Lei da Paixão
33 A Grande Surpresa
Notas iniciais
Grissom e Sara estavam estupefatos. Não podia ser! Eles se recusavam terminantemente a acreditar naquela notícia terrível. Como não havia bebê? Como era possível? E o exame de sangue positivo? Não conseguiam conceber essa possibilidade, pois já amavam aquele pequeno ser que pensavam estar em formação.
— Isso não é possível doutora Becker! A Sara fez o exame de sangue e deu positivo. Como não pode ter bebê nenhum? – Grissom perguntou quase chorando. Ele segurava a mão de Sara, tentando dar apoio para sua esposa. Ela também estava a ponto de chorar.
Luciana franziu o cenho sem compreender o que seus pacientes falavam.
— Eu não disse isso – ela defendeu-se.
— Mas a senhora acabou de dizer que nós não íamos ter um bebê – Sara falou dessa vez, sufocando as lágrimas que teimavam em cair.
O rosto da doutora Becker se iluminou ao perceber a confusão que provocara.
— Oh, perdoem-me! – ela desculpou-se – Não era minha intenção alarmá-los. Olhem com atenção o monitor. Estão vendo?
— Eu não vejo nada. Somente uma tela cinzenta – comentou Grissom.
— Observem aqui – instruiu Luciana, usando uma seta para assinalar o local que queria mostrar – Esse é o útero de sua esposa, senhor Grissom. E aqui seu filho.
O casal Grissom começou a visualizar.
— Acontece que ele não está sozinho. Por isso falei que vocês não iam ter um bebê.
Eles ainda não compreendiam -onde Luciana queria chegar com aquilo.
— Não precisam fazer essas caras de espanto. Vocês não vão ter um bebê, mas dois – a obstetra falou com a voz embargada de alegria – Parabéns papais! Vocês estão esperando gêmeos.
Sara e Grissom não contiveram a emoção. Choraram de alegria. Aquilo era mais do que esperavam. Havia não um, mas dois seresinhos crescendo no ventre dela. Grissom afagou os cabelos de Sara e beijou-lhe a testa.
— Seremos pais de gêmeos, minha querida!
A voz de Luciana chamou-lhes de volta à realidade.
— Vocês podem ver seus filhos aqui no monitor. Aqui está um – ela mostrou na tela algo que parecia um caroçinho – E aqui está o outro – apontou o outro caroçinho. Aqueles eram seus filhos que estavam se desenvolvendo.
— Sua gestação, Sara, é de oito semanas e está tudo bem com os fetos.
Ela encerrou o exame, retirou o transdutor, descartou o preservativo usado e as luvas e pediu para que Sara se vestisse. Lavou bem as mãos. Quando voltaram para a outra parte do consultório, a doutora Becker perguntou:
— Muito bem Sara! Sabemos que os fetos estão bem. E quanto a você? Como andam os enjoos?
— Bem intensos doutora – ela respondeu – Além disso, não consigo me alimentar direito.
— Certo – Luciana ouviu a queixa anotando tudo no prontuário. Em outra folha escreveu alguma coisa que nem Sara nem Grissom souberam o que era. E o entregou para a gestante – Prescrevi um remédio suave para amenizar os enjoos. Além da medicação que prescrevi, convém que você faça uma alimentação rica em frutas e verduras e que não fique muito tempo sem se alimentar. Isso também contribui para diminuir os enjoos.
— Obrigada doutora Becker! – ela agradeceu.
— Pode deixar que farei com que essa mocinha coma direitinho – garantiu Grissom, abraçando sua mulher.
— Vejo você Sara no próximo mês para vermos como está o desenvolvimento dos seus filhos. Pode marcar a consulta com Rosi, minha secretária.
— Certo – eles concordaram.
Apertaram as mãos da obstetra e antes que saíssem deixaram a próxima consulta marcada. Entraram no carro e sentaram-se nos bancos ainda com expressão de incredulidade.
— Nós vamos ter gêmeos! Dá para acreditar? – ela repetiu como que somente assim pudesse de fato acreditar.
— Sim, teremos – concordou Gil – Que susto doutora Luciana nos deu.
— Que susto!
— Por um momento pensei que não havia bebê. Que meu sonho de ser pai havia acabado – ele falou tristemente – Mas graças aos céus o engano foi desfeito e agora teremos dois seresinhos para nos preocuparmos e amar – ele comentou afagando a barriga de Sara.
—Gil, temos que contar a novidade para nossos amigos. Eles não vão nos perdoar se souberem novamente por outras fontes. Dessa vez faremos tudo certo.
— Concordo plenamente. E contaremos hoje mesmo.
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Eles aproveitaram um momento de relativo descanso entre os casos que estavam resolvendo. Enquanto esperavam os resultados das análises de algumas evidências, reuniram todos na sala de convivência.
— Sara e eu temos uma notícia para vocês! – Grissom anunciou contente.
— Não me digam que vocês se separaram...- palpitou Greg um pouco animado. Embora já tivesse passado dois meses do casamento repentino de Sara e Grissom, ele ainda se sentia traído.
— Não, nós não nos separamos – respondeu Sara sorrindo.
— É notícia boa? – indagou Nick.
— Sim, é uma boa notícia – respondeu Grissom.
— Você ganhou na loteria e vai dividir o prêmio com a gente – tentou Warrick.
— Não – respondeu Grissom – Embora nossa notícia não deixe de ser um prêmio.
— Ah! Contem logo para nós qual é essa notícia! – rogou Catherine.
— Estou grávida! Vamos ser pais!
Toda a equipe comemorou.
— Eu sabia! – comemorou mais ainda Cath, feliz por ter descoberto a gravidez antes de todos.
— Como assim, você sabia? – estranhou Nick.
— Eu sou mulher, meu caro. Conheço os sintomas de uma gravidez. Você está de quanto tempo, Sara?
— Oito semanas.
— Oito semanas? – estranhou Cath, isso quer dizer que... – ela fez alguns caçulos mentalmente – Puxa! Isso é que é acertar o alvo! Vocês foram bem rápidos, nem esperaram passar um tempo, safadinhos – ela riu e a turma riu junto.
Sara e Grissom ficaram envergonhados, contudo logo passou.
— E tem mais – falou Sara.
— Mais? – perguntaram todos em uníssono.
— Sim. Vamos ter gêmeos – anunciou Grissom.
A comemoração foi ainda maior.
— Quero ser a madrinha de um deles – prontificou-se Cath.
— A questão dos padrinhos, decidiremos depois – declarou Grissom extremamente contente.
— Essa grande notícia merece uma comemoração no Frank’s depois do expediente.
Todos concordaram.
Voltaram para seus casos e se empenharam com mais afinco, pois tinham uma motivação a mais. Quando chegou o fim do turno, se dirigiram para sua lanchonete favorita.
–o-
Do outro lado da rua, uma pessoa observava o casal que seguia de mãos dadas até o carro. Viu-os sair com os amigos a um destino que não conhecia. Permaneceu escondida de forma que não pudesse ser vista.
— Vocês não perdem por esperar – a pessoa falou entre dentes e foi embora.
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