Lembranças

1 Lembranças


“Sabe... é um tanto quanto difícil escrever seus próprios pensamentos. Pois chega num momento que você pensa que está pensando pensamentos, e que seus pensamentos pensam muito mais que você...

Mas isso não é importante... afinal, ainda acho que sou a dona de meus pensamentos... ou não. Na verdade eles meio que fogem do meu controle às vezes...

“Meu dia já se foi,E a noite vem trazer

Memórias do passado,

Lembranças de você...

Não pense que eu te esqueci... Eu estou aqui!!”

Escrevo estas linhas, pois em breve eu partirei... não, não vou morrer!! Partirei, pois viajarei para um lugar distante... distante desses pensamentos que me importunam o sono.

Às vezes é difícil de dizer o que sinto... tudo em mim sai do controle habitual quando vejo seu semblante. Toda a fortaleza que levei anos para construir, simplesmente evapora quando vejo esses seus olhos negros...

Mas meus pensamentos dizem que devo andar por aí agora. Sabe, na vida é preciso encontrar oásis às vezes... um lugar de descanso. Há tempo não encontro um no meu caminho pela vida...

“Sem sono e sem frio

São 4:10h, só 4:10h da manha

Tudo bem... Eu tomo o café... fico de pé

Abro a janela

E grito bem alto e forte...”

Sinto, de vez enquanto, que estou simplesmente passando pela vida...

Bate dentro de mim uma vontade de gritar a plenos pulmões todas as verdades que um dia eu quis dizer, mas que não saíram na hora que deveria.

Agora me resigno a simplesmente escrever... sempre achei que escrevendo eu era mais clara e objetiva. Então hoje, resolvi escrever o que nunca pude dizer.

Nunca pude dizer não por que me faltou coragem... nunca pude por que esses olhos negros nunca me deram o valor que eu merecia.

“Aonde você, Estiver estarei,

Esperando que esteja,

Me esperando também.

E saiba que sim,

Eu sou seu amigo.

Pra sempre amigo... Eu sou feliz!!”

É engraçado! Seus olhos nunca me viram na verdade... ficaram por aí, vagando, enquanto os meus sempre foram bem fixos... mas mesmo assim, eles não se encontraram.

Agora eu quero dar de presente a esses meus olhos cansados uma nova vista, uma visão com possibilidades... o oásis que disse no começo.

Lá fora o sol já está forte sabe... em pouco tempo eu estarei partindo... para longe desses olhos, que sempre se mantiveram distantes de mim...

“É meio dia, de um fim de semana

Estava na cama mais acordei...

Visto uma calça,

Arrumo as malas,

Pego o meu violão,

Veja que estou atrás de você...”

Você pode se perguntar: Mas, aonde você vai? Vou só andar por aí... sem um rumo certo. Quando os olhos de uma pessoa ficam por muito tempo fixos num mesmo lugar, eles meio que perdem a sensibilidade...

É isso que vou buscar a partir de hoje... vou buscar o brilho dos meus olhos. Deixa aflorar novamente neles a sensibilidade pelas coisas mais simples...

Na época que te conheci, eu pensei ter encontrado, como dizia a música, “A vista que os meus olhos querem ver”... Bem, por muito tempo foi isso mesmo, os meus olhos só enxergavam você. Fazer o que, eles eram teimosos...

Teimaram tanto que logo depois eles se acostumaram... só queriam ver você.

“Aonde você,

Estiver estarei,

Esperando que esteja,

Me esperando também.

E saiba que sim,

Eu sou seu amigo.

Pra sempre amigo...

Eu sou feliz!!”

Você foi o primeiro que transpassou a barreira habilmente levantada por mim... minha guarda era valente, e lutou com todas as forças... mas foi vencida. E eis que você passou por ela. Mas você só passou, não quis ficar...

Bem, não quis ou nem imaginava que tudo isso acontecia, ou imaginava e nem deu importância... enfim, no final das contas, você me deixou sem defesa alguma, e eu, que sempre disse que era forte, senti e entendi o sofrimento dos fracos.

Nossa, olha a hora... teria bem mais a escrever sabe, mas como dizem por aí, o tempo voa... e agora eu preciso mesmo ir..."

*****

“Quando terminar de ler o que escrevi, espero que não esteja chorando” – foi indubitável parar de ler... as lágrimas saiam sem nenhum controle pelos seus olhos. – “Sabe, eu sempre achei que seus lindos olhos negros não ficavam bem com elas. Deseje-me sorte... um beij... bem, um abraço de quem sempre esteve por perto, mas que nunca teve o devido valor, Letícia.”

— ... ela se foi — foi tudo o que conseguiu dizer no momento. A carta em suas mãos estava molhada por suas lágrimas... — Letícia... por que... – ponderou por um momento.

Na verdade não era bem um “Letícia... por que...” mas sim um “Giovanni... por que...”. Sim, no fim das contas, ele fora o responsável pela partida dela. Não sabia como aquilo estava acontecendo. Na verdade, não queria acreditar. Quando finalmente se deu conta de seus sentimentos, quando achou que havia encontrado o que sempre procurou por aí, se deu conta que a havia perdido. Letícia já não estava ali para aceitar o seu amor. E ele não estava preparado para viver esta experiência...

Pensou nela, e no sofrimento que a fez passar... sim, ele a fizera sofrer. Pensou nas vezes que não deu atenção as coisas que ela dizia... pensou nas vezes que não lhe dirigiu o olhar... pensou nas vezes que a via triste e não achava que tivesse que fazer algo...

— Mas agora tudo isso não vale mais nada... ela não está mais aqui...

“E então percebi, que a paz que eu não tinha,

Estava aqui dentro,

E eu perdido num castelo de ilusões.

Em sã consciência eu volto pra casa...

Pois hoje eu vivo...

Aonde você,

Estiver estarei,

Esperando que esteja,

Me esperando também....”

Notas finais
Música: Lembranças

Banda: Rosa de Saron

Eita trem, minha primeira originec. Tô consertando a formatação da fic então agora ela deve estar bonitinha de se ler *-*

Bjo e desculpe qualquer erro de gramática/coesão/coerência/concordância.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!