Lembranças
2 I Won't Give Up
Notas iniciais
Dois meses depois...
O relógio despertou 12h00min e Stefan acordou se espreguiçando no sofá (que desde os últimos dois meses se tornou sua cama), pegou o controle para desligar a tv porem percebeu que ela já estava desligada, talvez Damon o tivesse feito antes de sair para trabalhar, ele poderia ser um cretino, mas na maior parte do tempo era ele quem trabalhava, já que Stefan houvera sido despedido á um mês.
Levantou-se ainda sonolento e foi até a cozinha, abriu a geladeira e bebeu um longo gole da cerveja que já estava aberta, olhou o balcão e tinha um bilhete que dizia:
Tenho encontro hoje anoite, chegarei tarde, tente não parecer um zumbi o dia inteiro. Ps: tem café no fogão por favor tome-o e nem toque na cerveja na geladeira.
X Damon.
Damon tinha a sua própria maneira de cuidar de Stefan, ele não era do tipo "melhor irmão do mundo" ou coisa assim, mas ele sabia muito bem como fazer Stefan parar de ser molenga e encarar a vida de frente, ele sempre fez isso, sempre manteve o irmão forte.
- Deixa de ser tapado, levanta essa bunda do sofá de uma vez, você realmente acha que a Lena ficaria feliz ao vê-lo assim? Você parece o cretino de dois anos atrás, nem com seus amigos você não fala, Stefan. Estou preocupado que você estrague a sua vida para depois ela acordar e te dá um pé na bunda por ter dormido mais que ela esse tempo todo- Damon disse noite passada.
Stefan apenas revirou os olhos.
-Você tem razão, vou procurar um emprego amanhã.
-Ótimo.
Stefan respirou fundo e tentou esquecer a conversa tocante que teve com seu irmão no dia anterior, mas de qualquer forma, ele estava certo, Lena não gostaria daquilo, não gostaria nada de vê-lo apodrecer daquela forma, a mãe dela tinha ido visita-lo diversas vezes e até pediu que ele frequentasse um psicólogo semanalmente assim como Jeremy estava fazendo. Mas Stefan não o faria, ele não estava ficando louco ou virando um zumbi como Damon gostava de dizer, ele apenas tinha sua própria forma de encara aquilo tudo, a forma errada, mas a sua forma. E isso deveria acabar. Ele não podia mais jogar a sua vida no lixo, Elena se decepcionaria tanto com ele... E era por isso que ele o faria por ela.
Após tomar café (bem quente e amargo para tirar a ressaca) ele tomou um longo banho e se vestiu para sair, era 02h30min da tarde- A hora que geralmente ele ia vê-la- Estava ansioso dessa vez, ele queria poder contar tudo isso a ela, contar todos os seus planos, e ele tinha certeza que ela entenderia e o apoiaria. Ao sair de casa parou na floricultura e comprou meia dúzia de rosas vermelhas para Elena, ele sabia que ela adorava rosas vermelhas.
Entrou no hospital, cumprimentou alguns médicos e enfermeiras que sempre o viam nos últimos meses e entrou no quarto de Elena, desde o acidente ela houvera trocado de quarto umas 3 vezes, e ele devia confessar que aquele era ainda menor.
Abriu a porta do quarto e a admirou por um tempo, parecia tão distante e ao mesmo tempo tão presente nele. Pôs as flores em um vaso na cabeceira da cama e sentou-se em uma cadeira próxima a ela. Segurou sua mão e sorriu gentilmente, ele conseguia ouvir a sua respiração. Ela ainda saia com dificuldade, porem estava melhor do que há dois meses. Os médicos diziam que ela não mudava o quatro, sempre estava da mesma forma e isso até podia diminuir as esperanças de qualquer pessoa, mas não as de Stefan, ele sabia que Elena acordaria, uma hora ela ia acordar, ele tinha certeza disso. Ela estava melhor, as feridas tinham cicatrizado, seu cabelo estava grande, tão grande que encostava o fim de sua costa... Mas ela estava tão linda e serena.
Algumas vezes ela parecia fria e distante demais para que ele pudesse senti-la, outras ela estava da mesma forma que naquele momento, calma e presente, e era como se ele soubesse que ela estava ali com ele, que podia escuta-lo. Não era loucura. Era amor. O amor faz agente sentir isso às vezes, e quando todo mundo dizia que ela ia morrer, Stefan permaneceu firme porque ele a amava, porque ele sabia que a história deles não acabava ali, e ele estava certo, não acabou. Ela estava em coma há dois meses, e entrava em estado vegetativo- quando a pessoa responde há raros estímulos-, coisa que ela havia feito uma vez, quando abriu os olhos ou quando apertou a mão de Stefan. Foram os momentos mais felizes dos últimos 2 meses e era o que o matinha forte e confiante de que ela acordaria daquele coma e ele finalmente acordaria daquele pesadelo.
-Boa tarde amor- Stefan disse enfim. – Eu trouxe rosas vermelhas para você, eu sei que você ama rosas vermelhas... Lembra-se do nosso primeiro encontro? Eu fui pegar você em casa e tinha esquecido ás flores, sua mãe tinha um jardim enorme com flores de todos os tipos e eu arrancei algumas pra você, ela nem notou, mas eu te contei no nosso aniversario de um mês, e você ficou com raiva de mim, lembra? Eu tive que pedir desculpas a sua mãe por causa disso. – Stefan parou e riu da lembrança.
Na janela algumas enfermeiras o observavam conversar com Elena, elas achavam tão linda a forma que ele se dedicava, mesmo sabendo que ela poderia não estar ouvindo.
-Bem, eu queria te dizer uma coisa, sobre mim, eu sei que você não está nada feliz com o fato de eu estar desempregado, eu sei que você achava que eu realmente tinha talento para arquitetura e que um dia eu desenharia a nossa casa e que ela teria uma linda casa da arvore para os nossos filhos- ele a olhou com ternura- foi por isso que eu decidi, e claro com um pequeno estimulo do Damon- acredite ele está sendo um ótimo irmão ultimamente- decidi que vou procurar um emprego pela cidade. Vou voltar a desenhar Elena, e vou desenhar as melhores casas e prédios que Mystic Falls inteira já viu.
Ele a olhou sorridente, não importava se ela permanecia quieta no seu canto, ele sabia que ela estava muito feliz por ele e por sua decisão.
-Ontem eu fui visitar a sua mãe- ele disse quase não querendo chegar nesse assunto- ela está sofrendo Elena, sofrendo muito pra falar a verdade, seu pai também e o Jeremy parece o único sóbrio naquela casa, isso ai, o Jeremy, acho que as consultas ao psicólogo estão dando certo- ele parou e acariciou o rosto dela- eles sentem a sua falta. Assim como eu sinto... Sabe semana passada foi o aniversario de Bonnie, não que você não saiba, mas ela dispensou todos nós para vir aqui, passou o dia todo com você e eu achei isso maravilhoso, acredite, Bonnie fez uma mini festa, trouxe balões e varias rosas para você- ele parou e olhou em volta, algumas rosas ainda estavam lá- ela sente a sua falta também, assim como Caroline, Matt, Tyler, e pode acreditar, Damon, ele fala de você toda hora e eu tenho certeza que quando ele diz “vou sair pra esfriar a cabeça” ele sempre vem aqui te visitar. Acho que ele também te ama Elena, sempre achei isso, mas o Damon sempre foi um tanto... Estranho ao demonstrar os seus sentimentos- ele sorriu- não que eu sinta ciúmes nem nada, mas... Você é minha.
Stefan se levantou e beijou os lábios dela, por um segundo teve a sensação de que ela se mexeu, mas depois que voltou a olhar, ela estava da mesma forma, distante.
Respirou fundo, não podia deixar de sentir uma onda de decepção, estava tão cansado de esperar, esperar e esperar, ele queria poder tê-la novamente, queria ver aquele sorriso gentil, aquele olhar brilhante, queria poder ouvir o som da risada dela, queria poder beija-la e ser correspondido, queria tê-la simplesmente, nem que fosse de longe, nem que fosse por alguns minutos, queria apenas ouvir o som da voz dela.
Minutos depois ele simplesmente adormeceu na cadeira, e quando acordou percebeu que estava cansado e decidiu que precisava ir pra casa tomar banho e trocar de roupa, levantou-se e segurou a mão dela.
-Por favor, Elena, por favor, acorde- ele pediu silenciosamente.
Stefan nunca foi à pessoa mais religiosa do mundo, porem naquele momento ele pedia e implorava por um milagre, ele faria qualquer coisa para vê-la acordar, para vê-la bem novamente, ele daria a vida por ela.
Respirou fundo e tentou soltar lentamente a mão dela, enquanto o fazia, de alguma forma, em algum momento, ela apertou a sua mão. Dessa vez sim, ele sabia que ela tinha o feito, e mesmo que isso tenha acontecido outras vezes, naquele momento era diferente. Ele a olhou espantado e cheio de esperanças, segundos depois a respiração dela acelerou, e devagar (na verdade BEM lentamente) ela abriu os olhos, aqueles puros olhos castanhos, ela os abriu e franziu o cenho, era diferente das outras vezes em que tinha o feito, ela estava acordada, assustada, mas acordada.
-Elena?- Stefan disse quase não acreditando no que via.
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