Lembranças De Um Amor Eterno
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava sentada na sacada na parte de trás da mansão Kuchiki, observava o entardecer com grande ternura, embora um sentimento de nostalgia viesse acompanhado de culpa, tentava não demonstrar tanto como sinto. Estava tão distraída que nem notei a pessoa da minha vida surgir do nada e sentar-se ao meu lado, presenteando-me com um lindo sorriso que raramente mostrava aos outros.
Retribui o sorriso e o abracei. Ele envolveu-me com seus braços, colocando carinhosamente sobre seu colo, e deitando-me enquanto me beijava. É aquele é o meu marido, sempre gentil e romântico. Seus beijos sempre eram perfeitos, e pareciam minhas portas para o céu e ao delírio. Deixei minhas mãos pousarem suavemente sobre seus ombros enquanto ele intensificava os beijos. Beijos apaixonados. Beijos irresistíveis.
Ao meu toque, ele pareceu relaxado, como se com todos agisse com uma máscara de frieza, mas para mim ele a tirava instantaneamente. Seus ombros cheios de responsabilidades, como capitão e como líder da família Kuchiki, umas das quatro famílias nobres de toda a sociedade das almas. Ele enfrentou o céu e o inferno para nos casarmos, e o fato de todos os dias ele chegar e dedicar seu tempo de descanso a mim é uma das muitas formas de demonstrar seu amor verdadeiro.
Ele foi parando aos poucos os beijos e assim me fitou com carinho, sorri instantaneamente por vê-lo na sua forma mais natural. Ele era lindo. Selou meus lábios mais uma vez e então sussurrou em meu ouvido “Adoro te ver sorrindo”. E então voltamos a nos beijar com pequenas pausas, quando trocávamos pequenos diálogos. O entardecer era o momento perfeito e mais romântico para desfrutarmos da presença um do outro.
Não deveria estar descansando meu amor? Tenho certeza que está exausto. – disse fazendo um carinho em suas bochechas, tentando focar-me em outro ponto a não ser sua boca irresistível. Seus olhos fitaram-me gentilmente, e ele falou à resposta que sempre me dava.
Estar com você é o meu descanso.
Deslizou suas mãos, antes em minha cintura, para minhas costas e tornozelos, e suspendeu-me em seus braços sem nenhuma dificuldade, enquanto depositava em meus lábios beijos apaixonados. Devido a mansão Kuchiki ser grande, não topamos com ninguém, e ele me conduziu até o nosso quarto. Segurou-me então apenas com uma das mãos, enquanto abria e fechava a porta, trancando-a.
Ao chegarmos no nosso futon, ele deitou-se primeiro, colocando-me em cima dele. Talvez gostasse de ficar me fitando enquanto levava-me a loucura. Comecei a tirar seu manto de capitão e em seguida abandona-lo no chão. Não demorou muito para deixar seu peitoral definido a mostra. Interrompeu os beijos, levantando meu rosto para a sua direção e sussurrando “Amo seus olhos”.
Aishiterumo. – falei baixinho para ele, suficiente para que pudesse ouvi-lo. Ele repetiu a frase lançando-me um sorriso, para então voltarmos a nos beijar.
[...]
Ele me colocou sobre si novamente, abraçando-me e envolvendo me em seus braços. Eu sabia que enquanto estivesse ali, nada aconteceria, nada me machucaria, e mesmo se algo acontecesse ele me protegeria com sua vida, ao ponto de se jogar a minha frente. Eu o amava e faria igualmente tudo por ele, proteger é o significado de amar. Apenas quem realmente ama, entende.
Cobriu-nos com um fino lençol, então pousei minhas mãos em seus ombros, e relaxei meu corpo sobre o dele deixando minha cabeça deitada um pouco abaixo de seu pescoço. Inclinei-me levemente para cima depositando o último beijo em seus lábios. Então após o término, eu me pronunciei; “Boa noite meu amor”. Ele apertou um pouco mais o abraço em resposta. Eu sabia que ele não iria dormir agora, ele ficava acordado até eu dormisse, zelando por meu sono. Eu o amava mais do que a própria vida.
[...]
Acordei sonolentamente, e espreguicei-me. Dei um pequeno bocejo enquanto fitava o quarto iluminado por pequenos feixes de luz. Fitei Byakuya gentilmente, sorrindo ao senti-lo calmo, tranqüilo e relaxado. Nem percebi que ele estava já acordado. Ele era assim, não saia pra missões nem reuniões sem antes me dar bom dia, a não ser que algo terrivelmente estivesse pra acontecer.
Bom dia minha flor. Como dormiu? – disse trazendo-me mais para perto de seu rosto, se é que isso era possível.
Eu fui saldada ao entardecer com meu maravilhoso esposo, tive um perfeita noite de amor e dormi em seus braços. E ao acordar vi meu marido atencioso dormindo tranquilamente. Eu estou ótima. – disse entrelaçando meus braços a seus ombros.
Ele me beijou apaixonadamente. Nossa cota de amor nunca cessava ou diminuía apenas aumentava. Ficamos ali por muito tempo, até que ele pegou-me em seus braços suspendendo nós dois, e ficando de pé. Terminou os beijos e acariciou meus cabelos. “Que tal um banho?”.
Foi uma pergunta que para mim não necessitava de resposta. Dei um sorriso gratificando-o pela maravilhosa idéia. Então ele nos conduziu ao banheiro, certamente chegaria atrasado ao seu esquadrão. Quer dizer... Bem atrasado.
Alguns meses depois.....
Byakuya acabava de se arrumar para ir para seu esquadrão, enquanto eu ainda estava deitada no futon. Estava disposta a levantar e ajudar meu marido, mas este insistia para que eu voltasse a dormir, pois não queria interromper meu descanso. Antes de sair, atenciosamente se despediu selando meus lábios por um longo tempo. Mas não queria atrasá-lo e como ele não disposto a interromper os beijos, eu o tive que fazer.
Então ele fez um leve cafuné em meus cabelos, fazendo-me bocejar indicando que o sono estava visitando-me novamente. Ao fechar os olhos, senti ele me cobrindo com um cobertor mais quente, pois naquela manhã durante ás cinco da madrugada, um vento gélido pairava sobre o ar, o que era de fato estranho pois estávamos em pleno outono.
Acordei e tomei a fazer coisas matinais como sempre. Fui às ruas procurar pela minha irmãzinha pela qual nem sabia seu nome atual. Aquilo partia meu coração, pelo fato de tê-la deixado em algum beco escuro a própria sorte no distrito rukkon. Mas eu procurava por várias horas, todos os dias, com a esperança de um dia acha-la.
Infelizmente voltei pra casa sem nenhuma informação nova, aquilo me deixou triste. Ao adentrar a mansão Kuchiki, fui abordada por alguns anciões que queria falar comigo coisas cotidianos, como os planos de Byakuya para o futuro. Não conseguiram me convencer a dizer nada sobre ele, se meu marido não quis compartilhar seus pensamentos com eles, certamente era por que eles não tinham por que saber disso, e não seria eu quem ia dizer.
Com isso, grande parte de meu tempo foi tomado por eles. Quando estava retornando ao meu quarto de casal, notei que já se passavam das dez. Fitei a lua por um grande tempo, meus olhos fixaram nela de tal forma que simplesmente não conseguia desviar minha atenção dela. Como se estivesse hipnotizada com seu brilho. Ainda era lua minguante, e a lua que tanto gostava a lua cheia, apenas apareceria brilhante aos céus em algumas semanas, pelos quais esperaria pacientemente para vê-la.
Mas algo estava estranho, era como se a lua estivesse tampada por algo, pois seu brilho estava opaco. Isso era apenas superstições, mas significava que algo ruim estava prestes a acontecer. Ao pensar nisso balancei minha cabeça ligeiramente de um lado para o outro, tentando acabar com tais pensamentos. Suspirei e voltei ao meu quarto.
Dirigi-me para o banheiro, onde tomei uma boa ducha relaxante. Voltei ao quarto apenas de roupão e coloquei um leve quimono roxo com algumas flores nas barras nas cores brancas. Deitei-me ao futon, onde procurei relaxar, pois estava cansada. Esperei pelo retorno do meu marido até meia-noite, onde uma leve pontada de preocupação formou-se em mim.
Com certeza ele estaria bem, apenas um pouco atrasado, ou uma missão repentina e inquestionável de última hora. Apaguei a luz do abajur, e procurei por algo que pudesse me cobrir naquela noite fria. Ocasionalmente estava com muito sono pra levantar e pegar uma coberta no guarda-roupa, então penas me agarrei ao casaco que estava esticado no outro lado do futon.
Ao abraçar o tecido do casaco, e aspirar aquele perfume natural, percebi na hora que se tratava do casaco de Byakuya com o emblema dos Kuchikis bordado perfeitamente nas costas. Apeguei-me aquilo e apaguei completamente de cansaço.
[...]
Acordei com uma brisa gélida entrando violentamente no meu quarto. Estremeci por não estar devidamente vestida para o frio, muito pelo contrário, meu quimono era fino e leve. Tateei o futon e encontrei-me sozinha naquele amplo quarto escuro, dentro da total escuridão. Por alguns momentos senti um certo pavor, sem ele ao meu lado sentia-me sozinha e desprotegida.
Levantei-me e mesmo descalça caminhei até a porta do meu quarto. Agora era mais que oficial; eu estava preocupada com Byakuya. Percebi que se tratavam quase das três e meia da manhã, então se algo que meu marido estava enfrentando, era sério para não dar noticias até agora.
Ouvi um barulho como se algo estivesse quebrando no quarto ao lado. Olhei para a fonte do ruído e mesmo receosa não recuei e sim fui em sua direção disposta a abrir a porta e ver o que era. No mesmo momento vários guardas apareceram a minha volta, e um em especial se pos a minha frente.
O que está acontecendo?
Sentimos uma explosão de reishi aqui a poucos segundos, o barulho foi convertido a um vaso se partindo. Apenas as pessoas com grande distinção de energia espiritual puderam ouvir.
Iria perguntar alguma outra coisa, mas naquele mesmo momento a porta se abriu e foi logo destruída por um imenso Hollow que apareceu. Metade dos guardas foram atacá-lo e a outra metade cercou-me para a minha proteção. Uma forte pressão espiritual tomou conta do lugar quase me sufocando. Eu não era uma shinigami, e não poderia correr ou muito menos me proteger do inimigo. Senti-me fraca, e frágil. Mas acima de tudo estava com medo.
Não sei por que, mas o Hollow acabou com todos os guardas, e se focou em mim de uma forma estranha. Talvez estivesse atraído por minha energia espiritual, o que era um grande problema. Recuei alguns passos pra trás, e fui igualmente acompanhada. Me virei pra correr desesperadamente, e até consegui por alguns instantes. E então fui atingida em cheio por um monte de espinhos que me fizeram perder os sentidos básicos. No momento depois, senti algo afiado e pontiagudo sobre meu abdômen na parte esquerda.
De repente a dor veio naquela região e pude sentir com clareza o que tinha perfurado; inicialmente minhas costelas, mas podia sentir raspando contra meu pulmão. Clamei por ar no momento, infelizmente foi inútil. Minha respiração descompassada não ajudava. Soltei um grito agudo de dor, a espada foi retirada de uma vez só, retirando-me muito sangue que se formava como uma poça a minha volta.
Fale com o autor