Lembranças
8 She made a choice and chose you
Notas iniciais
–Pode entrar- disse.
Ele sorriu e entrou. Estava tão lindo.
–Pode ficar a vontade. Eu fiz umas comprar mais cedo e acho que tem o suficiente pro que você for cozinhar essa noite- disse.
–O que você quer?- ele perguntou.
“Você” pensei.
–Tem macarrão, o que acha de uma macarronada? Aliás, é a única coisa que eu sei fazer, então posso te ajudar- disse sorrindo.
–Tudo bem então.
O guiei até a cozinha e mostrei a ele onde ficavam as coisas, depois enchi meu copo com vinho e me sentei em uma cadeira enquanto ele preparava tudo.
–Então senhor Salvatore. Fale-me sobre você- comecei super nervosa.
Ele sorriu.
–O que quer saber?
–Qualquer coisa. Seu tipo de musica favorito.
–Hmmm, os clássicos são os melhores, meu irmão insiste em dizer que Taylor Swift é a artista do século, mas eu ainda acredito no poder do bom e velho Bon Jovi... E eu também gosto dessa tal de Miley Cyrus- disse sorrindo.
Sorri junto a ele.
–Coisa mais louca que fez em toda a sua vida...
Ele me olhou e surpreso.
–O que?
–Bem, se estamos nos conhecendo gostaria de saber a coisa mais maluca que já fez- repeti sorrindo.
–Dancei bêbado próximo a estatua da liberdade com a minha melhor amiga- ele disse rindo.
O olhei impressionada.
–Serio? Não acredito!
–Porque a cara de espanto?
–Não sei, vai ver você não tem cara de quem já fez isso- disse e ele riu.
A risada dele é tão, mais tão adorável.
–A é? E você? Qual a coisa mais louca que já fez na vida?- ele me perguntou tirando a atenção da comida e olhando nos meus olhos.
Confesso que me perdi nos seus olhos verdes.
Corei.
–Bem, eu convidei um cara que conheci há um dia para minha casa sem saber se ele é psicopata assassino- eu disse e ele riu alto.
–AUT!
Sorri.
–Pra sua satisfação senhorita Gilbert, eu não sou um psicopata assassino ok?
–Essa com certeza seria a primeira coisa que um deles diria.
Ele riu.
–Então se você acha isso... Porque me chamou?- ele perguntou.
Meu coração acelerou.
–Eu... Ah, eu não sei...
Ele ia se aproximar, porem algo começou a queimar e ele desviou sua atenção, o que permitiu que eu voltasse a respirar. Respira Elena... Respira. Calma.
–Queimou?- perguntei.
–Não, mas já ia queimar- ele disse e voltou-se para mim- voltando ás perguntas. Essa foi mesmo a coisa mais louca que já fez?
–Qual o problema?
–Sei lá, parece sem graça- ele disse.
Fingi estar ofendida.
–Não é sem graça, é super perigoso e maluco, acredite.
Ele sorriu.
–Não, não é.
–É sim.
–Não é Elena, acredite eu sou um bêbedo que dançou na estatua da Liberdade eu sei muito bem do que estou falando.
–Você se acha o cara mais legal do mundo por isso não é?
–Na verdade sim- disse convencido se aproximando de mim.
Perdi a fala nos primeiros 5 segundos que ele tocou o meu pescoço.
–Idiota- bufei e ele sorriu.
–Só porque te chamei de sem graça? Tudo bem me desculpe- disse acariciando o meu rosto.
Sorri com isso.
–Está tentando me seduzir é?- perguntei tentando aliviar o clima.
Ele sorriu.
–Na verdade sim, você está sendo seduzida?
–Na verdade não. Você é um fracasso nisso- disse mentindo completamente, porque na boa, ele estava me seduzindo demais com aquele olhar.
Ele se aproximou de mim devagar, tão devagar que eu pensei em puxar logo o pescoço dele e beija-lo de uma vez, porem apenas o esperei aproximar seus lábios nos meus, e ele o fez, tão precisa e lentamente, permitindo que eu sentisse tudo daquele beijo: amor, paixão, desejo e um pouco de dor. O beijo foi calmo e lento, ele segurou a minha cintura e me colocou encima da mesa, onde continuamos. E por mais que eu quisesse hesitar antes que aquilo se tornasse outra coisa, simplesmente não pude, minha cabeça pedia que eu me afastasse, mas eu agia ao contrario daquilo, apenas porque meu coração pedia por ele. E de repente aquele vazio que eu senti mais cedo, toda aquela sensação de que faltava algo... Tudo aquilo foi preenchido com aquele beijo. Aquele doce e puro beijo.
Hesitei quando senti suas mãos procurando pelo interior da minha blusa.
–Isso está ficando... – ele começou.
–É- disse apenas.
–Ah, deixa-me ver a comida.
Ele se afastou de mim claramente envergonhado e eu respirei fundo. O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ELENA GILBERT? Ele estava bem aqui, com aquele beijo macio e doce e você hesita assim?
Ele colocou o macarrão em dois pratos e eu enchi nossas taças com vinho, o que foi estranho porque nenhum de nós tocou na comida. Tenho certeza que ele também só pensava no nosso beijo.
Respirei fundo e o convidei para sentar no sofá, ele concordou e sentou-se ao meu lado.
–Você mora sozinha aqui?- ele perguntou.
Sorri tentando não imaginar o que ele queria dizer com aquela pergunta.
–Na verdade sim, mas á dois meses eu sofri um acidente de carro, fiquei em coma e depois que voltei pra casa minha tia Jenna está morando comigo, mas ela está em um encontro hoje- disse.
Ele concordou. Pensei que faria mais que isso pelo fato de eu ter mencionado algo tão importante quanto “sofri um acidente de carro e fiquei em coma”. Mas desliguei quaisquer pensamentos quando ele segurou a minha mão.
Eu o olhei e ele simplesmente manteve seu olhar em minhas mãos, depois olhou pra mim e pôs uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e sorriu delicadamente.
Porque ele tem que ser tão irresistível?
E por um bom tempo eu apenas olhei para os seus puros olhos verdes. Ele ficou parado também, e eu sabia que dessa vez ele não faria nada, foi por isso que eu agarrei seu pescoço e o beijei mais uma vez, Deus, eu desejava aquele beijo mais que tudo, ele hesitou no primeiro momento, e depois que passou a corresponder eu pude sentir que ele também esperava e desejava aquilo tanto quanto eu. Ele me agarrou pela cintura e passou a comandar o beijo, mas como ele podia fazer isso tão perfeitamente?
Deitou-me no sofá e desceu seu beijo até o meu pescoço, fazendo-me suspirar, eu não conseguia entender como e porque ele sabia agir comigo, ele sabia exatamente onde me tocar e beijar afim de que eu me excitasse. E antes que eu pudesse se quer pensar em levar aquilo adiante, ouvi uma voz no fim da sala nos interromper bruscamente.
–Stefan?- olhei e vi Jenna parada com as duas mãos na cintura, ela estava muito aborrecida e ao mesmo tempo parecia confusa.
Stefan recuou rapidamente, ele também parecia decepcionado. Recompus-me física e psicologicamente, mesmo ainda sentindo a mão de Stefan pelo meu corpo. Os encarei e respirei fundo.
–Vocês se conhecem?
Stefan fechou os olhos e fez uma careta, imagino que ele desejava que eu não fizesse essa pergunta.
–Elena você já pode ir para o seu quarto- Jenna disse séria.
Eu não acredito que ela disse isso, tenho 21 anos, ela não precisa mais me dizer o que eu devo ou não fazer... Mas ela parecia brava, não comigo, e sim com Stefan. Levantei-me e o beijei nos lábios, e depois sai da sala deixando-os a sós.
Depois que Elena saiu de cena Jenna acompanhou Stefan até a porta, ela não houvera dito nenhuma palavra, parecia pensar exatamente no que dizer a ele sobre aquilo.
–Stefan no que você está pensando?
Ele suspirou.
–Eu quero ser a tia legal, eu quero poder dizer “estou feliz que não tenha desistido” Mas sinceramente? Eu não posso fazer isso Stefan, e você sabe por quê.
Stefan a encarou incrédulo.
–Jenna, ela é 21 anos, ela pode muito bem escolher o que ela quer, vocês não precisam comandar cada passo do destino dela- disse controlando o tom de voz.
Jenna suspirou frustrada com aquela conversa.
–Não Stefan, ela não pode escolher, e você sabe que não. O que disse a ela?
Stefan pôs as duas mãos no bolso.
–Nada, nós acabamos de nos conhecer...
–Vocês o que? Stefan que diabos você está fazendo? Tudo bem, nem me conte, eu não quero saber, só quero que se afaste dela antes que isso cause problemas... Você não vai poder fingir pra sempre Stefan, não vai poder viver na mentira. E antes que a sua mascara caia, é melhor se afastar.
Ele sentiu um nó em sua garganta.
–Mas Jenna, eu a amo...
Aquilo foi definitivamente fatal para ela também.
–Então deveria fazer isso por ela- disse deixando Stefan parado na porta. Desolado. Sem escolhas.
Depois ele dirigiu até sua casa, pensou em ligar para Caroline ou Nik, mas ele sabia que eles diriam algo como: não desista, é só o começo ou tudo vai ficar bem. E isso era exatamente o que ele não queria ouvir, ele não queria ouvir mais nada de mais ninguém, queria apenas pensar no que fazer... Se é que ele ia fazer algo sobre isso.
Chegou em casa e viu Damon assistindo tv na sala, era cedo pra ele estar em casa, não que isso importasse naquele momento.
–E ai?- Damon pulou do sofá quando viu Stefan chegar. Porem viu a sua aparência desanimada. –O que houve?
Stefan suspirou.
–Nada.
–Nada? Olha pra você, parece que levou um chute, diz ai- Damon se levantou e pegou um copo de uísque para o irmão.
Stefan bebeu um gole.
–O encontro foi perfeito até a Jenna chegar e acabar com tudo.
Damon franziu a testa.
–A Jenna? Tem certeza?
–Tenho, ela... Ela ficou repetindo que eu não deveria estar fazendo isso e que eu deveria deixar a Elena em paz- resmungou.
Damon bufou despreocupado.
–Como se isso fosse impedi-lo.
Stefan não respondeu.
–Você não vai desistir né Stefan?
Mas Stefan continuou calado.
–Que diabos Stefan, no que está pensando? Ela te ama, você a ama, não pode desistir assim.
–Não é mais uma escolha minha, Damon- Stefan disse aumentando o tom de voz.
–Do que está falando?
Stefan se levantou e depois riu mesmo não achando um pingo de graça no que iria dizer.
–Eu pensei que estava fazendo isso por ela, por nós... Mas quer saber? Eu estava fazendo apenas por mim, por eu não conseguia viver sem ela, eu não queria viver sem ela. Eu fui um grande egoísta por ter agido assim... Eu não dei escolha a ela.
Damon estava enfurecido com as palavras do irmão.
–Não Stefan, você deu escolha a ela sim, foi escolha dela se apaixonar por você, ela te ama idiota. Ela fez uma escolha, e escolheu você. Porque ela te ama, ela sempre vai amar- disse gritando.
Aquilo deveria ter saído mais dificilmente, pensou Damon, mas era a verdade e por alguma razão não foi doloroso o dizer.
Stefan virou-se para o irmão. Tinha raiva nos olhos, tanta raiva que ele mal sabia de onde vinha.
–Porque está dizendo isso? Porque está me encorajando assim? Nós dois sabemos que você também a amava Damon. Então pode parar com o teatro só porque é o meu irmão. Não precisa mais ficar fazendo esse joguinho encorajador, estou cansado de tentar entender.
Damon respirou fundo e depois sentiu seu punho alcançar o rosto de Stefan, segundos depois seu irmão estava caindo no chão, sua testa sangrava.
–Nunca mais repita isso Stefan, você não faz ideia do quão estupido você foi- Damon disse colocando o copo de uísque na mesa e deixando Stefan caído na sala.
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