Lembranças
17 Não fomos feitos para ser amigos
Notas iniciais
Ele pediu passagem e eu a cedi. Não havia como negar aquilo a ele. Não havia como negar mais nada a ele.
Meu apartamento não ficava muito longe de onde estávamos, então quando ele se afastou de mim apenas sorriu e segurou minha mão em silencio. Não havia silencio mais confortável para se estar. Eu não parava de sorrir nem sequer por um segundo, sorrisinhos bobos como os de quando você tem 15 anos e tudo parece ser intenso demais, amor, paixão, raiva, dor... E mesmo que a minha vida agora esteja cercada disso, cercada de dor e raiva, ele é consegue representar a paixão, o amor. Ele consegue ser a melhor parte de tudo isso.
Na porta do prédio, Niklaus me olhou nos olhos, pôs uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e sorriu.
–Entregue a salvo- disse apenas.
Sorri sem graça.
–Obrigada. Por tudo.
Ele concordou e tentou se afastar, porem eu o detive, se alguém precisava se mexer ali esse alguém seria eu. Puxei-o novamente para um longo e intenso beijo. Ele não se surpreendeu com o que eu estava fazendo, ele sabia muito bem que eu o faria. Agarrou a minha costa como quem desejava me possuir, e isso não me assustava.
Abri a porta do meu apartamento as pressas enquanto sentia as mãos de Niklaus no meu corpo e os lábios dele pressionados no meu pescoço. Eu não sei como ele queria que eu me movimentasse por aquele apertado apartamento. Esbarrávamos por tudo ali, meu notebook caiu no chão, meus livros na estante, estávamos destruindo tudo apenas enquanto nos beijávamos.
Pensei que ele me guiava para o quarto quando me surpreendi ao ver onde estávamos.
–Nik- chamei a atenção daquele homem perfeito a minha frente.
–O que?- perguntou rapidamente enquanto sua respiração se acalmava.
–Você nao acha que estamos na cozinha?- perguntei sorrindo.
–Você é que mora aqui você é que tem que saber oras.
–Desculpa, mas você não me deixa nem pensar, só fica me agarrando- revirei os olhos.
Ele sorriu pra mim.
–Poderia me dizer aonde é o seu quarto amor?
–Primeira porta a esquerda- disse sorrindo.
Ele concordou e me carregou no colo até lá. Eu não parava de sorrir nem sequer por um instante. Ele me fazia sentir como se a dor passasse. Não tinha tristeza ao lado dele. Não quando os seus lábios estavam pressionados nos meus.
Deitou-me na cama, me beijava delicadamente, como na primeira vez, arrastei as minhas mãos até a sua camisa e a tirei devagar, não havia porque ter pressa, tudo acontecia tão intensamente. Quando ele percebeu que eu precisava de ar desceu seu beijo até o meu pescoço, dando pequenas mordidinhas leves fazendo-me perder todos os sentidos, os que eu ainda tinha até aquele momento.
Ele procurava pelo zíper do meu vestido impacientemente, eu queria ajudar, mas ele parecia tão engraçado tentando fazer aquilo sozinho.
–Você poderia me ajudar.
–Pensei que não fosse pedir- disse sorrindo enquanto me posicionava para descer o zíper.
Ele tirou o meu vestido e passou suas mãos por todo o meu corpo.
Não havia mais como voltar atrás.
Nem se eu quisesse.
Xxx
DIA SEGUINTE.
–ELENA CHEGOU ISSO PRA VOCÊ- Jenna gritou entrando no quarto de Elena.
Elena resmungou alguma coisa enquanto acabava de acordar.
–São 10h30min Elena, o que você e o Stefan fizeram ontem anoite hein?
–Nada, só trocamos uns beijos e abraços e aí ele me trouxe pra casa. Mas hoje é sábado tia, ninguém acorda cedo no sábado.
Elena pegou os postais das mãos de Jenna.
Contas de gás, agua, luz.
Sua chefe.
–Meu Deus, que dia é hoje?- Elena perguntou despertando rapidamente.
–Sábado dia16, por quê?
–AH-MEU-DEUS. Eu tenho só até quarta feira para entregar a resenha da historia.
–Você ainda não fez isso?
–Não, eu passei todo esse tempo com o Stefan e acabei esquecendo...
–Você não faz ideia do que escrever, não é?
–Ela quer um romance, e eu estou vivendo um romance, não deve ser tão difícil começar alguma coisa de ultima hora- relaxou um pouco.
–Vai escrever sobre como conhecer um cara numa biblioteca e se apaixonar por ele? Isso parece interessante, mas eu não leria isso- Jenna ironizou.
–Não foi “conhecer ele numa biblioteca e se apaixonar”... Foi me apaixonar por alguém que eu conheci enquanto tentava me lembrar do passado.
Jenna empalideceu.
–Lembra quando eu disse que sentia um vazio? Eu fui à biblioteca naquele dia escolher livros que eu já tinha lido antes para lê-los novamente, não faz sentindo agora, mas eu só queria viver tudo de novo. Todo aquele tempo. E com o Stefan... É como se eu não precisasse voltar no passado, pra quê voltar ao passado se o futuro esta bem aqui? Agora!
Ela não sabia, mas Stefan sempre seria o seu passado, seu presente, seu futuro. Não havia como negar.
–Então é melhor começar isso- Jenna disse aliviando a tensão. – Está se sentindo melhor hoje?
–Sim, eu estou bem melhor. Não sei por que, mas essas dores de cabeça e tonturas só me vem anoite antes de dormir. Engraçado porque eu tenho uns sonhos estranhos com meus amigos e o Stefan.
–Verdade? Como assim “sonhos estranhos”?
–Sonhos estranhos, não sei explicar. Vou ligar pra Caroline vir aqui agora, ela não parecia muito bem ontem anoite.
Jenna concordou deixando Elena sozinha no quarto.
Xxx
–Elena Gilbert- ouviu uma voz atrás de si. Sabia exatamente quem era. O que era.
–Damon- Elena bufou virando-se para observar o homem alto com olhos azuis.
–Olá- disse com um sorrisinho sínico.
–O que você está fazendo aqui?
–Eu moro aqui, só porque esta acampada na cama do Stefan não significa que possa se apossar da casa inteira.
Ela revirou os olhos.
–Ei- Damon chamou sua atenção novamente.
–O que é?
–Você e o Stefan estão namorando há três dias. Não fica estranho sair dormindo com o seu ex melhor amigo?
Elena soltou um tapa no rosto dele.
–Isso não tem nada haver com você Damon. Fica na sua que eu fico na minha. Não me faça ter que te odiar para o resto da minha vida.
–Você ainda não esqueceu isso?
–Eu nunca vou esquecer! E espero que você também não esqueça.
–Não vou com você lembrando a cada dois minutos.
–É melhor assim, Damon. Não fomos feitos para ser amigos.
–Talvez.
Xxx
–Oi, ah, é o Damon de novo, me liga quando receber a mensagem. Precisamos conversar.
–Alguém parece desesperado- Stefan disse entrando na cozinha e vendo seu irmão frustrado andando de um lado para o outro.
–Ela esta me deixando louco! Não me liga, não manda mensagem, não avisa se esta viva ou morta- bufou.
–Agora sabe como as suas ex se sentiam.
Damon revirou os olhos.
–Obrigada pelo comentário desnecessário.
Stefan riu.
–Ela vai ligar, só não fica bancando o desesperado.
–Não estou desesperado.
–Essa deve ser vigésima chamada de voz que você deixa no celular dela.
–Decima- bufou Damon.
–Viu? Vai ver ela só esta ocupada. Talvez esteja de plantão agora.
Damon concordou.
–E ai? Como foi ontem? Você parece de bom humor, até esta me irritando hoje.
Stefan sorriu.
–A mãe da Elena continua a mesa velha chata de sempre, mas o pai dela agiu da forma que eu imaginava.
–Ele apoiou?
–Sim, e a Jenna também- Stefan disse tomando um gole de café.
–Isso é bom, mais pessoas para o team Stefan.
–Estou preocupada com a Bonnie, ela está... Diferente- Stefan disse.
Damon revirou os olhos.
–Esquece ela, foque apenas nas pessoas que estão apoiando.
–E se agente fizesse a Bonnie se apaixonar? Talvez ela consiga entender o que eu estou fazendo se ela, sei lá... Experimentar o amor- Stefan disse ignorando seu irmão.
–Péssima ideia. Quem seria idiota ao ponto de tentar domar aquela mulher?- Damon bufou sentando em uma cadeira.
–Klaus está com a Caroline, mas você... — Stefan sorriu maliciosamente.
–Eu?- Damon abriu uma risada- EU? Damon Salvatore? Nunca. Além do mais preciso falar com a Meredith.
–Vamos lá Damon, duvido você conseguir doma-la.
–Duvida é? Continue duvidando.
–Qual é Damon, e o seu poder? Estou começando a achar que você não age mais da mesma forma com as mulheres.
Damon encarou o irmão pensativo.
Será? Será que ele seria o homem a domar Bonnie Bennet? Será que ele esqueceria Meredith? Então as dez ligações perdidas o lembraram de que talvez ela já o esquecera.
Xxx
PV CAROLINE.
Ouvi meu celular tocar em algum lugar na minha bolsa. Abri meus olhos e avistei Nik deitado na cama, dormia feito um anjinho inocente. Lembrei-me da noite anterior e suspirei. Nada foi mais perfeito na minha vida como aquele momento.
Livrei o braço dele da minha cintura e corri para atender ao telefone antes que perdesse a ligação.
–Care?- ouvi a voz de Elena.
Sorri.
–Oi Lena- disse em voz baixa.
–Porque esta sussurrando?
–Porque o Nik esta dormindo- deixei escapar.
–Porque o que? Nik? Niklaus? OH-MEU-DEUS VOCÊ TRANSOU COM ELE?
–Elena faz silencio. Em algumas horas eu estou indo pra ai. Espere-me e eu conto tudo- disse tentando acalmar a minha amiga.
–É melhor mesmo. Não demora- disse antes de desligar o telefone.
Suspirei e deixei o celular perto da tv.
Voltei-me para a cama e avistei Nik me observando.
–Olha você acordou- disse.
Ele sorriu.
–Acordei.
Deitei-me na cama ao lado dele.
–Bom dia- disse.
Pressionou seus lábios nos meus.
–Bom dia amor- ele disse.
Entrelaçou nossas mãos e eu apoiei minha cabeça no peito nu dele.
Nunca imaginaria a minha vida tão conturbada e feliz ao mesmo tempo.
Fale com o autor