Lembranças
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Notas iniciais
PV ELENA.
A campainha tocou e eu vi Caroline me olhando sorridente, eu estou usando uma calça jeans e uma blusa simples que eu a convenci a me deixar usar (afinal se fosse por ela eu usaria um vestido vermelho ousado) Abri a porta e ele estava lá, parado e com aquele olhar nervoso e tão adorável de se ver.
–Hey- ele disse beijando o meu rosto. – Vamos?
Concordei e peguei a minha bolsa que estava no sofá e depois olhei para Caroline que estava escondida no balcão da cozinha (não me perguntem por que).
Saímos juntos do apartamento e ele abriu a porta do carro pra mim.
Sorri.
–Que cavalheiro- comentei quando ele entrou.
–Bem nós começamos num tanto rápido, então eu decidi que podemos ir devagar agora, não acha?
Sorri pra ele.
–Queria pedir desculpas pelo que houve com a Jenna...
–Tudo bem... Ela parece... adorável.
Controlei a risada.
–Quanto mais tempo eu passo com você mais eu percebo que você não é um psicopata assassino- disse irônica.
Ele riu e beijou a minha mão antes de dar partida no carro.
–Adoro seu senso de humor, sabia?
E quando ele parou o carro percebi que estávamos em uma parte afastada do parque, na verdade, bem afastada, não havia ninguém por lá. O olhei e ri.
–Ok, agora isso está parecendo assustador.
Ele sorriu revirando os olhos. Saiu do carro, abriu a porta pra mim e depois pegou uma cesta no banco de trás.
–Que romântico-comentei enquanto ele arrumava tudo no gramado.
Depois de tudo pronto ele olhou pra mim e gesticulou que eu me sentasse.
–Assustador e depois romântico, estamos progredindo.
Sorri.
Ele tinha planejado tudo. E a lua estava realmente linda. Parecia o clima perfeito para um encontro perfeito com um cara perfeito. Ok a minha vida nunca foi tão boa assim, algo tinha que dar errado, afinal, eu sou Elena Gilbert, entre 10 pessoas em uma rua, o raio cairia direto em mim. Não duvidem.
–Você está longe de mim- comentei percebendo que ele estava mesmo distante.
Ele me olhou e sorriu sem graça. Aproximei-me dele e deitei a minha cabeça em seu ombro enquanto ele me envolvia em seu abraço quente. Tente ser menos atirada Elena.
Ele começou a acariciar o meu cabelo, aquilo era realmente muito bom. Respirei fundo, olhei pra ele e percebi que me observava, senti uma onda de carinho e paixão, uma vontade de ficar ali para todo o sempre, no colo dele, enquanto ele acariciava o meu cabelo.
-Quantas garotas já trouxe aqui?- perguntei quebrando o silencio confortável em que estávamos.
–Só você- disse apenas.
–Serio? Não acredito.
–Você precisa começar a acreditar em mim sabia? Eu não sou um psicopata assassino- ele disse irônico.
–Ok, desculpe-me.
Ele sorriu.
–Tudo bem.
–Posso perguntar uma coisa?
–Qualquer coisa- ele disse.
–O que você sente sobre agente?
–Como assim?
–O que acha que somos?
Sentei-me para que pudesse olha-lo nos olhos. Ele hesitou por um momento, depois respirou fundo.
–Estamos namorando não estamos?- perguntou como se aquilo não fosse obvio.
–É claro que não.
–Por quê?
–Você nem fez o pedido- disse
Ele riu, ajoelhou-se e depois pegou a minha mão.
–Vai me pedir em casamento?- perguntei rindo.
–Você, Elena Gilbert, aceita ser a minha namorada?
Quantos anos temos? 13? Sorri pra ele e concordei.
Algo como aquilo nunca poderia ter acontecido antes, não assim, não como com ele. É como se eu me sentisse uma adolescente de 17 anos de novo, e mesmo não estando tão distante dessa idade, não sou velha ok? Mas eu tenho 21 e quais as possibilidades de isso acontecer com qualquer mulher do mundo aos 21 anos?
–ACEITO SER SUA NAMORADA STEFAN SALVATORE- Gritei alto e ele me abraçou.
Ele ia me beijar no rosto porem me virei antes disso e o beijei de verdade. Ele se assustou porem não demorou a corresponder o beijo, deitou-me no gramado e continuamos a nos beijar por longo período, dando tempo apenas para recuperar o fôlego, mas enquanto isso ele mordiscava o meu pescoço, fazendo-me perder os sentidos.
Se estávamos querendo ir devagar, não estava funcionando mesmo. Ele também pareceu perceber isso e sorriu quando passei a mão por sua cintura.
–Estávamos indo devagar- comentou.
Sorri.
–Estávamos- eu disse sorrindo.
–Eu até poderia tentar me afastar, mas não consigo.
–Então não o faça.
–Agora você que está me seduzindo- ele disse e eu sorri.
Eu me sentia tão bem com ele.
Voltei a beijar os lábios dele, delicada e lentamente assim como ele fazia comigo, enquanto o fazia deitei-o no gramado. Sentei-me abaixo de sua barriga. Pude senti-lo, e perceber que ele estava excitado. Muito excitado pra falar a verdade. Controlei a risada e dei tempo para que respirasse enquanto mordiscava seu pescoço. Abri a camisa de botões que ele usava e beijei seu peito nu. Desci o beijo até a barriga, ele gemia baixinho, e quando percebi que estava acabando com ele fazendo aquilo, voltei simplesmente a beija-lo.
–Elena, por favor- ele sussurrou em fôlego.
Não pude deixar de rir. Deitei-me ao seu lado e ele se virou pra mim.
–Acho que você não deveria ter feito isso- disse ainda recuperando o fôlego.
–Por quê?
–Porque eu posso me vingar sabia?
Sorri e apoiei a minha cabeça em seu peito. Era tão bom estar pertinho dele, ouvir a sua respiração se acalmando lentamente. Ele entrelaçou os nossos dedos e depois me abraçou firme. Tive a sensação de que ele também queria estar ali pra sempre, que ele também queria ficar comigo.
Xxx
Damon saiu do Mystic Grill cambaleando, era quinta feira anoite e ele estava bêbado, pensou em pegar o carro que estava estacionado ali perto, porem desde o acidente de Stefan ele prometera a si mesmo que não faria nada imprudente no transito. Pegou o celular e pensou em ligar para seu irmão, mas lembrou-se que ele estava com Elena, além do mais ele não iria pedir ajuda a Stefan depois da briga estupida que tiveram. Ainda mais se ele estava certo.
Pensou em ligar para o seu amigo Alaric, mas ele estava em um encontro com a tia de Elena, Jenna. SERÁ QUE TODO MUNDO ESTÁ SAINDO COM ALGUEM HOJE? Respirou fundo e uma súbita raiva lhe subiu a cabeça, ele não confiaria em mais ninguém além de Stefan e Ric para busca-lo, ele se sentiu sozinho, abandonado, mas era só crise de bêbados. Pegou um taxi e foi para o único lugar onde ele não deveria ir.
Parado naquela casa simples ele respirou fundo, não deveria mesmo estar ali, porem tocou a campainha e sorriu quando Meredith Fell abriu a porta, ela estava apenas de pijama, um adorável pijama curto. Ela era linda, cabelos não tão longos castanhos encaracolados, olhos penetrantes... Talvez de raiva por ter sido acordada. Eles estavam saindo a uma semana, porem isso não lhe dava o direito de aparecer bêbado na casa dela.
–Oi Meredith- ele disse.
Ela respirou fundo.
–Está bêbado?
–Não, estou apenas... Alcoolizado.
Revirou os olhos.
–Damon o que está fazendo aqui?
–Pensei em fazer uma visita- disse cambaleando.
–Porque não foi para casa?- perguntou como se aquilo não fosse uma coisa obvia.
Mas nem ele sabia bem a resposta.
–Qual é Mary, por favor- ele pediu.
–Mary? Quem é Mary?
–Apelido para Meredith, não gosta de apelidos? Qual o preconceito com apelidos? — disse e depois riu sozinho.
Meredith respirou fundo e deixou ele entrar.
A casa era simples porem arrumada, uma cozinha logo perto da sala- que tinha um sofá e uma televisão pequena, Damon se sentou e pôs a mão na cabeça.
–Ok, você vai tomar um banho gelado e eu vou preparar um café- ela disse e ele concordou. -Tem toalha no banheiro. Terceira porta a esquerda.
Ele se levantou e foi até o banheiro.
PV MEREDITH.
Damon Salvatore está bêbado na minha casa, tudo bem que a parte de ele estar bêbado não é novidade, mas ele está bêbado na minha casa. Não entendi o porquê de ele ter vindo aqui, dele ter escolhido me acordar ao invés de acordar o irmão dele. Tudo bem que estamos saindo a uma semana, e isso é muito tempo quando se trata dele e de seu temperamento digamos... Forte, mas ele passou do limite vindo aqui hoje.
Ignorei meus pensamentos e continuei a esquentar um café bem forte e amargo pra ele tomar. 15 minutos depois ele apareceu na sala novamente, sem camisa, com o cabelo todo molhadinho. É difícil resistir à tentação de dizer que ele é tão adorável quando está indefeso, sem cartas na manga, sem sarcasmo, apenas um cara cansado e com sono, com o cabelo bagunçado e encharcado, sem camisa... Ok. Ele se sentou no sofá e passou a mão pelo cabelo.
Damon Salvatore é de longe o homem mais bonito que eu já vi- não que eu vá admitir isso alguma vez na vida- mas não há como não se apaixonar por ele. Seu cabelo escuro, seus olhos azuis profundos, a maneira com que ele olha pra mim ou talvez para todas as mulheres com que saiu e vai sair na vida... Tinha que ter algo de errado com ele. Damon pode ser o cara mais gato do mundo, mas também é o mais idiota.
–Aqui está, tome pelo menos a metade- disse me aproximando.
Ele concordou calado tomou um longo gole e depois fez careta.
–O que pôs aqui?- resmungou.
–Não reclame, está bem forte porque você está bêbado- disse com a sobrancelha arqueada.
Por algum motivo ele sorriu pra mim.
–Obrigada Meredith- disse.
–Pensei que me chamasse de Mary.
Ele riu.
–Você não gosta de apelidos- ele disse e eu sorri.
–Ok, você vai dormir aqui hoje, vou pegar um lençol e um travesseiro pra você- disse.
Ele me encarou.
–Não posso dormir na sua cama?
O tom de voz dele era como o de uma criança. Tentei não sorrir.
–Não Damon, eu não coloco bêbados na minha cama- disse e ele revirou os olhos.
Sai da sala e fui até o meu quarto pegar o que havia prometido a ele. Deus, ele é tão lindo que chega a ser difícil resistir. Voltei e o encontrei da mesma forma, sentado com a xicara de café na mão.
–Aqui está, caso faça frio você pode se embrulhar com ele- disse entregando um lençol a mais.
Ele sorriu e agradeceu.
–Ok já vou indo.
–Hey Meredith... Não quer deitar comigo?- perguntou.
O encarei sorrindo.
–Não Damon, obrigada, mas eu disse que não durmo com bêbados.
–Não. Você disse que não coloca bêbados em sua cama- ele disse mais uma vez usando aquele tom infantil.
Revirei os olhos.
–Damon eu tenho plantão amanhã até tarde, preciso descansar...
–Por favor, não precisa dormir aqui, só fica um tempinho- pediu se deitando.
Suspirei e concordei.
–Um tempinho.
Deitei-me de costas pra ele, o sofá é pequeno por isso se eu ousasse respirar demais acabaria caindo, ele sabia disso, então me abraçou. Pude sentir seus braços fortes e ainda gelados da agua entre o meu corpo.
–Porque não ligou para o seu irmão?- perguntei.
–Ele está em um encontro hoje.
Bufei e virei-me pra ele, dessa vez era necessário que ele me puxasse com ainda mais força contra si, e ele o fez. Não podia evitar, estava adorando aquilo.
–Damon, você sabe que se o seu irmão soubesse que estava bêbado sozinho, ele pararia o que estava fazendo pra vir atrás de você, não sabe?
Ele me encarou.
–Sei, é exatamente por isso. Eu não podia fazê-lo sair de onde estava.
–Por quê?
–Porque sim.
Concordei.
–Sabe... Vocês acham que são totalmente diferentes. Mas quer saber? Vocês não são, apesar de tudo, você são parecidos- disse.
Ele bufou.
–Não acredito nisso.
–Porque não? Quer saber por que são parecidos? Vocês sabem que tudo é sobre a família, vocês põem a família de vocês em primeiro lugar em relação a tudo e todos. Eu admiro isso.
Talvez ele estivesse bêbado demais, porque pela primeira vez, não estava fazendo ironias ou falando com tom de sarcasmo.
Ele ficou parado próximo a mim pensando sobre o que eu havia dito, eu sei que ele estava mesmo pensando sobre aquilo.
–Talvez- disse apenas.
Sorri pra ele, aquilo era um progresso entre nós. Pela primeira vez em uma semana juntos eu cheguei a imaginar se poderia ter um futuro ao lado daquele homem. Ele não era tão idiota quanto eu imaginava, porque debaixo daquela armadura toda, de todo o sarcasmo, ele é... diferente, diferente do que eu imaginava.
Damon tentou aproximar seus lábios nos meus e eu hesitei.
–O que foi?- perguntou confuso.
–Você está com hálito de cerveja e café- resmunguei- quem sabe amanhã, depois que escovar os dentes e puder se lembrar das coisas que diz... Talvez eu beije você.
Ele deu aquele sorriso torto tão adorável e que qualquer mulher cairia de amores, qualquer mulher. Mas eu não sou como elas. E eu sei bem...é isso que ainda o faz ficar interessado.
–Talvez, é?- perguntou e eu ri.
–É talvez- disse e ele me abraçou com força.
Xxx
Depois de um longo período daquele mesmo jeito, Elena respirou fundo e o beijou.
–Preciso ir- disse.
Stefan resmungou.
–Não, fique- pediu.
Ela sorriu para ele e depois se sentou no gramado.
–Já é meia noite, preciso ir ou a Jenna me mata- disse e ele concordou.
Arrumaram tudo de volta na cesta e foram até o carro. Stefan a deixou na porta de seu apartamento.
–Quer que eu te deixe lá em cima?- perguntou.
–Não precisa mô- disse.
Ele sorriu. Era tão fofo ouvi-la o chamar de “mô”
–Tudo bem- disse e depois a beijou delicadamente.
–Quero te ver amanhã, posso ir à sua casa?- ela perguntou.
Ele a olhou surpreso.
–Sabe onde é a minha casa?
Elena também estranhou aquilo, ela realmente não sabia como. Apenas sabia, ou melhor, algo nela sabia, uma pequena lembrança da casa dos Salvatore vinha em sua mente mesmo sem nunca ter ido lá.
–É Mystic Falls Stefan, sei onde todo mundo mora- disse tentando ignorar o fato de que estava confusa.
Ele sorriu e concordou.
–Ok então, que horas vai passar lá?
Ela pensou por um tempo.
–Que tal antes do jantar? Filme e pipoca?- sugeriu.
–Tudo bem amor- disse e a beijou novamente.
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