Lembranças

1 One-shot


Notas iniciais
VEJAM A PORRA DO ÚLTIMO EPISÓDIO ANTES -q
Sério, se não virem, vou encher a cabecinha de vocês de spoilers e vai ser estranho de entender a fic. haha er

Maiza Avaro...

O homem que um dia invocou um demônio, Gerd, e deu a mim e a uma toda tripulação de um navio o elixir da vida, da imortalidade.

Finalmente eu o encontrei, depois de 200 anos, depois de incontáveis mortes que sofri, depois de horríveis torturas que me foram impostas... finalmente... o homem que eu jurava comer. De medo. Medo de ser comido. Tantos e quantos sonhos não tive com a imagem de ele pondo a mão na minha cabeça gentilmente para depois pensar naquele verbo que acabaria com minha vida num piscar de olhos. Comer... era — não era? — o que nós, imortais, deveríamos fazer um com os outros. Mas dois deles não fizeram — Isaac, Miria — quando podiam. Simplesmente não fizeram. E agora Maiza coloca novamente a mão direita em minha cabeça — gentilmente, amavelmente — e simplesmente me afaga.

Não, Maiza, não podemos mais ser como antes. Quantos eu não comi. Quantos você não comeu. Já está na hora de algum de nós fazer isso com o outro. Essa deveria ser a hora. A hora de você me comer, ou de eu lhe comer... esticar minha mão — por mais curta e pequena que seja — e colocá-la em sua cabeça; e então pensar eu quero comer. No meu longínquo caminho até New York parecia tão fácil, tão simples. Mas agora eu vejo seus olhos de compreensão, de carinho. Como um pai. Exatamente como um pai. E sua mão, grande e macia, acariciando minha cabeça. Vamos, Maiza, pense que quer me comer, você só precisa disso, não é? Mas não. Você não o fez.

Maiza. Você me deixou vivo. Uma brecha enorme para me deixar te matar. Te comer.

E por que agora isso parece tão mais difícil?

Um enorme, porém de curtos segundos, flashback de todas as memórias daquele navio invadiu minha mente. Lembrei daquele quarto e daquelas palavras soltas por sua boca — como se fosse ontem. 200 anos e ainda parecia tão nítido como se fosse ontem, Maiza. E você também se lembra. Lembra das sua palavras frias e também das doces, gentis e apaziguadoras. Lembra dos meus gemidos e dos seus próprios — tão menos altos e intensos do que os meus -. Lembra dos meus suplicos de dor e, depois, de prazer.

Coisas que um garoto de 10 anos não deveria presenciar — quanto menos sentir -. Mas você, Maiza, você me invadiu. Invadiu meu corpo, o corpo de uma criança. O corpo da criança que tanto te admirava e — hoje posso dizer com certeza — te amava. E agora novamente nos encontramos, mas não pode ser como antes, Maiza, não mais.

— Tudo bem, Czes — e as palavras invadiram meus ouvidos como uma enchente.

Uma enchente de perguntas, de negações, de afirmações, de desespero, de dúvida.

Você já me comeu de uma forma, Maiza. Por que não me come da outra forma?

— Justamente como antes — novamente aquela voz.

A voz que pedia gentilmente para eu parar de gemer tão alto, a voz que dizia que me amava, a voz que indagava se eu estava bem, a voz que me fez tanto e tão pouco. A voz do homem que eu, eternamente um garoto de 10 anos — fraco, inútil, sozinho e vingador -, amei.

Errado, Czeslaw Meyer. O homem que eu amo.

Lágrimas percorreram meu rosto tão infantil e, pela primeira vez em séculos, chamei o nome dele novamente.

— Maiza... — chamei. E, mentalmente, chamei milhões de vezes. Incontáveis vezes. Infinitas vezes.

O nome do homem que eu amava.

O nome do homem que eu amo.

Envolvi a cintura dele com os braços e afundei o rosto em seu tórax, chorando desesperadamente.

— Eu queria te encontrar! — supliquei — Eu queria tanto te encontrar, Maiza!

Pela primeira vez em 200 anos, Maiza, você me tocou novamente. Eu te toquei novamente. Eu chamei seu nome e você, o meu. Supliquei por você. E todo esse tempo supliquei te encontrar, te comer, acabar com você lentamente. Mas foi você quem acabou comigo.

Tantas vezes que eu pensei em você e me apaixonei novamente. E agora estou mais do que nunca amando você.

Não me importo de ser uma criança e você, um adulto. Não me importo de ser um garoto e você, um homem. Eu te amo.

Por quanto tempo fiquei te abraçando, sentindo seu cheiro novamente, sentindo seu toque, ouvindo sua voz ecoar em minha cabeça. Por quanto tempo, Maiza? Isaac, Miria, a tal Ennis e aquele garoto louro ao lado dela não existiam mais. O mundo não existia mais.

Era só você e eu. Só nós. E eu queria isso para sempre.

Ele me pegou nos braços e me aconchegou em seu pescoço, segurando-me apoiado em seu braço. Envolvi seu pescoço com os braços e sussurrei, tão baixo que só ele e eu pudemos ouvir:

— Eu te amo...

Ele riu, assentindo com a cabeça, e começou a andar. Não sei quanto tempo se passou também, mas eu dormi em seu colo. Finalmente dormi feliz, sorrindo. Porque dormi no colo do homem que amava.

Maiza Avaro... o homem que amo.

Notas finais
Eu realmente nem gosto de MaizaxCzes (não sei como junta os nomes q), mas eu adoro pedofilia (vou pro inferno como todos vocês que leram e gostaram -NNNNT) e crianças putamente passivas. Isso simplesmente veio à minha cabeça num dia qualquer er qq
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!