Lembranças!
13 Como se meter em duas confusões ao mesmo tempo.
Notas iniciais
POV Ethan.
Liguei pro celular da Flor mais uma vez, mas caiu direto na caixa.
Suspirei, depois de duas hora sentados nos degraus do Lauren Hall.
– Ethan? – a voz conhecida me vez despertar e eu me levantei automaticamente para encarar os cabelos loiros e não cor de mel como eu queria que fossem.
– Oi Mia. – sorri de lado.
– O que tá fazendo aqui? – ela perguntou confusa.
– Esperando a Flor, a gente marcou de sair hoje... Mas acho que ela esqueceu. – desisti colocando o celular no bolso.
A Mia me encarou com uma visível expressão de pena e eu me segurei para não mandar ela olhar para outra pessoa assim.
– Vocês marcaram de sair? – ela perguntou.
– Sim. – eu afirmei sorrindo de lado.
– Vamos entrar, tenho certeza que aconteceu algo sério para ela não aparecer hoje. – balancei a cabeça recusando o pedido.
– Não, obrigado. – eu sorri. – vou pro meu quarto.
Não esperei ela responder, apenas fui em direção a minha moto que estava estacionada do outro lado. Quando liguei o motor vi que a Mia discava furtivamente no celular, e então antes de eu acelerar ouvi claramente o som da sua voz fina no celular andando em direção a porta.
“Vince, eu quero falar com a Flor agora! Agora!”
Acelerei a moto em direção ao único lugar onde a minha futura ex melhor amiga se encontrava.
POV Flor.
Eu comecei a rir quando o Liu fez panquecas pra gente comer na cozinha e acabou derrubando uma parte da massa na minha roupa.
– Essa blusa está ótima. – eu disse pro Vince que tinha me dado uma blusa dele.
– O Liu é mesmo muito desastrado. – ele disse passando um braço pelo meu pescoço.
– Hey, não falem de mim! – o Liu saiu da cozinha com panquecas cobertas de caramelo e meu estomago roncou, fazendo todos na sala rirem.
– Que tal nós... – o barulho violento de um trovão me arrepiou os pelos da nuca e eu senti que havia algo muito errado.
– Ow, vai cair uma chuva. – o Vince disse olhando para a janela.
Quando os primeiros pingos começaram a cair com mais força, o barulho da campainha me ressaltou aumentando aquele meu sexto sentido.
– Liu, tá esperando alguém? – o Vince perguntou andando até a porta.
– Não, você Flor? – eu balancei a cabeça negativamente e quando o Vince abriu a porta e eu vi o Ethan na porta todo ensopado, com os olhos vermelhos e os pingos da chuva escorrendo do seu cabelo pelo nariz e se perdendo na boca.
Eu entendi.
Meu encontro com ele.
Ele correu os olhos pelo meu corpo e depois abriu um sorriso pro Vince que tinha uma enorme cara de culpado.
– Eu só queria ter certeza que eu não ia fazer uma besteira. – o Ethan disse virando as costas e descendo os degraus escorregadios.
Minha perna começou a coçar e eu sai correndo na sua direção e o Vince veio atrás de mim.
– Ethan! – gritei tomando cuidado para não escorregar no piso molhado. – Ethan! – meus dentes já batiam por causa do frio e em poucos minutos meu corpo já estava encharcado.
– Pra mim já chega! – o Ethan gritou parando de andar abruptamente. – Pra mim chega Fiorela, eu não quero mais, pra mim já deu! – eu sufoquei o soluço.
– Ethan, me desculpe... Eu... Eu... – ele sorriu.
– Você se esqueceu, sim! Tudo bem, porque está saindo com o meu irmão? Ótimo! – ele sorriu amargamente. – só que pra mim já deu. – seus olhos passaram de mim para atrás de mim e eu me virei pra ver o Vince e o Liu no meio da chuva também. – Isso foi o fim pra mim Vicente, eu cansei! – ele gritou. – EU CANSEI!
– Ethan... – o Vince tentou argumentar.
– Não Vince! Você sabia, eu te falava sobre a Flor, você sabia disso! VOCÊ SABIA! – ele gritou.
E eu fui me afundando cada vez mais na minha culpa.
– EU ESTOU DE SACO CHEIO DISSO! PRA MIM ACABOU AQUI E AGORA! – ele se virou pra voltar a andar, mas parou e se virou novamente. – espero que ele não faça com você o que ele sempre faz comigo Liu, ele sempre tira tudo de importante que aparece na minha vida.
E então sem dirigir mais nenhum olhar pra mim, ele subiu na moto e arrancou com ela sumindo de vista em poucos minutos.
O silêncio ficou pesado de repente e eu senti vontade de chorar.
– Flor? – a voz pesada do Vince me tirou do fluxo de pensamentos impróprios. – vamos entrar? – ele perguntou.
Eu o segui sem falar nada, e o Liu logo atrás.
– Vicente... – a voz do Liu nos pegou desprevenido, foi quando eu percebi que a única pessoa avoada ali era eu.
– Eu preciso dizer. – o Vince tão grande, parecia tão pequeno e tão inocente ali.
Os cabelos molhados caídos rente a testa, os músculos menos rígidos, os lábios quase brancos.
– Flor? –a voz dele saiu baixa e eu virei meu rosto molhado na sua direção.
– Eu... Eu magoei o Ethan. – minha voz saiu baixa, muito baixa e eu vi sua expressão culpada.
– Toma. – ele estendeu um celular na minha direção e foi quando eu percebi que era o meu celular.
Eu apertei o botão do bloqueio e tinha várias mensagens, e várias ligações perdidas do Ethan, encarei o Vince perplexa.
– VOCÊ ESTAVA COM O MEU CELULAR? – eu gritei.
Ele encolheu os ombros.
– Eu precisava ficar com você hoje. – ele tentou justificar.
– EU NÃO ACREDITO VICENTE! – eu disse indo na sua direção automaticamente a socando seu braço.
– FLOR, ME ESCUTA! – ele disse dando dois passos para trás.
– NÃO, NÃO! – coloquei as duas mãos sobre o rosto. – VOCÊ DEVIA TER ME CONTADO!
– Flor... – ele disse tentando se esquivar dos socos.
– NÃO, NÃO! – senti as lágrimas já descerem pelo meu rosto.
– Flor... – ele segurou meus pulsos.
– NÃO! – eu gritei.
– FIORELA, EU TO APAIXONADO! – ele gritou e eu parei de me debater automaticamente, ele me encarou. – eu não podia deixar você sair com o Ethan porque eu estou apaixonado. – ele disse baixo.
Minha voz sumiu.
– Eu estou apaixonado por uma garota que eu sei que eu não posso gostar. – ele soltou meus dois pulsos e os colocou ao lado do meu corpo.
– Vince... – a voz do Liu surgiu no fundo, baixinha, como uma repreensão.
Mas não consegui prestar atenção na voz, não com ele ali se declarando pra mim.
– Vince... – ele sorriu de lado.
– Eu tenho câncer, eu vou morrer daqui a seis horas ou seis meses ou até em seis anos e eu to apaixonado por você, porque eu adoro a sua voz e eu amo olhar nos seus olhos desde quando você me parou no corredor pra poder me questionar do lance com a Melissa e quando você foi me ver na festa dos meus pais, eu to apaixonado porque quando eu te levei até o seu quarto aquela noite, você pediu pra eu deitar com você na sua cama, eu to apaixonado e eu vou morrer, mas eu to apaixonado. Me desculpa se eu não podia deixar meu irmão te levar pra sair. Só me desculpa.
Meu coração começou a bater muito forte dentro do peito e eu virei o rosto pro Liu que estava atrás de mim, encarando o Vicente seriamente, enquanto o Vince não tirava os olhos de mim, percebi então que eu era o foco.
Então falei a primeira coisa que me veio na cabeça antes que o choro compulsório começasse e eu não pudesse falar nenhuma palavra.
– Eu não quero que você morra. – e passei meus dois braços pela cintura do Vince, o abraçando.
Ele ficou dois segundos com os braços ao lado do corpo e depois me abraçou, pousando uma mão entre os meus cabelos e a outra no meu ombro. Seu corpo todo relaxou e ele soltou um suspiro baixo.
– Obrigado Flor.
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