Silêncio. Era a única coisa que escuto, se é que isso é possível. Mas depois de ver tantas coisas sei que tudo é possível. Principalmente agora.

Dês de sempre soube dos perigos que cercavam minha vida, aqui não existe a expressão ser novo de mais ou só uma criança, para sobreviver é necessário conhecer os perigos e nem sempre é preciso que lhe conte quais são eles, uma hora você verá.

Mas é claro que alguns realmente são novos para pensar na tristeza o tempo todo, é necessário também sorri, conseguir ser feliz, é o que nos torna mais humanos e esperançosos para o futuro. E é essa esperança que nos move para a luta, ou pelo menos, assim eu pensava.

-Ziva. –Apenas uma palavra sem acompanhada a pergunta que muitos já me fizeram e que nem me lembro de ter respondido. Mas essa palavra, meu nome, já vinha carregada com emoção suficiente, e era a tristeza.

-Ari. –Sussurrei o olhando a meu lado. Mas meu irmão nada disse, e assim como eu, acredito, ouviu o silencio.

Por mais que orações sejam ditas, choros ouvidos, e lamentações sejam sussurradas, nada disso chegava até mim. Nada disso diminuía a dor que estava sentindo, e muito menos nada disso traria minha irmã de volta.

Tali David, a minha irmãzinha, a que sempre vinha para meu quarto com pesadelos, a que sorria todas as manhas sem se importa com as coisas ruins do mundo, a única que me fazia acreditar que existia algo bom nas pessoas ruins, que havia perdão, felicidade e compaixão. A que sempre esteve ao meu lado sem ao menos saber a importância disso, a primeira a me abraçar quando descia do palco, a que me fazia acreditar em mim mesma. Agora está morta, e onde foi parar toda a esperança dela? Tudo que ela acreditava? Que a fazia sorri? A confiança que ela tinha em todos?Sua bondade não vale de nada?

Mas quanto mais pergunto menos respostas tenho, a não ser do silêncio.

-Vamos embora. –Meu irmão disse pegando minha mão e me arrastando dali. Não o impedir, não queria jogar flores em seu tumulo, de que adiantaria se elas iam apodrecer.

-Ziva! Ziva! –Não me deu ao trabalho de olhar para trás, não queria falar com ninguém, mas Ari parou e se colocou na minha frente, o que quase me fez quebrar ali mesmo. Meu irmão tinha feito a mesma coisa que eu sempre fazia com Tali: Proteger.

-Isaac. –Disse vendo o melhor amigo de minha irmã em minha frente, e assim como eu e Ari se segurava para não chorar.

-Como? –Abrir a boca para responder, mas não conseguir. Ari fez isso por mim.

-Atentado, uma bomba em um café perto de casa.

Mais nada foi dito, e naquele instante vi uma chama se acender nos olhos de Isaac, a mesma que em mim queima dês de que soube da verdade..

-Vejo vocês depois. –Ele disse se afastando de nos e da minha irmã. Perto dela as últimas rosas eram jogadas, as pessoas já se afastavam e de longe vi pela primeira vez em muito tempo meus pais se abraçarem. Tali ia gostar de ver isso.

-Vamos para casa.

-Não. –Protestei. –Qualquer lugar em que ela nunca esteve.

-Não importa o lugar Zi, você vai a esperar abrir a porta. –Ari falou com seu olhar perdido, mas para ele do que para mim.

Depois de ouvir suas palavras e ver seu olhar eu quebrei, meu irmão me abraçou forte e permaneceu assim por um longo tempo. Antes de partimos a ultima lagrima derramada naquele local foi a dele. Mas elas ainda não tinham secado de mim.

Dali a dois largaria minha possível carreira de dançarina

Em três dias veria Isaac se juntando ao Mossad.

Em quatro, eu estaria em minha primeira missão oficia pelo meu país.

No quinto dia iria matar pela primeira vez para me proteger. Não teria mais volta.

Tali não ia gostar disso.

-Achei que tinha dito para ver o Duck. –Falei firmemente quando Tony apareceu do meu lado com um papel na mão. –Gibbs ainda está interrogando nosso suspeito.

-Um suspeito que sofreu um ataque, acho que não. Porque não está lá dentro?

-Estava olhando as fitas de segurança da rua, o carro do ataque não tem placa, modelo comum, Abby disse que vai ser difícil rastrear algo, por isso me atrasei, Gibbs já tinha começado e eu não ia interrompê-lo, tenho amor a minha vida. Foi ver o Duck ou não?

-Se eu disser não o que você vai fazer? –Ele perguntou sorrindo e com um tom de provocação.

-Vou te imobilizar, o que te machucaria ainda mais, o paralisaria e então te levaria para o Duck.

-Agressiva, como a velha Ziva, gosto disso, mas não se anime eu fui ver o Duck, ele me deu alguns pontos.

-Como assim a velha Ziva?

-Mossad, agressiva, ameaçadora, devastadora...

-Assassina? –Perguntei dessa vez o olhando, sua expressão de quem estava brincando mudou quando percebeu que eu estava levando a serio. –Eu não vou negar, era tudo isso e ainda esta dentro de mim, não é algo que possa mudar, depois de tanto treinamento, mas é bom se acostuma com essa Ziva.

-Eu não ia disser assassina, você nunca foi. Estou feliz por esta querendo mudar Ziva, vai te fazer bem.

-Mas você disse que gostava da antiga Ziva, ou melhor, gosta. –Retruquei.

-Disse, e é verdade. Mas também gosto dessa Ziva.

-Qual delas você gosta mais?

-Eu não responderia isso Dinozzo, o que vocês têm? –Gibbs perguntou impedindo de Tony disser seja lá o que iria responder.

-A nova Ziva descobriu que o carro do ataque não tinha placa, Abby esta tentando localiza, mas não podemos contar com isso, modelo comum. E eu descobrir um possível motivo, a irmã da vitima, Rebecca, irá receber toda herança do irmão, que por sua vez recebeu da mãe. Estamos falando de muito dinheiro.

-Especialmente para alguém que esta devendo o que não tem, o que ele te disse Gibbs?

-Nada, esta escondendo algo, vamos pressionar. Dinozzo pegue McGee e traga Rebecca aqui, Ziva você vem comigo.

-Ela já está a caminho chefe.

-Você ainda me deve uma resposta Tony. –Disse a meu parceiro antes dele sumir de vista, minha resposta foi um sorriso. –Para onde estamos indo?

-Para sala do diretor, ligar para seu pai.

-Por quê? Vocês já falaram com ele. –Argumentei parando de andar. Gibbs suspirou e pela segunda vez parou na minha frente, mas desta vez não parecia está me confrontando, pelo contrario, seus olhos pareciam estar me olhando preocupadamente.

-Ziva, ele é seu pai, uma hora ou outro você terá que conversa com ele. –Ele disse calmamente.

-Mas eu não quero conversa com ele, se quer informações do caso posso tentar conseguir.

-Não é sobre o caso é sobre você. E você quer sim fala com ele, mas tem medo.

-Eu não tenho medo. –Mas um a vez Gibbs suspirou, achei que ele ia desistir, mas ele colocou suas mãos sobre meu ombro e me fez olhar diretamente para ele.

-Você tem medo de que ele se decepcione, não te aceite pelo que se tornou. Mas não deve, vocês dois estão enfrentando uma nova situação, eu não sou fã de Eli, mas ele ainda tem que aceita a idéia de que você não é mais do Mossad, só que ainda sim ele é seu pai e a relação de vocês está te afetando. É como Tony e seu pai, como eu e o meu.

-É só um pedido, senão quiser eu entendo. Mas pense sobre isso.

-Vou pensar. –Sussurrei tentando admitir para mim mesma que ele tinha razão, Gibbs sempre tem razão.

-Bom, agora vá trabalhar. –Ele falou beijando de leve minha testa e se afastando.

-Gibbs. –O chamei e ele apenas virou. –Obrigado.

Voltei para minha mesa sem conseguir ignorar suas palavras, ou melhor, a verdade. A verdade que sempre esteve comigo e sempre tentei ignorar, mas não posso mais fazer isso.

Dês de sempre quis que meu pai tivesse orgulho de mim, foi um dos motivos de quando criança deixar ser treinada, apesar de querer mesmo seguir a carreira de dançarina.

Mas com o tempo eu me esforçava além do preciso nos treinamentos, tentava me igualar a meu irmão, e o fazer não reparar não minha irmã, para protegê-la do caminho que tava seguindo e para ser notada. Eu sabia para onde estava indo, sabia o perigo que era continuar fazendo o que me era ordenado, mas meu único objetivo sempre foi o impressiona, quem sabe ate o fazer ceder e ver uma de minhas apresentações. Porém no dia que isso ocorreu foi quando larguei tudo para seguir no Mossad. Dois dias depois de minha irmã ser morta e eu não querer mais nada alem de vingança.

Nunca vou saber se Tali realmente influenciou minha escolha, se mesmo com ela viva eu abandonaria tudo. Talvez não, ela sempre me fazia ver que eu nunca devia desistir de dança, porém sua morte me fez ter raiva de tudo e todos, fez com que a vingança crescesse em mim. Fez com que me tronasse quem tento mudar.

No fim quem a matou nunca teve o destino traçado com o meu, nunca pude me vingar, nunca saberei se isso faz a dor diminuí. Algo que um dia perguntarei a Gibbs.

Tentei espantar esse pensamento da minha cabeça, espero que nunca chegue à pergunta isso, voltei minha atenção para o computador tentando pensar em algo para ajudar no caso, mas só tinha lembranças de meu passado.

-Eu vou me arrepender. –Sussurrei para mim mesma em hebraico, sem perceber, e coloquei o nome do agente Sebstien Parke na busca e cliquei para ir. Como resultado apareceu apenas informações superficiais. Ele era um agente da CIA especializado nos assuntos internacionais, boas referencias, uma ficha exemplar.

Já ia fechar quando uma ultima coisa chamou minha atenção, sua data de morte, a mesma data que me prossegue ano após ano. O agente morreu no mesmo dia que Tali.

Fechei a pagina e tentei voltar ao trabalho, mas não conseguir tirar o assunto da minha cabeça. É só uma data, repetir várias vezes, muitas pessoas morrem no mesmo dia, não existe relação alguma com minha irmã.

É do seu interesse.

A voz de Isaac ecoou na minha mente. Onde ele estava? E o que ele queria?

É só uma data. Repeti.

-McGee alguma vez já ocorreu coincidências? –Perguntei a única pessoa que estava perto de mim, Rebecca já tinha chegado e Gibbs e Tony foram falar com ela.

-Não existe coincidências Ziva, o chefe sempre diz isso. –McGee me respondeu me olhando como se tivesse tentando descobrir o que estava por trás dessa pergunta. E estava. –Algum problema?

-Ainda não sei. –Disse sabendo que para responder sua pergunta teria que ir mais afundo. Mas a único modo de fazer isso seria invadir a CIA pelo computador, e só conheço uma pessoa capaz de fazer isso sem deixa rastros.

-Posso te ajudar em algo? –McGee perguntou como se estivesse na minha mente. Para minha surpresa não demorei a responder.

-Está tudo bem, mas obrigado. –Eu tinha feito uma promessa, ninguém do NCIS ia embarca nessa comigo. Muito menos alguém que também arriscou sua vida para me salva e sempre nós ajuda quando precisamos.

Depois de alguns minutos Abby descobriu que a vitima não era filho de sangue do principal suspeito, mas sua irmã é. Apesar disso ele não disse nada para Gibbs, o que o irritou ainda mais. Sem provas de que ele realmente o culpado tivemos que saltá-lo, mas não tínhamos desistido ainda.

Logo depois Tony e Gibbs voltaram, Rebecca tinha ido embora, mas percebi pelo olhar do meu parceiro sobre mim que havia algo errado.

-Ele falou algo relevante chefe? –McGee perguntou e a resposta de Gibbs não foi nada satisfatória.

-Ela disse que antes de sair ouviu o irmão falando no telefone com alguém no qual chamou de Eli, e ouviu ele fala NCIS. Vance ligou para Eli que jurou não ter falado nada colocasse a agencia dentro de algo.

-Eu vou fala com ele Gibbs. –Falei mesmo sabendo que não estava pronta.

-Não precisa. –Ele respondeu sabendo que eu realmente não queria dar qualquer telefonema para Israel, mas preciso. O caso só estava piorando para nosso lado, nosso suspeito está solto assim como quem nós atacou, para piora meu pai pode estar envolvido e ele não é nada menos do que o diretor do Mossad. Eu preciso fazer alguma coisa, não posso mais ter medo, não pertenço ao Mossad, ele por mais que eu queira não precisa sentir orgulho. É o mínimo que posso fazer para quem me tirou do meu maior pesadelo.

-Preciso sim, vou fazer isso agora mesmo.

-Ziva acho melhor não. –Tony falou. –Se realmente vai ligar faça isso amanha, o diretor acabou de ligar para ele.

-Tudo bem, amanha eu ligo. Mas o que vamos fazer ate lá?

-Descansar, vão para casa já esta tarde, não vão conseguir nada neste estado.

Sem reclamar pegamos nossas coisas e fomos para o elevador. Ninguém ficou surpreso quando Gibbs não fez o mesmo.

-O que vai fazer esta noite McGee? –Tony perguntou.

-Dormi, e não venha disser que não me divirto, eu preciso dormi vejo vocês amanha.

-Tudo bem McDorminhoco, eu e Ziva vamos aproveitar algo que se chama vida. –McGee não se deu o trabalho de responder e foi para seu carro.

-Nos vamos? –Perguntei a Tony.

-Podemos, mas Gibbs tem razão precisamos descansar, o que acha de um filme? –Ia disser que não, que estava muita cansada, mas percebi que não era uma má idéia. Há muito tempo não tínhamos uma noite de cinema, não riamos por nada e ficávamos a noite conversando. Eu realmente sinto falta disso.

-Ótima idéia, na sua ou minha casa?

-Minha, você não tem minha coleção de filmes, apenas seus livros.

-Tudo bem, eu pego a pizza, vamos ver quem chega primeiro?

-Não mesmo, essa é uma batalha perdida.

-Medroso, te vejo lá esperando para poder abrir a porta. –Tony não respondeu a provocação e saiu primeiro da garagem, o segui e percebi que ele havia aceitado a aposta, sorri com a brincadeira, parecíamos duas crianças, Tony me fazia me sentir assim, livre como uma. E eu não posso negar que gosto, e que posso mais ainda me acostumar com isso.

Realmente posso.

Notas finais
Proximo capitulo sera um pouco TIVA, por mais que eu tente apenas focar em Ziva nao consigo deixar Tony de lado.
Obrigado por lerem
bjs