Notas iniciais
Ai, ai. Ai. Desculpem por todo esse tempo, não pretendia demorar, mas estou meio doente então fico meio sem saco pra traduzir. HM
Mas, ei, darei uma presente de pascoa á vocês. q
Até mais.

6.

Nós iremos Gerard. Logo nós iremos daqui.

I

Quando Gerard entrou em seu apartamento Donna parecia uma pequena formiga dando voltas na cozinha, preparando a comida. Seu irmão estava sentado em um sofá escuro, dos que rodeavam a mesa de madeira retangular. Ambos viraram ao vê-lo e logo sentiu o olhar de sua mãe fixado na caixinha que carregava em baixo de seu braço. Sorriu se lembrando de onde veio.

-Estava com Frank. –Disse e Donna virou novamente sua atenção para a panela.

-O que é isso? –Mikey apontou para a caixa.

-Um jogo de tinta a óleo que Frank me deu.

Donna quase teve um torcicolo pelo movimento brusco que fez quando virou sua cabeça no momento que escutou seu filho mais velho. Depois seus olhos delineados de preto foram olhar seu filho mais novo que franzia o cenho.

-Gerard, acho que você não deveria ter aceitado...

-Porque? –Perguntou Gerard com inocência. Donna não se importou de que a carne começou a esfumaçar sobre a grelha quando notou um ligeiro vermelho nas bochechas que haviam sido suas, por dez anos mais ou menos.

-Porque você sabe de onde vem o dinheiro que ele utilizou para comprar. –A voz de Mikey era fria, quase ameaçadora, e Gerard voltou a se encolher como um pequeno animal assustado.

Donna deixou de ver o vermelho nas bochechas, o brilho nos olhos verdes e o ligeiro sorriso. Agora Gerard voltava a ser o homem preso em um corpo deprimido e solitário.

Donna não estava disposta a perder seu filho. Outra vez.

-Me parece um gesto encantador, filho. –Disse Donna consciente de que a carne já estaria queimada. –E no quê você vai pintar?

-Diabos, me esqueci dos cavaletes.

-Não importa Gee, logo você irá os buscar.

Donna sorriu e Gerard correspondeu. E então voltou a ser a mamãe mais feliz do mundo.

-Bem, vou guardar isso e lavar as mãos.

-Sim querido.

E quando Gerard saiu da cozinha Donna voltou sua atenção para a comida.

-Mamãe. –Disse o menor de seus filhos. –O que te disse essa manhã é verdade.

-E eu vou te dizer outra verdade, Michael.

Donna se vira, uma vez que a panela está desligada. Mikey abre mais os olhos e fica estático quando escuta sua mãe dizer seu nome dessa maneira fria.

-Seu irmão não havia sorrido assim nem fumando Obat, então você vai deixar essa sua paranoia e confiar em seu irmão, e apoiará sua felicidade. Esse homem não é mau por ter o presenteado com tintas e tê-lo feito sorris, nem eu sou má por esperar que esse sorriso não se apague jamais. Então, Mikey, eu quero que esse assunto não seja tocado novamente.

Donna era uma boa mãe.

E Mikey um bom filho, então, resignado, abaixou a cabeça e em sua mente queimou todo o arquivo sobre a maldade de Frank.

Depois de comer Mikey viu seu irmão sair e voltar logo com o cavalete em baixo do braço e um sorriso pintado no rosto.

II

Frank voltou a entrar no escritório de Big Jay esta noite.

Mesmo que mantivesse seu cheiro característico de obat e urina agora os ofegos foram inevitáveis. Inclinou seu corpo e, certamente, o enorme homem pode ver as lagrimas formarem em seus olhos numa tentativa de deter o vômito. Talvez fosse o cheiro, ou a lembrança do que era e o que tinha de fazer.

E não queria continuar. Realmente pouco importava agora se não teria um emprego melhor, mas já não podia continuar.

O enorme rosto de Big Jau sorriu ao escuta-lo. Frank o havia dito com um olhar tão desesperado que para o vendedor que o resultado era um olhar de um cervo antes de ser caçado.

-Sei que é difícil, –Continuou Frank. –mas te prometo que se me permitir sair jamais direi alguma coisa. Inclusive posso sair da cidade se quiser, não saberá mais de mim, por favor. Não consigo mais continuar com isso.

BJ conhecia essa expressão. Também conhecia essas palavras. Frank estava tendo uma crise de vendedor, como todo aquele que é promovido de cargo muito rápido. Big Jay conhecia cada uma das crises e cada desculpa usada pelos vendedores. Todos no começo se negam, mas quando recebem o dinheiro das novas vendas, quando mudam de zona de venda e tudo fica melhor se esquecem dos escrúpulos e fazem o que deveriam fazer. Só é questão de apertar suas partes intimas (metaforicamente) forte e decisivo. Eles gritarão, chorarão, mas logo obedeciam.

-Por favor, Big Jay, por favor...

E ali estava! A ultima fase: a suplica. Big Jay desta vez gargalhou porque já tinha idealizado o plano perfeito para a situação.

-Já chega garoto. –Falou seu enorme chefe. –Assim você parte meu coração, Frankie! Desde o primeiro momento em que te vi soube que você seria um bom vendedor, Frankie. É uma pena que você tenha que ir.

Os olhos de Frank se abriram em sinal de surpresa. Sua boca tentou mostrar um ligeiro sorriso.

-É sério?

-Se você não quer estar aqui não há mais o que conversar.

-Ok Big Jay. Obrigado!

O homem sorriu e estendeu as mãos.

-Mas sem abraços porque não somos garotinhas, certo?

Frank assentiu com a cabeça e perguntou se já podia ir.

-Claro, Frankie. E, por favor, não se vá da cidade, tenho plena confiança em você e seu apartamento é muito cômodo.

Big Jay sorriu quando escutou o riso de alegria do menor. Este assentiu e saiu dando saltos de felicidade.

“Espere Frankie, logo começará a verdadeira diversão”.

III

Frank pela primeira vez desde que trabalhava vendendo obat dormiu uma noite inteira e se sentiu na gloria. Era incrível a facilidade que havia sito fazer com que BJ desse o braço a torcer, e isso só podia significar que realmente ele acreditava que Frank era um homem de confiança. Se surpreendeu que nenhum de seus capangas registrou uma busca pelo obat, mas melhor não perguntar e continuar andando.

Um novo dia chega e ele o recebia com um gigantesco e sincero sorriso.

Tomou café com algo rápido antes de olhar o relógio. Os ponteiros indicavam que eram dez da manha e Frank sorriu para o aparelho pois era a hora perfeita para visitar Gerard. Sem sua mãe, sem seu irmão e com um pequeno pintor apenas tomando café. Limpou o rosto e fechou com a chave a porta atrás de si.

Duas batidas bastaram para que um despenteado Gerard Way abrisse a porta.

-Bom dia.

-Bom... –Respondeu um Gerard adormecido. Lhe indicou com a mão para que entrasse e assim o fez fechando a porta atrás dele. –Quer tomar café da manha?

-Já o fiz, obrigado.

Se sentaram na mesa e Frank lhe acompanhou, falando de trivialidade sem poder se atrever a confessar sua maior alegria, sem saber o porque.

Ele gostava de estar com Gerard. O acompanhar no café da manha parecia cotidiano, e se perder na forma que Gerard mordia, mastigava, chupava e os demais verbos com a comida, lhe parecia encantador. Logo se surpreendeu a si mesmo pensando que queria que isso fosse diário. Vê-lo acordar despenteado, vê-lo comer devagar e quase com os olhos fechados e falar sobre a mancha na parede, como se fosse a conversa mais transcendental do universo.

-Eu estava pintando. –Disse Gerard o afastando de seus sonhos familiares. –Te mostrarei meus quadros.

Foram até seu quarto. Frank estava no quarto do maior pela primeira vez e via tudo fascinado. Era pequeno, simplesmente tinha um closet, uma casa e um pequeno escritório sem sofá. As paredes eram em cor clara, igual ao tom de toda a casa, estavam rabiscadas com desenhos. Em outra partes a parede estava arranhada. Cada espaço gritava Gerard, e agora queria gritar como um pequeno garotinho de tanta emoção. Estava no espaço de Gee. Em seu espaço. Em algo tão intimo que não havia como voltar atrás. Então abraçou o maior, que estava de costas, o impedindo de ir até os cavaletes que já mostravam cores em suas superfícies.

-Frank?

Mas Frank não disse algo. Simplesmente o abraça e Gerard sente seu quente halito contra a nuca, e escuta como o nariz do outro inspira profundamente, como se quisesse guardar seu cheiro. Gerard o deixa fazer e não diz nada. Para que arruinar o momento com palavras se ele também adora, simplesmente, toca-lo sem dar explicações.

Ficaram assim. Gerard deixou cair sua cabeça contra a de Frank e acariciou as mãos que estavam em seu abdômen com as suas. E simplesmente se sentiram. Por vários minutos ficaram quietos, fecharam os olhos e se sentiram.

O tempo passou voando e os braços se afrouxara então deixou Gerard ir, com um sorriso bobo no rosto e a sensação de ter lindas sãs rosadas sobre as costas.

“Por Deus, como o amo!”

-E então... Você estava pintando.

Gerard deu um ligeiro e encantador sorriso e volto a se dirigir até o lugar onde estavam os cavaletes.

-Leka não é a cidade mais bonita do mundo, mas, as vezes, uma paisagem simples e até feia –sorriu. –pode se tornar algo bonito com a luz adequada.

Frank ficou assustado com o único quadro que, ao que parece, estava terminado. Podia se ver o edifício onde viviam e outro exatamente igual, mas em tom cinza no lugar do marrom escuro. Entre eles raios de sol que pareciam se infiltrar e davam uma sensação aquecedora. A perspectiva dos edifício era de baixo para cima, então eles pareciam crescer a medida que o quadro terminava. Não tinha mais decoração que isso, e a luz perfeita. Parecia um entardecer, ou um amanhecer, ou simplesmente um dia não muito ensolarado.

-É maravilhoso.

Gerard sorriu e se deixou cair na cama, se sentando de joelhos.

-Realmente não sabia como pitar com óleo, mas para ser meu primeiro quadro até que ficou bem, não?

Frank assentiu com a cabeça.

-Quanto tempo você parou para observar os prédios?

-Não estava, pintei da memória.

Frank voltou a admirar o quadro com um sorriso.

-Você é um gênio, Gee. Pode fazer com que essa nojenta cidade pareça incrível. –Os olhos de Frank brilharam quando disse e Gerard sentiu nesse momento uma emoção comparável como se Leonardo Da Vinci elogiasse sua arte.

-Não é tão horrível. –Tenta defender Leka.

-Vamos, Gee. Claro que é! É a pior cidade do mundo.

Gerard ri porque Frank move o quadro e faz uma voz esganiçada, simulando a voz do quadro. Gerard ri porque se os edifícios falassem ele duvidava que usariam esse tom de voz.

-Porque continua aqui se a odeia tanto, Frank? –Pergunta com um sorriso. Mas Frank deixa o quadro sobre a mesa e se senta ao lado de Gee com atitude séria.

-Não sei. –Dá de ombros. –Só conheço Leka, e nunca tive a necessidade de ir embora. –Suspirou como se tivesse se lembrado de algo com nostalgia. –Você? Porque continua aqui?

-Toda minha vida está aqui. –Responde simplesmente. –Minha mãe viveu toda sua vida aqui e não tem intenções de ir. Mikey quer nos levar mas não sei se ele só poderá com nós dois. É muito difícil depender de alguém. –Confessa o segurando pela mão. –É muito cruel saber que meu irmãozinho é quem sustenta a família, que teve que crescer antes do tempo e que tudo é minha culpa.

Gerard está a ponto de chorar. Frank sente os tremores quando toca suas mãos e escuta o primeiro soluço que sai entrecortado.

-Hey... –sussurra. –logo tudo isso pode mudar. Você poderá vender seus quadros, ganhará muito dinheiro e nós iremos daqui. Você, eu, sua mãe e Mikey, sim?

É como se estivesse falando com um pequeno garotinho. É como se tentasse o consolar, mas a voz apenas sai e ele se sente contagiado pelo leve pranto de Gee, então o abraça, porque não quer chorar, logo supõe que ele o estava consolando.

-Nos iremos embora de Leka. –Disse Gerard com voz anasalada, mas com um sorriso.

Se separaram um pouco, o suficiente para se olharem nos olhos. As mãos se afastaram porque as a de Frank subiram para seu rosto e as de Gerard se agarram em sua roupa. Se aproximaram lentamente e Gerard inclinou o rosto, recebendo o desejoso beijo que começou como todos os doces beijos cheios de lábios e sons úmidos. Logo saíram as línguas e a doçura deu espaço para a paixão. Frank se pôs de pé e arrastou Gerard até que suas costas se encontrou com a parede, Gerard colocou uma perna entre as do menor e abandonou a boca para dedicar-se a provar sua orelha. Lambeu o contorno e sugou o lóbulo, da forma que sabia que ele adorava.

-Gerard... –Disse em forma de gemido. Gerard respondeu mordendo-lhe o pescoço e acariciando um mamilo por cima da roupa.

-Frankie. –Sussurra em resposta. Quer dizer tantas coisas que todas as palavras se amontoam em sua garganta e parecem presas porque agora não é capaz de falar, só de grunhir e de mover seu corpo tentando fazer chegar a mensagem silenciosamente.

Sem duvida querem dizer quês e amam. Que sua vida mudou no instante em que seus olhos se encontraram. Talvez queiram suar frases de canções ou poemas bregas, e comam mel, chocolate e frutas para que esse sabor combine com a doçura de suas palavras. Mas agora não é o momento para falar. Seus corpos se reconhecem e parecem pedir mais. Se sentem sedentos e com cara caricia a sede começa a se saciar.

Gerard lhe sobe a camisa e lhe beija o peito. Percorre com ligeiros beijos a extensão até que encontra o umbigo. Apenas deixa um tímido beijo e suas mãos lhe ajudam a abrir a calça e a abaixa-la junto com a roupa interior.

Frank está nu da cintura para baixo e geme quando uma brisa fresca percorre seu corpo. Só pode pensar que Gerard é o rio de qual quer beber, é o sol a lua e a mesma vida. O significado desta. A razão verdadeira.

Quer rir e chorar pela revelação. Frank Iero encontrou uma razão de vida, e esta é fazê-lo feliz. Quem diria? Aquele que queria mudar o mundo teve seu mundo renovado.

Gerard o faz ficar em frente a parede e ele se inclina, se oferecendo para o maior. Deseja senti-lo e que lhe sinta. Deseja confirma com o corpo o que sua boca estúpida se negava a dizer.

Sente ardor e uma corrente elétrica quando consegue entrar nele. Se sente úmido e quente no momento em que mexe o quadril para que as investidas sejam mais profundas. Sua boca se abre e a cabeça se inclina para trás para encostar sobre o ombro do maior, movimento que este aproveita para lhe beijar o pescoço. Com certeza deixará marcas, mas não estava se preocupando com isso.

Gerard está hipnotizado. É como flutuar, voar, rir e encontrar a felicidade em um só momento. Empurra com mais força seu membro contra Frank até ele se chocar contra a parede. Escuta os gemidos do menor e a liberação é arrastada, porque cada som faz com que esteja mais duro.

-Por deus... –Sussurra sentindo como o suar lhe acaricia seu corpo. –Por Deus, Gee, mais!

-Oh, oh, Frank! –E continuam investindo. Forte. Agressivamente. Diretamente na próstata.

Frank segura o traseiro e o empurra para trás. Gerard lhe segura pela cintura, tão forte que o local fica roxo. Apenas um par de investidas mais e o orgasmo chega para Frank que só havia tido ligeiras roçadas contra a parede para aliviar seu ereto membro. Os espasmos comprimem o interior do vendedor e Gerard sente como se o estivessem apertando da raiz até a ponta.

A sensação é maravilhosa.

-Eu vou...!

E se desfaz. Tão incrivelmente intenso com nunca e tão quente como sempre.

Deixa que seu corpo sonolento caia sobre o do mais baixo. E este sente o membro de Gerard perder a ereção dentro de si, e também reconhece o correr do sêmen sobre suas coxas.

Agora podia falar.

Dizerem que se amam. Que se adoram.

Que o sorriso de bobos que agora tinha é pelos olhos do outro.

Mas não falam. Gerard se separa deixando um beijo nas costas e ajuda o outro a se vestir, limpando-o com uma toalha. O ato é feito com silencio e lentidão. O encontro os deixou cansados e aproveitam para conhecer novamente a textura da pele do outro.

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-Deveríamos nos ver esta noite. –Disse Frank quando já descansam sobre o colchão.

-Você tem que trabalhar. –Afirma Gerard sentindo por baixo de sua orelha o tranquilo palpitar do coração de Frank.

-Não mais.

-Como? –Pergunta incrédulo. Certamente o negocio das drogas não parece um trabalho de que tenha que se afastar assim, sem mais nem menos, exigindo uma carta de recomendação em baixo de seu braço.

-Bem, falei com meu chefe, e ele me deixou sair do negocio com a promessa de que jamais o acusarei.

-Soa bastante fácil, Frank.

-Acho que ele gostou bastante de mim, e é por isso que deixou as coisas fáceis para mim. –Frank sorri e Gerard levanta a cabeça para se perder nesse sorriso e nas pequenas rugas que se formam nos cantos de seus olhos ao fazê-lo. E ele acredita. Confia nesse sorriso e nessa felicidade, e nas palavras que vem depois. –Nós iremos Gerard. Logo nós iremos daqui...

Volta a colocar a cabeça contra seu peito e o abraça pela cintura.

“Sim, logo, Frank”.

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No próximo...

7.

Bem vindo, Frankie, a prisão novamente.

-Não. –Mikey negou com a cabeça. –Não está bem. Foi ele. Ele assaltou a loja. –Seu rosto estava desesperado. E com essa mesma expressão olhava diretamente para seu irmão.

-Quem Mikey? –Por fim Gerard falou. –Quem é “ele”?

-Frank.

Notas finais
Ok, se desesperem agora. Beijos. n