Lembra-te De Mim?
1 Lembra-te de mim?
Já estou aqui há muito tempo, mais tempo do que poderia estar... Lembrando de coisas que deveria ter esquecido, mas isso não é possível, não é mesmo? Parece que quanto mais queremos esquecer algo, mais as memórias nos desafiam e fazem a mente trabalhar. Devo confessar que lembro muitas coisas e na maioria, coisas que todos querem apagar, ou fingem que nunca aconteceram.
Lembro-me da Torre de Babel, com mais de seus onze metros, eu suponho que eram impressionantes na época. E de quando ela desabou, eles gritavam "Ira Divina!", com todas as línguas possíveis que Deus foi capaz de criar naquele dia... Mas, qual é? Esterco seco e palha só podem ser empilhados até certa altura.
Lembro-me de Caim e Abel , e com eles houve o surgimento da inveja, da morte fraternal incrédula, esteve presente a criação da primeira criatura sombria e sobrenatural, um ser rastejante sendo criado pela Lilith ao luar, graças a maldição que, nós anjos, causamos a ele.¹*
Também houve os grandes Davi e Golias com a glorificação da esperança, de como o Homem pôde separar os sonhos da realidade, correndo atrás do que os outros julgavam coisas impossíveis. Essa foi à queda do primeiro “gigante”.
Eu me lembro dos riachos cristalinos do Éden, das árvores frutíferas robustas e fartas, dos primeiros dois humanos que habitaram, uma fêmea e outro macho. Tinha também a traição, tentação, manipulação... E de como as coisas às vezes parecem não mudar completamente.
Lembro-me de Noé e sua devoção, de como honrou a palavra do Senhor e seguiu seu caminho em segurança levando sua família a uma nova terra, logo após do dilúvio devastador causado pela fúria de Deus para com os Homens.
Lembro-me do primogênito, o Messias, as três Marias, o do Salvador crucificado.
Também houve a da queda de um anjo, um de meus irmãos... Vocês conhecem bem, sempre falam dele. Lúcifer, exatamente. Recordo-me de um ciúmes doentio e da ira devastadora que ele tinha quando Deus criou um altar especial para os humanos, às vezes me pergunto se o que Lúcifer sentia não seria amor.
Pois é, eu me recordo de coisas que nem foram escritas nesse livro que vocês mortais chamam de Bíblia.
Ah sim, claro, devo lhe contar porque estou aqui, para revelar minha memória mais frágil, mas também a mais agradável da qual já possui ou vivenciei, foi o evento mais marcante da minha história. Marcante, pois nunca veio e nem virar acontecer. O impedimento de uma terceira guerra evitado por dois garotos, um velho bêbado e... Eu... A grande história que deveria ocorrer de fato, estava escrito com todos os pontos e pausas, mas mudamos o final, as regras e o rumo sem volta. Mudamos o destino lamentável de todos os seres ingênuos e sedentos por vida. Deixando nada além de liberdade e escolha, o que pra mim foi uma verdadeira reviravolta.
E se fiz a escolha errada? Como eu deveria saber? Ultimamente pouco me importo, tenho traçado meu próprio final, palavras não são nada que meros efeitos sonoro, nada mais consegue me comover de fato.
Mas, o que estou querendo aqui é um desabafo reconfortador do que andei fazendo com o mais velho dos irmãos. Dean Winchester, se você está se perguntando... Relaxa, eu não o assassinei, pelo contrário, é bem longe disso. Eu me entreguei a ele, mas agora estou sozinho, eu e meus pensamentos, eu e minhas memórias torturantes como os pecados impostos pela sua civilização.
Dean era um pequeno punhado de amor que ele preferia esconder com suas rebeldias, era um ciúmes enrustido por seu irmão mais novo, tinha a ira e o orgulho como pecados capitais. Possuía também um carro escuro não lembro o nome, é algo como “Impala” da qual tratava como um de seus relacionamentos. Ele era uma mistura de cerveja, cheiro de couro de sua jaqueta e do seu perfume misturado com sabonete. Era belo, peculiar e nada sutil.
Lembro-me de como aqueles olhos esverdeados encaravam os meus, de como os dedos desenhavam as linhas dos meus lábios, de como sua boca devorava minha língua, a sua mão se entrelaçando em meu corpo... Eu o amava e daria tudo pra mudar o que ainda sinto por aquele ser mortal.
É claro que devo abrir uma observação e dizer que passamos por poucas e boas, inferno, céu... O purgatório, às vezes sinto um alívio em saber nem por um segundo ele pensou em desistir de mim... Como... Como eu havia feito. Não o deixei morrer, veja bem.. Apenas resolvi desistir de tudo o que sentia por ele, aquilo me corroía. Ok! Isso me machuca até hoje, mas Dean estava tornando uma fraqueza, qualquer pessoa que quisesse algo de mim bastava ameaça-lo e eu faria sem pensar. Era um sentimento forte demais que fazia meu estômago revirar só de pensar nele. No seu corpo definido, no seu toque delicado, naquele cheiro característico e rústico.
Perdoe minhas lágrimas, mas convivi tempo o suficiente com os humanos para pegar algumas manias.
Não posso nos culpar pelos sentimentos serem incontroláveis, jamais quis tirar vantagem disso, muito pelo contrário, eu sempre desejei entender. Entender qual era o tipo de relacionamento que tínhamos, entender como ele conseguia me manipular mesmo sem querer, de como um beijo poderia tirar meu chão.
Eu realmente... Eu o amava. Sendo sincero eu ainda o amo. E isso, eu nunca irei esquecer.
Notas finais
Ps: Leia! É bem curtinho, medonho e lindo =3
Fale com o autor