Lembranças
25 Escolhas- flashback
Notas iniciais
-Elena! Nós estivemos procurando por você por tanto tempo! O que você está fazendo aqui?- a mãe de Elena berrou encontrando a filha encolhida embaixo dos lençóis de sua cama na casa do lago.
A viagem até lá durava meia hora no mínimo, e Elena com certeza pegou o carro dos pais escondido.
Ela ia até lá sempre que precisava pensar, quando estava triste, com raiva, era o único lugar no mundo onde ela conseguia fazer as melhores decisões sobre qualquer coisa que precisasse. Um presente de aniversario, entre um sapato novo e um jeans. Entre ir a uma festa com sua amiga Caroline, ou ficar em casa e ver um filme com sua amiga Bonnie.
Mas desta vez ela estava ali para fazer uma decisão bem mais importante do que filme e festa, ou sapato e jeans. Aquela escolha poderia transformar a sua vida.
-Estou infeliz- ela disse com a voz abafada pelo travesseiro em seu rosto.
Sua mãe sorriu e se aproximou gentilmente da filha. Deixou que a cabeça dela caísse sobre suas pernas enquanto acariciava os seus longos cabelos.
-Aos 17 tudo é tão intenso... Porque não me conta o que está havendo?
Elena suspirou.
-Preciso fazer uma escolha.
-É sobre Stefan e Damon não é?- ela perguntou com um tom meio tristonho na voz.
Era sua filha, e ela a amava de qualquer forma, com qualquer de seus defeitos. Mas prender os dois irmãos da forma como ela fazia, não era certo, e ela sabia que no fundo, Elena também tinha ideia disso.
-Eu simplesmente não sei o que fazer sobre eles. Se eu escolher um estarei perdendo o outro, e eu não quero perde-los, mãe.
-Você não irá perdê-los, minha doce Elena. Você irá liberta-los.
Elena suspirou mais uma vez. Tentando processar a ideia de que sua mãe tinha toda a razão.
-Eu não sei o que fazer.
-O que você sente por eles? De verdade?
Elena pensou por um longo período, tentava encontrar palavras que pudessem descrever como ela se sentia quando estava com ambos, quais eram as sensações que isso trazia a ela.
-Quando eu conheci o Stefan eu me apaixonei por ele instantaneamente. Nós viramos logo amigos, e ele foi tão bom pra mim por tanto tempo, ele me apoiou, me guiou, ele me faz tão bem. Como ninguém mais faz. Nem mesmo vocês. É claro que vocês são meus pais, e que vocês são tudo pra mim. Mas... Quando eu estou com o Stefan é como se eu estivesse segura. Em casa. Ele me da essa sensação de que não importa onde eu esteja eu sempre posso voltar pra casa, pra ele, pros braços dele, porque eu sei que ele vai me entender. Ele é fofo, é cuidadoso, carinho, quente, altruísta, ele respeita todas as minhas escolhas, e é por isso que todas elas o envolveram. Eu o amo tanto que chega a doer. E eu não quero magoa-lo porque eu sei que ele não merece isso. Eu sei que ele é cara bom, e eu sou completamente apaixonada por ele. Sempre fui e sempre vou ser. Apesar dos altos e baixos ele nunca desistiu de mim, não deixou de me amar sequer um segundo, e eu sei que ele não vai me deixar sozinha. Quando estou com ele.. eu me sinto feliz, como se eu quisesse viver e tivesse motivo para isso.
-Mas... — sua mãe a interrompeu.
-Mas então vem o Damon- suspirou antes de continuar. — Ele foi um completo idiota no começo, pela forma que tratou Caroline quando eles namoravam. Ele é brutal! Arrogante. E me irritava a forma que Stefan sempre o protegia, sempre dizia que Damon era apenas complicado de se entender. E eu não dava à mínima porque tudo o que eu conseguia ver era um idiota. Mas então eu estava errada sobre ele, depois de uns meses de convivência... Eu percebi o quão inseguro ele é, ele tem medo de perder o irmão, eu sei que ele abriria mão de mim por isso. E de alguma forma, depois que Stefan e eu rompemos no mês passado pelo fato de ele achar que eu sentia algo pelo Damon... Quando Damon e eu saímos juntos... De alguma forma isso mexeu comigo, me fez sentir diferente sobre ele. E eu me sentia como se fosse uma intensa viagem, estar com ele me fazia sentir como se eu fosse livre, sem conexões, Stefan me faz sentir em casa, segura. Mas Damon... Damon me faz sentir como se eu estivesse sempre de férias. Como se elas nunca acabassem.
Limpou uma lagrima do canto de seus olhos e esperou que sua mãe dissesse algo. Mas ela não o fez.
-Eu sei que é errado amar os dois. Mas eu simplesmente não sei como fazer para parar.
-Você não consegue, Elena- sua mãe disse enfim. – Você apenas precisa saber quem você ama mais, e quem é melhor pra você.
Sua mãe beijou o alto de sua testa e a deixou sozinha novamente para pensar, e Elena podia até ficar chateada com as palavras de sua mãe, mas ela sabia no fundo que essa escolha seria apenas dela.
-Você pensa no nosso futuro? Como seria se tivéssemos filhos? Já imaginou? – ela perguntou enquanto entrelaçava suas mãos na da Stefan.
Ele sorriu gentilmente e depositou um beijo longo em seus lábios.
-Acho que isso é o tipo de coisa que poderemos pensar no futuro- ele disse apenas.
Elena sorriu.
-Não está tão longe.
-Eu sei. Mas eu queria aproveitar o agora, aqui, com você.
Elena riu enquanto ele brincava com os pequenos pelinhos do peito dele.
-Eu acho que você deveria conversar com D...
-Não diga isso-ela o interrompeu.
-Elena...
-Então é isso que o aborrece não é? O fato de Damon e eu estarmos próximos?
-Não, não é isso. Nada me aborrece em relação a vocês, mas eu não quero que vocês tenham assuntos pendentes. Não quero que você esteja aqui agora e ainda sinta algo por ele.
-Porque acha que eu sinto algo por ele?
Ele fixou o olhar nela e depois se levantou para pegar a sua camisa.
-Stefan, espere.
-Acho melhor eu ir, seus pais devem estar pra chegar.
-Fique para o jantar- pediu.
-Obrigado, mas não.
Elena suspirou.
-Stefan, me escute. Nada do que eu sinto pelo seu irmão pode alterar o que eu sinto por você, me entendeu? Eu amo você. Você. E não importa o que eu sinta por ele. Nunca vou deixar de te amar. De te amar do dobro. O triplo.
Stefan sorriu.
Elena caminhou até ele e o beijou delicadamente.
-Eu amo você- disse ele enquanto ela voltava a empurra-lo na cama.
Elena apagou suas lembranças quando ouviu a porta de entrada de abrir e depois fechar.
Alguém entrou no quarto. E ela sabia exatamente quem era.
-Elena!
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