Embarcamos no avião às sete da manhã para a nossa lua de mel, eu estava morta de cansada, mas ansiosa para o passeio na costa do nordeste. Visitaríamos algumas cidades em um mês, aproveitando que o bebê não nasceu ainda, já que mais tarde seria complicado. Assim que pousamos, buscamos por nossas malas e seguimos para o hotel. Como não conseguimos descansar direito, pois viajamos logo depois da festa, eu desejava com todas as minhas forças uma cama.


No elevador, encostei a minha cabeça no Ed e fechei os olhos por alguns segundos. Caminhei arrastando os pés quando o visor anunciou o nosso andar e ao chegar em frente a porta do quarto, ele me encarou.

― O que houve? ― perguntei confusa. Sem dizer uma palavra, Edward colocou o cartão magnético na abertura, abrindo-a. Em seguida, voltou a me olhar, seus olhos castanhos possuíam um brilho esquisito.

Como ele não falou nada, levantei os ombros e ameacei entrar no cômodo, porém o Ed me impediu, sua mão estendida barrou a minha passagem pela porta.

― O que foi? ― Enruguei a testa.

― Está muito enganada se pensa que vamos começar assim.

Ainda sem compreender suas palavras, arqueei as sobrancelhas, do que esse homem se referia? Entretanto, quando um de seu braço contornou a minha cintura e o outro em minhas pernas, imaginei do que se tratava.

― Edward, não precisa! ― protestei. ― A gente nem está mais com as roupas de noivo e de noiva.

― Mas temos que iniciar com o pé direito ― ele respondeu ao mesmo tempo que entrava no quarto com o pé direito na frente.

Percorreu o trajeto até a cama comigo em seu colo e assim que me deitou lentamente sobre o lençol coberto de pétalas vermelhas, todo aquele cansaço acumulado sumiu. De repente, uma corrente elétrica atravessou o meu corpo, pois seu antebraço encostou na minha pele desnuda, causando um arrepio. Edward se aproximou de mim, sem apoiar por completo seu tronco, e beijou meus lábios em uma carícia enérgica. Somente horas mais tarde fui capaz de descansar decentemente. Aliás, saímos do aposento apenas porque desejávamos conhecer um pouco da cidade, já que não iríamos ficar por muito tempo, havia outras na lista e não podíamos desperdiçar nenhum minuto. Além disso, a fome bateu perto da noite, então resolvemos jantar fora.

***

Observei as pessoas no meio do caminho sem muita atenção, enquanto o Edward carregava nossas bagagens em suas mãos. Um mês fora é muita coisa! Senti falta das meninas, de poder fofocar com elas, apesar de falarmos por telefone, mas não era a mesma coisa que pessoalmente. Eu estava ansiosa com o nosso retorno, a viagem foi maravilhosa, cada lugar espetacular que eu guardaria na memória para sempre. Entretanto, não via a hora de compartilhar a vida junto do Ed em nossa casa.

― Aconteceu alguma coisa, Bella? ― Balancei a cabeça em negação respondendo à pergunta dele. ― Tem certeza? O voo inteiro você não emitiu uma palavra.

― Deve ser a saudade das meninas, acho que essa semana elas estão ocupadas.

― É mesmo? ― Um sorriso torto esboçou em seus lábios e eu o encarei sem entender nada.

― Que cara é essa? O que você fez? ― Coloquei as mãos na cintura.

― Eu? ― Ele levantou as mãos, como se dissesse que não era culpado. ― Mas aquelas duas ali, sim. ― Apontou para frente.

― Ah! Edward! Não acredito! ― Antes de sair pulando pelo corredor, abracei-o.

― Vocês mentiram para mim! Depois a cachorra sou eu ― declarei ao chegar perto da Alice e da Rosalie.

Após envolvê-las em meus braços, nós saímos do aeroporto. Convidamos as meninas para tomarem café com a gente na nossa nova casa e assim já aproveitava para mostrar para elas o resultado da reforma. As duas acabaram não vendo antes por causa dos preparativos do casamento.

No momento em que a Alice estacionou o carro na nossa garagem, respirei profundamente, aquela sensação de estar começando algo novo me atingiu, um frio na barriga, por parecer que agora, de fato, viveríamos juntos. Na casa em que escolhemos criar nossos filhos. Ao abrir a porta gigante da sala, deixei as meninas entrarem primeiro.

― Uau! ― a Rose comentou encantada. ― Amei a decoração.

As paredes foram pintadas com a cor gelo, proporcionando para o ambiente uma leveza e simplicidade. Em um canto do cômodo, havia um painel de madeira escuro com bege onde se localizava a televisão e algumas fotos, além de um sofá cinza próximo de uma mesa de centro quadrada. Do outro lado, uma bancada de mármore clarinho dividia a cozinha da sala de jantar.

― E aquele espaço que você queria transformar em um deque? ― a loira perguntou curiosa.

― Por aqui. ― Passei por elas em direção a porta dos fundos.

Era possível avistar um gramado enorme da soleira e mais para frente continha a plataforma de madeira. Pedi para construírem um local de lazer coberto, para justamente poder desfrutar dessa área ao ar livre com nossos amigos. Então, resolvemos estrear o deque, trouxemos a comida que compramos na padaria que encontramos no caminho, as louças peguei do armário e sentamos para lanchar. O café fiquei devendo, pois lembramos que não tínhamos os mantimentos ainda, então tomamos suco. E, logo em seguida, Ed e eu engatamos em uma conversa animada com elas, contando um pouco da viagem.

― É uma praia mais linda do que a outra, sério! ― conclui nosso pensamento sobre o passeio. ― Só faltou uma coisa, andar de buggy, e já que dessa vez não rolou... ― Acariciei a minha barriga saliente por cima do vestido. ― Nas próximas férias a gente precisa ir para o Maranhão, isso vale para vocês duas também.

― Combinado! Mas o Edward não pode esquecer de levar o primo dele ― a Rose mencionou divertida enquanto a Lice balançou a cabeça em negação.

― Vai querer entrar nesse assunto mesmo? Acho que a Isabella iria adorar escutar uma história aí ― Alice retrucou.

― Que história? ― perguntei curiosa ao largar um pão de queijo que cogitei em comer.

― É, Rosalie conta para ela. ― Minha prima apoiou seu antebraço na mesa, juntou as mãos e encostou o queixo nelas, encarando a loira.

― Melhor eu... ― Edward parou sua fala no meio ao apontar para a casa. ― Tenho que checar alguns e-mails. ― Antes dele partir, beijou meus lábios e eu quase comuniquei que ele não necessitava sair, mas não sabia o que viria a seguir.

― Nossa Alice, olha o que você fez. Expulsou o coitado ― Rosalie pronunciou chateada. ― Eu estava deixando para comentar isso outra hora.

― Mas quem começou foi você ― minha prima rebateu depressa.

― Calma, meninas, aposto que o Ed já conhece o jeito das duas, em todo caso eu converso com ele depois. ― Tomei o restinho do meu suco e olhei para elas, esperando a tal história. ― Então? O que houve?

― Tu é fogo na roupa, viu ― Rosalie disse se dirigindo para a Lice. ― Eu e o Emmett marcamos um jantar um dia desses, no meu apartamento.

― Já estou vendo tudo, o que ele derrubou?

Alice por um triz não espirrou a bebida que havia ingerido, provavelmente relembrando o acontecido.

― Amiga... ― A Rose riu também. ― Nós dois super empolgados no meu quarto, de repente ele se desequilibra e eu me estabaco todinha no chão.

― Não! ― Caí na gargalhada.

― E ela ainda nem terminou ― minha prima anunciou.

― Tem mais? ― Arregalei os olhos e a loira afirmou com a cabeça.

― Rosalie me liga dentro do banheiro com o nariz sangrando ― a Alice mencionou.

― Eu me apavorei com a situação, não quis nem que o Emmett me socorresse.

― Vocês realmente formam um par perfeito, nunca imaginei que alguém poderia ser tão desastrado ― comprovei com um aceno.

Nós acabamos rindo outra vez, quase impossível não pensar nessa cena. Perto da noite, elas foram embora após me ajudarem com a louça.

― Oi... ― falei ao espiar o interior do quarto. ― As meninas já saíram. ― Edward desviou seus olhos da tela do computador. ― Ficou chateado com elas?

― Não, eu precisava checar os e-mails de qualquer forma, e eu conheço bem aquelas duas, achei que vocês gostariam de colocar o papo em dia. ― Eu sorri, ele tinha toda razão. ― Agora, vem cá. ― Ed me chamou dando três batidinhas no colchão ao seu lado.

Enquanto eu me acomodava, ele deixou o notebook na mesa de cabeceira e um de seus braços me envolveu, aproximando nossos corpos.

― E esse garotinho? ― Edward levou sua outra mão para a minha barriga. ― Será que anda muito cansado?

― Ele eu não sei, mas a mãe dele sim ― comentei ao mesmo tempo em que bocejava e então recebi uma resposta, senti como se umas bolhas se mexessem em meu ventre.

― Edward! Você também sentiu isso? ― Olhei sem acreditar em sua direção.

Ele balançou a cabeça concordando e nós nos emocionamos com o primeiro chute do bebê. Passamos o resto da meia hora seguinte igual a dois bobos conversando com o garotinho que chegaria em breve. Naquela noite, eu adormeci com um sorriso radiante nos lábios.

― O que você está aprontando? ― Escutei alguns barulhos vindo da cozinha quando descia as escadas.

― Eu te acordei? ― o Ed perguntou alarmado, aparecendo no meu campo de visão.

― Não... Talvez um pouquinho? ― comentei sem graça.

― Ah droga! Era para ser uma surpresa. ― Ele apontou para a mesa com a espátula que segurava nas mãos.

Observei o banquete para umas cem pessoas tomarem café. Sim! Havia muita coisa para nós dois.

― Você convidou nossa família inteira para comer com a gente? ― mencionei brincando. ― E de onde veio essa comida toda? Nós não íamos juntos no mercado mais tarde?

― Decidi adiantar essa tarefa já que precisamos organizar algumas caixas e guardar os presentes de casamento.

― Certo. ― Suspirei, hoje tiraríamos o dia para ajeitar essas coisas, até porque amanhã o Ed retornaria para a empresa.

Confesso que a saudade apertava o meu peito, sem ele restaria somente um vazio na casa.

― E que cheirinho é esse? ― Fui ao seu encontro, perto do fogão. ― Ovos mexidos? ― Passei a língua entre os lábios e um desejo esquisito de repente tomou conta de mim. ― Por acaso tem chocolate? ― Encarei o meu marido esperançosa.

― Será que serve isso aqui? ― Edward abriu um armário e retirou um pote. ― Um creme de avelã. ― Meus olhos brilharam.

― Você leu meus pensamentos, não é possível. ― Toquei seus lábios delicadamente e ao mesmo tempo respondi ― Desse jeito ficarei muito mal acostumada.

― Acho que é o mínimo que posso fazer, amor ― ele mencionou com um sorriso e antes de nos sentarmos para o café da manhã, trocamos um beijo de bom dia.

***

Assim que finalizei a arrumação da casa, inspirei o ar e soltei um pouco cansada. Olhei no relógio de pulso que marcava três e meia da tarde, quase no horário do meu compromisso com o Léo, meu assistente. Resolvi subir para lavar o corpo e colocar uma roupa mais fresquinha. Logo que terminei de me aprontar, busquei pelas chaves do meu carro.

― Onde guardei isso? ― Depois de procurar em algumas bolsas, eu recordei que agora havia um porta-chaves na entrada e assim que a localizei pendurada em seu lugar, parti para o meu destino.

Ao estacionar o carro na garagem, desliguei o motor e apertei o alarme. Meus pés se moveram sem pressa pelo caminho, até uma voz masculina me chamar.

― Bella?

Eu me virei em sua direção, com a testa franzida.

― Oi?

― Não se lembra de mim? ― Pelo visto a minha memória não é a melhor do mundo, observei o homem por alguns segundos, seus traços me pareciam familiares.

― Eu sou o Henrique. ― Um sorriso se formou em seus lábios. ― Acabei de voltar do exterior... Nossa, não acredito que é você mesmo.

Então, sua imagem ressurgiu na minha mente, o irmão do Edward possuía algumas diferenças nas características físicas, o cabelo era mais escuro, além de sua altura ser mais baixa, entretanto os olhos, o nariz e a boca se assemelhavam muito com a do meu marido. Agora, tinha uma pergunta que não queria sair da minha cabeça: de que forma o Ed reagiria ao retorno dele?

Notas finais
Só lembrando que o Henrique é um personagem criado por mim kkk o que acharam do irmão dele? Bella e Ed só no love, vamos ver se isso durará...