Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
6 O sopro de Vida – Legolas e Aragorn.
Notas iniciais
O elfo adentrou o quarto, deu passos imprecisos e inseguros em direção à cama. Agora ali, sobre o colchão, havia uma grande montanha de panos de variadas cores, que se misturavam rodeando-se. Ele sentiu a sola grudar no piso de madeira, ao levantar a bota, viu uma sutil gota vermelha, agachou-se ali a examinando melhor, sim, era sangue. Sua cabeça voltou-se para os lados, parecendo deslizar suas orbes por cada trecho do quarto, um cheiro inebriante que misturava uma espécie de afrodisíaco natural. Algumas cortinas que cobriam algumas janelas encontravam-se rasgadas, outras, ao chão, arrancadas de seu mastro.
O loiro se levantou e parecia procurar as roupas do espadachim, onde estariam? Só agora, percebera que ele também não estava ali, puxou a borda do lençol da cama e olhou debaixo dela, nenhum sinal dele, ao olhar para um dos lados, viu um chumaço do que seria um pedaço de couro cabeludo, fato que lhe arrancou uma expressão de nojo. Andou até outra porta e ao abri-la, pôde ver Éomer tomando banho lá dentro. O espadachim estava de costas e parecia jogar água sobre seu majestoso e musculoso corpo usando uma pequena jarra.
Suas costas estavam arranhadas, lanhadas desde a nuca até a cintura. As nádegas vermelhas, quase atingindo uma tonalidade discretamente roxa. Finalmente a presença do elfo fora percebida, e, este o olhou por cima de um dos ombros, sorriu-lhe.
– Seu pai é uma fera... até me surpreendo de sua mãe não ter sido morta antes mesmo de ter você.
Dito isso, Éomer voltou a banhar-se, lavando alguns resquícios de óleo de ervas, pegou uma toalha a amarrando na cintura, pegou outra e enrolou na cabeça. Desceu dali, um sutil degrau e andou até uma cadeira com suas roupas.
– Ai.. – Resmungou ao sentir sua roupa tocar a pele, começando a se vestir. – Puta que ... merda... – Reclamou mais alto quando puxou a calça para cima, fechando os botões. -
Legolas permaneceu observando-o atentamente, até que resolveu sair dali e esperar no quarto, ia se sentar na cama para esperar o outro, mas achou melhor ficar a olhar por uma janela qualquer, alguns trechos do reino, soltou um longo suspiro, voltando a olhar a cama, depois voltou a olhar pela janela, outro suspiro.
Logo Éomer reapareceu, postou-se ao lado do loiro, comentou baixo, numa postura mais amuada e consideravelmente mais educada.
– Seu pai é um desafio... não permite que ninguém se aproxime demais de seu coração selvagem.
Legolas deu de ombros e comentou:
– Talvez porque seu coração selvagem já tenha dono? – Retrucou irônico.
– Pode ser, mas o meu também tem. – Éomer passou alguns dedos pelos seus fios dourados, arrumando-os. – Estou num estado muito ruim?
– Não se preocupe, ninguém observará isso. – Legolas soltou uma risada debochada.
– Aí que se engana, até eu tenho alguém que se preocupa.
– Nos seus sonhos?
– Vamos logo. – Éomer foi andando na direção da porta, tocou com as mãos em seu cinto. — Seu pai disse que estou livre, que já paguei minha estadia... aquele lobo em pele de cordeiro. – Olhou para Legolas por cima dos ombros. – Vamos?
E dito isso, partiram dali.
Aragorn encontrava-se sentado numa cadeira ao lado da cama de Arwen, olhava-a atencioso, enquanto que a Rainha dormia pesadamente. Ele olhou na direção da barriga dela e já parecia poder ver alguma protuberância ali, uma sutil barriguinha, delatado isso, permitiu-se soltar um sorriso amargurado.
Ele aceitara aquele casamento porque prometera a Arwen que um dia ficariam juntos, assim que retomasse seu reino, só que no decorrer da aventura, da realização desta história, ele conheceu Legolas, na reunião que determinaria a Sociedade do Anel, para nunca mais ser o mesmo.
Tudo que viveram, todo sufoco, todos os apertos que passaram juntos, causou o amortecimento de suas virilidades e acarretou cada vez mais na aproximação de todos. Praticamente tornaram-se uma família grande, fator que auxiliou na união dos Reinos, já que cada um pertencia a uma raça diferente, criando uma forte conexão entre os mundos, fosse ele: Anão, élfico, humano ou dos hobbits.
As alianças nunca foram tão intensas, nunca houvera tamanha união, embora como no caso presenciado antes do Lindir e Gimli, de racismo. No entanto, este tipo de situação, se tornava cada vez mais rara, quase impossível. Todos estavam engajados a unirem-se, a se tornarem um só povo, realidade já presente no Reino de Gondor.
Mas e quanto à relação inaugural com aquele elfo? Príncipe das Florestas das Trevas?
– “Legolas... Legolas... Legolas...”- Depois de uma demorada pausa e suspensão dos pensamentos, refletiu consigo mesmo- “Supremo Legolas.”
Pensava o rei como se emitisse uma oração em seus pensamentos ou invocasse algum semideus que o livraria da agonia que sentia naquela hora, naquele instante. Ele olhou para o lado da cama, a inseparável tigela de vômito de sua querida esposa. Ela agora, parecia mais frágil, exaurida, seria devido ao estresse de ter um marido com um amante? Pensou o rei soltando um longo suspiro agoniado, levantando-se dali, arrependendo-se um pouco pelo fato da cadeira ter emitido um som baixo devido ao atrito com o piso, mas Arwen nem se moveu e ele deixou-se estar ao lado da janela, cruzou os braços vendo toda aquela enorme cidade: O seu povo.
Agora ele tinha um Reino, mas não fazia tanta questão disso, às vezes invejava Lindir e Gimli, afinal, todos sabiam de sua relação homoafetiva e ninguém poderia intervir nela, estavam livres, como dois passarinhos soltos no mundo, os quais poderiam escolher qualquer árvore para criarem juntos o seu ninho.
Por uns instantes, Aragorn pensou em visitá-los, afinal de contas, eles não voltaram ao castelo já faziam cinco dias.
– “Será que conseguiram comprar uma casa?” – Pensou. – Eles nunca dormiram fora antes, devem ter encontrado.” – Pensou sorrindo, mas logo soltou um longo suspiro.
Resolveu sair daquele quarto, pôs-se a andar pelos corredores e pôde ver Faramir conversando com Éomer na sala de reuniões, ambos trocavam informações animadamente e ambos cumprimentaram Aragorn ao vê-lo.
– Meus amados guerreiros. – Disse gentil o rei.
Os dois consentiram e acenaram deixando que sorrisos respondessem ao cumprimento. Aragorn continuou andando pelo enorme corredor e quando percebeu, estava na entrada de seu castelo.
Os cavaleiros que tomavam conta dali olharam em sua direção, parecendo aguardar ordens, mas o rei apenas consentiu com a cabeça e os cumprimentou.
No fundo, ele queria andar pelo reino, queria andar pelas ruelas, sentir-se livre e assim decidiu, descendo as escadas da entrada e invadindo aquela enorme cidade, depois de vestir uma roupa mais simples e retirar a sua coroa.
Os cidadãos não se aproximavam, apenas alguns, davam cumprimentos sutis com a cabeça. Aragorn prosseguiu andando pelas ruelas, algumas lojas de mantimentos, roupas, algumas casas grandes, outras pequenas, casas de hobbits, casa de elfos, de anões, ele pensou em como seu Reino poderia facilmente representar toda a Terra-media em miniatura.
O sorriso se mantinha em seus lábios, até que ele entrou numa taberna, sentou-se ali e pediu uma cerveja sendo logo servido, ele sorria e cumprimentava alguns seres dali, algumas crianças vieram abraçá-lo.
– Não falei, crianças? Ele é do povo! É humilde demais! – Disse uma mãe com uma criança de colo.
– Obrigado, minha senhora, foi muito gentil. – Disse a cumprimentando, levantou-se e afagou a cabeça do bebezinho. — Que criança abençoada, tão linda.
– Sim, meu rei, graças ao vosso reino! À vossa paz!
– Viva ao rei Aragorn! Viva! – Todos ali presentes davam urras de alegria.
– Obrigado, obrigado.
O rei se aproximou da atendente do bar e perguntou sobre Lindir e Gimli, descrevendo caracteres corpóreos de ambos.
– Ah sim, o único elfo que aguenta um anão. – Disse a mesma elfa que falara com Lindir e fora motivo de ciúmes de Gimli antes. – Soube que eles estão numa casa na região élfica, se não me engano, número 46.
– Obrigado.
E o moreno seguiu até a casa mencionada, ele reconheceu logo Gimli capinando a parte traseira da casa, o mesmo já havia construído uma cerca ali e agora, cortava o capim que estava grande e cheio. No entanto, ainda não seguiu para cumprimentá-lo, mas permaneceu reparando a casa. Ela era discreta, mas bonita, tinha duas janelas grandes nas laterais da porta de entrada, espécie de dois basculantes, os mesmos tinham uma tonalidade que não permitia ver dentro da mesma, mas provavelmente iluminava seu interior. Tinha um considerável trecho nas laterais da entrada principal, deduzira que se tratavam de quartos ou da cozinha. Ele não achara Lindir, ao menos, numa primeira impressão, por isso, seguiu até Gimli.
– Amigo?
– Meu rei!
E Gimli foi até ele, o abraçando.
– Arwen está melhor?
– A mesma coisa...
– É, isso é uma merda, mas dê carinho para ela, isso faz toda a diferença!
– Se ao menos ela acordasse de vez em quando... – Retrucou baixo e contrariado.
– Nossa, que chato, meu amigo.
– Onde está Lindir? – Aragorn olhava para os lados, mas não resistiu e resolveu provocar o anão- Não te aguentou e voltou para Valfenda?
– Há, há, há. – Retrucou com uma voz irritada o anão- Não sabia que Legolas Greenleaf estava aqui.
Aragorn levou uma das mãos à boca, apertando sua palma ali, seus olhos focalizaram o chão, suas sobrancelhas se franziram, sim, seu coração apertara e doera. Gimli olhava-o atentamente, percebendo que machucara o amigo.
– Desculpe, achei que o tivesse visto... que ele já tivesse voltado.
– Não voltou. – Disse com uma voz frágil, contraindo os lábios, sua feição era de agonia.- Sinto falta do meu amigo... – Seus olhos verdes voltaram a encarar o anão- ...Orelhudo. – E sorriu brevemente.
– É... concordo, orelhudos... – Deu uma pausa, ele mesmo sentia falta daquele outro elfo. – Bem, venha comigo... vamos beber alguma coisa, Lindir arranjou uma ocupação, ele toca num teatro aqui perto, às vezes, numa taberna, sei lá qual... – E seguiu andando para a casa.
– Ele gosta mesmo de trabalhar... – Comentou o rei entrando na casa.
– É, cheio de dinheiro para viver séculos, mas ele adora entoar poemas pela cidade e tocar sua harpa ou bandolim.
Gimli aproximou-se da cozinha, nela tinha uma mesa que dava para umas oito pessoas, era um cômodo bem espaçoso, a sala, o quarto, tudo gerava um conforto sem igual, a quentura de um doce lar. Tudo perfeitamente arrumado, impecável, envernizado, com jarros de plantas que ornamentavam os cômodos da casa. Nas janelas tinham cortinas de palha, tudo era sustentável, retirado ao natural da natureza, somente sofrendo pouquíssimas alterações para que pudessem ter alguma função naquele lar.
– Vejo que gostou da casa. – Disse o anão colocando uma bandeja com dois copos e suco ali.
– É linda, acolhedora.
O anão se sentou à mesa, derramava um pouco do suco num dos copos e o entregou à Aragorn, este o pegou agradecendo com um acenar com a cabeça.
– É sim, Lindir que escolheu a maioria dos móveis... a arrumação foi ele que fez.
– Hehe, elfos... – Retrucou o moreno tomando um gole, só agora ele olhou para dentro do copo, franziu os celhos e comentou baixo- Está bebendo suco agora, Gimli?
– Estou me acostumando a uma vida mais saudável... Lindir conseguiu me convencer... – O anão tomou um gole, depois ficou encarando-o sobre a mesa, continuou ligeiramente tímido- Ficando mais saudável, consigo acompanhá-lo melhor... quer dizer... – Sorriu sem jeito para Aragorn.- Amá-lo melhor.
– Hehehe, entendi, Gimli, entendi...
– Mas então, meu rei... o que pretende fazer? Vejo que está agoniado com o sumiço do Legolas.
– Ele deve estar cuidando do pai, deixe-o... aliás, de repente, ele deve ter até encontrado uma elfa, eu não sei...
Gimli se inclinou para a mesa, acomodando parte de seu tronco ali, sobre a maciça madeira.
– Legolas é gay.- Sussurrou bem baixo como se as paredes tivessem ouvidos. – Tenho que falar baixo, pois esta é a área élfica, todos os vizinhos escutam, sabe... são fuxiqueiros demais.
Aragorn sorriu.
– Deixe-os falar, Gimli, a vida é sua, afinal de contas, não é mesmo?
– É o que Lindir fala, mas eu não sei... prefiro ficar na minha, sem ninguém saber de minhas particularidades.
Aragorn sorriu novamente, de repente, a porta da entrada abriu-se, era Lindir.
– Chegueeeei! Aonde está o meu barrilzinho de cerveja?
Aragorn tapou os lábios com uma das mãos abafando uma risada, Gimli corou na mesma hora e respondeu afobado.
– Orelhudo, temos visitas, por favor, contenha-se!
– Ah é?
Lindir apareceu ali, na cozinha, sentou-se à mesa e cumprimentou Aragorn com um sorriso espontâneo e gentil.
– Oi, rei.
– Olá, Lindir.
Gimli levantou-se para aproximar-se da pia e pegar um copo para o seu elfo e ao fazer isso, Lindir não deixou de observar-lhe o balançar do quadril enquanto ele seguia para a pia, a impressão que dava era que o elfo nem mesmo piscara e este só disfarçou quando Gimli voltou-se para eles, voltando à mesa. Aragorn olhava desconfiado para aquele elfo, pensando se Legolas tinha a mesma energia e sede de seu corpo, mas o cavaleiro soltou um longo suspiro ao lembrar-se que já fazia muitos dias que não se falavam, pensou em como o outro estaria, o que estava fazendo naquele instante, novamente outro suspiro.
Lindir não deixou de notar a agonia do rei, tomou um pouco de suco para logo depositar o copo na mesa e perguntar-lhe:
– Como estão as coisas?
Gimli apenas observava os dois.
– A mesma coisa, Arwen está ainda frágil... muito debilitada.
– Resumindo. – Disse com uma voz levemente rude, mas assertiva- Está sem mulher. Há quanto tempo está nessa situação?
Aragorn arregalou os olhos, Gimli tocou uma das mãos do elfo, olhando para ele com uma fisionomia preocupada.
– Ei, Amor... pega leve, ok?
Lindir consentiu com a cabeça para o anão e voltou a olhar para Aragorn.
– Vai fazer... dois meses.
– Já?! – Berrou Gimli, mas logo tapando a boca, expressando sua agonia através de seus olhos esbugalhados.
– Segundo Elrond, isso é bem comum nos três primeiros meses... mas ele reafirmou bastante, que não devemos fazer sexo. Já que ela está muito mais debilitada do que a mãe dela ficou quando engravidou de Elrond. – Aragorn deu uma longa pausa, mas continuou depois de puxar o ar- Ele disse que é melhor que não façamos nada demais, já que a mãe dela chegou a perder, uma vez, um filho após ter feito amor com o Senhor de Valfenda.
– Que merda! – Berrou o anão dando um forte tapa na mesa- Mas que puta que pariu! Que bosta!
– Nove meses... sem nada. – Comentou desanimado Lindir.
– É.
– Ripa na chulipa no Legolas! – Comentou Gimli levantando-se e dando um forte tapa com as mãos na mesa, a fazendo balançar- Que porra de situação de merda é essa?! PUTA QUE ME PARIU, QUE CACETE! – E o anão virou-se para a pia, balançando alvoraçadamente a cabeça para os lados. – Que inferno que você tá passando! – Voltou-se para os dois, ainda balançando a cabeça negativamente. – Por isso está assim, todo moribundo!
Lindir engoliu em seco e depois do anão terminar, novamente voltou seu olhar para Aragorn, este se permitiu ficar calado, olhando sério na direção da mesa, reflexivo.
– Rei... quero dizer, Aragorn. – Lindir sorriu-lhe gentil, o moreno levantou suas orbes verdes e o encarou, ainda sério.- Aragorn porque falarei contigo, agora... como um amigo... meu e do Gimli. – O elfo sorriu para o anão, pegando-lhe uma das mãos, apertando-a com a sua, fato que fez Gimli voltar a sentar-se. – Bem... por que não procura o Legolas?
– Foi o que eu disse antes, dã... – Retrucou o anão.
– Desculpe, mas se você não se lembra, amado anão, cheguei a poucos minutos, ok?
– Aham, aham...
Aragorn sorriu ao vê-los ter uma discussão bem comum entre casais, o moreno soltou um suspiro sinalizando que iria se levantar.
– Bem, devo voltar ao castelo e...
Lindir segurou-lhe uma das mãos.
– Por favor, Aragorn, sente-se, vamos conversar...
– É, o que você mais precisa agora, é de amigos! – Berrou o pequeno.
Aragorn voltou a sentar-se ali, mantendo ambas mãos sobre a mesa, olhava para elas cabisbaixo, desanimado.
– Engraçado é que... em toda minha vida, nunca adquiri a felicidade completa... suprema... sempre algo acontecia, que me separava do meu objetivo, que tentava me desanimar... – Disse o moreno amargurado, ele levantou o olhar passando a encarar os amigos- Obrigado... pelo conselho, mas... Legolas tem seus problemas também... ele... já sofreu demais por minha causa... – Aragorn voltou a encarar a mesa, engolindo em seco- A pior coisa que existe, é quando você percebe que... – O moreno levou uma das mãos aos olhos, sentia-os úmidos, a sua garganta parecia engasgar- Causa a dor de quem ama... sabe... – Ele levantou os olhos levemente avermelhados, voltando a encará-los- Não sei, espero que não saibam como é... – Ele deu uma fungada, mas continuou- Olhar na face daquela pessoa que você ama e não poder falar isso para ela, não poder viver ao seu lado, se entregar a este sentimento. – Ele tomou um gole notável de ar, respirando profundamente, logo continuando- Legolas não é um “tapa-buraco” enquanto eu estiver sem a Arwen, ele é... – Soltou um longo suspiro- O amor da minha vida.
Lindir sentia os olhos úmidos, ele aproximou a cadeira do anão e o abraçou, Gimli olhava fixadamente para Aragorn, embora sentisse seu corpo levemente inclinado para um dos lados e os braços do elfo rodeando-lhe. O baixinho falou alto, fato que fez Lindir assustar-se e soltá-lo.
– Então diga que o ama! O que está esperando? – O anão levantou-se e andou até o moreno, apertando forte um dos braços do outro- Vá lá ao reino dele e se declare, mande Thranduil, mande Elrond, Arwen, todos pra puta que pariu! Simples assim! – O anão deu uns dois passos numa direção, ficando de costas para Aragorn e comentou ainda alto- Se Gondor quer ter um rei, deverá aceitar que você ama um elfo. – Gimli voltou a encarar Aragorn.
Aragorn deu um sorriso dolorido, Lindir tocou-lhe uma das mãos.
– Se acaso decidirem tirar o seu reino, daremos um jeito... todos nós, de viver em algum lugar, como uma grande família... eu, você, o meu amor e Legolas.
Aragorn sorriu-lhes, mas foi um sorriso dolorido, de seus olhos brotavam as mais cristalinas lágrimas, estas desciam-lhe em grande quantidade pelas laterais dos olhos, ele acabou por baixar a face na direção do chão, sentia as costas pesarem, tamanho era o fardo.
O silêncio e as fungadas do cavaleiro continuaram durante um tempo até que a porta de entrada se abriu.
Legolas entrou ali, postando-se ao lado da mesa, suas orbes azuis encararam a cabeça jogada para frente de Aragorn. Gimli e Lindir o encararam com os olhos arregalados, surpresos, pensavam se era alguma espécie de alucinação.
– O que foi? Eu o segui. – Disse Legolas levantando uma das sobrancelhas encarando os dois.
E o elfo soltou um sorriso alegre ao vê-los.
– Caralho, cacete, puta que...
– Mas que boca suja, anão.
Lindir acabou por sorrir, sentiu até um pouco de pena daquele outro elfo, do tamanho do peso que ele levava no peito. Legolas olhou para a cabeça do cavaleiro, esta continuava jogada para frente, imóvel, ele não tinha forças para encará-lo, sentia pena de si mesmo, se considerava uma porcaria qualquer que queria sumir da face da terra-media, evaporar de uma só vez.
O elfo loiro agachou-se diante dele, olhando para cima, procurando-lhe as orbes verdes, mas Aragorn não reagira, continuando naquela posição, uma dor dilacerante no peito. Legolas contraiu os lábios, levantou-se.
– Vocês têm mais que um quarto? – Ele olhou para os lados, não achando a casa tão grande. – Ou será que podemos dormir no quarto de vocês?
Lindir chegou a se levantar e a quase xingar o loiro, este encarava-o com uma das sobrancelhas ainda levantada, sutilmente arrogante, mas Gimli segurou firme um dos pulsos de Lindir o contendo.
– Temos dois quartos, pode ficar com o da frente, ele é maior, orelhudo.
– Obrigado.
Dito isso, Legolas acomodou o cavaleiro em seus braços e seguiu até o cômodo em questão, deitou-o cuidadosamente na cama. Feito isso, aproximou-se da porta e desejou uma boa noite para o outro casal, fechou a porta, cerrou as cortinas do quarto, as fechando e voltou a sentar-se na cama, ao lado do espadachim, tocava-lhe gentilmente a face.
– Sou o seu sopro de vida... não sou?
Aragorn sentou-se ali, abraçou Legolas pelo pescoço e ambos embalaram num beijo carente.
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