Lei da Paixão
9 Acordo Selado
Notas iniciais
Sentado em sua confortável poltrona, atrás da mesa de seu escritório, ele a aguardava ansiosamente. Sentia-se como um adolescente, embora há muito tivesse passado dessa fase: suas mãos tremiam e suavam frio, suas pernas bambeavam sem explicação, seu coração batia descompassadamente. Sua felicidade dependia daquela conversa. A ansiedade tomava conta de cada poro do seu corpo.
Precisava que Sara concordasse com sua proposta. Já havia pensado em tudo, em todos os detalhes e argumentos para tentar convencê-la. Faltava apenas conversar com ela e fazê-la entender que o melhor para ambos era continuarem casados.
Ouviu a batida suave na porta e permitiu a entrada, pois já sabia de quem se tratava.
_ Oi – ela disse timidamente – Queria falar comigo?
_ Sim – ele respondeu, mostrando a poltrona em frente a sua, fazendo sinal para que ela se sentasse – Queria falar com você sobre...
_ Se é a respeito daquele assunto, nem precisa começar – ela começou a se ajeitar melhor na poltrona. Se sentia incomodada. Ele ainda não havia se conformado com o divórcio — Você já sabe minha resposta. Ela continua a mesma.
_ Sara, por favor me escute! – ele lhe rogou.
_ Não tenho nada para escutar Grissom e muito menos para falar...
Grissom levantou-se de onde estava e postou-se atrás dela, fazendo com que um arrepio percorresse todo o corpo de Sara. Ele tinha o poder de mexer com todos os sentidos dela.
_Olhe, porque não fazemos uma experiência? Se nós nos casamos ontem isso deve ter algum significado.
_ Essa conversa de novo não, Grissom! – ela falou exasperada, tapando os ouvidos para não ouvir o que ele tinha a dizer.
Ele tomou-lhe a mão suavemente.
_ Por que não fazemos assim? Ficamos casados por um ano, se não der certo, nos divorciamos.
Ela levantou aqueles lindos olhos castanhos para ele.
_ Não sei... – ela respondeu hesitante. Seria uma boa ideia dividir o mesmo teto que Grissom? Ela não sabia.
_ Pense Sara! Só saberemos se damos certo, se fizermos essa experiência – ele completou seu argumento.
_ Não acho certo. Estávamos bêbados! Não sabíamos o que estávamos fazendo!
Grissom acariciou-lhe a mão ternamente. De repende Sara empalideceu.
_ Oh, Meu Deus! Só agora que parei para pensar! – disse Sara levando a mão à boca.
_ O que foi? – ele perguntou sem desviar os olhos dela.
_ Ontem... – ela estava embaraçada. Não sabia como formular sua pergunta.
_ O que tem ontem? – ele tentava estimulá-la a falar, no entanto, sentia todo o desconforto dela.
_ Será que nós... – ela deixou a frase no ar.
_ Será que nós o que? – ele insistiu agora se divertindo com o embaraço dela.
_ Será que nós... fizemos... você sabe... – ela sussurrou. Estava extremamente envergonhada diante daquela possibilidade.
_ Eu sei o que?
_ Ah! Grissom! Será que nós fizemos sexo ontem?
Grissom podia perceber todo o embaraço que ela sentia. Eles não se lembravam da noite anterior, portanto não sabiam se haviam feito amor ou não. E se tivessem, talvez lhes traria algum resultado. Ele suspirou e decidiu parar de se divertir à custa dela. Ela estava mesmo preocupada.
_ Não me lembro. Tem algum problema? Você estava previnida?
A pergunta deixou Sara desconfortável. Falar de sua vida sexual com ele, não era nada reconfortante.
_ Sim – ela mentiu – Tomo anticoncepcional – Ela se perguntava mentalmente se havia tomado os comprimidos regularmente nas noites anteriores, porém não deixou transparecer sua dúvida.
_ Ainda bem! Porque se tivermos feito amor ontem, duvido que eu tenha usado preservativo.
Outro momento de susto. Ela poderia estar grávida de Grissom? Isso era bom ou ruim?
_ De qualquer forma, se tivermos um resultado da noite de ontem, se estivermos casados não haverá problema.
_ Mas...
_ Sem mas, Sara. Apenas um ano. É tudo o que peço. Ficaremos casados durante um ano e se não der certo, cada um seguirá sua vida.
Ela pareceu pensar um pouco. Era um trato justo. Fariam a experiência. Quem sabe ele não se apaixonasse por ela nesse período? Não sonhe alto demais, seu lado racional lhe disse. Aceitaria o acordo, no entanto tinha condição a estipular:
_ Eu aceito!
O coração de Grissom deu pulos de felicidade. Nem acreditava que ela havia aceitado. Pensava que seria mais difícil. A voz dela o chamou para a realidade.
_ Eu aceito, mas com uma condição.
_ Que condição? – ele prendeu a respiração sem perceber.
_ Nós vamos dormir em quartos separados.
_ Quartos separados? – ele repetiu tentando assimilar o significado do que ela disse. Tudo o que Grissom mais queria era ter Sara em seus braços. Suspirou resignado e consentiu. Claro que ele tentaria burlar essa parte do acordo.
_ Tudo bem. Ficaremos em quartos separados, mas você vai morar na minha casa. Ela é maior e tem mais espaço.
Meio que a contragosto Sara concordou.
_ Então estamos de acordo? – ela perguntou, se levantando e estendendo sua mão para um aperto, a fim de selar o acordo.
_ Ainda não – ele respondeu seriamente.
_ O que falta? – ela perguntou intrigada.
_ Isso!
Ele a puxou, tomou-a em seus braços e beijou aqueles lábios que pareciam convidá-lo a saborear o doce mel deles. O beijo começou lento e delicado para depois ganhar velocidade e selvageria. Sara pensou que desmaiaria de tanto prazer. Grissom interrompeu o beijo.
_ Agora sim. Acordo selado!
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