Lembranças De Um Verão
50 Capítulo 49 – Triunfo
Notas iniciais
Fiquei feliz que vocês gostaram da ideia de uma 2ª temporada para essa fic :D Se depender de mim vou continuar escrevendo por muito tempo!
Só pra adiantar a 2ª temporada seria contada a partir de onde o Rick parou a história no livro "O Filho de Netuno". Mas não é uma versão alternativa de "A Marca de Atena". Vai ser uma história a parte focando somente Annabeth e Percy. Os personagens novos (Jason, Piper, Leo, Hazel e Frank) também vão aparecer, mas não como protagonistas.
Quem não comentou no capítulo passado, por favor, opinem sobre a ideia da 2ª temporada ok? Obrigada ;)
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Aproveitem o penúltimo capítulo da fic!
Aquilo certamente era obra de Afrodite ou te algum outro deus que não gostava nada de mim. Fui sorteada para estar no mesmo grupo de Percy para a “Maratona de Reforma”. Eu não conseguiria continuar evitando-o por muito mais tempo. Nós e outros tantos campistas iriamos ficar responsáveis pela arena de combate. Ela seria expandida e passaria a ter o dobro do tamanho. Nossa tarefa seria começar a quebrar algumas paredes e parte da arquibancada. Depois também teríamos de limpar toda a bagunça e dar um fim em todo o entulho que produzíssemos. Como se não bastasse ainda ficamos responsáveis por “limpar” a área onde seria construída a extensão, tirando árvores, pedras e tudo o mais que estivesse no caminho. Tudo isso no curto prazo de duas horas.
Quíron havia explicado aquilo tudo brevemente a nós. Ele ainda tinha que se reunir com os outros grupos, que já haviam se debandado para seus respectivos locais de atuação, para dar as devidas instruções. Ele nos mostrou os materiais e ferramentas que teríamos disponíveis para usar. Vi martelos, picaretas, e britadeiras elétricas. Ainda não tinha me decidido qual deles seria o menos difícil de manusear quando o diretor do acampamento voltava a falar para nos dar as últimas orientações:
- Como eu disse há pouco, não vão achando que essa tarefa será moleza – alguém precisava avisar a ele que ninguém tinha achado isso, na verdade achamos aquilo muito chato – Existem alguns mistérios e enigmas para a realização dessa tarefa. E não quero assustar vocês, mas certas criaturas receberam passe livre para transitar pelo acampamento hoje e elas costumam não se dar muito bem com barulho de obra. Então não se surpreendam se elas ficarem irritadas com vocês. Só não deixem que interfiram no seu trabalho. Não se esqueçam, quem tiver o maior progresso na reforma vencerá.
Quíron saiu galopando em direção a área dos chalés depois de dizer aquilo. Fiquei parada assim como muitos dos outros semideuses de meu grupo. Ainda estávamos tentando entender como iria funcionar aquela competição maluca. Quais seriam aqueles enigmas a que ele se referira? Que criaturas seriam essas que tentariam nos impedir de prosseguir com a reforma? Eu não sabia ainda, mas resolvi ir escolher uma ferramenta antes que só sobrassem as piores. Não acreditava ser capaz de segurar uma daquelas britadeiras tão pesadas, mas esse com certeza seria o meio mais eficiente de derrubar aquelas paredes de concreto. E talvez até servisse como uma arma contra os monstros que teríamos que enfrentar.
Me aproximei de uma delas e segurei em suas alças que estavam apoiadas na parede externa da arena. Um dos filhos de Ares que estava em nosso grupo e era bem mais forte do que eu, não teve dificuldade alguma com a sua. Ele a levou até a extremidade do local e a ligou. Logo várias centelhas e lascas começaram a se desprender e a desmoronar no chão. Um de meus irmãos percebeu que não seria uma boa ideia começar por baixo. Aquilo poderia fazer a arena toda desabar sobre nossas cabeças, então todos resolvemos que iriamos começar por dentro, de cima para baixo. Eu puxei a britadeira a minha frente, mas não consegui suportar seu peso. Ela teria despencado bem em cima do meu pé esquerdo se alguém não a tivesse amparado.
- Obrigada – disse me virando para ver quem havia me ajudado. Era Percy. Ele colocou o instrumento no chão e sem desviar os olhos de mim. Eu não consegui dizer mais nada.
- Tem certeza que quer usar uma dessas? – perguntou ele – Se eu fosse você pegaria uma picareta que é menos pesada e menos perigosa.
- Ok – concordei. E fui até as ferramentas mais leves para pegar alguma. A minha reação ao falar com Percy havia sido a pior possível. Enquanto ele parecia estar bem e lúcido, eu não conseguia pronunciar mais de duas palavras.
Peguei uma picareta e segui os outros até o interior da arena. Não pude deixar de pensar em como Percy estava realmente com uma aparência excelente. Não parecia estar nenhum pouco abalado pelo que acontecera. Isso chegou a me preocupar por um instante. Talvez ele já tivesse superado o nosso rompimento. Talvez ele tivesse chegado a conclusão de que era melhor assim. Talvez ele estivesse querendo seguir em frente e partir para outra. Essa suposição me doeu mais do que qualquer outra coisa. Pensar que ele havia desistido de tentar acertar as coisas entre nós era muito pior do que saber que fui eu quem havia terminado tudo. Ainda que eu quisesse não consegui me concentrar no que meu grupo estava fazendo para cumprir a tarefa que nos foi dada.
Eu apenas ouvia algumas vozes e barulhos de coisas sendo quebradas. Meu olhar estava perdido no nada. Apesar de eu estar ali presente fisicamente, minha mente estava a quilômetros e distância. Só me dei conta do que estava acontecendo quando uma discussão tomou proporções maiores. Um filho de Ares e um filho de Hefesto começaram a gritar um com o outro. Tentei pegar algumas das palavras que estavam dizendo para ver se entendia o motivo da briga. Mas não foi preciso, ao ver que não tínhamos feito quase nenhum progresso eu compreendi. Os bancos dispostos nas arquibancadas eram um problema. Sua estrutura era de ferro e impedia o progresso da “destruição”. Os potentes e agressivos golpes das ferramentas não os abalavam.
- Acho que brigar não vai nos ajudar em nada, pessoal – disse Percy tentando conter os ânimos dos dois semideuses que se enfrentavam – Temos que pensar numa solução juntos.
- Se tem alguém aqui que sabe como fazer o ferro ceder é o chalé de Hefesto – disse eu me metendo no meio da confusão – Vamos deixar que eles se encarreguem de tirar os bancos, enquanto o resto de nós continua quebrando o concreto.
Ninguém questionou a minha sugestão. Eles até mesmo agiram como se aquilo tivesse sido a ordem de uma líder. Mas não era aquilo uma das coisas que eu melhor sabia fazer? Liderar? Eu havia me esquecido disso por um momento. Talvez fosse melhor deixar os meus problemas e inquietações de lado se quisesse realmente vencer aquela competição. Eu iria ter que colocar minha equipe para trabalhar de forma eficiente e organizada. Aquilo não seria fácil. E se Percy continuasse me lançando aqueles olhares de aprovação e incentivo seria ainda mais complicado. Tentei não dar atenção a ele e ao seu lindo sorriso. Me concentrei em meu trabalho enquanto continuava dando coordenadas aos meus companheiros se grupo.
Os semideuses do chalé de Hefesto encontraram alguns maçaricos entre os nossos materiais disponíveis e rapidamente conseguiram criar um instrumento que desintegrava o metal e fazia os bancos se soltarem com facilidade. Logo eles já estavam retirando toda a estrutura de ferro do caminho possibilitando a destruição de toda a arquibancada daquele lado da arena. Em pouco mais de quarenta minutos já tínhamos terminado essa parte do serviço. Talvez eu já tivesse reparado em alguns enigmas que se puseram em nosso caminho até ali, mas por enquanto não tinha avistado nenhuma criatura enfurecida sequer. Será que Quíron dissera aquilo só para nos assustar? Talvez a reforma nos outros lugares estivesse mais barulhenta e perturbante que a nossa. Foi então que eu percebi que estava enganada.
Através da grande abertura que tínhamos feito no muro da arena eu avistei diversos vultos pretos. Eles iam ficando mais nítidos a medida que se aproximavam de nós. E definitivamente suas caras eram de pura irritação e fúria. Quando pude conferir mais de perto o tamanho daquelas criaturas eu tive certeza, eram Lestrigões. Havia no mínimo uns seis deles. Se moviam de forma lenta, porém seu porte avantajado fez com que eles alcançassem os escombros rapidamente. Os monstros escalavam a pilha de entulho e logo chegariam até nós. Eu tirei minha adaga da bainha e olhei para os outros semideuses que também sacavam suas armas. Porém nem todos tinham se precavido de trazê-las. Os vi pegando algumas das ferramentas de construção para se defender. Felizmente Percy já estava com contracorrente a postos. Quem dera todos tivessem uma espada fácil de carregar como aquela.
- Cuidado! – gritou uma meio-sangue do chalé de Hermes. Todos que estavam próximos a imitaram abaixando-se quando um pedaço de concreto do tamanho de um carro passou voando por suas cabeças. Os Lestrigões estavam atacando.
- Temos que sair daqui! – berrei para que todos pudessem ouvir – Se eles nos alcançarem ficaremos encurralados aqui dentro. Vamos!
Sai em direção a porta sendo seguida pelo meu grupo. Percy vinha mais atrás. Talvez para se certificar de que ninguém fosse esquecido. Ultrapassamos os portões da entrada e eu me virei para ver se todos haviam conseguido escapar. Não me lembrava de todos os rostos dos semideuses de meu grupo. Mas pude reparar claramente que Percy não havia saído. Procurei um dos filhos de Ares dentre os campistas que estavam próximos de mim.
- Ei você – chamei-o – Leve todos até o outro lado dos escombros e atraiam a atenção dos Lestrigões para fora da arena. Leve-os para a floresta e façam com que se dispersem. Eu vou voltar lá dentro para ver porque Percy ainda não saiu...
O semideus concordou imediatamente e começou a guiar os outros para aquela direção. Ouvi alguns protestos enquanto eu voltava para dentro da arena, mas não me detive. As criaturas estavam quase alcançando o topo da pilha de destroços. Eu não via Percy em lugar nenhum então me aproximei mais. Foi quando eu ouvi o barulho de pequenas pedras sendo jogadas nas costas dos monstros. Também podia ouvir as vozes da minha equipe que tentava provoca-los. Eles então se voltaram para o lado de fora e começaram a retroceder de onde vieram. Porém um deles parecia ter encontrado algo mais interessante no interior da arena e continuou entrando. Então eu olhei em direção ao lugar que ele encarava de forma voraz. Percy estava caído ao chão.
Ao que parecia uma fileira de bacos que havia sido retirada pelos filhos de Hefesto o havia atingido e estava sobre uma de suas pernas, impedindo que ele se levantasse. Senti um nó na garganta e um aperto no peito, um pouco deferente daquele que vinha sentindo em relação a ele, mas tão avassalador quanto. Corri em sua direção o mais rápido que pude e tratei de fazer o máximo de barulho que conseguisse para chamar a atenção do monstro para mim. Mas ele estava vidrado na figura de Percy acuado e indefeso.
- Ora vejam só! – disse a criatura com sua voz gutural – Se não é o semideus que impediu o retorno do senhor Cronos. Percy Jackson! Quem diria que eu teria a honra de acabar com a sua vida hoje? – ele ria de forma maligna e pavorosa.
- Se eu permitir, você quer dizer! – gritei para o Lestrigão que se virou surpreso com a minha chegada. Eu estava agora há poucos metros deles – Se quiser pegá-lo terá que enfrentar a mim primeiro! – a única reação do monstro foi continuar rindo ainda mais alto.
- Annabeth, o que faz aqui? Não devia ter voltado... – disse Percy ainda preso no chão.
- Calado! – Falei sem nem ao menos virar o rosto em sua direção. Continuei encarando o monstro seriamente. Ele parecia realmente muito interessado em acabar com Percy antes de qualquer coisa, então eu precisava melhorar minhas provocações – Você e seus irmãos horrorosos não foram palio para os semideuses na Guerra dos Titãs. Acham que tem alguma chance aqui? – eu ri debochada e comecei a perceber que estava perturbando-o com aquelas palavras – Seu “senhor” não é assim tão poderoso afinal. Um único semideus, com apenas uma decisão conseguiu acabar com ele para sempre!
- Dobre essa língua para falar do rei dos Titãs, heroína! – exclamou o monstro que havia se enfurecido ainda mais. Ele deixou Percy de lado e agora estava vindo em minha direção.
Eu tinha conseguido o que queria. Percy estava a salvo por um tempo. Agora eu tinha outra coisa com que me preocupar: salvar a minha pele. Ele vinha decidido em minha direção. Sua mão agarrou um enorme bloco de concreto dos escombros e o arremessou em minha direção. Eu me desviei rolando pelo chão e antes que pudesse me levantar ele já estava pegando outro pedaço de concreto para me atacar. Peguei meu boné de invisibilidade que estava preso ao meu cinto e o coloquei. O Lestrigão que erguia o entulho acima da cabeça para atirá-lo ficou confuso e embasbacado ao não me ver mais ali a sua frente. Ele girou o rosto de um lado a outro tentando ver para onde eu correra. Aproveitei esse seu momento de distração para correr em sua volta e escalar o que restara daquela parte da arena.
Quando alcancei uma altura considerável pulei em seu pescoço. A criatura se assustou e começou a se debater ao perceber a minha presença ali. Eu me pendurei em suas sujas e desgastadas roupas e com um golpe certeiro acertei o meio de suas costas. No mesmo instante o gigante se transformou em pó e eu desabei ao chão. Ainda estava zonza quando me levantei e andei até Percy. Ele ainda tentava se livrar das cadeiras de metal que o prendiam. Ele olhou para mim e seu rosto mostrava que estava bravo comigo, mas também aliviado por ver que eu havia sobrevivido.
- É melhor parar de tentar se livrar disso sozinho – disse a ele ao colocar a mão em sua perna e ver que estava ferido – Vai acabar se machucando mais.
Segurei firme na rígida estrutura de metal que estava sobre ele e puxei com toda força. Os poucos centímetros que consegui suspendê-lo foram suficientes para Percy deslizar sua perna para fora. Soltei os bancos no chão com tanta força que eles fizeram um buraco no chão. Não pude deixar de imaginar o quanto aquilo devia estar machucando ele. Se tinha uma coisa que eu não conseguia suportar era ver Percy sofrendo qualquer dor. Seja ela física ou emocional. Me posicionei ao seu lado de joelhos e o ajudei a se levantar. Aparentemente o ferimento não era grave, mas eu insisti para que fossemos pedir ajuda a um dos filhos de Apolo. Ao sairmos da arena vi que o restante do nosso grupo tinha dado conta de acabar com os outros Lestrigões e já começava a dar um jeito para se livrar dos entulhos.
Yuri, do chalé de Apolo, deu um pouco de ambrósia para Percy e fez um curativo em sua perna. Ele disse que o corte não era profundo e que Percy poderia continuar nos ajudando na reforma normalmente. Mas eu insisti para que ele ficasse ali sentado para descansar um pouco. Quando me levantei para ir até os outros semideuses Percy segurou minha mão. Eu estremeci com seu toque e um leve arrepio percorreu todo meu corpo. Tentei parecer indiferente àquilo quando me voltei para ele. Ele me olhava com ternura e fez um sinal para que eu me sentasse ao seu lado.
- Obrigado – disse ele ainda segurando minha mão.
- Não tem de quê – respondi e dei um leve sorriso. Eu olhava seu rosto atentamente percebendo o quanto eu sentia falta de poder analisar seus traços tão de perto. Parei o olhar em seus olhos e me deixei perder neles mais uma vez.
- Sei que não é a melhor hora para falarmos disso, mas... – ele falava de forma cautelosa, parecendo inseguro do que estava fazendo – Eu entendi mal ou você terminou comigo quando discutimos na praia?
- Percy, eu... – não sabia como completar aquela frase. Eu deveria dizer que era verdade e depois dizer que estava arrependida? Eu deveria mentir e deixar tudo por isso mesmo? Eu não sabia como ele iria reagir e se ele iria me querer de volta. Eu precisava esperar os ânimos baixarem para poder pensar melhor – Tenho que ajudar os outros, ou não iremos ganhar essa competição. Depois nos falamos...
Eu o deixei ali sem resposta. Fui até a parte destruída da arena e comecei a ajudar na retirada dos entulhos. Levamos mais tempo do que o esperado para liberar toda aquela área. Só então pudemos começar a desmatar a porção de terra que abrigaria a extensão. O chalé de Deméter se encarregou de nos mostrar a melhor forma de fazer aquilo. Sem que a natureza fosse muito castigada. Tivemos também que convencer os sátiros de que aquela pequena destruição na floresta seria por uma boa causa. De má vontade, algumas dríades tiveram que se mudar para outro lugar da floresta. Quando o alarme que indicava o término das duas horas de competição soou, nós já tínhamos quase terminado com tudo.
Quíron chegou logo depois para avisar que iria vistoriar as obras dos três grupos e dar o resultado na hora do jantar. Quando todos começaram a deixar o local para irem aos seus chalés, percebi o olhar de Percy sobre mim. Eu sabia que ele ainda queria terminar a nossa conversa, mas eu ainda não estava pronta. Então entrei no meio dos campistas e fui o mais rápido que pude para o chalé de Atena. Lá eu aproveitei para tomar um banho e me recuperar da reforma e da batalha com o Lestrigão. A adrenalina liberada durante aquela luta havia me deixado elétrica. Eu estava com as emoções à flor da pele e precisava usar isso a meu favor.
Tratei de pensar na melhor forma de acertar as coisas com Percy. Eu sabia que não tinha como eu garantir que ele não fosse ficar desapontado comigo. Também não tinha como eu saber se não iriamos começar a discutir de novo sobre aquela história do futuro. Então tudo o que eu tinha que fazer era ser completamente sincera. Não havia uma forma infalível de se resolver uma desavença. Sempre havia o risco de não dar certo. Mas eu tinha que tentar. Não tinha outro jeito. Se fosse para ficarmos juntos de novo, nós iriamos ficar, se não... Eu pensaria naquilo depois.
Vesti um dos vestidos que foi presente da minha madrasta. Dessa vez eu não estava tentando aumentar minha autoestima para me sentir mais confiante. Eu estava apenas querendo ficar bonita para Percy. E também estava sentindo que iriamos sair vitoriosos daquela disputa. E afinal era a última noite de fogueira antes dos fogos. Então eu tinha mais do que motivos suficientes para caprichar no visual. Caminhei calmamente até o refeitório. Só percebi o quanto estava faminta quando comecei a comer. Vi que Percy chegou e colocou seu prato, mas tentei não reparar muito nele. Terminei o jantar e segui com meus companheiros de chalé até a fogueira. Quíron pediu que nos reuníssemos conforme nossos grupos da “Maratona de Reforma”. Percy aproveitou para ficar mais próximo de mim nesse momento.
- E o grupo vencedor, foi o grupo que trabalhou na arena! – anunciou o centauro. Gritos de euforia explodiram na garganta dos semideuses de nossa equipe enquanto os outros ou aplaudiam ou se lamentavam.
Eu apertei algumas mãos e abracei algumas pessoas que comemoraram a minha volta. Eles chegaram a me erguer nos braços dizendo que eu havia sido uma excelente líder e que sem mim não teriam conseguido. Eu fiquei sem graça com aquilo, mas ao mesmo tempo fiquei satisfeita e feliz. Quando enfim consegui me livrar do assédio momentâneo, Percy se aproximou e me chamou para conversarmos a sós. Eu o segui até aquele mesmo local onde havíamos começado toda aquela briga. Dessa vez não nos sentamos no banco, ficamos em pé ao lado da fonte de mãos dadas.
- Annie, eu... – Percy começou a falar, mas eu o interrompi.
- Sim, eu terminei com você Percy – disse de uma vez antes que perdesse a coragem – Foi essa minha intenção naquele momento, pois eu acreditava que não ia dar certo se a gente continuasse discordando daquele jeito. Mas me arrependi no segundo seguinte que aquelas palavras saíram da minha boca. Eu estava relutando para admitir isso. Não queria reconhecer que tinha cometido um erro terrível e...
Não pude terminar de me explicar porque meus lábios foram calados pelos dele. Fiquei surpresa, mas aos poucos fui correspondendo aquele beijo que estava carregado de perdão e saudade.
Notas finais
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beijos ;**
@SarahColins_
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