Leka: Ciudad Sin Fe
8 Oito.
Notas iniciais
Então, leiam logo e me ignorem. q
8.
Há coisas ruins que acontecem e uma pessoa não pode evitar. Duas pessoas não podem mudar o mundo.
I
Há coisas ruins que acontecem e uma pessoa não pode evitar. Duas pessoas não podem mudar o mundo.
Gerard acordou ao meio dia, mas demorou outra meia hora olhando o teto do quarto. Sua cabeça doía, sentia náuseas e desejava com todas suas forças pensar no que o mito de que “todas as pessoas tem um gêmeo” fosse verdade.
Não queria repetir em sua mente as palavras que Mikey havia dito na noite anterior, mas era tudo o que rodava em sua cabeça.
Não podia acreditar que Frank houvesse assaltado o lugar onde seu irmão trabalhava. Não podia ser certo que esse homem carregasse uma arma, e pior, não imaginava o consumindo drogas. Definitivamente a explicação mais lógica para tudo é que não se tratava de Frank, e sim de um irmão gêmeo malvado.
De qualquer maneira Gerard não saiu para comprovar se Frank estava em casa. Não quis averiguar como seu irmão estava depois do trauma, e isso acabou com sua consciência. Apesar de tudo deveria deixar de ser um maldito egoísta e pela primeira vez na vida ser o irmão mais velho.
Saiu da cama e entrou no chuveiro. Em quinze minutos estava na sala, com a cabeça de Mikey contra seu peito e o corpo deste em seus braços, sobre o puído sofá.
Donna lhe trazia um café forte, como ele gostava, e a família pode desfrutar de um momento intimo, apesar da situação que os havia o deixado assim, o lugar só cheirava a amor.
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A cena foi interrompida quando o telefone fez o som chato.
Donna o atendeu e respondeu com a voz tímida.
Ambos os irmãos olharam o rosto de sua mãe surpreso, e como se tivesse em duvida sobre como continuar com a pessoa do outro lado do telefone.
-Tudo bem, –Disse a mulher no final. –eu te digo depois. –Levantou o olhar e entregou o telefone para Gerard. –É para você. –Anunciou. –É Frank.
Tudo parou para ele. Sua respiração, o piscar de seus olhos... Segurou o telefone com força e olhou para Mikey instintivamente. Este retorcia a boca.
-Não atenda. –Lhe disse seu irmão. –Porque o deu o telefone mãe? Esse cara é...
-Não é nosso assunto definir Frank. É algo só do seu irmão.
-Mas não está pronto, ele não está preparado para isso.
Gerard olhava a conversa como um espectador qualquer.
Os olhos abriram assustadoramente quando Mikey disse a ultima frase. Agora Gerard se perguntava: desde quando havia permitido que seu irmão falasse como se tratasse de um garotinho de quatro anos? Por acaso era tão incapaz de viver sua vida e tomar decisões?
Tinha problemas mentais?
Era um invalido depois do Obat?
Sentia pena e raiva ao mesmo tempo. Todas para si mesmo. Mikey não era culpado. O culpado era ele por ter se tonado alguém tão vulnerável. Seu irmão só queria lhe proteger, mas esse não era seu trabalho. Era o momento de decidir o rumo de sua vida.
-Frank. –Respondeu, enfim, colocando o telefone em seu ouvido.
Mikey e Donna o olhar ir, ambos com reações diferentes. Mikey queria gritar que ele é um traidor, que ele o havia enganado e que não merece nem que respire o mesmo ar. Donna se sente orgulhosa e sorri para a figura de seu filho que desaparece entrando em seu quarto.
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-Frankie, por favor, me diz que você não o fez. –Suplica uma vez que está sentado sobre sua cama. De Frank apenas escutou a respiração para comprovar que ele continuava ali. –Frankie...
-Gerard... –A voz estava entre cortada pelo choro. O estomago de Gerard se encolheu ao ouvi-lo tão vulnerável, e quis ver esses olhos que certamente estavam brilhando pelo pranto, mas apagados pela dor.
-Foi você, Frankie...
Já não era uma pergunta. Era uma afirmação em um tom desiludido. Frank soluçou com mais forma e Gerard pode ouvir como se algo rangesse. Talvez a mandíbula, pela dor.
-Por favor, Gee, quero te ver. Eu... Gee, vem.
Então desligou.
Gerard ficou estático com o telefone nas mãos e com a ansiedade de ir vê-lo.
Não precisava que lhe dissesse o lugar, agora tudo era questão de se levantar e ir até ele.
II
Havia arruinado. Tudo se pôs a perder por sua culpa.
Nunca havia chorado ao entrar na cela. Era uma processo conhecido, e a situação mais ou menos repetida, mas nunca havia usada a chamada que tinha por direito; e agora sentia que não só ia ser privado de sua liberdade, como também havia ferido outra pessoa.
A pessoa mais importante de sua vida.
A única pessoa em sua vida.
E isso doía muito mais do que os golpes do policial.
Muito mais do que a sentença do juiz as oito da manha. Muito mais.
O haviam acusado de assalto a mão armada. O júri tão demorou a decidir: culpado, e ele declarou a si mesmo dessa forma por conselho do advogado publico que não fez mais do que se apresentar ali com terno e gravata. Ele era bom nos tribunais, conhecia muitos assuntos legais e sabia que se declarar culpado era o melhor. E também, era a verdade.
O juiz deixou cair o martelo e a sentença ficou registrada.
Frank voltou a sua cela chorando. Não podia dizer a Gerard. Quando o fizesse estaria consciente do tempo que não estaria com ele.
Como doía...
III
O policial que o recebeu disse que teve sorte. Que o homem pelo qual ele perguntava seria transferido essa noite.
-E quando será o julgamento?
O policial riu e lhe dirigiu até a cela que havia no fundo do lugar. Ali estava, sentado sobre a a cama, dando as costas á qualquer visitante.
-A sentença foi essa manha. Você tem quinze minutos.
E se foi. Gerard se aproximou e tocou apenas as grades com mãos nervosas.
-Frank... –Sussurrou apenas, mas a reação do outro foi como se houvessem gritado. Virou e se colocou de pé imediatamente.
Frank fica em silencio. A voz não sai, mas os olhos começam a ficar úmidos, então Gee coloca uma mão entre as barras para lhe tocar o rosto.
-Gee, –Sussurra. –me desculpa. Eu arruinei tudo, perdão Gee...
Gerard o faz se calar colocando dois dedos sobre os lábios.
-Pra onde vão te levar?
-Para a prisão nas redondezas. –Disse. Tinha vontade de lhe dizer que não era um delinquente perigoso, então não precisava de ser transferido para uma prisão de segurança máxima.
-Irei te ver amanha, Frankie. –Sorri apenas e toma sua mão, entrelaçando seus dedos junto ao rosto. O nariz se roça com o do outro lado e se sente bem.
Os minutos seguintes passaram assim. Em silencio. Sem explicações nem desculpas, só a realidade de um amor verdadeiro.
IV
Gerard voltou para casa derrotado e o rosto com rastros do choro.
Mikey lhe bombardeou com perguntas e sarcasmos. “Ele te disse como se divertiu disparando, ou te contou sobre o que teve que inalar para se sentir tão feliz assustando as pessoas?”.
Sua mãe não foi em sua defesa. E ele não quis defender, tampouco. Não devia explicações a Mikey. O amava. O amava mais do que sua própria vida, mas tinha direito de continuar com sua existência. Por ele. Por suas decisões, seus acertos e seus erros.
Demonstraria a Mikey e a todo mundo que conseguiria superar isso, e continuaria.
Ia mudar.
E depois ia mudar o mundo.
V
Seu companheiro de cela era muito calado, muito magro e estava muito despenteado.
Teria que usar a cama de cima, o que era bom, se não fosse pela escada que estava danificada e teria que escalar para chegar até em cima.
O café da manha não foi tão ruim. A volta até a cela foi chato.
O homem nem sequer havia se apresentado, e não é que ele se importasse muito, mas ia passar tanto tempo com ele que gostaria de poder se dirigir a ele de uma forma mais apropriada do que “Hey, você”.
A prisão não estava muito lotada. Seus companheiros pareciam calados demais e inocentes para ser prisioneiros. Não todos, claro, mas a maioria parecia inocente.
Frank voltou ao debate com a realidade sobre a justiça, o poder e uma boa quantidade monetária.
Definitivamente o melhor do dia (depois do banho) foi sue nome gritado por um oficial, anunciando que tinha visita. Gerard estava sentado com a cabeça virada para o chão e entre as mãos seu caderno de desenhos. Frank sorriu apesar dos empurrões que estava recebendo. O policial lhe disse “meia hora” e se foi para um canto, ficando em uma pose de soldado inglês.
Gerard virou pelo ruído e sorriu ao vê-lo.
Frank queria toca-lo. Abraça-lo e beija-lo sem importar com as consequências que isso poderia ter, poderia suportar as “brincadeiras” com a esperança de voltar a vê-lo, mas se sentia sujo. Indigno.
Mau.
Por isso só se sentou na cadeira da frente e entrelaçou seus dedos sobre a mesa. Gerard não parava de sorrir e isso só o fazia se sentir mais culpado.
-Como você está? –Perguntou o maior amavelmente.
-Poderia ser pior. –Confessou. –Gerard, precisamos conversar.
-Eu sei Frank. –O sorriso sumiu. Agora Gerard tinha uma expressão de tristeza notável. –Mikey me contou o que aconteceu.
Frank abaixou a cabeça.
-Por Deus, -Murmurou. –como eu queria ter esquecido tudo. Se até por uma bebedeira se esquece tudo, porque eu não?
-Então é verdade, você consumiu drogas.
Gerard lhe olhava serio, mas seus olhos falavam. A palavra tatuada neles era: decepção. E sem duvida esse era o olhar mais espantoso que Frank já teve que enfrentar em sua vida.
Gerard precisava saber da verdade. Merecia saber a verdade. E agora ele agradecia por se lembrar de tudo.
-Realmente foi um idiota Gerard. Pensei que Big Jay me deixaria ir sem mais. Me perdoa.
Gerard não disse nada e Frank continuou. Tinha muito pouco tempo que não podia ser desperdiçando em longos silêncios.
-Chegaram pela noite, três homens que prenderam, me ameaçaram e... Injetaram Apora em mim. –Não era preciso dizer que o haviam ameaçado atacar o “lindo vizinho”, não precisava de mais drama na história. –Então me levaram a esse lugar, me disseram que teria que destruir tudo, me deram uma arma e eu... Simplesmente me deixei fazer. Me sentia flutuando Gerard. Era como se fosse consciente de tudo e de nada ao mesmo tempo. Sabia que estava mal, mas o fiz. Por Deus, o fiz. Assaltei e disparei.
Frank tinha muito ressentimento. Pela primeira vez falava do assunto com a única pessoa da qual sua opinião realmente importava, e era difícil porque agora se tornava realidade e tinha que enfrentar as consequências.
-Pela primeira vez a policia prendeu o ladrão certo. –Fechou os olhos. Duas lagrimas escaparam. Gerard sentiu um soco no abdômen. –Lembro de ter visto o homem apontando para Mikey. –Falava entre soluços. –Ele ia disparar, Gee, e eu sabia que isso estava errado, que era seu irmão e eu não queria te fazer mal Gee. Eu jamais te magoaria.
-Você salvou meu irmão. –Afirmou. Não podia evitar se sentir comovido, então lhe segurou as mãos tentando não chorar.
Frank assentiu com a cabeça.
-Só... Não queria que você chorasse Gee. Não quero que você chore, queria estar sempre ao seu lado, mas deixei tudo a perder.
Frank já não era o homem tranquilo e maduro que tentava ajudar o vizinho dependente de drogas. As frases geniais e os bons conselhos se esvaíram. Agora era simplesmente o homem assustado que se arrependia de tudo e que não desejava ir para a cela.
Agora Frank Iero parecia mais humano e não um super herói aos olhos de Gerard.
-Não foi culpa sua, Frank. Estava sob os efeitos da Apora, e sob ameaças. –Gerard lhe acaricia o dorso da mão. –Com o que te ameaçaram?
Frank o olhou uns segundos. Se falasse “contigo” sabia que agora seria a vez do maior se sentir culpado. Não valia a pena ter duas consciências não tranquilas quando havia sido ele que sustentava a arma.
-Me matar, fazer minha vida um inferno... Coisas assim. –Respondeu resignado. –Lamento ter deixado tudo a perder. Todos nossos planos... Eu, Gerard, estarei na prisão por quatro anos.
Gerard inalou todo o ar ao seu redor. Quase quebra um dos dedos que haviam entrelaçado com os seus.
Quatro anos. Isso sem duvidas era mais de mil dias. E mais d Emil dias uma ridícula quantidade de tempo. Não podia falar. Não sabia que palavra usar para o consolar e consolar a si mesmo.
Sua cabeça só repetia a mesma oração. “Por que coisas más acontecem a pessoas boas?”. Porque? Porque a vida era tão injusta?
-Cinco minutos, Iero.
O policial grita e Frank se coloca de pé.
-Eu gostaria de ter tido coragem para dizer de outra forma Gee. –Sorriu. –Te amo.
Gerard dá um gemido que se torna um soluço, e o soluço antecipa o choro. Se coloca de pé e abraça Frank como se a vida dependesse dele. Precisava o sentir vivi, real, junto a ele... Precisava demonstrar que acreditava e que confiava nele. Que o visitaria todos os dias.
-Todos os dias, Frank. –Sussurra.
Frank sabe que talvez a promessa não vá se cumprir, que as visitas são semanais e isso se conseguisse fazer um acordo econômico com os guardas, do contrario seria a cada mês, se é que ele se lembrasse; mas não haveria ressentimento, porque juntos nesse abraço não há duvidas, ainda que não tivesse resposta, que Gerard o ama.
Simplesmente, como qualquer mortal, ele gostaria de escutar.
-Não fique triste Gee, quero que continue com sua vida e mude o mundo.
-Há coisas ruins que acontecem e uma pessoa não pode evitar, –Disse com a voz anasalada. –duas pessoas não podem mudar o mundo.
-Mas podem tentar, juntos, até que consigam. –Disse. –E que lindo seria esse objetivo de vida.
Se separam. Se olham nos olhos. O policial se aproxima e Frank lhe olha pelo rabo de olho.
-Eu te amo Frank.
Verde e amêndoa se fundem.
Os lábios latejam em ansiedade, mas o homem de pele escura segura o braço e lhe coloca as algemas. Frank se afasta sentindo o olhar soluçante de Gerard nele, com a maravilhosa lembrança das palavras saídas de seus lábios. Eles sabem bem que esse momento os acompanhará todas as noites e será um motivo para continuar.
“Te amo!”, grita em sua mente e ao voltar para a cela, com seu calado amigo, um sorriso se desenha em seus lábios.
No próximo...
9.
Vivemos por nossa respiração, não pela dos outros.
-Meu nome é Frank. –Disse ainda sorrindo. –E você?
O afro levantou uma sobrancelha e colocou uma cara de cético. Segundos depois se relaxou e correspondeu igualmente o sorriso.
-Te pegou de jeito, heim? Meu nome é Ray.
-Muito prazer, Ray.
Para esses então, e apesar da febre, as coisas na prisão de Leka pareciam melhorar.
Notas finais
MICHAEL! Seu FDP desgraçado, pare de tratar o Gerard como se fosse um inutil, ele não é um doente mental, sabe muito bem o que é bom pra ele. Na hora de esculachar o Frank vocÊ soube, não é? Mas porque não disse que ele SALVOU SUA VIDA!? É muita vadiagem pra uma criatura tão magra! u_u
Estou de relaçoes cortadas contigo! *bico*
he he.
Tchau! q
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