Notas iniciais
✨ Oieeee Alguns capítulos existem para machucar devagar e talvez esse seja exatamente um deles. Porque às vezes a vida entrega momentos tão bonitos…que parecem perigosos.Como se o universo estivesse permitindo felicidade demais antes de cobrar alguma coisa em troca. 🌙

🌙 Capítulo 12 — Daylight

Quatro meses haviam se passado desde que Forks testemunhara o início improvável entre a garota do moletom cinza e o rapaz que colecionava advertências. Quatro meses em que o inverno rigoroso de Washington tentara, sem sucesso, congelar a chama que crescia entre Bella e Edward. O tempo, esse rio traiçoeiro que Edward tanto temia, parecera esticar-se em uma sucessão de tardes passadas na biblioteca, viagens velozes pela estrada sinuosa e madrugadas de sussurros ao telefone que faziam as olheiras de Bella serem medalhas de honra de um amor que a transformara. Ela não era mais apenas a filha do xerife; ela era a gravidade que mantinha Edward Cullen no chão, e ele era o sol que, finalmente, atravessara a névoa perpétua de sua vida.

Bella acordou antes do despertador naquele 13 de setembro, sentindo o peso familiar da colcha sobre as pernas e o silêncio denso da manhã. Dezessete anos. A marca da transição, o limiar da vida adulta que se aproximava com a rapidez de um trem desgovernado. Por alguns instantes, ela permaneceu imóvel, observando as partículas de poeira dançarem em um raio de luz pálida que conseguira vencer a barreira das nuvens. Havia uma paz estranha em seu peito, uma sensação de que, pela primeira vez, ela não estava apenas esperando a vida acontecer; ela estava vivendo-a. No entanto, em algum lugar profundo de sua mente, um presságio sutil, como um calafrio que percorre a espinha sem aviso, sussurrava que momentos de perfeição absoluta costumam cobrar seu preço em tragédia.

Passos pesados e ritmados ecoaram no corredor, e a porta do quarto abriu-se devagar. Charlie Swan entrou, ainda com o uniforme da polícia ligeiramente amarrotado, carregando um prato com panquecas que desafiavam as leis da estética culinária e uma caneca de café cujo aroma era forte o suficiente para acordar os mortos.

— Feliz aniversário, Bells — disse ele, a voz carregada de uma ternura que ele raramente conseguia verbalizar. Ele colocou o café na mesa de cabeceira e sentou-se na ponta da cama, fazendo o colchão ranger sob seu peso. — Dezessete. Parece que foi ontem que eu te trouxe de Phoenix e você mal alcançava a maçaneta da porta.

— Obrigada, pai — Bella sorriu, sentando-se e aceitando o prato. — As panquecas parecem... experimentais.

— É uma receita nova. Ou uma tentativa de uma — Charlie brincou, mas logo sua expressão tornou-se séria, quase solene. Ele buscou uma caixa retangular e pesada que estava escondida atrás de suas costas. — Eu sei que você sente falta da Renée. E sei que vocês duas tinham aquela mania de parar o carro no meio da estrada só para tirar foto de uma árvore velha ou de um pôr do sol que eu nem achava tão bonito assim.

Ele entregou a caixa para ela. Bella abriu o embrulho com mãos trêmulas e soltou um suspiro audível ao ver o visor de vidro e o corpo robusto de uma câmera fotográfica profissional, uma Nikon de última geração que brilhava sob a luz da manhã.

— Pai... isso é demais. É cara demais — protestou ela, os dedos acariciando a lente fria.

— É para você registrar tudo, Bella — Charlie interrompeu, a voz embargada. — A vida adulta chega rápido, e as memórias... elas às vezes ficam nubladas como o tempo em Forks. Quero que você tire fotos de tudo. Dos seus amigos, da Alice, do... do Cullen. Registre esses momentos agora, enquanto o mundo ainda parece estar esperando por você. Guarde cada detalhe desses últimos tempos de juventude, porque a gente nunca sabe quando o rolo de filme vai chegar ao fim.

Bella abraçou o pai com força, sentindo o cheiro de couro e sabão de barbear. As palavras de Charlie ecoaram nela com um peso profético. *Registrar tudo.* Como se houvesse uma urgência invisível em congelar o presente antes que ele se despedaçasse.

A atmosfera na Forks High School parecia vibrar em uma frequência diferente naquela manhã. Bella caminhava pelos corredores com a alça da nova câmera atravessada no peito, sentindo-se uma observadora privilegiada de sua própria história. Alice Brandon não decepcionou; a entrada da escola estava decorada com uma sutileza que apenas Alice possuía, transformando o armário de Bella em um pequeno altar de amizade.

— EU QUERO A PRIMEIRA FOTO! — Alice gritou, puxando Jasper pelo braço assim que viu Bella.

Bella levantou a câmera, ajustando o foco enquanto o visor capturava a vivacidade de Alice e a serenidade protetora de Jasper ao lado dela. *Click.* A imagem de Alice sorrindo, com o braço entrelaçado no de seu "mômôzão", ficou eternizada em um quadro de alegria pura.

— Deixa eu ver! — Alice pediu, olhando o visor digital. — Ficou perfeita! Jasper, olha como eu saí radiante. Bella, você tem o dom.

— É a câmera, Alice — Bella riu, sentindo o peso gratificante do equipamento.

— Não, é o olho de quem vê — Jasper disse, oferecendo um aceno respeitoso antes de serem interrompidos pela chegada de Edward.

Ele se movia pelo corredor com aquela elegância predatória que quatro meses de convivência não haviam tornado menos impactante. Seus olhos verdes encontraram os de Bella e, por um instante, o barulho dos alunos e o bater dos armários silenciaram. Ele parou diante dela, ignorando os olhares curiosos, e depositou um beijo casto em sua testa.

— Feliz aniversário, minha Swan — sussurrou ele, a voz vibrando como uma corda de violoncelo.

— Tira uma foto com ele, Bella! — Alice incentivou, pegando a câmera das mãos dela.

Edward hesitou por um segundo, uma sombra rápida cruzando seu rosto, como se tivesse aversão a ser capturado pelo tempo. Mas ele cedeu, puxando Bella para perto, o braço firme ao redor da cintura dela. Alice disparou a foto. No visor, eles pareciam eternos: a luz do corredor incidindo sobre o cabelo bronzeado dele e o brilho de adoração nos olhos dela. *Daylight.* A luz que ele trouxera para a escuridão dela estava ali, documentada.

A noite caiu sobre Forks trazendo uma chuva fina e persistente, mas dentro da residência dos Cullen, o ambiente era de uma calidez quase surreal. A festa que Alice organizara era íntima, mas cada detalhe — desde as velas perfumadas até a playlist suave que tocava ao fundo — exalava um carinho profundo. Carlisle e Esme circulavam com a elegância de anfitriões de outra era, e até Charlie parecia ter baixado a guarda, aceitando uma bebida de Carlisle enquanto discutiam, de forma surpreendentemente civilizada, sobre a história da cidade.

Edward e Bella estavam sentados no sofá de couro, afastados do centro da conversa. Ele segurava a mão dela, o polegar traçando círculos lentos em sua palma, um gesto que se tornara a linguagem silenciosa de segurança entre os dois.

— Você está quieta — Edward notou, inclinando-se para perto do ouvido dela.

— Só estou... registrando — ela respondeu, indicando a câmera sobre a mesa de centro. — Pensando no que meu pai disse. Sobre como as coisas mudam rápido.

Edward enrijeceu levemente, o olhar perdendo-se nas luzes da sala. — Eu odeio a ideia de que as coisas mudam, Bella. Se eu pudesse, eu pararia este exato segundo. Eu te manteria exatamente assim, feliz e segura, para sempre. Sem amanhã, sem riscos, sem... — ele parou, a palavra *acidente* ou *perda* morrendo em sua garganta.

— Mas o amanhã é o que torna o hoje real, Edward — ela retrucou, tocando o rosto dele.

A conversa foi interrompida por Emmett, que se aproximou com um sorriso largo, mas cujos olhos guardavam aquele brilho de segredo que Edward vinha tentando enterrar há meses. — E aí, aniversariante? Aproveitando a vida boa? O Edward tem sido um bom namorado ou eu preciso lembrar a ele de certas... obrigações financeiras?

Edward levantou-se em um movimento brusco, a mandíbula travada. — Emmett, agora não.

— Relaxa, maninho. Só estou dizendo que o tempo voa — Emmett deu de ombros, mas o aviso estava dado. A aposta era um fantasma que rondava a sala, esperando o momento certo para materializar-se e destruir a redoma de vidro.

O silêncio do quarto de Edward, mais tarde naquela noite, era um santuário de veludo e sombras. A música da festa era apenas um eco distante através das paredes grossas da mansão. Bella sentia o coração martelar contra as costelas, uma mistura de nervosismo e uma certeza absoluta que transcendia o medo.

Ela fechou a porta e caminhou até ele. Edward estava parado perto da janela, observando a chuva açoitar o vidro, a luz da lua filtrada iluminando seu perfil como se fosse uma escultura de mármore.

— Edward — ela chamou suavemente.

Ele virou-se, e a intensidade em seu olhar fez os joelhos de Bella tremerem. — Você tem certeza disso, Bella? Não há volta depois que a gente entrega o coração desse jeito.

— Eu já entreguei meu coração a você há muito tempo — ela respondeu, aproximando-se até que seus corpos quase se tocassem. — Eu não quero mais esperar. Eu não quero mais "registrar" a vida de longe. Eu quero viver isso com você. Agora.

O beijo que se seguiu foi uma colisão de almas. Não havia mais a contenção dos meses anteriores; havia uma fome mútua, uma entrega que transformou o quarto em um universo à parte. Edward a conduziu para a cama com uma reverência trêmula, cada toque sendo uma oração silenciosa de agradecimento. Naquela noite, sob o teto da casa que ele detestava, Edward Cullen amou Bella Swan com uma pureza que desafiava a mentira da aposta que ainda manchava sua alma.

Mais tarde, enquanto Bella dormia exausta em seus braços, Edward permanecia acordado, observando a silhueta dela contra os lençóis. Ele sentia uma felicidade tão lancinante que beirava a dor. Ele pensou no seu carro estacionado lá fora, na velocidade que costumava ser seu único escape, e em como, pela primeira vez, ele tinha medo do que o destino poderia fazer para puni-lo por ser tão feliz.

— Eu não vou te deixar, Bella — ele sussurrou para o escuro, uma promessa que o destino já se preparava para quebrar. — Eu vou te amar até o meu último suspiro.

O relógio na parede marcou as horas com um som metálico, cada tique-taque sendo um passo a menos em direção ao asfalto molhado, ao som de pneus derrapando e ao silêncio final que transformaria aquele dia de luz na noite mais longa de suas vidas. Mas ali, naquele momento, eles ainda eram eternos...

Notas finais
💭 Eu queria muito conseguir proteger eles. Juro. Mas existe algo assustador sobre personagens felizes demais…principalmente quando o destino começa a aparecer em pequenos detalhes. As fotos. As promessas. O medo do amanhã. O Edward dizendo que ama ela até o último suspiro… Vocês sentiram também, né? Aquela sensação de que alguma coisa está chegando? 😭