Lembranças de Elisa
2 Capítulo 2

No dia seguinte meu padrasto pediu para meu irmão Enrrico ir á padaria
– Não! — Todos me me olharam.
– Quer dizer, não precisa ir Ico, você ainda tem que terminar o seu dever. Eu posso ir a padaria. — Eu digo meio envergonhada.
Lá estava eu de novo, um pouco mais arrumada, de um jeito que minha pessoa nunca iria a uma padaria. Fui pagar a conta e discretamente olhei para ele. Ele estava olhando fixamente em direção do meu cabelo longo, mais ou menos até a cintura e castanho.
Quebrando o silêncio ele diz:
– Hoje está um dia lindo não é mesmo? — Achei um pouco ruim o jeito que ele tentou puxar assunto comigo mas por vir dele fiquei feliz.
– Muito. — Eu costumo ser direta nas minhas respostas.
– Você é novo aqui no bairro? Porque eu nunca tinha te visto antes por aqui. — Eu pergunto tentado não deixar a conversa morrer.
– Sou sim, me mudei faz um mês para cá, não conheço quase ninguém, só os meus avós que já moravam aqui mesmo, e agora você que ainda não sei o nome. — Ele pergunta meu nome de um jeito meio sutil.
– Elisa — Eu respondo, como sempre, direta.
– Muito prazer Elisa, eu me chamo Julio. — Essa foi a hora em que meu paquera ganhou um nome.
– Então, sua conta deu 5,90$
Paguei, me despedi e fui embora.
Chegando em casa, fui direto para o meu quarto que eu dividia com a minha irmã dois anos mais nova Ana. Deitei na cama e sorri, o mesmo risinho extremamente ridículo de quando ele dirigiu a palavra a mim pela primeira vez. Hoje com 24 anos eu fico imaginando como adolescentes são intensos quando estão se apaixonando, nós nos jogamos de cabeça pensando estar amando mais do que tudo, achando que vamos viver a vida toda com aquela pessoa. É claro que muitos amores adolescentes podem dar certo e que podem sim ser o seu amor verdadeiro em alguns casos, mas na maioria das vezes há pessoas que depois de alguns anos nem se quer lembramos o nome. Continuei indo ao "Rei dos pães e doces" todas as manhãs, e o objetivo principal não eram os pães, mas sempre ficávamos na mesma do "Oi" "5,90".
Minha médica acaba de entrar para aplicar minhas injeções diárias, morro de medo de agulha mas não consigo demonstrar minha aversão a elas. Minha mãe esta aqui, olho pra ela e penso no quanto a amo, ela passou por tanta coisa na vida que a torna o meu grande exemplo de como ser forte e ao mesmo tempo como ser doce, eu a amo muito; Eu te amo mãe, queria que você ouvisse isso e sorrisse para mim.
Estava cansada dessa mesmice entre eu e Julio, então resolvi tomar uma atitude. Na hora de pagar, no meio do dinheiro estava um papel escrito:
"(meu número). Caso sinta falta de um amigo e alguém da sua idade para conversar". Estava indo embora enquanto ele lia o bilhete, olhei para trás e ele estava me olhando com o seu olhar e seu sorriso que poderiam encantar até as mais ranzinzas velhinhas que existem por ai. Eu sorri. Reconheço que foi tudo muito rápido e objetivo, mas pra falar a verdade, não gosto de enrolação.
Esperava que ele me ligasse, mas também considerei a possibilidade de isso não acontecer, então fiquei tranquila.
Enquanto estava deitada lendo um dos meus livros de romance, de repente sinto meu celular vibrar. Era ele! Lembro-me que fiquei congelada um tempo e atendi.
– Alô?
– Como vai senhorita, me desculpe por ligar tarde.
Sua voz era ainda mais bonita no telefone.
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