Leka: Ciudad Sin Fe
1 Um.
Notas iniciais
Tive que aparecer.
Então, eu pretendo postar as duas fic. Mas essa vai ser postada antes, ok? Ok.
Vamos lá, leiam e me digam o que acharam!
1.
O passado no passado, o importante é agora, e o que vamos comer.
Me perseguem e sei que morrerei.
Tenho medo. Escuto seus passos a cada minuto. Me encolho e fecho os olhos, mas seus rostos estão ali. Não posso dormir, não quero comer. A morte me assusta, mas mais me aterroriza o feito de não morrer. Não morrer e esperar sua vingança. Já não tenho esperança. Já morreu minha fé, agora, para meu corpo, só resta esperar. Esperar a morte e, por fim, dormir. Por fim descansar.>>
Fragmento do diario de Liam Voskovich.
Paciente número 1320. Dependente. Suicida.
A três dias sem drogas.
I
Leka é uma cidade, mas jamais poderia me atrever a confirmar que é como qualquer outra. Em Leka os habitantes dormem, trabalham e comem, há edifícios, empregos e clubes noturnos, conta com escolas de educação básica, sem duvida, não possui Universidades. Em Leka sai o sol por volta das oito da noite, o céu se veste de preto e dá lugar a noite. Pode ser que soe como se fosse qualquer outra cidade. Talvez como a sua, como qualquer lugar "normal", mas em Leka já não há fé. Acontecem tantas coisas que é impossível crer. Você deixa de crer nas autoridades, nas pessoas, na bondade, e gradativamente você se torna um Lekano. Sem lealdade. Sem seguranças. Sem fé.
Porque em Leka nada pior pode acontecer.
II
–Então quando começo? -A emoção era notada em sue olhar. Big Jay notava. Por isso sentiu vontade de brincar. Não deixar tudo tão fácil para o novato.
–Preciso que faça algo, pequeno.-Disse sorrindo. Mostrando os horríveis dentes de metal.-Tenho que provar se sua lealdade é verdadeira.
O novato assentiu com o ar decidido.
–Bem, primeiro quero que me traga o melhor whisky que seu pequeno cérebro possa identificar.
–Não tenho dinheiro.
–Oh -Lhe interrompeu levantando uma mão como sinal para se calar -Esse não é meu problema, pequeno. Quer o trabalho ou não? Você tem vinte minutos.
O menor saiu do lugar que cheirava a urina e Obat recém incinerada. Por casualidade, ou prévio planejamento, havia uma loja de bebidas na esquina. O jovem se sentiu com sorte.
Sorte que sumiu ao ver o caixa com uma arma sobre o balcão. O garoto imediatamente supôs que seria difícil, mas não impossível. Afinal de contas precisava do trabalho.
Entrou com tranquilidade. Começou a olhar as prateleiras procurando o whisky com o nome mais estranho, afinal de contas ele não sabia nada sobre whisky, não dos bons. Então se atreveu a perguntar ao caixa armado.
–Desculpe senhor, quando e o melhor whisky que você tem?
O homem elevou uma sobrancelha com curiosidade.
–Tenho um, trazido da Escócia, o Bruichladdich's. 2,950 dólares. -O homem sorriu e o garotou tentou não mostrar surpresa perante a absurda quantidade de dinheiro pedida.
–Bem, vou levar. -Disse com toda a calma conseguida e também atuando como se estivesse procurando o dinheiro dentro de sua carteira. -Acredito que não tenho grana suficiente. Aceita cartão?
Os olhos do caixa brilharam ao assentir. Jamais notou que aquilo não era mais do que um pedaço de cartão com um logo impresso. Deu a volta e começou a abrir a gaveta com as melhores bebidas. O menor aproveitou para pegar a arma e coloca-la no chão, escondendo de seu dono. Quando o caixa voltou e entregou a garrafa recebeu em troca um "cartão de credito". Se deu conta da falsificação tarde demais. Raciocinou tarde demais depois de ver o garoto correr com o whisky na mão. Encontrou a pistola tarde demais, o garoto havia se perdido entre a penumbra. Resmungando voltou para seu negocio, desta vez fechando a porta com chave.
–---------X----------
–Aqui está!-Exclamou entregando a garrafa aquele homem de pele escura e enorme massa corporal.
Big Jay sorriu satisfeito e surpreso pela valentia do garoto.
–Você demorou, -Lhe disse -mas o deixaria entrar porque trouxe meu favorito. Whisky escocês.
Um pequeno copo foi pego para fazer a primeira degustação que pode ser escutada por toda silenciosa e fétida habitação.
–Bem vindo ao grupo, Frankie. -Sorriu. -No vemos amanha, no mesmo horário.
Não pode dizer mais. Dois corpulentos homens lhe arrastaram até a saída. Frank começou a pé, então, a volta para sua casa; dois quilômetros distante dali. Ao menos havia conseguido o trabalho.
III
–Gerard, irei trabalhar, te deixei comida na mesa! -A mulher deu três golpes na porta ao mesmo tempo em que gritava. Não escutou resposta, então suspirou simplesmente, saiu de seu pequeno lar. Era um novo dia em Leka, e outro dia para trabalhar. Todas as manhas acordava com a esperança de encontrar Gerard melhor, muito mais positivo e recuperado, mas todas as manhas tinha uma grande decepção. Quando fechou a porta com a chave, Donna simplesmente esperava que dessa vez ele comesse.
O citado Gerard continuava em seu minúsculo quarto. Recostado sobre a cama e atirando para a parede a "bolinha contra frustração" que sua mãe havia lhe trazido. Estava cheio, entediado e precisando de Obat nesse preciso momento. Precisava sair.
Gerard Way tinha vinte e cinco anos, cabelos escuros, pele extremamente pálida e um antecedente de dependente a substâncias nocivas muito recente. Tinha três semanas sem fumar, inalar, ou ingerir nenhuma droga e, realmente, estava desesperado.
A reabilitação havia sido por vontade própria, ao menos assim havia sido três semanas atrás quando sentiu que era um desperdício de oxigênio, que sua vida, sua alma e seus dentes, tudo junto, valia uma merda, e nem seu irmão nem sua mãe mereciam manter uma escoria humana que era viciada nas drogas. Então tentou mudar. Aceitou o encarceramento, a vigilância e a comida nojenta. Mas precisava se distrair. Precisava de Obat.
"Se só tivesse um pouco de Obat, de Mayag, ao menos. Voltaria a ser feliz e este encarceramento não importaria", pensava Gerard com melancolia. O Obat era sua droga preferida. Vinha de uma linda flor de cor vermelho paixão. Tão grande e tão bonita como qualquer lírio, mas com um poder tão assustador como se na verdade tivesse sido um presente de Deus, feita para criar a melhor das sensações de paz e bem estar. Ele a fumava. Outra a ingeriam, até faziam chá. O sabor, para Gerard, era horrível, então ele ficava com seu método. O Mayag era uma planta semelhante a qualquer arbusto pequeno e verde, com pequenas flores amarelas de três pétalas características. Esta se inalava, fumava, ou injetava; não importava o método, deixava um sensação de autossuficiência tão enorme, que você poderia se sentir o dono do mundo em qualquer instante. Era muito mais forte que o Obat, muito mais cara, e mais incomoda para Gerard. Geralmente a vendiam em pó, diretamente para inalar; a qual deixava uma sensação acida no nariz muito chata. Odiava as agulhas, então injetar não era uma opção.
Foi então que chegou a possibilidade da droga mais mágica de todas (segundo a opinião de seus amigos). Era como se flutuasse, como se estivesse dormindo, mas escutando, inconscientemente. Sem sentir, sem rir, sem chorar. A Apora era extraída de uma planta desértica. Redonda com espinhos. Podia se inalar, ainda que ardesse como se estivesse uma montanha nascendo em seu nariz, ou podia injeta-las em algumas de suas veias (a melhor opção).
"Maldição" -Pensou Gerard. -"Preciso de Obat".
Se lembrar das drogas, seus efeitos e as formas de consumo só fazia crescer a vontade de recupera-las. Pegou um arame e fez com que a fechadura cedesse, lamentava por sua mãe e seu irmão, de verdade havia tentado, mas não podia mais. Precisava. "Pela ultima vez".
Saiu de casa. Não havia sol. Era o dia perfeito para procurar um novo fornecedor.
Apenas começou a descer as primeiras escadas quando encontrou Mikey subindo (afinal de contas Gerard vivia em um apartamento, no terceiro andar).
–Gerard, que está fazendo? -Perguntou com o tom natural que Mikey usa para falar. Sem saudações, censura ou sentimentos, simplesmente expulsando as palavras sem sentido.
–Saindo.
–Pois volte, te trouxe algo antes de ir trabalhar.
Gerard o obedeceu como um garotinho pequeno. Muitas vezes se esquecia de que era mais velho que Mikey três anos. Seu irmão era maturidade e inteligência em pessoa. Estudava pela manha na faculdade, a chatissima (segundo Gerard) carreira de Física. Pela tarde, e até as dez da noite, trabalhava como um caixa de um supermercado no centro da cidade. Ainda era uma incógnita o momento em que esse "pequeno" irmão de olhar indecifrável conseguia estudar.
Voltaram para o apartamento. Mikey abafou os comentários, apesar de ter visto o arame atirado e a fechadura um pouco solta. Gerard entrou com a cabeça para baixo, olhando seus sapatos e começando a sentir culpa.
–Te trouxe algo. -Disse o menor. Mikey preferia agir do que falar. Conhecia o comportamento dos viciados em drogas. Afinal de contas, em sua vida, como todas as pessoas da cidade, conhecia muitas pessoas assim. Era mais fácil encontrar quem não fosse dependente delas, de fato. Sabia que Gerard queria escapar em algum momento e conseguir mais. Sabia que Gerard tinha que cair uma ou duas vezes mais para se dar conta do quão patética era sua situação. Mikey realmente esperava que seu irmão fosse mais inteligente que um monte de estúpidos com o qual saia para fumar.
Michael tirou de uma enorme bolsa de plástico um enorme caderno com folhas brancas e espiral de metal. Logo uma caixa de madeiras, como as dos meninos pequenos que pedem lápis de cor na escola.
–O que é isso? -Perguntou o irmão mais velho, mal humorado.
–Equipamento para desenhar. -Respondeu com simplicidade. Agora todos os materiais descansavam sobre a mesa. -Não pode mentir para mim. Não á mim, Gerard. -Lhe olhou. -Sei que queria escapar de casa para ir conseguir mais Obat, mas você sabe que não permitirei que arruíne seu corpo dessa maneira, então, para que não se sinta entediado, te trouxe isso; sei que adora desenhar e você é muito bom.
E ali estava o pequeno Mikey, com voz indiferente, mas com um gigantesco sorriso. O garoto maduro, o irmão mais novo que lhe observava pintar as paredes dos vizinhos. Repentinamente o sentimento autodestrutivo de denominar a si mesmo como "desperdício humano" voltou, se sentia uma merda e começou a chorar porque era sua obrigação cuidar de Mikey, não tinha porque ser ao contrario, até que estivesse velho.
Seu irmão lhe abraçou. Gerard sabia que o fazia porque lhe amava muito, Mikey o fazia porque não queria que ele caísse em outra crise, ah, e porque o amava muito.
–Deixe de se dizer todas essas horríveis coisas mentalmente. -Disse Mikey.
Gerard lhe abraçou com mais força, admirando um pouco mais seu irmão, e se odiando muito mais. Se sua vida não se houvesse baseado no Obat e no vandalismo poderia ler a mente do outro como Mikey fazia? Porque estava certo de que ele o fazia, não importavam as implicâncias de sua mãe, ou as próprias explicações do garoto dizendo que 'o conhecia muito bem'. A merda, ele lia a mente e ponto.
–Preciso ir. Posso confiar em você, Gerard? Posso simplesmente deixar o arame com que você abriu, seu equipamento para desenhar e confiar que você não sairá e o mudará por Obat?
Gerard negou coma cabeça, olhando os lápis e folheado o grande caderno em branco.
–Bem, nos vemos mais tarde.
Mikey beijou sua cabeça como fazia normalmente e fechou a porta sem colocar a chave. Definitivamente seu irmão confiava nele. "E eu o pago sendo essa merda de ser humano".
Gerard tinha vinte e cinco e estava consumindo drogas desde os dezessete. 'A idade difícil', lhe dizia sua mãe, mas Donna jamais imaginou quão complexo poderia ser seu pequenino. Sabia que em segredo ambos familiares o odiavam. E quem os culparia? Ele mesmo se odiava e vomitaria em cima dele... Oh, mas ele já o havia feito. Sim, aquela vez em New York, com Harry, fora desse hotel, bêbados como só eles podiam estar e tentando alugar um quarto para poder fazer sexo e fumar obat. A alegria do momento o fez expulsar a pouca comida ingerida, e como foi tão imprevisto o único lugar que a recebeu foi sua jaqueta de jeans preto. Esse foi uma das viagens curtas e próximas. Havia meses que não sabia dele e, sinceramente, Gerard não se importava que soubesse.
"Diabos... Preciso de obat. E fazer sexo"
Era tentador, mas seu irmão havia trabalhado duro para te comprar o estojo, ou o que fosse, para que ele desenhasse. Os poucos neurônios sobreviventes e um pouso de senso comum, de oito anos de ingestão de drogas e seus efeitos, lhe diziam que, no lugar de pensar em Obat, deveria desenhar. Primeiro ficou na sala com o caderno sobre as pernas, logo inspecionou os lápis, e as pontas, e as cores. Haviam três pretos, e duas espécies de giz do mesmo tom. O resto das cores eram chamativas e Gerard teve a necessidade de arruma-los em ordem alfabética, depois se eram cores quentes ou frias.
Em conclusão Gerard Way se entreteve quarenta minutos ordenando e aprendendo o nome de cada cor. O azul turquesa e o vermelho sangue foram seus favoritos.
IV
O trabalho começada as nove da noite e terminava as seis da manha. Não tinha muito tempo, nem animo, para disposição pessoal, porque todo dia escutava brincadeiras por usar a mesma camiseta, com a mesma jaqueta rasgada nos pulsos. Ele não prestava atenção, afinal de contas, preferia dormir ou tomar banho com água, finalmente, quente. O importante era o emprego e não chegar tarde, não chatear Big Jay, e poder continuar tendo água quente, um lugar onde viver e uma jaqueta, mesmo que rasgada nos pulsos, que era de lã e muito calorosa.
Ele tinha vinte anos e duas visitas a policia por roubo quando menor. A primeira vez foi o roubo de um bolo de aniversario, e a segunda dinheiro na caixa registradora. Havia saído a apenas algumas semanas atrás e já se encontrava nas ruas como vendedor de drogas. Unicamente de Obat, como todo principiante.
Não tinha pais. Jamais os conheceu, mas estava certo de querer fazer algum dia. Sua infância estava cheia de mal tratos e situações que a qualquer um traumatizaria, mas ele era positivo e vivia o presente. "O passado no passado, o importante era agora, e o que vamos comer". Nunca havia provado um hambúrguer, desses que vendem em lanchonetes de fast food, mas já havia ajudado a assaltar um desses estabelecimentos. Nunca havia tido namorada, mas havia sido violado uma vez, 'vendido' em outra ocasião, e espancado muitas vezes mais. Assim era a vida na Grande Leka. Assim era para um órfão. Assim era para um sobrevivente que atendia pelo nome de Frank. Ou ao menos esse nome ele adotou. No orfanato em que esteve sete anos não se preocuparam em coloca-lo um nome em especial, ele se autonomeou Frank, e seus amigos o ajudaram com o 'Iero'. Saberá o diabo onde o haviam tirado, mas soava muito elegante para recusar.
Aos nove anos e dois meses Leka viu 'nascer' (ao menos em registro de nome) Frank Iero. Uma alma mais na cidade, mas com pensamentos pouco Lekanos.
Tomava cerveja muito de vez em quando. Seus amigos preferiam o álcool etílico por seu preço e disponibilidade. Alguns podiam pagar por drogas. Ele não. E agora que seu negocio dependia dele, muito menos as provaria. Ele preferia comer, dormir em uma casa e tomar banho com água quente.
Frank Iero era um Lekano muito diferente.
–---------x----------
–Bem, vim pegar o que é do chefe e te entregar nova mercadoria -Lhe disse um homem não muito mais velho que ele na esquina escura da cidade.
Frank entregou a porcentagem e recebeu mais Obat. Esse era seu terceiro dia e já tinha ganâncias imagináveis para sua experiência financeira.
–Bem Iero, não estrague. É o emprego de sua vida.
"Eu sei".
Perdendo-se entra a penumbra voltou ao seu terreno, pronto para começar o comercio, outra noite mais.
V
Haviam passado dois dias desde que Mikey chegou com o estojo de desenho para Gerard. Era outra noite tediosa, Donna havia ido trabalhar no salão de beleza. E era outra manha em que a ansiedade era maior que ele. Tinha que sair.
Seu caderno já continha seis desenhos. O primeiro, decidiu que seria a capa, desenhou uma grande arvore com o lápis preto. Em cada um dos galhos uma flor diferente, de cores brilhantes, como as flores de onde se extraiam o Obat e o Mayag. O fundo completamente azul turquesa e a altura da raiz da arvore, um par de olhos que olham desinteressados. Os olhos são verde oliva, e apesar de tê-lo desenhado, sente um pouco de medo de seu realismo.
Os outros desenhos são letras, amanheceres, bonecas, caveiras e um monte de palavras sem sentido se cruzando uma com as outras. Mas ele já estava cheio. A bolinha anti estresse estava perdida e agora ele precisava sair.
E ele o fez.
O arame voltou a ser usado e as escadas foram descidas com pressa, novamente. Desta vez levava em baixo do braço seu caderno e os lápis. Podia usar como justificativa para sua saída, até poderia ter inspiração.
Abriu a porta principal do edifício, virou a cabeça para a esquerda, se escondendo do chato sol, e então o viu. Tinha uma baixa estatura, pele pálida e um cabelo preto agitado. Usava uma grossa jaqueta, e uns jeans desgastados. Os tênis azuis tinham vários buracos, e estavam cheio de lama, logo levantou as vistas novamente, viu os punhos da jaqueta rasgados e nas pálidas mãos uma pequena bolsa, cujo conteúdo era vermelho.
Os olhos de Gerard se iluminaram e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. Esse homem vendia Obat. Esse homem seria sua salvação...
"E o sol do amanhecer iluminou seu rosto justamente no momento em que ele girou para mim. E vi sua pele, seus lábios, seus olhos, que brilharam e que me lembrava do olhar em meu caderno. E foi como voltar a fumar Obat."
O contato não durou muito, o vendedor voltou as mãos, depois de receber o dinheiro, até os bolsos da calça e avançou em passos acelerados até o edifício, ao lado de Gerard, que aspirou com descrição o aroma do desconhecido. Abriu a porta e entrou. Gerard deixou o estado catatônico e lhe seguiu, até que ele entrou em um quarto e fechou com um barulho alto. O homem observou o numero na porta: 10. Sorriu, estava em frente ao seu.
A porta para o mundo das drogas parecia novamente aberta.
Por fim Gerard Way se sentiu emocionado e cheio de esperança. Poderia ter algo melhor que ter como vizinho um "fornecedor"?
E instantaneamente a inspiração chegou. Entrou em seu apartamento pensando que, o tendo tão perto, poderia esperar um pouco mais por Obat. Só um pouco mais. O tempo em que o desenho ficaria pronto.
VI
Frank dormiu até as cinco da tarde. Depois de subir correndo e colocar as trancas na porta, se deixou cair sobre o colchão sem se preocupar mais com o homem estranho que estava lhe perseguindo. Supunha que seria um viciado mais pedindo drogas, mas seu horário era restrito, e as manhas eram suas, e de seu sono. Mas, apesar de que ele dormia até as nove a da noite, ao ver o relógio despertador ao seu lado e entender o número cinco iluminando em cor verde, sentiu uma grande frustração e repúdio contra o ser que batia em sua porta.
Emburrado se pôs de pé e tirou todas as trancas. Abriu a porta sem sorrir e com os olhos meio abertos.
–O que? -Perguntou em forma de saudação.
Do outro lado da porta o homem que o havia perseguido. Frank torceu a boca ao ver esse olhar e o pequeno sorriso de maníaco. Se perguntava se estava todo dia feliz, ou seu rosto venho naturalmente com esse sorriso.
Gerard se sentia mais do que satisfeito, afinal de contas, o desenho em seu caderno em baixo de sue braço esquerdo era quase idêntico, apesar de não ter cor. Os olhos tinham a forma, o nariz e os lábios, até havia desenhado a pequena argola no lábio inferior, mas logo olhou para baixo...
–Oh, não havia visto a tatuagem... -Disse com uma verdadeira pena, observando a mancha escura em forma de escorpião. -Terei que fazê-lo outra vez...
Instintivamente Frank levou uma mão ao pescoço.
–Do que você está falando, louco maldito?
–Você é um vendedor de drogas? -Perguntou Gerard, ignorando o insulto.
–Eu sou. -Abaixou a voz. -Mas começo a trabalhar depois das nove, louquinho. -E sorriu.
De prontidão Gerard sentiu a necessidade terrível de desenha-lo, mas com esse sorriso.
–Volte as nove. -Disse Frank, terminando a conversa e fechando a porta.
Gerard apenas reagiu para ver seu relógio de pulso. Tinha tempo suficiente para começar um novo desenho. O vendedor era inquietante e misterioso. E, com certeza, era bonito.
"Preciso de Obat e sexo". Pensava ao mesmo tempo em que fechava a porta atrás de si.
Com um pouco de sorte esperava conseguir ambos, no mesmo lugar.
Sem deixar de sorrir Gerard começou a desenhar.
–---------x----------
No próximo...
2.
Quem é mais mau? Você que compra ou eu que vendo?
–Você sofreu como eu sofro agora, Gerard? -Sussurrou com uma voz rouca e apertada, resistindo para não chorar. -Te fiz bem em abrir os olhos? Doeu em você como em mim?
"Nós estamos nos salvando ou nos destruindo?".
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