Lei da Paixão
47 A Carta
Notas iniciais
Quando Tom Miller deixou a sala de interrogatórios, Brass voltou-se para Catherine e perguntou:
— Você acreditou em alguma coisa do que aquele homem disse?
— Não — ela negou – Em nenhuma palavra. Quando eu mostrei a foto da Sara para ele, me pareceu que ele a reconheceu. Você acha que devemos contar para o Gil?
— Acho melhor não. Pelo menos por enquanto – ele completou — Ainda não temos nada que possa incriminá-lo. Mas vamos ficar de olho nele. Qualquer deslize o pegamos.
—o-
Eles estavam reunidos na sala de convivência do Laboratório. Todos os que se encontravam ali estavam completamente ansiosos e apreensivos. A falta de informações sobre o paradeiro de Sara não os deixava em paz, muito menos tranquilos. É sabido que quanto mais se demora para conseguir informações sobre uma pessoa sequestrada, maiores são as chances de não encontrá-la com vida. E era justamente isso que Grissom temia. Temia que não pudesse encontrar sua esposa e seus filhos sãos e salvos. A ausência de pistas no caso deixava Grissom cada vez mais furioso.
E foi exatamente em um desses momentos de grande fúria, em que Grissom revisava e analisava os relatórios da investigação, buscando algo que tivesse passado despercebido, logo depois de Grissom socar a mesa com extrema fúria, que Greg o encontrou e o abordou:
— Posso falar uma coisa com você, chefinho? — ele perguntou com cautela.
— Só se for para me dizer algo que possa levar ao desgraçado que estou procurando e colocá-lo de uma vez na cadeia.
— Bem, se é algo que levará ao meliante eu não sei — Greg deu de ombros — Mas creio que é algo importante. Tem uma carta para você. Estava passando pela recepção e Juddy me pediu para entregá-la para você — ele estendeu o envelope para Grissom.
O entomologista recebeu o envelope das mãos de Greg. Com extremo cuidado virou-o à procura de quem a havia mandado. Não havia remetente. Achou estranho. Quem teria interesse em mandar-lhe uma carta? E o mais importante: qual seria o conteúdo? Teria alguma coisa a ver com o caso? Só havia uma maneira de descobrir.
— Quem entregou essa missiva Greg? — Grissom perguntou enquanto abria o envelope com cuidado para não danificar o papel.
— Foi a Juddy quem me entregou e ela não soube dizer quem deixou a carta. Ela apenas disse que um homem alto e forte com um boné que lhe encobria o rosto o deixou na recepção.
— Bem, depois terei uma conversa com ela para que me explique como recebeu esta carta. Tenho algumas perguntas a lhe fazer.
Ao terminar de abrir o envelope, ele tirou um papel branco de dentro. O que viu o deixou espantado. A carta estava toda escrita em recortes de jornais. Leu silenciosamente seu conteúdo e quando terminou estava pálido. Não conseguia acreditar no que seus olhos viam. Sorriu tristemente. Se ele tinha a esperança de fazer um teste grafológico podia esquecer. Não havia como. Precisava reunir-se urgentemente com sua equipe para estabelecer o plano que seguiriam.
— Greg, reúna todos na sala de convivência – ele pediu cortesmente – Preciso conversar com todos vocês.
— Certo chefinho. Farei o que o senhor me pediu.
Greg aceitou o pedido e correu para chamar seus companheiros para a reunião. O pedido de Grissom era uma ordem.
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