Rio De Janeiro, 04 de Maio de 2014

Ele está desesperado,o tic-tac do relógio ecoa pelo quarto, minutos pareciam séculos, respirar era impossível, ele então passa as mãos nos seus cabelos castanhos e crespos e não consegue se controlar, sua pele está mais branca que o normal, sua face está vermelha e seus olhos pretos estão inchados de tanto choro, deveria estar morto em outro lugar, mas continuava ali preso naquele quarto simples com paredes azuis, uma cômoda branca de madeira maciça e uma cama encostada na parede azul, sentado na sua cama e encolhido na parede, olhando para frente e vendo seu corpo ali pendurado naquela corda e sem vida, por que sua alma permanecia nesse mundo? Será que ele está no inferno e seu castigo é ter que olhar seu corpo imóvel e começando a inchar? Nesse momento um grito ecoa pelo quarto, uma mulher encostada na porta já de meia idade, com cabelos pretos presos em um coque e com mãos já enrugadas devido a idade tampando a boca, parecia não estar acreditando, usava roupas sociais pretas e no peito tinha um crachá escrito “Sra. Johnes”.

O garoto eu irei descrever agora, seu nome é Martin Johnes, ele tem 16 anos, olhos negros, cabelos castanhos e crespos, vestia uma camisa polo toda azul e um jeans surrado, se matou pois sua namorada o deixou a 2 meses e ele descobriu que ela só ficou com ele porque perdeu uma aposta, sofria bullying por ser magro demais e ter vários apelidos, seu pai batia na sua mãe todo dia e quando bebia partia pra cima dele tanto que ele tem uma cicatriz no peito de um corte que o seu pai um dia bêbado tacou uma garrafa de cerveja em cima dele que se partiu e os cacos pararam em sua pele, ele imediatamente foi a um hospital mas teve de mentir e dizer que foi um acidente. A morte dele foi um pouco rápida com um pouco de dor, ele chegou em casa chorando depois que sua ex espalhou fotos íntimas pela escola, quando chegou em casa, pegou uma corda que seu pai usava para mudanças e um banquinho na cozinha e foi até o quarto, chegando lá amarrou a corda no ferro do ventilador de teto fez a “forca” e pôs em volta do pescoço e então chutou o banco. Foram 2 minutos de agonia e sufoco até que sua vida se esvaiu, mas algo estava errado, quando a dor parou ele continuava lá pendurado, até que então ele decidiu tirar a corda do pescoço mas viu que não tinha mais corda, achou estranho até, mas mais estranho foi quando ele desceu e se sentou na cama e então se viu lá pendurado ainda, foi aí que ele percebeu que tinha morrido mas sua alma ainda estava lá naquele quarto.

Voltando a sua mãe dona Maria Johnes, ela se perguntava aonde ela tinha errado e rezava baixinho pedindo a Deus para que o levasse ao Céu mesmo ela sabendo que suicidas segundo a religião dela iriam “queimar” no fogo do Inferno, ela nunca notara o que vinha acontecendo com seu filho, estava ocupada demais trabalhando no escritório de advocacia da cidade que nunca tinha tempo para conversar com seu filho e seu marido. Ah seu marido, que não trabalhava e passava o dia fora bebendo com o dinheiro dela e “Ai” dela se reclamasse de dar o dinheiro a ele, na última vez que tinha negado dinheiro ao marido ela tomou um soco tão forte que ficou desmaiada por horas, agora se culpa pela morte do filho.

Essa história tem muito o que contar ainda, até porque o jovem Martin ainda não sabe que está condenado a perambular pela Terra vendo a tristeza e o sofrimento que ele causou com um simples ato e que ele não está só nessa “Jornada” outros como ele também perambulam pela Terra mas nem todos são bons. “Mas como você sabe da história toda moço?” Como? Hahahaha Eu sei de tudo porque eu sou a Morte e eu que controlo este “Mundo” dos mortos.