Lembranças do Passado
6 Isabella - Parte I
Notas iniciais
Isabella
Quando eu tinha quatorze anos nunca imaginei que minha vida tomaria o rumo que tomou. Hoje, aos 26 anos me surpreendo em como fiquei nessa situação.
Minha mãe morreu quando eu tinha dez anos, de um tumor cerebral. Em toda sua vida, ela repetia que eu era a melhor coisa que lhe aconteceu. Contrário a ela, minha tia Sue não cansava de me perseguir com palavras duras e cruéis fazendo que minha alma se entristecesse cada vez mais. Nunca cheguei a compreender a motivação de tanto ódio e as vezes me pergunto o que fiz para merecer sua repulsa.
Quando minha mãe morreu fiquei completamente sozinha e como era menor de idade, não tinha mais ninguém e não conhecia meu pai, o juiz decidiu que eu deveria ficar com Sue, mal ele sabia, que esse seria o pior erro de todos. Sue me pôs para trabalhar em todas as áreas que pôde: babá, faxineira, cozinheira, diarista, entre outras.
Com completos treze anos, comecei a trabalhar de empregada na casa de um médico muito rico e influente, o Dr. Carlisle Cullen e sua esposa Esme. Dois meses depois, soube que Sue havia sido brutalmente assassinada por agiotas a quem devia uma vultuosa quantia em dinheiro. Apesar de não apreciar sua companhia, fiquei sentida. Afinal, fiquei sozinha no mundo novamente.
A Sra. Cullen se compadeceu de minha situação e me deu um quarto nos fundos, próximo a cozinha da mansão com uma condição: Nunca trocar mais que um olhar com qualquer um de seus filhos. Jasper, Rosalie e Edward.
Seria fácil, pensei. Mas quando os seus filhos voltaram do internato para a temporada de férias naquele ano eu a compreendi. Seus filhos eram lindos, Jasper e Rosalie se pareciam mais com Carlisle com seus cabelos loiros e sua beleza fora do comum. Isso pensei até ver ele, Edward. Tudo nele me fascinava, parecia que meu mundo passava a girar em volta dele agora. Mas não podia me dar esse luxo, estava há quase um ano trabalhando com os Cullen, não poderia perder esse chance. Afinal, quem daria emprego para uma menina de recém completos quatorze anos sem ser algo vulgar e inapropriado? Então, guardei meus sentimentos apenas para mim.
Edward tinha quinze anos e era um verdadeiro príncipe que namorava a filha dos magnatas e parceiros comerciais de seu pai, Siobhan e Lian Grace. Maggie era seu nome. Ela tinha vinte anos, era mimada, fútil e egoísta. Nunca precisou se preocupar com nada, pois seus pais sempre davam-lhe tudo que queria, menos o mais importante, limites.
Nunca descobri o que Edward viu nela já que ele mesmo comentava que já não a suportava. Era uma verdadeira bruxa. Ela como sempre não perdia a oportunidade de me humilhar, pois já havia percebido que eu era apaixonada por seu namorado e me dizia para ficar o mais longe possível dele. Mas apesar do pouco tempo de convivência com ele era tarde demais. Eu já o amava.
Era sábado e os Cullens iriam dar uma festa em sua luxuosa mansão. Maggie não estaria presente, pois, ainda estaria com os pais em uma temporada de férias na França, deixando Edward sozinho aqui.
[···]
Já se passavam da meia-noite e a festa ainda corria animadamente quando sinto a respiração de Edward em meu pescoço fazendo todos os meus pelos se arrepiarem e meu coração bater descompassado.
— Precisa de alguma coisa Sr. Cullen?
— Ora, deixe de formalidades. Me chame apenas de Edward.
Falou colocando a mão em minha cintura e puxando-me ao seu encontro.
— Sinto muito Sr., é uma ordem de sua mãe que trate os patrões como Sr., e Sra. Por favor, vamos manter como está.
— Não se preocupe com isso Bella. Minha mãe não está em casa. Eu sei que você me quer Bells, eu vejo nos seus olhos. Não negue. Apesar só estarmos convivendo juntos durante um mês, sinto algo arrebatador por você. Na verdade, eu não sei como dizer, mas acho que te amo.
— Eu... Eu... Eu quero você Edward, de verdade. Como nunca quis alguém em toda a minha vida. Mas tem tantas coisas contra...
Não me deixando terminar, ele prensou-me contra a parede e puxou-me para um beijo furioso. Não posso especificar por quanto tempo nossos lábios se moveram em um ritmo frenético um contra o outro. Subimos pela escada de serviço que tinha na cozinha até chegar ao segundo andar da mansão.
Ele abriu a porta comigo ainda grudada em seus lábios e depois a fechou para no instante seguinte me conduzir e me deitar delicadamente sobre a sua cama. Estava tão intertida naquele momento que nem percebi que todas nossas roupas já haviam sido tiradas e me deu conta disso quando ele começou a explorar os meus seios.
Naquele momento minha insegurança falou mais alto e me bloqueou fazendo-me ficar indiferente com as carícias do homem que tanto prezava.
—Aconteceu algo Bells? Eu fiz algo errado?
— Não se trata de você Edward. Trata-se de mim. Se continuarmos com isso, amanhã esta noite só existirá em nossas lembranças e voltará a ser tudo como era antes. Você voltará para sua namorada e voltarei a ser invisível. Além disso, eu sou virgem. Esse deveria ser o momento mais especial da minha vida. — puxei fôlego onde não tinha para continuar e aceitar a verdade contida em minhas palavras. — Mas sei que a minha primeira vez só será perfeita, como sempre sonhei, se for com você.
— Eu sei meu amor, mas o que lhe garante que não será especial? Se isso deixá-la tranquila vou confessar um segredo.
Com uma imensa curiosidade, olhei no fundo de seus olhos ainda nua em sua frente e me vi perdida naquela imensidão verde.
— Eu também sou virgem.
Continuou me de deixando atônita.
— Achei que não era o momento ideal. Eu sei que parece mentira, mas é a mais pura verdade. Não achei que valia a pena me deitar com qualquer uma sem amor ou sem sentir alguma atração. Eu sinto que você é a pessoa certa e quero ter um relacionamento sério com você Bells, não é só o caso de uma noite. Eu também já amo você. E eu sei que vai falar que é bobagem, que só nos conhecemos há um mês e eu compreendo. Pois eu sou só um adolescente, sem nada para lhe oferecer que daqui há dois meses voltará para o internato. Mas eu ficaria honrado se você me esperasse, para nós vivermos nosso amor juntos. Sei que o que estou lhe propondo pode parecer um absurdo, mas só peço que me espere Bella. Se você me der uma chance, eu lutarei por nós dois.
Estava naquele momento tão emocionada, que não encontrava palavras para descrever onque sentia.
— Eu não sei nem o que falar.
— Não precisa falar nada, só sinta que eu lhe mostrar.
Ao terminar de pronunciar essas palavras, recomeçamos onde paramos. Quando a barreira da minha virgindade foi quebrada eu senti que ali estava consumando meu destino. Entregando meu tudo ao homem que estava a minha frente.
Era arriscado o que estávamos fazendo, poderia comprometer todo meu futuro, mas eu tinha que tentar. Afinal, ele só me pediu que eu esperasse. Eu iria confiar nesse amor. Mas com cuidado redobrado para sua mãe nunca descobrir antes que chegasse a hora.
Nós entregamos um ao outro como se fossemos um só. Perdi a conta de quantas vezes chegamos ao clímax naquela noite e a última coisa que me recordo é após a exaustão me deitar em seu peito e relaxar pensando um futuro em que houvesse nós dois.
— Durma meu amor. Estarei aqui quando acordar.
Acreditei em suas palavras assim, me entregando a inconsciência.
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