Lembranças.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
David Archuleta - You Can
Christina Aguilera - Hurt.
O capítulo está longo(não muito, mas está), então sugiro que você se sente confortavelmente na cadeira e leia numa boa.
Debruçada sobre o parapeito da janela do meu quarto eu observava o movimento de carros e pessoas à frente do meu prédio, todos corriam para algum compromisso, com o trabalho, família ou amigos, de qualquer maneira eles estavam apressados, mal paravam para notar a beleza do dia, apreciar a temperatura gostosa ou ouvir, mesmo que baixinho, o cantarolar ritmado dos pássaros.E ainda nem passava das oito horas da manhã de um sábado glamoroso.
Suspirei ao sentir uma brisa fresca acariciar meu rosto, era uma sensação boa, parecia que alguém fazia um simples carinho em minha bochecha, ou um beijo amoroso na testa... Eu me senti bem.
- Bom dia, mundo. – murmurei me afastando da janela e fechando a mesma, ocupei-me arrumando a cama, preparando a roupa do dia – uma calça jeans clarinha, uma blusa branca de alcinhas, um fino casaco quadriculado nas cores, azul claro, azul escuro e branco, e roupas íntimas claras – e depois me abaixei ao lado da cama e estiquei meu braço para pegar o par de All Star de cano médio azul escuro, quando os alcancei coloquei o par ao lado da cama, para quando voltasse do banho não tivesse problema para pegá-los.
-Margaret, não demore no banho,Sky acordará daqui a pouco procurando por você. – mamãe falou abrindo uma brecha entre a porta e a soleira da mesma, e colocando a cabeça no espaço.
- Não vou me demorar – respondi abrindo totalmente a porta e dando-lhe um beijo na face – Bom dia.
- Bom dia, meu amor. – respondeu também beijando meu rosto. – Aqui a toalha — me entregou — vá rápido, você não pode demorar muito hoje.
Peguei a toalha alaranjada que ela me oferecia e a enrolei no meu braço. – Eu sei, acha que Sky pode fazer perguntas enquanto eu não esteja?
- Contanto que não demore, aposto que ela não vai nem notar que você não estará em casa. – respondeu.
-Assim espero. – disse enquanto me encaminhava ao banheiro e pendurava a toalha no suporte perto do box, trancando-meparei em frente ao espelho, analisando meu rosto e corpo...
Eu não mudei muito desde a... A morte de Matthew, meus cabelos continuam longos e castanhos, minha pele ainda é levemente bronzeada, meus olhos – é claro – continuam verdes, mas única coisa que realmente mudou foram meus seios que estão maiores por causa da gravidez, Sky não mamou por mais que três meses, por isso os seios continuaram enormes. Ah, Sky, minha menininha, ela é quase uma cópia minha, a diferença são os olhos, as orbes de cores tão intensas como as do pai, o chocolate dos olhos de Matthew sobreviveram pelo menos.
Hoje a morte dele completa exatos três anos, e como todos os outros dois eu vou ao cemitério onde Matthew foi enterrado para deixar algumas flores e “contar” a ele algumas novidades sobre nossa filha.
Fitei meu rosto no espelho e fiz uma careta, eu estava lamentável, meus olhos estavam inchados por eu ter chorado a noite de ontem toda, a maquiagem borrada, os cabelos desgrenhados... Suspirei e joguei uma água no rosto para logo depois escovar os dentes e tomar uma ducha. Menos de dez minutos depois eu já me arrumava dentro do meu quarto, penteando o cabelo eu ouvi uma vozinha fina e infantil chamando-me na porta:
-Mamãe, — Sky chamou-me e eu me virei para observar minha menina apenas de fraldas sentada no chão — voxê vai sair? – perguntou apertando as mãos.
-Ah, — peguei-a no colo e ajeitei os poucos fios de cabelo castanho que ela tinha – vou sim meu amor, mas prometo não demorar. – falei beijando sua testa.
- Polso ir com voxê ? – perguntou pegando um dos meus cachos e o enrolando ainda mais num dos seus pequenos dedos.
- Desculpe, querida, quando você for mais grandinha mamãe te leva, tudo bem? – ela me deu um sorriso com alguns dentes faltando e meneou a cabeça, consentindo.– Dormiu bem ? – perguntei saindo do quarto e indo para sala.
-Xim, sonhei com aquele moxo buito da foto. – falou sorridente.
Meu coração se apertou com a declaração que ela deu, e eu me esforcei para não desabar ali mesmo. – Que bom , e você conversou com ele de novo?
-Uhum, ele disse que voxê ia vijitar ele. – falou. – Ixo é bom, mamãe?
Franzi o cenho. – Não sei meu anjo, mas esqueça. Já falou com a vovó?
Ela meneou a cabeça, afirmando – Ela deu um beixão na Sky. – sorriu.
Sorri e a coloquei no cercadinho que tinha na sala, — Já volto, não se machuque brincando. – falei já saindo da sala. – Mãe? – chamei na cozinha.
-Aqui no quarto, — gritou, segui sua voz até o quarto de Sky e a encontrei arrumando o quarto rosa. – Já vai? – perguntou.
-Sim, Sky está no cercadinho, não deixe de dar um banho nela, a fralda está cheia. – sorri para careta que minha mãe fez.
-Tudo bem , não demore – falou voltando a arrumar o quarto de Sky.
Passei pelo cercadinho dando um beijo na minha piolha e saí dizendo:
- Daqui a pouco estou de volta.
O caminho até o ponto de ônibus não era muito longo, na verdade era quase em frente ao meu prédio, mas o ônibus demorou um pouco a chegar, no caminho até o cemitério fiquei repassando alguns momentos que tive com Matthew.
Flashback ON.
(David Archuleta – You Can. )
Leve-me por onde eu nunca estive
Ajude-me a me levantar
Mostre-me que coisas boas vêm para aqueles que
esperam
Diga-me que eu não estou sozinho nessa
Diga-me que não me deixará sozinho
Diga-me que o que estou sentindo não é um erro
Porque se existe alguém que pode fazer eu me apaixonar, esse alguém é você
- Vamos, Maggie, eu sei que você agüenta andar mais um pouco. – Matthew falou sorrindo enquanto me puxava para continuar andando na trilha que “nos levaria ao melhor lugar da Califórnia” palavras dele.
-Eu estou cansada, Matth, estamos andando nessa trilha o dia todo. Que tal um intervalo de quinze minutos? É só isso que eu peço pra descansar. – implorei já me sentando no chão, mesmo com Matthew ainda segurando minha mão.
Ele riu e se sentou ao meu lado batendo seu ombro no meu disse:
-Você é muito preguiçosa.
-Sei disso. – respondi risonha. – Ainda falta muito para chegarmos ao tão esperado lugar maravilhoso?
-Não muito, alguns metros. – falou me olhando de esguelha – Em menos de quinze minutos podemos chegar lá. – disse dando de ombros.
- E por que não me avisou?- falei já me levantando – Anda, levante logo, quero conhecer o seu cantinho especial.
-Mas você mesma disse que estava cansada...
- E daí? Quem liga pro que eu disse há alguns minutos? – Falei ajudando-o a levantar. – Vamos. – falei quando ele já estava de pé.
Matthew deixou a cabeça pender pro lado e me encarou sorrindo meigamente, ele parecia àqueles cachorrinhos fofos quando estão confusos.
-O que foi? – sorri.
-Você é linda. – falou. Senti minhas bochechas queimarem e abaixei minha cabeça envergonhada – Ei... – chamou, tocando em meu queixo e me forçando a levantar o rosto. – Não se envergonhe, não falei nenhuma mentira. – sorriu maroto.
-Idiota – falei batendo em sua mão e dando as costas pra ele. Sorri caminhando ao lado dele, e sorri ainda mais ao o sentir segurando minha mão e a balançando para os lados.
Salvar-me de mim mesmo, você pode
E é você e ninguém mais
Se eu pudesse fazer um pedido ao amanhã, essa noite nunca terminaria.
Se você me pedisse eu te seguiria
Mas por agora eu apenas fingirei
Porque se existe alguém que pode fazer eu me apaixonar, esse alguém é você.
O encarei sorrindo, Matthew é o garoto mais lindo que conheço e não consigo entender o que ele viu em mim, sou perfeitamente normal, como qualquer outra nerd que adore estudar, mas ainda assim ele me convidou para sair, mesmo tendo milhares de garotas afim dele na escola, ele simplesmente me escolhe. Tudo bem que eu também tenho um tremendo de um penhasco por ele, mas ainda assim... É confuso.
- O que foi? – ele perguntou me olhando.
-Você é incrível, nunca pensei que fosse tão diferente dos brutamontes lá do colégio. – falei olhando para a terra fofa aos meus pés.
-As aparências enganam... – disse parando de andar, e consequentemente forçando-me a parar também. – A sua é a única que mostra quem você realmente é.
Sorri zombeteira. – Está dizendo que minha aparência de nerd sem vida social, faz juz à minha personalidade?- perguntei fingindo estar irritada.
-Não, claro que não, você me compreendeu mal, eu quis dizer que você me parece uma pessoa meiga, gentil, carinhosa...
- Preguiçosa e sedentária – continuei e ri logo em seguida. – Relaxa, eu entendi o que você quis dizer.
-Ah... – riu sem graça. Ele olhou para frente e sorriu, eu já ia fazer o mesmo quando ele tampou minha visão com suas grandes mãos.
- O quê...?
-Confie em mim, vai ser melhor se você ver tudo de perto. – sussurrou em meu ouvido. Senti meus pelos dos braços se arrepiarem com seu hálito quente.
-Tudo bem. – murmurei. – Só não me deixe cair.
Ele riu fracamente, — Não se preocupe, você esta comigo. E quem está comigo está com Deus.
Revirei os olhos mentalmente. – Claro. – respondi irônica.
Começamos a andar devagar em alguma direção que não sei qual foi, num determinado momento o cheiro de flores preencheu minhas narinas e o meu coração que martelava de nervosismo se acalmou...
-Não caia. – pediu e tirou suas mãos da frente dos meus olhos.
Dei apenas um passo à frente e girei olhando para a campina, coberta por flores que nunca se quer imaginei os nomes, coloridas e vivas, e liberavam um aroma delicioso que me trazia uma paz de espírito incrível. Pássaros cantavam alto, as copas das árvores se balançavam com o vento.O lugar era lindo, e bem no meio dele havia um banco de madeira, que tinha algumas trepadeiras penduradas por sua extensão.
Querida, quando você olha para mim
Me diga o que você vê
Esses são olhos de alguém que você poderia amar?
Porque todas as coisas que me trouxeram até aqui
Bem, nem todos parecem tão claras
Querida, você é aquela com quem eu estive sonhando
Se existe alguém que pode fazer eu me apaixonar, esse alguém é você.
- É lindo, tão... Tão...
-Perfeito. – completou. Matthew segurou minhas mãos e olhou dentro dos meus olhos. – Assim como você.
Sorri mergulhando em seus olhos e me perdendo em sua imensidão – Não sou perfeita, tenho mais defeitos do que posso contar. – respondi depois de desviar meus olhos e fitar nossas mãos unidas.
-Ei, olha pra mim – pediu e eu o atendi, mordendo os lábios de puro nervosismo – você é perfeita pra mim. – disse soltando uma de suas mãos das minhas e acariciando meu rosto. – mais do que se possa imaginar. – sorriu e passou um dedo por meus lábios, me fazendo parar de mordê-los. – Posso fazer uma coisa? – perguntou olhando em meus olhos.
Apenas assenti sem confiar em minha voz. Matthew sorriu abertamente e aproximou seu rosto do meu colando sua testa na minha e beijando o canto da minha boca, em momento algum desviamos nosso olhar.Seu rosto corou, igualmente ao meu, quando nos afastamos.
Salvar-me de mim mesmo, você pode
E é você e ninguém mais
Se eu pudesse fazer um pedido ao amanhã, essa noite nunca terminaria
Se você me pedisse, eu poderia te seguir
Mas por enquanto, eu apenas fingirei
Porque se existe alguém que pode fazer eu me apaixonar, esse alguém é você.
Apenas você consegue me fazer navegar nos seus
profundos olhos
Me fazer ajoelhar e chorar
E ninguém nunca fez isso
Tudo foi apenas uma mentira e eu sei, sim, eu sei
-Acho que já posso dizer que gosto muito de você. – Matthew disse dessa vez dando um rápido selinho em meus lábios.
Mordi novamente os lábios, e com os olhos lacrimejando perguntei:
-É sério? – franzi o cenho. – Porque... Porque se for mentira ou uma aposta eu não quero me envolver para depois me iludir.– disse tentando soltar minha mão da dele, o que estava difícil, já que ele não deixava.
- Você mesma disse que sou diferente dos brutamontes lá do colégio, por que acha que eu faria isso com você? – perguntou também franzindo o cenho.
- Como vou saber? Não sei nada sobre você. – resmunguei andando até o banquinho de madeira e me sentando nele.
-Pergunte. Pergunte o que quiser que eu te respondo, com a maior sinceridade do mundo. – Disse me acompanhando e se sentando ao meu lado, afastando algumas plantas para não nos machucar.
Isso é onde tudo apenas começa
Então me diga que nunca vai acabar
Eu não posso enganar a mim mesmo, é você e ninguém
mais
Se eu pudesse fazer um pedido ao amanhã, essa noite nunca terminaria
Se você me pedisse, eu poderia te seguir
Mas por enquanto, eu apenas fingirei
Porque se existe alguém que pode fazer eu me apaixonar, esse alguém é você.
Me mostre que coisas boas vêm para aqueles que esperam.
Olhei para o céu estrelado e rezei internamente para tudo aquilo não ser um belo sonho, um simples surto de imaginação, rezei para que se fosse um sonho, nunca mais acordasse.
Flashaback OFF.
Suspirei pesadamente ao me lembrar daquele dia na pequena reserva que temos aqui em Carmel, até hoje não tenho mais coragem de ir lá, tentei várias vezes, mas no caminho sempre flash’s das vezes que fomos lá me invadiam a mente e eu voltava sem nem mesmo chegar à metade do caminho.
Olhei através da janela de vidro ao meu lado e me deliciei ao ver de longe, crianças brincando perto da praça, divertindo-se sem se preocupar com o que pode acontecer daqui a alguns anos, dias, ou horas, elas simplesmente viviam o presente sendo felizes do jeito que dava para ser. Sorri imaginando minha filha brincando ali com seus amiguinhos quando fosse um pouco mais velha. A imagem das crianças brincando ficava cada vez mais distante devido ao movimento do ônibus, mas eu ainda tentava observar aquela singela paisagem.
Minha respiração ficava cada vez mais ofegante com a aproximação do ponto em que eu deveria descer. Estava nervosa por motivos desconhecidos, nunca me sentir tão estranha quanto o fato de ir ao túmulo de Matthew.
-Você está bem? – o senhor que se sentava ao meu lado perguntou. Sem encarar o senhor, respondi:
-Sim, só um pouco cansada. – disse abaixando a cabeça e apertando minhas próprias mãos.
Respirei fundo e olhei novamente através dos vidros, e notei estar perto da minha parada – Com licença. – pedi me levantando e puxando a cordinha para o ônibus parar no próximo ponto.
Quando o ônibus parou, uma garoa começou a cair e nuvens acinzentadas cobriram o céu azul. Desci sem mesmo ter um guarda-chuva, afinal a “chuva” não estava tão forte assim, puxei o capuz do casaco e andei até a floricultura perto do cemitério, comprando algumas orquídeas brancas. Passando pelo portão do cemitério me benzei, como sempre fiz ao entrar em algum local sagrado.Meus joelhos tremiam de antecipação quando vi de longe os pais de Matthew à frente de seu túmulo.
(Christina Aguilera – Hurt )
Parece que foi ontem que vi seu rosto
Você me disse o quanto estava orgulhoso,
mas eu fui embora
Se eu apenas soubesse o que sei hoje
Segui meio hesitante o percurso até lá, não fazia muito tempo que falei com Sônia e George, eles apareciam frequentemente ao meu apartamento, fazendo visitas a mim e à Sky, que adorava ouvir histórias sobre seu pai.
Minhas pernas estavam pesadas, em meus ombros parecia haver um peso enorme, minha visão estava embaçada pelas lágrimas que eu não queria deixar cair, meus braços estavam moles e com dificuldade eu segurava as orquídeas contra o meu peito, tentando de alguma maneira fazer a dor tão conhecida por mim, diminuir um pouco mais, mas como em todos os anos, a saudade que eu sinto de Matthew só aumentava a cada vez mais que vinha aqui, as lembranças me bombardeavam, fazendo-me eu me sentir tão fraca e imponente.
Os pesadelos com Matthew diminuíram bastantes desde o inicio de tudo, mas eu não podia impedir meu subconsciente de agir quando eu não comandava a mim mesma, e as imagens de nós dois juntos apareciam, desejos que eu tanto queria que ao menos tivessem uma chance de se realizar, como Sky e Matth brincando na sala, ou sentir o cheiro dele toda manhã, coisas desse tipo que eu tanto desejava, mas que não iriam se realizar nunca.
Eu te seguraria em meus braços
Eu afastaria a dor
agradeceria por tudo que você fez
Perdoaria todos os seus erros
Não há nada que eu não faria para ouvir sua voz de novo
Às vezes eu quero te chamar
Mas eu sei que você não estará lá
- Maggie- Sônia me abraçou assim que cheguei perto o suficiente – Como está, querida? – perguntou afagando minha bochecha.
- Oi, Sônia. Vou bem na medida do possível, não é fácil fazer faculdade e cuidar de Sky. – respondi forçando um sorriso pequeno.
-Olá, garota – George me abraçou beijando o topo da minha cabeça. – Como está minha neta? – perguntou secando as lágrimas que escorreram por meu rosto sem minha permissão. George me lembrava por demais Matthew, o mesmo jeito de conversar e agir, tinham as mesmas manias e gostavam das mesmas coisas, e toda vez que eu o encarava eu me lembrava do meu quarterback¹,que adorava me torrar a paciência e me roubar beijos.
-Sky está bem, George, cada vez mais esperta. – disse me afastando dele e me ajoelhando à frente do túmulo do meu eterno namorado.
A pedra de mármore tinha em preto incrustado os dizeres:
Aqui jaz um amigo fiel,
Um filho amado e
Um amante carinhoso.
— 1990-2007
Coloquei as flores com delicadeza sobre a terra e deixei meus dedos seguirem a linha traçada por cada letra, sentindo a textura e tirando algumas gotas que se prendiam ali.
Ohh!Desculpe-me por culpar você
por tudo que eu não consegui fazer
E eu feri a mim mesma por ferir você
Alguns dias eu me sinto destruída por dentro,
mas eu não vou admitir
Às vezes eu apenas quero esconder que é de você
que eu sinto falta
E é tão difícil dizer adeus
Quando isso trás essas regras
Você me diria que eu estava errada?
Você me ajudaria a compreender?
Você está me observando?
Você está orgulhoso de quem eu sou?
Não há nada que eu não faria para ter apenas mais uma chance
De olhar em seus olhos
e te ver retribuindo o olhar
Alguns flash’s dos sorrisos de Matthew queimaram em minha mente, e eu não consegui segurar o soluço que se seguiu ao me lembrar do seu último sorriso. Aquele sorriso continua sendo um martírio para mim, Matth sentia dor e eu na consegui ver a diferença.
“eu te amo mais que minha própria vida!” – essa frase aparecia repetidas vezes em minha mente, sempre seguida de algum sorriso dele, para depois a lembrança ser manchada com sorrisos maléficos do cara que me tirou o amor da minha vida.
Soluçando ao ponto de mal conseguir respirar direito eu me levantei, depois de depositar um beijo na pedra de Mamoré, como se fosse para Matth. De uma maneira estranha senti-me aquecida de repente, e uma sensação de paz me preencheu parcialmente, parecia que alguém me abraçava forte, me dando de certa forma um porto seguro.
Ohh! Desculpe-me por culpar você
por tudo que eu não consegui fazer
E eu feri a mim mesmo, ohh
Se eu tivesse apenas mais um dia
Eu lhe diria o quanto sinto sua falta desde que você
se foi
é perigoso,
é tão inseguro tentar
e voltar no tempo
-Vamos deixar você sozinha por um tempo, Maggie – Sônia disse deixando um beijo em minha bochecha e me oferecendo um sorriso de compreensão. – Estamos aqui desde muito cedo, George e eu lhe faremos uma visita mais tarde – falou me abraçando.
-Nos vemos depois, querida. – George falou também me abraçando e partindo, logo em seguida, de mãos dadas com Sônia.
Voltei meu olhar para além do túmulo de Matth, e notei ter mais pessoas que o normal naquele cemitério, devia ser um enterro. Senti pena das pessoas ali que chorava em silêncio, eu sabia muito bem o que eles sentiam.
Ohh! sinto muito por culpar você
por tudo que eu não consegui fazer
E eu feri a mim mesmo por ferir você
Notas finais
sem comentários pra mim, ainda estou chorando de emoção - sou tão manteiga derretida nessas horas... ' Mas eu ainda quero reviews.
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