra ali. Uma preocupação que ela não conseguia esconder.
— Daniel... — Ela se levantou quase no mesmo instante, como se o simples ato de me ver em pé fosse o bastante para trazer um pouco de paz. — Está tudo bem? Como está o Chuck?
Sento à sua frente, finalmente soltando o ar que nem percebo que estava prendendo.
— Está acordado. A médica está com ele agora. — Replico pensando em cada palavra que Chuck havia me dito em relação como tratava Ana e Christian. — E Phoebe?
— Ainda dormindo. Christian ficou velando seu sono, por enquanto que vim beber um chá para distrair um pouco minha cabeça.- Replicou forçando um pequeno sorriso.
— Me desculpa... — As palavras escapam antes mesmo que eu consiga pensar. — Me desculpa se afastei vocês... se fui grosso, distante. Me desculpa por não saber demonstrar o quanto eu te amo. Você é minha mãe. E eu... eu só queria que você soubesse disso.
Ana estendeu a mão com delicadeza e envolveu a minha, como quem segura mais do que dedos, segura o coração.
— Daniel — ela disse em voz baixa, os olhos brilhando com lágrimas contidas —, você não precisa me pedir desculpas. Você passou por tanta coisa... Eu nunca esperei que me amasse de imediato, assim que nos reencontramos. — Ela respirou fundo, a voz embargando levemente. — Claro que eu queria o seu amor. Queria sentir que ainda havia um espaço pra mim. Mas eu entendi que isso levaria tempo e que eu teria que conquistar esse espaço, pouco a pouco. — Ela apertou minha mão com mais força.— Agora, sendo bem sincera, você podia ter facilitado um pouco no começo — disse, com um sorriso leve, mas ainda sério. — E, sim, não vou fingir que é fácil ouvir você chamando a Emma de mãe também. — Fez uma breve pausa, encarando meus olhos.— Mas hoje eu compreendo, amar ela não significa que não pode me amar também. O coração tem espaço pra mais de um amor, Daniel. E eu tô aqui não pra competir, mas pra ser alguém que você possa chamar de mãe também no seu tempo, do seu jeito.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, sentindo o peso e a ternura de cada palavra dela. A mão dela ainda envolvia a minha, firme, mas gentil.
— Eu só... eu queria fazer melhor. Ser melhor. Às vezes eu me perco no meio de tudo e acabo machucando quem me ama. — Falei, quase num sussurro. — E eu te amo, mãe. Mesmo quando não sei como mostrar.
— Eu sei, meu filho. — Ela sorriu, os olhos agora brilhando com lágrimas. — E eu te amo por tudo que você é. Até nas suas dúvidas. Até nos seus silêncios.
O silêncio entre nós já não era desconfortável. Era um silêncio cheio de entendimento, de coisas ditas e outras que finalmente não precisavam mais ser explicadas.
Ana soltou minha mão devagar, como se não quisesse quebrar o momento.
— Eu preciso voltar para o quarto da sua irmã. Já estamos aqui há mais de uma hora, seu pai deve estar à beira de um colapso de preocupação. — A voz dela era suave, quase um sussurro.
Assenti devagar, soltando um suspiro.
— E eu preciso voltar pro Chuck. Se ele estiver acordado, com certeza já está me xingando por ter sumido por tanto tempo.
— Cuida bem dele. E de você também.
Depois daquela conversa com Ana, eu me sentia mais leve como não me sentia há muito tempo. Apesar de tudo o que aconteceu ao longo do dia, era como se, por um momento, o peso tivesse diminuído.
Quando voltei para o quarto, encontrei Chuck dormindo profundamente. Provavelmente a médica havia dado mais analgésicos para aliviar a dor dele. Então, me acomodei na poltrona ao lado da cama, fechei os olhos e fui lentamente levado para o mundo dos sonhos.
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Acordei na manhã seguinte com o sol brilhando forte, batendo diretamente nos meus olhos. Chuck ainda dormia profundamente, indiferente à luz que iluminava seu rosto. Não sei qual remédio a médica havia dado para ele, mas certamente era um dos bons.
Me espreguicei na poltrona, sentindo o corpo dolorido pela noite mal dormida. O quarto ainda estava silencioso, exceto pelo sons dos aparelhos conectados ao corpo de Chuck. Levantei devagar, tentando não fazer barulho. Caminhei até a janela e puxei a cortina só o suficiente para deixar a luz entrar sem incomodar demais. Lá fora, o dia parecia comum. Carros passando, pessoas apressadas, o mundo seguindo como se nada tivesse acontecido.
Suspirei.
Estava perdido em meus próprios pensamentos quando ouvi a maçaneta girar suavemente.
A porta se abriu devagar, revelando Grace. Ela entrou sem fazer barulho, como se temesse quebrar a quietude do quarto. Usava seu habitual jaleco branco e carregava nas mãos uma xícara de café fumegante. Seus olhos buscaram os meus assim que cruzou a porta, e um leve sorriso se formou em seus lábios cansado, mas sincero.
— Bom dia — Sussurrou, fechando a porta atrás de si.
Assenti, tentando sorrir de volta, mas não consegui disfarçar o cansaço.
— Ele ainda está dormindo? — Perguntou, se aproximando da cama e lançando um olhar terno para Chuck.
— Como uma pedra — Respondi. — Seja lá o que a médica deu, funcionou bem.
Ela soltou um riso baixo, quase aliviado
— Você conseguiu dormir um pouco? — Ela perguntou, agora me olhando de verdade.
— Um pouco. Não o suficiente. E você?
Ela deu de ombros, soprando o café antes de beber um gole.
— O suficiente pra continuar em pé.
Por um instante, ficamos em silêncio, apenas observando Chuck dormir. Era um tipo raro de paz ,frágil, como se pudesse se desfazer a qualquer momento.
— Passei para ver a Ava antes de vir para o hospital — Contou Grace, e meu coração vacilou por um segundo. — Achei que você gostaria de saber.
— Como ela está? — Perguntei, a voz saindo mais baixa do que eu esperava.
Grace respirou fundo antes de responder.
— Continua agitada, mas está estável. Hoje de manhã ela vai ter a primeira sessão com a psicóloga. Deixei marcado um horário para você no período da tarde e gostaria muito que fosse também.
Eu queria estar com a Ava naquele momento. Queria sentir sua presença, abraçar minha namorada, dizer que tudo ia ficar bem mesmo que eu ainda não soubesse como.
Mas Chuck não tinha ninguém. E eu não podia deixá-lo sozinho agora.
Por mais que meu coração estivesse dividido, eu sabia onde precisava estar.
— Eu não sei se consigo vó. — Confessei, num sussurro quase inaudível. — Não agora.
Ela assente com a cabeça , porém seu olhar permance firme, mas cheio de empatia.
— Justamente por isso você deveria ir. Ninguém espera que você esteja bem mas fingir que está não vai te ajudar.
Engoli em seco, sentindo o peso das palavras dela se encaixarem em lugares que eu vinha tentando ignorar.
— Eu só... — Balancei a cabeça, tentando encontrar alguma defesa. — Eu prometo pensar com carinho, mas não sei se vou conseguir ir. Pelo menos, não hoje.
Grace sorriu com tristeza.
— Vou examinar o Chuck agora. Se quiser ir ao banheiro, tomar um café, posso ficar aqui com ele por um tempo.
— Acho que um café cairia bem — Murmurei, espreguiçando meu corpo novamente.
Ela assentiu com um leve sorriso compreensivo.
— Pode ir tranquilo. Eu te chamo se ele acordar ou se houver qualquer mudança.
Não me demorei muito. Primeiro, fui à cafeteria e bebi um café bem forte. Depois, passei no banheiro para jogar água no rosto e, por fim, retornei ao quarto. Desta vez, Chuck já estava acordado.
— Olha quem resolveu acordar — Brinquei, chamando a atenção do meu amigo.
Chuck abriu os olhos lentamente, ainda meio sonolento, e deu um sorriso torto.
— Só esperando você aparecer para dar um pouco de movimento nesse quarto parado — Respondeu ele, tentando se sentar, mas desistiu e recostou a cabeça no travesseiro.
Ri baixo e me aproximei da cama.
— Como ele está vó? — Perguntei, com a voz carregada de preocupação.
Grace olhou de mim para Chuck por um momento, medindo as palavras antes de responder.
— Ele está estável, mas ainda terá um longo caminho pela frente antes de poder sair daqui. Pedi para a enfermeira administrar um bom analgésico para que ele continue sem sentir dor isso é o que importa no momento.- Ela sorriu com delicadeza..- Além logico de repouso , então nada de tentar alguma gracinha Chuck.
Ele fez um sinal de positivo com a mão.
— Bom agora eu preciso ir ver outra paciente. – Eu sabia que ela estava se referindo a Phoebe , mas não podia dizer para não agitar Chuck. – Qualquer mudança importante no quadro mande me chamar Daniel.
-Muito obriga vó
Ela beija minha testa com delicadeza e pedi para pensar com carinho em ir no psicólogo hoje a tarde antes de sair do quarto.
Me aproximei devagar da cama, puxei a cadeira e me sentei ao lado de Chuck.
— Como você está se sentindo?
Ele soltou um riso fraco, mas o olhar ainda carregava dor.
— Como se um trator tivesse passado por cima de mim e depois dado ré.
Sorri, aliviado pela resposta, pela piada.
— Ainda bem que o senso de humor sobreviveu. Já é um bom começo.
Ele me olhou de canto, cansado, mas presente.
— E você? Tá com uma cara horrível.
— Valeu, tô me esforçando pra isso — Brinquei, passando a mão pelo rosto. — Mas sério, estou aliviado de te ver acordado.
Chuck respirou fundo, como se o ar pesasse.
— Obrigado por estar aqui. Por não ir embora, principalmente depois de tudo o que falei ontem.
— Eu nunca iria. — Respondi, sem hesitar. — Achei que já tinha deixado isso claro ontem. Chuck, você é meu irmão. Você é parte da minha família.
— Tá... mas se começar a chorar, a culpa é tua.
— Chorar faz parte do pacote, irmão — Respondi, sorrindo de volta. — E hoje você tá liberado.
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Por volta das onze da manhã, ouvimos uma batida firme na porta.
Me levantei da poltrona e fui atender, e lá estavam eles: o pai do Chuck e sua mais nova esposa.
Ele entrou primeiro, ocupando o espaço como se ainda estivesse em uma fazenda gigantesca e fosse dono do mundo, chapéu de couro na mão, sapatos de couro polido, camisa xadrez impecável e um olhar duro que parecia medir tudo ao redor.
Atrás dele vinha ela muito mais jovem, impecavelmente arrumada para alguém que estava indo a um hospital. Usava salto alto, um vestido justo demais para a ocasião e uma maquiagem que parecia mais apropriada para um jantar de gala do que para visitar um enteado internado. A forma como segurava a bolsa de grife, com os dedos delicadamente arqueados, gritava mais "pose" do que preocupação.
— Então é aqui que meu filho tá — Disse o pai do Chuck, a voz grave ecoando no quarto, como se esperasse que todos parassem para escutá-lo.
Chuck soltou um suspiro quase inaudível ao vê-los.
— Bom dia pra você também, pai — Disse, tentando se manter neutro.
— Ora, ora, olha só... — Murmurou a madrasta, sorrindo de forma ensaiada enquanto examinava o quarto com desinteresse. — Achei que hospitais fossem mais acolhedores.
— Isso aqui é um quarto de recuperação, não um spa — Respondi, seco, antes de conseguir me controlar.
Ela me lançou um olhar gelado, mas não respondeu. O pai de Chuck ignorou o clima e se aproximou da cama.
— Como você tá, garoto? – Perguntou ele , sem demonstrar qualquer interesse verdadeiro pelo filho.
Chuck deu de ombros, claramente desconfortável.
— Já estive melhor. Mas tô vivo.
O velho assentiu, como se isso bastasse. A madrasta, por outro lado, não parecia saber o que fazer com as próprias mãos.
— Você devia ter contado que estava namorando a filha do Christian Grey — disse ele, com um sorriso satisfeito e orgulho escancarado na voz. — Se eu soubesse disso antes, teria vindo te ver bem mais cedo.
Chuck arqueou uma sobrancelha, sem esforço para esconder o desgosto.
— Então foi só por isso que você veio não é? — Retrucou, com a voz carregada de decepção. — O sobrenome dela vale mais que a minha vida pra você?
O pai franziu o cenho, como se a acusação fosse injusta ou simplesmente inconveniente.
— Não fala assim, garoto. Eu me preocupo com você, sim. Só achei curioso. Impressionante, até. A gente sabe o peso que esse nome carrega.
Chuck soltou uma risada seca, sem qualquer humor.
— Claro. Porque "peso" é tudo que você enxerga nas pessoas, né? Nome, dinheiro, posição. Eu sou apenas um erro do passado, que está finalmente fezendo algo que vale a pena aos seus olhos.
A madrasta revirou os olhos discretamente, já entediada com a conversa.
— Bem... não precisa transformar isso num drama. Estamos aqui agora, não é? — Disse ela, ajeitando o cabelo com a ponta dos dedos perfeitamente feitos. — Que tal deixar o passado no passado?
— Pra você é fácil dizer isso — Chuck respondeu, encarando-a por um breve instante antes de desviar o olhar de novo.
Fiquei olhando, sem reação. Como um pai pode tratar o próprio filho, que quase morreu, dessa forma?
— E quando vamos poder conhecer minha nora e o restante da família Grey? – Perguntou parecendo ansioso pelo momento.
Chuck respirou fundo, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e cansaço.
— Já deu. Não quero vocês dois aqui.
O pai dele arregalou os olhos, surpreso com a firmeza na voz do filho.
— Ei, garoto, cuidado com o que diz.
— Cuidado? — Chuck interrompeu, levantando-se com esforço da cama, apoiando-se no meu braço.— Eu estou cansado de fingir que isso aqui é uma visita de família. Vocês só aparecem quando convém, quando querem algo.
A madrasta deu um passo à frente, tentando retomar o controle da situação.
— Não precisa ser assim, Chuck. Estamos preocupados.
— Não, vocês estão interessados no nome da minha namorada, não em mim — Retrucou Chuck, com os olhos faiscando. — Agora, por favor, saiam do meu quarto.
Estava ao lado de Chuck, firme.
— Vocês ouviram o Chuck. — Disse, com voz calma, mas autoritária. — Acho melhor vocês irem.
O pai bufou, olhando de Chuck para mim, mas não disse mais nada.
— Vamos — Disse, conduzindo os dois para a porta.
— Quem você pensa que é para nos colocar para fora desse quarto? — A madrasta disparou, com a voz carregada de desdém.
Me virei lentamente para encará-la, mantendo a calma, mas com firmeza.
— Sou alguém que não vai permitir que desrespeitem o único lugar onde meu amigo pode se recuperar em paz. Agora, por favor, saiam.
Ela abriu a boca para retrucar, mas o olhar firme fez com que ela hesitasse.
— Essa conversa acabou.
Empurrei a porta com delicadeza, mas com determinação, e os acompanhei até o corredor, deixando claro que não havia mais espaço para eles ali.
— Obrigado — disse Chuck, a voz rouca e cansada, quando ficamos finalmente sozinhos.
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