Lei da Paixão
15 O Convite
Notas iniciais
Eles conseguiram chegar a casa em tempo hábil. Subiram as escadas e seguiram em direção aos quartos. Grissom, como cavalheiro que era e não querendo deixar sua linda esposa carregar peso, levou a mala e a bolsa de Sara para o seu destino. Entrou no quarto e colocou-as em cima da cama de Sara.
_ Prontinho, minha querida! Aqui estão suas coisas – ele disse carinhosamente.
Deixou Sara arrumando suas coisas em seu quarto e seguiu para o seu. Quando ele saiu, Sara pode voltar a respirar normalmente. Como ele a afetava! Tratou de colocar seus pertences nos devidos lugares. Agora sim poderia arrumar-se decentemente.
Alguns minutos depois, estando cada um em seu respectivo quarto, tomaram banho e se arrumaram com um pouco mais de esmero que de costume. Seria o inconsciente deles trabalhando a favor daquele romance, fazendo-os mesmo sem querer, tentar conquistar um ao outro?
Entraram novamente no carro e permaneceram calados até chegarem ao trabalho, Cada um perdido em seu pensamento. Estava com Grissom a poucos dias, mas já podia ter uma prévia de como seria passar a vida inteira com ele. Grissom era muito atencioso, carinhoso, embora fosse um bocado autoritário também. No entanto, eram essas características que o faziam especial. Sentiu um forte desejo de que isso durasse para sempre. Se encontrasse uma lâmpada mágica e tivesse direito a um desejo apenas, seu desejo seria esse: que seu casamento com Grissom durasse a vida toda. Pena que o que estavam vivendo tinha data para acabar. Mesmo sem querer ela se sentia a vontade morando com ele, ainda que não dividissem a mesma cama, por diversas vezes nesse curto espaço de tempo, ela se esquecera de que aquele casamento era apenas um acordo. Como queria que fosse real! Perturbava-lhe também os sentimentos desconhecer a razão de não conseguir lembrar-se de como se dera a cerimônia. Devia haver um motivo para esse bloqueio. Claro que havia! Ela estava completamente bêbada, pensou consigo tristemente.
Daria tudo para recordar-se daquele dia: o que dissera a Grissom em seus votos matrimoniais, se ele a beijara depois de terem sido declarados marido e mulher, se eles haviam consumado o casamento...
A voz de Grissom a chamou a realidade:
_ Um doce pelos seus pensamentos.
Grissom a havia observado durante todo o percurso. Ela estava muito quieta, calada e séria, diferente da Sara que conhecia sempre alegre e efusiva. Se bem que desde que eles estavam casados ela já não era mais a mesma. No entanto, mesmo assim resolveu descobrir o que a afligia, talvez estivesse em seu poder sanar o problema que a importunava.
_ O que? – ela assustou-se com a fala de Grissom.
_ Eu queria saber o que está perturbando você, Sara. Você está tão calada, não proferiu uma única palavra desde que saímos de casa.
_ Não é nada Grissom – ela respondeu pouco a vontade. Ele a conhecia. Como?
_ Acho que podemos deixar o formalismo de lado não é, Sara? Pelo menos quando não estivermos no laboratório. Pode me chamar de Gil, meu apelido. Você mais que ninguém tem esse direito. Somos casados, então podemos ter essa liberdade. Certo?
Ela assentiu e corou ante a reprimenda velada. Estava tão acostumada a tratá-lo por Grissom, a dirigir-se a ele como seu supervisor, que se esquecera que agora poderia chamá-lo de Gil, ou qualquer apelido carinhoso que lhe viesse a mente.
_ Vamos Sar, me diga o que a perturba... Prometo fazer de tudo para acabar com isso – ele insistiu.
_ É que... – ela hesitou.
_ É que... – ele repetiu fazendo com que ela continuasse.
_ É que temos que inventar uma história bem plausível sobre como foi o nosso casamento...
Ele concordou.
_ Nossos amigos não ficarão satisfeitos com qualquer desculpa. Principalmente a Cath. Eles são muito espertos.
Grissom concordou novamente.
_ Então, o que você sugere que digamos? – ele perguntou curioso.
Ela sorriu maliciosamente.
_ Vou deixar essa com você – ela não conseguiu pronunciar o nome Gil. Não estava pronta ainda – Você mente tão bem, que na certa saberá inventar algo bem convincente – Sara afirmou divertida, lembrando-se de como Grissom havia contornado a situação de embaraço quando seus amigos lhes questionaram sobre o casamento às escondidas. Ela não teria feito melhor.
Ele estacionou o carro. Haviam chegado ao Laboratório de Criminalística de Las Vegas. Seguiram para a sala de convivência. Todos os outros integrantes já se encontravam lá.
_ Wow! Mas se não são o senhor e a senhora Grissom – saudou Greg em tom de brincadeira.
_ Menos Greg – repreendeu-o Grissom – Aqui no local de trabalho somos apenas o supervisor Gilbert Grissom e a subordinada Sara Sidle. Não se esqueça disso.
_ Subordinada com privilégios especiais – sussurrou Greg para seus colegas que estavam ao seu lado. Os demais, com exceção de Grissom e Sara que não ouviram ou fingiram não ouvir, tiveram que fazer esforço para não rir.
_ E aí, quando é que vocês vão nos contar como foi o casamento de vocês? – perguntou Catherine interessada. Queria muito saber como se dera a cerimônia dos amigos, já que não pudera participar.
_ Vocês saberão logo – argumentou Grissom – Porém aqui não é hora nem local para falarmos disso. Temos trabalho a realizar.
_ Quanto mistério! – exclamou Nick.
_ Até parece que vocês não querem partilhar conosco... Como se tivessem algo a esconder – completou Greg.
_ Se não quiserem contar, é só dizer para a gente – alegou Warrick.
Grissom respirou fundo e pensou rápido. Sara certamente ficaria uma fera, no entanto era a melhor coisa a se fazer.
_ Não é nada disso! – assegurou Grissom — Não se preocupem! Vamos contar tudo a vocês no almoço que faremos.
_ Almoço? – eles perguntaram em uníssono, gostando da ideia.
Grissom arriscou olhar para Sara. Bingo! Ela estava lívida. Por essa ela não esperava.
_ Temos que levar alguma coisa? – Greg indagou.
_ Não precisa. Será tudo por nossa conta. Amanhã o almoço será na nossa casa e lá contaremos tudo. Agora vamos ao trabalho!
–o-
O turno seguiu tranquilo. Os casos foram solucionados rapidamente. Grissom fizera de tudo para fugir de Sara, entretanto isso não durou muito tempo. Sabia que teria que explicar-se pelo convite que fizera a seus amigos.
Na volta passaram pelo supermercado, como haviam combinado anteriormente, e enquanto faziam as compras de que necessitavam, Sara bombardeou-o com sua explosão de incredulidade:
_ Você está louco Grissom? – ela estava vermelha de raiva – Onde você estava com a cabeça para fazer um convite desses? E sem ao menos me consultar?
_ Querida – ele falou calmamente enquanto colocava alguns produtos dentro do carrinho de compras – Eu precisava fazer alguma coisa. Nossos amigos não nos deixarão em paz, enquanto não obtiverem aquilo que eles tanto almejam. Nesse caso, saber como foi o nosso casamento.
_ Você terá de inventar algo bem convincente – ela respondeu um pouco mais calma.
_ Eu sei – ele concordou – Você já me disse isso, minha querida. Foi por isso que inventei o almoço. Assim terei tempo para pensar no que irei contar.
Eles já haviam colocado tudo que precisavam inclusive os ingredientes para o tão esperado almoço, no carrinho.
_ Espere! – Sara pediu – Me esqueci de pegar uma coisa.
_ O que foi? Acho que já está tudo aqui. Temos sucos, refrigerantes, queijo branco, pão integral, cereal, frutas, geleia...
Ela interrompeu-o.
_ Não vou te contar, Gris... – parou abruptamente quando percebeu que ia chamá-lo de Grissom novamente – É pessoal. Me espere no caixa enquanto pego o que preciso.
Ele assentiu e gostou de ouvir o novo apelido. Seria um apelido feito especialmente para ele? Já estava na fila do caixa quando ela voltou. Não pode deixar de esboçar um sorriso ao vê-la trazendo nas mãos um pacote de absorventes, totalmente constrangida. Se ela lhe tivesse falado ele o teria pegado para ela sem nenhum problema. Passaram todos os itens. Pagaram a conta, colocaram as compras em sacos de papel e voltaram para casa. Havia muito que preparar para a recepção que dariam no almoço e para piorar estavam muito cansados.
Fale com o autor