Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
28 Um breu sublime. – Aragorn e Legolas.
Notas iniciais
O loiro ainda dormia pesadamente na cama, sua face era delicada, suave, tranquila e ele possuía motivos de sobra já que se encontrava com o seu homem ao seu lado. Aragorn era para si, um belo banquete carnal, moldado num amor sincero e dedicado. O jovem elfo pensara que sua interação e agarramento amorosos acabariam no campo de batalha, que terminada a guerra, seu rei retornaria ao reino que era seu por direito e que aquele fogo da paixão iria apagar-se gradativamente, mas a relação se perpetuou, se mantendo mesmo após o término da guerra do anel, e agora, ambos estavam presos por algemas de aço naquela relação.
Um coito não rompido por parte do moreno que ainda não teve para si o deleite do corpo daquele elfo, entregue a si, exposto, ofertado como uma graça ou gratidão, um corpo amoroso, quente que inebriava seus sentidos, o fazendo perder a cabeça e cair de corpo e alma naquela relação homossexual, mas para si não era tão homossexual assim, visto que para o espadachim, Legolas era e até mesmo parecia e muito uma garota, virgem, destemida, era mais uma amante do que um amante, o moreno não conseguia compará-lo a outros homens, pois para si, se tratava de um ser andrógino, assexuado, místico.
Mas como explicar que mesmo que aquele corpo parecesse não oferecer uma carga masculina, conseguia toca-lo tão fundo? Jogar com seus próprios desejos, colocando-se de joelhos, de quatro e implorar para que a única coisa viril naquele elfo, viesse à tona e pior, para dentro de si?
Seus sonhos há meses, anos, eram conturbados, e antes, o que se verificava ser corpos femininos, agora misturava-se em formas que ele mesmo não conseguia classificar. Algumas vezes pareciam falos, que direcionavam-se para sua boca, mãos, pés, lambidas anais, as sensações que pareciam realmente reais, embora estivesse dormindo, sim, seu ânus piscara só de imaginar que Legolas estava detrás de si, apertando-lhe a bunda, sorrindo acolhedor.
E num alvoroço devido à reação da recuperação notável de seu corpo, ele sentou-se e correu para o banheiro sentindo uma vontade enorme de urinar. Aragorn observava sua urina sair rosada, ele franziu os celhos e sua memória, o que ele acreditava estar apenas em sonho, aconteceu, ele mal sabia que o sexo daquele sonho havia ocorrido, os toques, lambidas, sussurros e gemidos de seu elfo, fato que o fez largar o próprio membro ao terminar de fazer suas necessidades e tocar a parede com ambas mãos, fixando-se suas orbes verdes ali, pressionando os lábios.
– Ele realmente fez isso?
E um sutil latejar em seu quadril respondeu a pergunta, ele então andou até a entrada do banheiro, depois de limpar dali, sua necessidade fisiológica. Observava encostado num dos portais da entrada, com os braços cruzados, aquele volume debaixo do lençol. Legolas encontrava-se de bruços, com as pernas abertas, uma delas virada para o lado, enquanto que a outra permanecia esticada tocando seu joelho ali, no macio colchão.
O jovem príncipe mantinha os braços abertos e dobrados, as mãos sutilmente escondidas debaixo do macio travesseiro, encontrando-se completamente nu, assim como Aragorn. Seus fios dourados dançavam em suas costas, alguns se misturavam na fronha e algumas pontas atacavam a borda do lençol, postando-se sobre ela.
– Mas que elfo abusado.
E entoou um longo sorriso.
– E lá foi ele me salvar mais uma vez.
Dito isso, sentou ao lado de seu parceiro e amor, olhando as costas do outro, elevou uma das mãos e pensou em tocar-lhe o meio das costas, mas preferiu puxar a borda do lençol que o cobria, fez isso lentamente, era de seda élfica, uma seda extremamente leve, mas que aquecia muito bem e seguiu despindo o corpo do outro lentamente, expondo-lhe a nuca, as costas e seguiu descendo, expondo-lhe a cintura, o quadril, até quase iniciar as nádegas, ao ver o seu início, parou, mantendo o lençol levemente distanciado da pele alva do outro e engoliu em seco. Sua mão tremia sutilmente no ar, ele queria expor-lhe a bunda, mas não se sabe o que o “travou”, mais uma vez Aragorn tentou expor as nádegas do outro, mas seu corpo não lhe obedecia e num acesso agoniado, soltou o tecido tocando o próprio queixo, deixando uma discreta bufada sair dali.
– “Tauriel disse que ele se deitou com Haldir, Elrond...” – Pensou virando-se de forma a ficar de frente para uma das janelas do quarto e seus ambos pés tocaram o chão, ele permitiu que seu tronco arqueasse para a frente e seus dedos fossem entrelaçados, fazendo uma fisionomia agoniada.
– “Penso que Legolas foi o passivo...” – Piscou os olhos lentamente, ficando a encarar o chão, sua face permanecia num tom de desagrado, apática, preocupada. – “Pois quando ainda estava lúcido, Tauriel me disse que ele era a mocinha, costumava brinca de mocinha com os amigos, por isso ela nunca lhe correspondeu, achava que se tratava de uma brincadeira por parte de Legolas, já que ele nunca seria capaz de fazê-la mulher...” – Pensou dando uma espiada para o lado, virando a face parcialmente, encarando a pele alva do elfo, o discreto contorno de sua coluna, soltou outra bufada. – “Ele se entrega àqueles homens... mas... comigo, é diferente, porquê? E eu mesmo... por que não consigo? Por que me sinto culpado? Nem é tão ruim assim...” – Voltou a olhar para a frente, sua testa suava um pouco. – “O que faço? ... droga... bem que sempre desconfiei dele e Haldir... sempre... o que não é problema porque...”
E levantou-se dali, encostando-se ao lado de uma janela, observando seu reino com os braços cruzados.
– “Afinal Legolas tem 700 anos, inocência minha achar que ele era virgem, virgem seria por eu ser, talvez, o primeiro amor profundo dele... um namorado mais presente e não só uma ficada, um passatempo como deve ser com os demais...”
E o rei pensava, pensava, inebriando-se, perdendo-se em suas reflexões.
– “Por que é tão confuso? Por que me sinto tão angustiado? Deveria perguntar essas coisas para ele? Será que se nem eu e Gimli estivéssemos ali, ele teria feito sexo com Lindir?”
Faramir apareceu diante do quarto, o ruivo sabia que seu rei estava com Legolas, esperaria até que acordassem, mas ele precisava e muito falar com Aragorn, avisar de Rohan, conversar sobre as perdas, mas não queria que Legolas ouvisse ou soubesse da complicada situação do reino, então, acabou saindo dali e indo para o setor de armamentos, voltando a espalhar alguns documentos à mesa, tentando tomar uma decisão assertiva em relação às demandas do castelo.
– O rei ainda está se recuperando, o darei dois dias para encher a cabeça dele com problemas... tsc...
Comentou o ruivo consigo, tocando a face com uma das mãos, pesaroso, preocupado. De sua face a mão escorreu até sua nuca e ele permitiu soltar uma bufada agoniada.
– Como devem estar Éomer e Éowyn? Que droga.
Aragorn pensava e pensava, enquanto que seu elfo dormia sonhos tranquilos e finalmente virou-se na cama, deitando-se de frente para o teto, mantendo um sorriso ameno nos lábios, sussurrando o nome do amado, de seu cavaleiro e acabando por virar a face em sua direção. O que fez Aragorn olhá-lo preocupado, com os celhos franzidos, pensara se Legolas realmente o amava ou só estava ali para distrair-se já que seu reino era um tanto, entediante, na vista do rei.
– “Mas porque sinto uma dor quando penso que isso é só um passatempo? Algo temporário? Por que meu coração dói tanto?” – E levou uma das mãos ao próprio peito, soltando um suspiro. – “Tenho que ver como Arwen está mas... droga... “ – Deu um passo tocando a próprio boca com a mão. – “Se eu disser para Gimli e pedir para testarmos os elfos, se Lindir...” – Aragorn levantou uma das sobrancelhas, encarando o loiro que ainda continuava sorrindo e entoando baixinho o nome do rei. – “Para testarmos se realmente Legolas me trai... mas o quê estou pensando?! Sou um rei! Casado! Eu exigindo fidelidade dele? Aragorn, você está sendo ridículo, está doido?!”
Pensou dando um solavanco com o corpo, tocando as costas numa das paredes, ele levou as mãos aos olhos chorando baixinho, entoando gemidos doloridos
– “Por que dói tanto? Sabendo que ele usou meu corpo, tamanho era seu desespero, ele me ama, eu sei disso, mas por que eu insisto em acreditar no que aquela maldita elfa me disse?! Por que duvido de nós?”
E o moreno acabou sentando-se numa cadeira próxima da porta, deixando seu corpo inclinar-se para a frente, os dedos entrelaçarem-se, suas orbes voltaram a encarar o outro.
– “Por que estou tão agitado? Será que... quero ter Legolas para mim? Será que... por que estou me sentindo assim?!” – E levou uma das mãos à própria cabeça, puxando os fios entre os dedos, apertando-os ali, chegando a doer.
O elfo se espreguiçou, olhou desconfiado para o lado, tateando o colchão com uma das mãos, parecendo procurar o outro, acabou por sentar-se e vê-lo ali, agoniado, se auto abraçando, trêmulo e se levantou da cama, agachando-se diante dele, tocando-lhe os joelhos.
– Não se preocupe, isso é normal, seu corpo ainda está se livrando do veneno.
Tocou-lhe a testa, sentindo-a quente.
– Está com febre. Vem, deite-se, vou preparar-lhe um remédio.
Levantou-se e andou até a cama, voltando a esticar o lençol ali no colchão.
– Vem, Aragorn.
O moreno tremia-se ainda, parecia sentir frio, seus olhos lacrimejavam.
– Essa reação é normal, chama-se de abstinência. Imagino que além do veneno ela drogou-o para que não reagisse a qualquer coisa.
E o elfo foi até Aragorn, que acabou levantando-se num solavanco e empurrando-o.
– Não me toque!
E o rei sentou-se ali, na cama, abraçando um travesseiro, piscando os olhos alvoroçado, apertando mais aquele travesseiro de encontro ao seu tronco, ao seu próprio peito.
– Não... me toque... eu... to estranho... ah...
E a respiração do moreno era ofegante, entrecortada. Legolas sorriu sentando-se ao seu lado, na borda, encarava-o num ato de devoção.
– Estranho ou não, ficarei contigo.
Aragorn engoliu em seco.
– O... obrigado, eu... acho.
Legolas sorriu e levantou-se dali indo até um armário, vestindo uma blusa medieval branca.
– Parece que vou ter que pedir roupas ao Lindir, hehe...
Olhou uma calça e logo a vestiu também.
– Lindir... elfos...
Legolas terminou de se vestir, pensou que falar coisas sem sentido ou agressões eram comuns nesses períodos.
– Vai se deitar com ele, não é? Oferecido... hahaha... – Aragorn deixou a cabeça tombar para trás. – Deves até se deitar com os mastros das árvores, por isso sempre percebi que gosta de subir num pau! Elfos... elfos... haha... elfos...
Legolas olhou-o levemente magoado, mas engoliu em seco, voltando a olhar para o armário, fechando suas portas e disse:
– Me aguarde aqui, meu rei.
– Elfo de merda que você é! Saia do meu reino, sabe o que dizem, hã? Que vocês não tem rabo, mas bucetinhas élficas hahahaha!!!
Legolas respirou profundamente e saiu dali fechando a porta e logo esbarrando com Faramir.
– Como o rei está?
– Delirando, mas é normal... ele tomou venenos e drogas durantes três meses.
– O problema dele era esse? Minha nossa!
– Sim, mas Tauriel não fará mais isso, eu garanto. Só tome conta para que ele não saia do quarto, temo que agrida e fale baboseiras a quem ele encontrar, está totalmente fora de si... não deixe que saia, trarei medicamentos.
– Sim, obrigado, senhor Legolas.
E logo o elfo saiu do castelo seguindo até um armarinho na cidade, comprando algumas ervas, agradeceu e as pagou.
– Mesmo sabendo que é normal delirarem, fico magoado, é isso que ele pensa de mim? Dos elfos? Dizem que... podem falar besteiras, mas também podem soltar coisas que jamais teriam coragem de soltar... – Legolas levou uma das mãos ao próprio queixo, parecia pensar.
Lindir tomava café da manhã com seu anão quando ouviram batidas na porta. O baixinho logo foi abri-la e se surpreendeu de ser Legolas que estivesse do lado de fora.
– Bom dia.
– Oi, orelhudo, entre.
– Não tenho tempo, mas preciso que venham comigo para o castelo. – E olhou para Lindir, que também estava ali.
– Estas ervas... – Lindir engolira em seco se aproximando. – São para cura, Aragorn está doente?
– Sim e temo que precise dos amigos. De todos nós...
O anão entrou afobado na casa, vestiu uma capa de couro e pegou uma sacolinha que sempre levava consigo, tinha apenas algumas moedas, documentos, até uma cartinha que guardara de Matilda, sua anã, ele costumava dizer que lhe trazia sorte, claro que Lindir nem desconfiava disso.
– Estou pronto.
Lindir já estava do lado de fora e logo todos seguiam para o castelo, Legolas andava mais atrás deles, encarando a nuca de Lindir, pensara se realmente Aragorn pensara aquelas coisas de elfos em geral, ou se tratava apenas de si mesmo, sendo mais pessoal, ele testaria isso naquela oportunidade.
Logo os três estavam no quarto, o moreno se debatia na cama, dava solavancos com o quadril e puxava raivosamente os pulsos, Faramir achou melhor amarrá-lo e pedia ajuda de alguns soldados, já que pelas paredes tinham sinais de sangue, provavelmente o rei batera com a cabeça ali algumas vezes e seu quadril sangrava além dele acabar por urinar de tanta raiva que sentia, além de espumar pela boca.
– Me solta seus arrombados, me soltem!
E puxava com força os pulsos, jogando a cabeça para os lados, rangendo fortemente os dentes.
– Coloquem uma mordaça enquanto eu amasso as ervas!
Ordenou o elfo loiro enquanto ele espremia algumas folhas com a ajuda de Lindir, feito a pasta pediu que lhe tirassem a mordaça. Então o loiro pegou uma colher e jogou um pouco do caldo e da pasta na boca do rei que logo cuspiu tudo em sua face.
– Assim ele não vai tomar, temos que fazer líquida e forçá-lo a beber. – Disse Lindir, mostrando agonia na voz.
– Eu conheço você! – Berrou Aragorn se debatendo, olhando raivosamente na direção de Lindir, embora Gimli segurasse um de seus braços e Faramir o outro. – Elfo efeminado! Doido para trepar com o Legolas, não é?
Lindir franziu os celhos fazendo uma face de choro.
– Não adianta fingir, hahaha! Você não me engana! – Berrou batendo a cabeça inúmeras vezes na cama.
Um de seus pulsos escapou e ele pegou fortemente o pescoço de Faramir, apertando os dedos ali e puxando-o para si, Legolas e Lindir tiveram que largar tudo e segurar-lhe a mão, mas ele logo o rei se livrou deles dando um forte tapa na face de Lindir, que o fez virar a face para um dos lados e rodopiar até cair sentado no chão, no entanto, quando agarrou a nuca de Legolas, puxando sua face para sua, ele rangeu entre os dentes:
– Você me traiu, me traiu com Haldir e Elrond... seu filho da puta! Eu te odeio, odeio... me fez gostar dessa merda de sexo anormal!
Legolas mantinha uma face de dor, Gimli tentava soltar-lhe a mão até que Arwen apareceu na porta. Aragorn a olhou e ela deu três passos na direção da cama.
– Não minha rainha, ele está insano, por favor, saia, ele pode machucá-la! – Berrou o anão.
E quando Faramir foi distanciá-la da cama e encaminhá-la para fora dali, ela resaltou que poderia ajudá-lo.
Ela encarava seu rei fixadamente e ele foi se acalmando, fechando os olhos, parecendo penetrar num sono profundo. Ela continuou encarando-o, era uma espécie de magia.
– Lhe deem o remédio agora.
Ordenou a rainha tento que se apoiar num móvel próximo, ao sentir-se sutilmente fragilizada. Legolas logo direcionou a tigela para os lábios do cavaleiro, que os abriu ainda inerte e dominado por um sono imperturbável. Legolas mantinha uma face de choro, as palavras doeram-lhe e dado o remédio, ele se afastou da cama, soluçando, levou uma das mãos à boca sentindo lágrimas escorrerem-lhe pelos olhos. Arwen andou até ele tocando-lhe a face, Legolas olhou para um dos lados, não e encarando.
– Acalme-se, aquele não era ele.
– Não?
Legolas fechou os olhos deixando as lágrimas correrem em sua totalidade, ele acabou abraçando a rainha bem de leve, por causa de seu notável ventre dilatado.
– Acalme-se, ele o ama... tanto quanto a mim... é normal quando se está neste estado, atacar aqueles que mais ama.
– O... obrigado, mas... eu não fiz nada do... – E soluçava o príncipe, mas logo continuando a falar. – que ele disse... eu... realmente... sabia que iria conhecê-lo e...
– Eu sei. – A rainha tocou-lhe as laterais da face, olhando-o gentilmente. – Provavelmente sonhou com ele também, não é? Antes mesmo de conhecê-lo.
Legolas baixou a face, mantendo os olhos fechados, ela sorriu.
– Este medicamento é forte, amanhã ele estará melhor.
E dito isso, ela se aproximou da porta.
– Recomendo que apenas Legolas fique com ele, quanto mais pessoas, mais alvoroçado ele ficará quando acordar e ele confia em Legolas, o ama mais que a qualquer um de nós, por isso deixe-os.
E dito isso, ela saiu, logo Gimli e Lindir cumprimentaram o príncipe perguntando se realmente poderiam ir, Faramir fez o mesmo e logo só se encontravam naquele quarto dois seres:
Um elfo e um humano.
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