Lembranças De Uma Assassina
5 O mascarado
Notas iniciais
Fiquei indeciso com o nome do cap, então ficou essa coisa óbvia.
Estou meio que torturando a Natália, desculpem T-T
Boa leitura ^^
Natália passou grande parte da manhã chorando. Ela tinha um passado, uma história, alguém para quem voltar, seus pais, tudo. E agora, tudo perdido, um sequestro no qual tiraram sua memória.
Saiu da cama, foi ao banheiro, tomou um banho e voltou ao quarto. Com a toalha ainda no corpo olhou-se no espelho. Era o mesmo reflexo que havia visto em seu sonho, mas a expressão agora era de medo, bem no fundo ela sabia, de alguma maneira, que tudo o que Klaus lhe disse era verdade.
No espelho via-se o reflexo de Natália: cabelos loiros e longos, levemente ondulados, alta, pele clara e esbelta sem contar seus olhos, tão enigmáticos quanto uma safira que acaba de ser encontrada.
Trocou-se, arrumou o cabelo em um coque alto com a franja solta e desceu à cozinha, desejando não ser interrompida enquanto preparava algo para comer. Porém, seus desejos foram em vão. Klaus irrompeu, sorridente, a porta da cozinha com bolsas cheias para repor o que faltava na casa.
- Bom dia! – Disse Klaus.
- Oi. – Disse a garota sem desviar o olhar do que estava fazendo.
- Ainda emburrada comigo? – Perguntou entre risadas. Sem resposta começou a arrumar o que trouxe no armário e na geladeira. – Eu trouxe aqueles morangos que você tanto gosta.
O silêncio continuou por um bom tempo.
Depois de algumas horas o sol se punha entre as montanhas, que podiam ser vistas da janela do quarto de Natália. Sem sinal de Klaus na casa, pensou em dar uma volta, mesmo estado em perigo. Precisava sair daquela casa.
Subiu de volta ao seu quarto, tirou a regata branca e trocou por uma camiseta estampada. Por cima, vestiu uma jaqueta. Ao virar-se viu os dois cutelos e uma delicada corrente brilhando ao lado. Pegou os três, mesmo hesitando. Ajustou os cutelos automaticamente em locais estratégicos e, por fim, o colar. Saiu.
O clima estava incrivelmente frio, o vento fazia os olhos lacrimejar e sentir calafrios intermináveis a cada brisa que vinha das montanhas. A rua estreita da cidade de interior dava as casas vizinhas um ar pitoresco e calmo.
Decidiu andar, mesmo sem rumo, em direção as luzes que viu ao longe. Passou por diversas cabanas, propriedades, e campos logos que pareciam servir para o plantio de uva. Depois de alguns minutos chegou à grande clareira. Era o centro da cidade, estava agitado com algo que se parecia a um festival. A música ecoava pelo local, as pessoas dançavam, riam, divertiam-se sem parar.
A cena deixou Natália deprimida mais uma vez, quase começa a chorar, mas foi interrompida por um puxão no braço. Virou-se. Nada, só a multidão desenfreada pela festa. Ficou alerta, analisou cada vão que avistava, sem sucesso, decidiu voltar a andar. Tomou coragem e prosseguiu em meio à multidão.
-x-
Ao longe era possível ver as mechas loiras de Natália esvoaçando com o vento.
A figura mascarada e encapuzada não deixava nenhum detalhe à mostra. Era uma sombra, se misturava a multidão com maestria, não esbarrava em ninguém, mesmo com o vai e vem dos camponeses.
Entrou em um beco e escalou até o telhado de uma das casas ao redor da praça onde estava acontecendo o festival. De cima conseguia ver, sem nada para atrapalhar, o percurso de Natália Vried. Começou a perseguição. Pulou em diversas casas vizinhas para ganhar tempo. Aterrissou em uma sacada e dela camuflou-se na multidão.
Com a agilidade de um felino chegou perto do alvo, esticou o braço e puxou. Antes da vítima se virar, voltou a ficar invisível no frenesi de pessoas ao seu redor.
A ação durou poucos segundos, mas o mascarado sabia que aquilo era suficiente para deixar a presa acordada por um bom tempo. Continuou a perseguição, agora em direção à estrada que levava para fora da cidadezinha. Em pouco tempo não teria mais onde se esconder, decidiu sondar em meio aos galhos e arbustos da floresta onde o caminho atravessava.
-x-
Sem a cantoria e o barulho da festa atrás de Natália era possível ouvir os animais da floresta que rodeava a estrada onde estava andando, aproveitando cada segundo do clima. Entre grilos, corujas, alguns roedores – aparentemente esquilos – e outros que se esgueiravam entre os arbustos, encontrava-se a linda visão da lua, que iluminava cada canto que podia com sua luz prata. Numa clareira, reparou Natália, havia uma rena, arisca, que logo saltou para o breu novamente. As nuvens, bem definidas, faziam sombra de tempos em tempos, escondiam as estrelas, que brilhavam graciosamente. A noite era para deitar-se sobre a grama e admirar, ouvir, cada detalhe vivo.
Andou durante uma hora. Já começavam a surgir algumas casas ao longo da paisagem montanhosa quando decidiu voltar. A garota mudou o estilo da caminhada para esquentar-se, a temperatura caiu ainda mais.
No meio do caminho viu algo se mexer no topo de uma das árvores logo à frente. Acelerou. Em pouco tempo a árvore ficou para trás, estava agora trotando.
Viu uma sombra, com o canto do olho, passar por uma das clareiras, não conseguiu distinguir se era humano ou animal. Quando percebeu, estava correndo.
Algo saltou de uma árvore e parou frente a ela.
- Bonjour, ma femme de chambre perdue. – Disse uma voz abafada por uma máscara.
Inconscientemente entendeu a frase: “Olá, minha donzela perdida.” Do mesmo modo que entendeu, pôs as mãos em seus cutelos e esperou algum movimento.
- Quem é você? – Disse Natália.
- Ninguém importante. – Começou a rodear a garota. – Só queria ter certeza que estava bem.
Acompanhando o movimento do mascarado, Natália desferiu um corte rápido. O cutelo acertou o ar, tinha se esquivado.
- Oh, não faça isso comigo, Natália. Sorte que ainda está um pouco fora de forma. – Falou ao pé do ouvido da garota.
A garota tentou outro corte. Dessa vez com as duas lâminas. Foram bloqueadas por uma espada. Metade estava fora da bainha. Ambos recuaram. Os ataques não o afetavam, não havia o que fazer.
Natália estava a um passo do desespero. “Como fiz isso? Por que eu?”, pensava a garota. Ao ouvir o pio de uma das corujas pôs-se a correr.
- Au revoir! – Despediu o mascarado.
Notas finais
O que acharam?
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