Notas iniciais
Irreparável

(quatro meses depois)...

- Byakuya pov-

Estava no meu lugar favorito, sentado de frente para o jardim da família Kuchiki. A brisa batia de leve contra o meu rosto, balançando meu cabelo para trás. A temperatura estava agradável, e leves tons de alaranjado cobriam o céu indicando ser em volta do entardecer. No meu colo estava ela... A razão de toda a minha felicidade. Hisana. Encontrava-se deitada e sua cabeça apoiada sobre o meu ombro. Ela falava várias coisas sem muita importância, eu apenas sorria e concordava, não estava prestando muita atenção do rumo da conversa, pois sinceramente estava mais concentrado do modo que ela estava feliz.

Sua barriga já se sobressaía sobre o tecido do Kimono que ela usava. Já estava de cinco meses, e ambos estávamos felizes com a gravidez. Se fosse possível queríamos adiar os próximos quatro meses para termos o bebe agora. Éramos pais de primeira viagem, e a noticia da vinda de nosso primeiro filho foi recebida com muita alegria por todos os anciões da família Kuchiki. Através de um exame conseguimos ver o sexo do bebe. E o meu primeiro filho seria um menino. Que puxaria a beleza da mãe e a força do pai. Eu mesmo que inconsequentemente já imaginava o rostinho dele. Com traços perfeitamente elaborados misturando minhas feições com as da Hisana.

Seria algo realmente perfeito. Diferente de muitas outras mulheres grávidas que ficam totalmente redondas, com os pés inchados, dor de cabeça e infinitas outras coisas, ela estava completamente radiante. Sua pele parecia estar mais macia e perfumada do que nunca, e seu cabelo estava incrivelmente mais liso e brilhante. Sua barriga apesar de não estar absurdamente grande, já estava à mostra. Ela crescia perfeitamente para frente, e estava redondinha e fofa. Sem dúvida ela era a grávida mais linda de toda a Sereitei.

Dentre tudo isso, nada me impedia de mimá-la um pouco a tratando como se fosse de porcelana. Afinal, aquele era o nosso momento de ser feliz, de viver o nosso amor ao limite (se é que existe um). Ela falava que não precisava, que estava bem, que eu não precisava me preocupar tanto, mas eu não chegava a dar ouvidos. Ela ainda não tinha chegado na fase dos desejos comestíveis, e pelo que parecia não iria chegar tão cedo.

Hey está me ouvindo??

Claro, o que te faz pensar que eu não estou prestando atenção no que você está falando??

Porque você está só sorrindo e concordando – respondeu fazendo um biquinho fofo, e sintonizando um misto de ironia a frase.

Eu estou ouvindo sim meu amor, é que estava pensando quando que você vai começar a ter desejos.

Quem disse que eu não tenho?

Você nunca me falou.

Meu desejo é ter você ao meu lado todos os dias. – respondeu sorrindo.

Seu desejo é uma ordem meu amor. Não tenho nada a fazer hoje posso ficar até amanhã de tarde com você.

Isso é ótimo. Sabe... –fez uma pausa e me olhou diretamente desviando sua atenção do jardim – A gente ainda nem pensou no nome do nosso filho.

Verdade. Que nome você quer que ele tenha?

Não faço idéia. Achei que você tinha algum em mente.

Nenhum. Achei que tinha pensado nessa parte. Não tem problema, quando ele nascer nós vemos como ele reage às opções que dermos.

Boa idéia... Você sempre tem ótimas idéias.

Eu tenho outra idéia brilhante.

Qual?

Ela perguntou inocentemente me fazendo rir por alguns instantes, talvez realmente não soubesse a resposta e eu tive o imenso prazer de dá-la em seus lábios. Meu mundo parecia completo como nunca jamais fora, eu estava com a mulher da minha vida, e ambos teríamos um filho, o nosso primeiro filho. Aquele era um momento único, que queria que passasse lentamente para apreciá-lo ao máximo. No entanto... Sempre acontecem imprevistos.

Enquanto eu estava curtindo minha tarde com a minha esposa, uma pessoa se fez presente a poucos metros de mim. Tive –mesmo que a contra gosto- que interromper o beijo e ver quem era.

Kuchiki Taichou. Gomenasai por incomodá-lo, mas o comandante o designou de última hora para investigar um caso da 2ª divisão das forças móveis secretas.

Pude perceber de primeira que o shinigami de baixa patente da 2ª divisão chegava a tremer diante de mim. Seria pelo meu olhar mortal nada amigável? Minha vontade era matá-lo, e realmente o faria se Hisana não estivesse aqui. Interromper-me em um momento como aquele? Imperdoável. Todos os servos que trabalhavam na mansão junto com os anciões, sabiam que quando eu estivesse com a Hisana, meu status social era “ocupado por tempo indeterminado, quer morrer é só interromper”. Pensei em todas as possibilidades prováveis de eu recusar. Mas, nada me veio à cabeça, ou pelo menos nada que de fato me convenceu a ter pelo menos o mínimo de esperança possível de dar certo.

Voltei meu olhar pra Hisana, ela mantinha um sorriso no rosto com expressões tranqüilas. No fundo ela já sabia que rumo à conversa teria, ou seja... Um rumo trágico.

Desculpe-me – disse selando seus lábios uma última vez, para então tira-la do meu colo a sentando sobre os degraus do rústico assoalho de madeira.

- Hisana pov -

Senti-me um pouco triste por ver Byakuya saindo em missão – pra variar – deixando-me sozinha para admirar uma paisagem perfeita. Mas sabia que ele tinha deveres, e que se dependesse unicamente de sua explicita vontade ele não tinha ido.

Estava redonda e não me sentia muito confortável. A gravidez era ótima, mas se sentir gg era horrível. Já estava com cinco meses, e já aparentava barriga. Unohana através de um exame já tinha descoberto o sexo do bebê, e seria um menininho. Estava super contente, e Byakuya também. Ele sempre dava um jeito de escapar de seus afazeres para ir ao médico quando tinha que fazer consultas. Minha vida não podia estar mais perfeita do que está agora.

Era irônico que no exato momento que Byakuya partiu, parece que o brilho e a magia do momento se dispersou pelo ar. Lamentável.

Já havia anoitecido e eu parti do jardim para meu quarto. A primavera estava quase chegando, e eu adorava essa estação. Estranhei o fato da mansão estar um tanto quieta de mais. Dei de ombros e segui em frente, quando avistei meu quarto senti uma grande pressão espiritual desconhecida a minha frente, então mudei meu caminho para a sala dos anciões.

Meu pensamento era lógico, se alguém estava na mansão, procurar os guardas não seria um ato inteligente, já que provavelmente esse alguém entrou, eles já devem estar mortos. No entanto, os anciões são o que o nome já diz. Velhos que sabem e já viram de tudo, um feito realmente memorável é a morte de um ancião. Então se eu fosse pra lá, os riscos que eu correria seriam bem menores. Mas, antes que eu pudesse abri-la, senti algo pressionado contra o meu pescoço, e contra a minha cintura. Era uma zampacktou. Nem me dei o trabalho de olhar pra trás, para compreender que eu tinha caído perfeitamente na armadilha do inimigo, e qualquer passo em falso seria fatal.

Então você é Hisana, esposa do Kuchiki. É pelo jeito aquele desgraçado tem bom gosto. Agora é bem simples, não tente nada, pois será absolutamente inútil, e as conseqüências serão altas.

[...]

Dei um jeito de ir ao tal lugar que ocorria as mortes mais do que depressa. Não estava com muito humor desde a interrupção indesejada no meu momento de descanso. Eu acho que minha aura negra e sombria junto com meu olhar da morte demonstravam perfeitamente isso. No final nada fora encontrado, apenas uma forte reatsu expelida no ar.

Quando fui dispensado, não pensei duas vezes em voltar para casa. O fato de eu ter prometido e dado minha palavra a Hisana que ficaria com ela a tarde toda, e feito bem ao contrário disso, fazia-me me sentir um mais que perfeito idiota sem palavra que não cumpre o que promete. Se meu amor ainda estivesse acordado, faria questão de desculpar-me novamente até ter certeza que estou perdoado. E compensar a tarde anterior claro.

Quando estava avistando os portões da mansão Kuchiki descobri que meus planos aparentemente perfeitos foram interrompidos bruscamente por algo desconhecido. E a esperança agora se encontrava mais do que remota em meus pensamentos sobre uma noite tranqüila. Uma forte reatsu foi liberada e expelida, do modo que de longe era possível senti-la.

E junto disso, o sentimento de matar misturado com raiva, aumentavam a pressão espiritual do desconhecido. O pior não foi isso, de longe eu me preocuparia com algo tão insignificante assim. O ponto crucialmente perigoso foi que com o reflexo da lua, pude ver perfeitamente que este mantinha uma zampacktou empunhada, contra o pescoço de alguém. Conforme fui me aproximando, minha raiva aumentou gradativamente por ver quem era que estava sendo mantida como refém... Hisana.

Byakuya, Byakuya. Quanto tempo não?

Quem é você?

Quem sou eu? Pelo jeito sua memória está fraca. Faz apenas cento e cinqüenta anos que não nos vemos. Sou Hashiro Shiton, aquele criminoso que foi pego e jogado na prisão de segurança máxima por sua culpa, lembra?

Engraçado ele pedir para mim me lembrar de algo que aconteceu há séculos atrás, quando minha esposa está com o pescoço sob uma zampacktou. Suspirei algumas vezes e tentei manter a calma. Eu precisava raciocinar um pouco. Vaguei um pouco em minha mente algumas décadas atrás recordando-me de alguns fatos importantes. Por que para mim, o que não fosse importante era deletado. Mas, cheguei a me recordar de algo sobre a prisão de um criminoso preso e capturado por mim.

Tentei traçar um plano mentalmente, mas era quase inútil. Tinha que me concentrar, mas especificadamente naquela hora eu estava travado. Olhei para a Hisana, esta estava com feições preocupadas, talvez questionando-me sobre o que fazer e como agir. No entanto, nem mesmo eu sabia responder aquelas perguntas.

Solte sua espada, e jogue sembouzakura para mim. – Hashiro disse calmamente encarando-me.

Eu não tinha muitas opções, e não estava disposto de ver o que ele estava pronto para fazer. Desembainhei senbouzakura e a joguei no chão próximo a ele. Involuntariamente ele se distraiu por meros segundos, mudando de foco de mim para a espada. Era o que eu precisava; uma brecha.

Hadou 33º Soukatsui. – ele automaticamente usou o shunpo para se desviar, abrindo mais um monte de brechas. – Bakudou 4º Hainawa. – no momento uma linha amarela surgiu no ar, e se passou ao redor de Hisana. Eu a suspendi e a separei rapidamente dele. – Hadou 73º Soten Souren Soukatsui.

Uma grande explosão aconteceu, mas depois que a fumaça de dispersou, o inimigo estava intacto. Soltei Hisana, e aproveitei que ele estava de costas para pegar Sembouzakura caída do chão, e o acertar bem nas costas. Uma risada medonha fez se presente. Virei-me para traz e meus olhos se dilataram por alguns segundos. Eu perguntava-me se o que eu via era a realidade, ou uma ilusão.

Gostou do show Byakuya? – era Hashiro. Mas, se ele estava atrás de mim, quem eu havia acertado?

Não precisei pensar muito para chegar na conclusão mais óbvia que havia. Mas, mesmo assim eu me negava a acreditar. Não poderia ser verdade, não podia ser possível. Eu havia acertado Hisana. Seu corpo vacilou para trás, e foi amparado pelo meu. Retirei minha Katana e a devolvi na bainha.

Peguei Hisana no colo atordoado. Não conseguia processar direito o que eu havia feito. Ela estava ali, em meus braços. Aquele pequeno e frágil corpo feminino, onde a vida se dispersava. Ela ainda estava meramente semi-consciente, e encarou meus olhos e disse antes de por fim desmaiar.

B...Byak...Byakuya....Doushite?

Hashiro estava se divertindo com a cena, e isso apenas colaborou para que minha raiva aumentasse gradativamente. Não pensei duas vezes no que fazer.

Shire Sembouzakura.

Em um segundo tinha um Hashiro gargalhando por uma vingança completada, e no outro tinha nada dispersado no ar e um monte de sangue espalhado pelo lugar. Nem gastei muito do meu tempo com aquilo e voltei minha atenção para minha flor. O ferimento era extenso, e tinha acertado profundamente sua barriga, dilatada pela gravidez. Usei meu shunpo na velocidade máxima, e quando dei por mim já estava na central do 4º esquadrão.

Se acontecesse algo, eu jamais iria me perdoar.

[...]

Fui acordando aos poucos, e tentando entender tudo a minha volta. Lembrei-me aos poucos do ocorrido, e então não ficou difícil saber que me encontrava em um futon hospitalar. Meu corpo doía muito, especialmente na área do quadril. Procurei em volta alguém ou alguma coisa, e o vi sentado próximo a mim, estava meu amor. Mas tinha algo diferente. Ele parecia um pouco abalado emocionalmente. Tentei me lembrar sobre o que tinha acontecido, e me desesperei com o que pudesse ter acontecido.

Bya... Byakuya... – ele então olhou pra mim e pude ver refletida em seus olhos uma tristeza sem igual.

Seus olhos ônix estavam foscos e com uma coloração avermelhada. Instantaneamente passei minha mão sobre o ferimento, gemi de dor pelo brusco movimento, mas não procurei o que achava. Não estava mais com o bebe em meu ventre, na certa teriam feito uma cesariana e... Gelei com o pensamente que passou pela minha cabeça. Senti-me tola e fraca. Lágrimas jogaram sobre meus olhos incessantemente, estava me sentindo horrível e péssima. Eu estava esperando meu filho, meu primeiro filho, com tanto amor, carinho e dedicação que o simples pensamento de perdê-lo, de nunca encontra-lo, de nunca poder ver seu rostinho, me deixada tão abalada como nunca jamais pude me sentir.

Talvez a dor você semelhante quando abandonei minha imouto-chan a própria sorte em uma noite fria e chuvosa no Rukongai. Lágrimas escorreram pelo meu rosto violentamente, minha dor era profunda. Eu já não sabia mais por que chorava. Chorava pela morte do meu filho, pelo abandono da minha irmãzinha, por tudo que estava passando, pela frustração por tudo.

Senti Byakuya fazer um leve cafuné em meus cabelos, tentando me reconfortar. Eu o amava tanto, e amava tanto também o filho que carregava no ventre há horas atrás que parecia que a dor que sentia não era psicológica, mas também física. Ignorando totalmente meu ferimento inclinei-me sobre o futon, e debrucei-me sobre Byakuya o abraçando.

Ele não me impediu, acolheu-me e me colou sobre seu colo. Ambos sentíamos a mesma coisa, a perda de algo muito importante. Ao seu abraço senti que lentamente minha dor ia diminuindo, mas a ferida ficaria comigo para sempre. Jamais cicatrizaria. Meu mundo cheio de fantasias e sonhos desmoronou, e tudo pareceu um mero conto de fadas.

Hisana... A culpa é toda minh... – não permiti que ele concluísse a frase, rolei uma de minhas mãos para suas bochechas impedindo-o de falar.

Aproximei mais de seu ouvido, e sussurrei ainda chorando “Não é sua culpa”.

Notas finais
Minna, capitulo fresquinho pra vocês. Aceito ameaças de morte pela demora, mas eu nem demorei tanto tempo assim, e eu estou atolada na escola. Falando no capitulo, eu não pude fazer nada a respeito do sofrimento do casalzinho, tinha que acontecer, e foi o que aconteceu. Só resta-nos nos conformar, e segurar os corações por que o próximo capitulo será bem mais triste que esse. Por falar nisso, próximo capitulo é o último okay. Ah e mais uma coisa...
CAPITULO DEDICADO: Sayuky = Recomendou a fanfiction. Eu amei a recomendação Sayuky-chan, obrigada por ela. Fiquei babando quando li, porque não achei que eu receberia uma recomendação por uma short-fic.