Lembranças

4 Três - Primeiro Dia


Notas iniciais
Desculpem a imeeeensa demora.
Eu fiquei sem internet todos esses dias, não dando para postar.
Mas, hoje, novo capitulo.
Hope You Like ^^
Boa Leitura!!

Acordou, ao som do despertador, sem nenhum animo. Não queria levantar e, muito menos, ir para a escola.

– Charlie, levanta! Eu vou te levar hoje.

–...Já vou. – se espreguiçou. Levantou, indo em direção ao seu espelho, para poder arrumar seu cabelo e passar sua maquiagem de sempre. Cuidadosamente, fez um traço, em seus olhos, com seu delineador. Pegou seu material e foi para a cozinha.

– Bom dia! – falou sonolenta se sentando a mesa

– Ovos mexidos? – apenas acenou com a cabeça, dando autorização para Chad colocá-las em seu prato. – É só o primeiro dia, depois piora. – riu da piada, parando no exato momento em que percebera que só ele estava rindo.

– Chad, idiota. – sua mãe deu-lhe um tapa no braço – É brincadeira dele, filha, você sabe. – beijou o topo de sua cabeça. Charlie manteve-se calada, não queria falar, estava preocupada de mais com seus próprios problemas.



– Chegamos! Bem vinda a sua nova escola, Charlie.

– Você chama isso de escola? – olhou, pela janela do carro.

Notava-se que era uma escola antiga. Em sua fachada estava escrito, bem grande, ‘FOREST HIGH’, parecia isso pelo menos, não dava pra saber direito pelo tanto de pichações que continha no lugar, ela parecia estar em decomposição.

– Ah, qual é, dá uma chance.

– É...algo que você nunca me deu. – desceu do carro batendo a porta. Sua mãe deu partida, sumindo de sua vista em segundos. Charlie respirou fundo, ajeitou sua bolsa no ombro e começou a andar em direção a entrada.

Todos a olhavam como se nunca tivessem visto alguém daquela forma antes, com aqueles cabelos. Ela ouvia alguns cochichos, como, “Será que é peruca?...Espero não ficar na mesma sala que ela...” vindo de algumas meninas e “Carne nova no pedaço...Essa eu pego em duas semanas...Como e jogo fora...” vindo dos meninos.

– Homens. – falou para si mesma, repugnando a palavra, e, entrando na escola.

“É, nunca julgue o livro pela capa, Charlie”

Por dentro estava em perfeito estado, limpa, não cheirava maconha e nem banheiro sujo. Olhava de porta em porta, procurando a sala do diretor, não podia pedir ajuda porque não encontrava ninguém, uma escola de corredores vazios.

O sinal toca, fazendo-a se arrepender de não ter encontrado ninguém pra pedir informações, pois agora tinha gente de mais. Era aluno para todos os cantos, de todos os tipos.

– Por favor..- a ignoravam – Você...- um esbarrão que quase a derruba – Meninas será...

– Por que você esta falando comigo? – saíram de sua vista

“Ótimo!”- bufou

Andava de costas, virava de vez em quando, em busca de alguém capaz de ajudá-la. Virou-se dando de cara com alguém que vinha vindo, derrubando todos os cadernos que a pessoa carregava. Na verdade era um só, mas...

– Desculpe, desculpe, desculpe. – se abaixou para pegar o caderno – Eu não queria...- um garoto, um tanto maior que ela, cabelos pretos da altura dos olhos, na frente, e mais comprido atrás. Perdeu as palavras ao olhá-lo, jamais vira alguém antes com os mesmos olhos que ela. – Eu, é...

– Você...? – uma voz grossa e rouca.

Balançou a cabeça, “acordando” pra vida, novamente.

– Você...poderia me dizer onde fica a diretoria? – ele sorriu

– Garota nova, é...? – riu – Fim do corredor a direita, não tem como errar.

– Obrigada....- mal agradeceu e ele já tinha sumido de vista. Seguiu suas instruções, até ver escrito na porta ‘Diretoria’. Bateu, um senhor, de aparência não muito velha, a abriu.

– Entre. – falou rude – Você deve ser...- pegou uma ficha -...Charlotte McDonnel Parker?

– Sim senhor. – se sentou a uma das cadeiras que tinha em frente a grande mesa, observando a placa que continha seu nome: ‘Diretor Ridlle’.

“Nome típico de diretor.” — Soltou um leve riso do seu próprio pensamento.

– Pegue isto. – lhe entregou uma fola, a interrompendo de seus pensamentos – Estes são seus horários. Não aceitarei mais atrasos, senhorita Parker, certo?

– Eu só me atrasei hoje...

– Estamos entendidos? – a cortou e falou secamente

– Sim, mas eu...

– Eu disse...- a cortou novamente -...Estamos entendidos?

– Sim senhor. – abaixou a cabeça

– Ótimo! Venha, eu te levo até sua sala. – abriu a porta para ela.

Mais uma vez caminhava pelo corredor vazio, mas, dessa vez, não precisava ficar pedindo informação.

Senhor Ridlle, abriu uma outra porta, dessa vez, a de sua sala.

“Matemática!? Aposto que não tem como piorar.”

– Com licença, professor. – o professor apenas balançou a cabeça consentindo a entrada o dieretor – Sala, quero lhes apresentar a nova aluna. Entre! – entrou, sem animo.

“ Não precisava de apresentações, já esta tudo ruim mesmo.”

– Essa é Charlotte. Espero que a recebam bem.

Charlie olhou para a sala, dando de encontro com um par de olhos azuis ao fundo dela.

– Estão apresentados. Vou me retirar agora, obrigado professor.

– Por nada. – sorriu, vendo-o sair — Bem vinda, Charlotte....- o professor começou

–...Ah, me chame de Charlie, eu...prefiro.

– Como quiser. Sente-se, por favor. – apontou para a única carteira vazia, localizada na frente da classe, por sinal – Como eu ia dizendo...- continuou a matéria.

Charlie, não tirava da mente aqueles olhos, sabia que era errado, para ela, isso, mas...Inevitável. Balançou a cabeça, voltando a prestar atenção na aula, nunca foi boa aluna em matemática.



Longos minutos passaram, até o sinal tocar. Tornando a passar por aquela muvuca toda, para poder encontrar sua sala, sua sorte era que: a próxima aula era de artes, sua matéria preferida. Encontrou, com um pouco de dificuldade, a sala.

– Desculpa, professora. – entregou um papel — Sou nova e...- riu – Ainda não sei onde ficam as salas.

– Oh, sem problemas...- olhou para a folha – Charlotte. Hum...nome bonito.

– Obrigada, mas, eu prefiro que me chamem de Charlie.

– Tudo bem, farei isso. – sorriu – Hum...deixa eu ver...- olhava para a sala, como se estivesse procurando algo – Você irá fazer dupla com o Leto, já que ele esta sozinho.

Olhou para o fundo da sala, mais uma vez aqueles olhos, isso já estava virando costume. Caminhou até ele.

– Classe, hoje vocês irão pintar, com suas devidas duplas, paisagens. Sem fotos, nem nada, apenas imaginem algo e...Pintem. – voltou para sua própria tela. – E o mais importante, sem preguiça. Vocês terão um bimestre inteiro para concluí-la.

– Então...- falei, quebrando o silencio que havia entre nós – O que você quer pintar?

– Não sei, algo simples e fácil. – falou sem olhar para ela.

–...Simples e fácil. – pensava em inúmeras paisagens para serem pintadas, mas todas eram complicadas de serem pintadas – Hum...uma praia, talvez...?

– Se for fácil. – deu de ombros.

– Olhe...- começou a esboçar em um papel o desenho que fizera em seu quarto – Que tal este?

– Parece difícil.

– Deixa de ser preguiçoso, nós temos todo o bimestre para pintar.

– Que seja! – deu de ombros.

Esse, dar de ombros, já a estava irritando.

– Pintarei, contanto que, o desenho, mostre o mar. Prefiro mar à rios. Rios são...entediantes.

“ Entediantes? Como assim? ”

– Que seja. – revirou os olhos, repetindo sua ultimas palavras – Que tal este...? – começara a fazer outro esboço, só que, ao invés de rio, ela desenhou o mar entre montanhas rochosas – Este pode ser mais complicado de pintar...

– Não temos o bimestre inteiro para fazer isso? – falou ainda fitando a tela, usando suas palavras contra ela mesma.

Charlie explicava como tinha que fazer, quais partes pintar, com qual cor pintar. Isso era fácil para ela, em algumas horas, talvez minutos, ela poderia terminar a pintura perfeitamente, mas não o fez...Ela queria ficar tempo suficiente com ele, queria conhecê-lo, mesmo achando que ele não queria conhecê-la.



O sinal do intervalo toca, dessa vez, ela não teve dificuldade para encontrar o refeitório, era só seguir a todos. Colocou seu lanche na bandeja e foi em busca de uma mesa, tentativa inútil, nenhuma única mesa vazia naquela imensidão de espaço.

Foi para o único lugar que tinha certeza que estaria vazio, o banheiro. Sentou em uma das privadas, fechando a porta, olhou para o lanche e, imediatamente, perdeu a fome. Pegou o celular, discando alguns números.

– Mãe?...Nada, eu só queria saber que horas que você vem me buscar?...Ônibus da escola? Você só pode estar brincando, né?...- desligou, sem terminar de ouvir a desculpa da mãe. Olhou para o celular e começou a chorar, secando as lágrimas rapidamente ao ouvir o som do alarme.



Ela teve mais três aulas, ficou sozinha em ambas e não viu mais aqueles olhos azuis.

‘ Leto ’: era tudo que sabia do menino.



Entrou, por ultimo, no ônibus. Todos continuavam a olhá-la daquela mesma maneira. Caminhava, pelo corredor, procurando por um banco vazio. Foi de encontro ao chão, ao tropeçar no pé que alguém colocara no caminho, todos riram.

– Cuidado por onde anda. – uma garota loira, olhos verdes, trajando a roupa de uma líder de torcida, falou.

Lambeu os lábios e, sentindo o gosto do sangue saindo de sua boca, ignorou o que aconteceu. O ônibus parou em sua casa, desceu ainda ouvindo risos vindo das pessoas.

– Olá querida! Como foi seu primeiro dia? – parou na porta, olhou para sua mãe, sentada na varanda da casa.

Pensamentos invadiam sua mente...“ Por que você esta aqui? Por que você não me buscou, hoje? LOGO, HOJE?”

– Filha, o que aconteceu? – veio em sua direção

Charlie, por sua vez, ignorou o comentário, a tentativa de carinho, indo direto para seu quarto, afogar sua lágrimas em seu travesseiro e escrever tudo que sentia em seu diário.



Abriu em uma folha vazia e começou.

“ É difícil explicar...

Aqueles olhos, simplesmente, me hipnotizaram. Isso é algo proibido para mim, quer dizer, eu me privo desses sentimentos, que me afloram, ao olhá-lo.

Chorar, no meu vocabulário, significa: ‘Única forma de desabafar sem precisar usar, nenhuma sequer, palavra’.

Eu, mais do que ninguém, sei disso. Não que eu goste, mas...seu eu não o fizer, estaria guardando algo que me prejudicaria depois.

Chorei por sentir a solidão, por ser enganada, pelo o que o destinou traçou para mim. Eu só sei que, algo esta guardado para mim, algo melhor do que isto.”

Fechou-o, guardou em seu baú e deitou-se, novamente, em seu travesseiro, adormecendo.

Notas finais
O que acharam?
Mereço reviews? Xingamentos? Recomendações?
BeijosLeto, té...