Elrond seguiu às pressas em direção à Floresta das Trevas, nada antes pareceu incomodá-lo tanto quanto àquela situação. Ele realmente se preocupava com Gandalf, com sua segurança, no que Thraduil com seu ciúme doentio poderia causar ou fazer, por isso, ele logo se dissipara no horizonte, sumindo detrás das montanhas.

Ironicamente, o clima quente e devastador dera espaço para uma brisa amena e tranquila. O sol se escondera com toda sua castidade detrás de algumas nuvens brancas, sendo que algumas permaneciam mais escuras, mas não representavam sinal de chuva, servindo apenas para amenizar o clima, que agora era mais que agradável. As folhagens das árvores, suas flores e aromas resultavam numa agrabilidade tamanha.

E foi ao adentrar mais alguns metros num bosque mais à frente que o elfo pôde ver Gandalf mais adiante, após claro, fazer uso de sua potente visão. No entanto, o Senhor de Valfenda permaneceu parado por um tempo quando viu que o mago não estava só, mas se surpreendeu ao ver um vulto mais abaixo dele, como que um corpo estendido ao chão.

O meio-elfo pensou se não se tratava de Legolas, ou algum conhecido, mas logo verificou ainda com seu olhar poderoso, que não conseguia reconhecer quem seria, então ele franziu seus celhos e ainda, parado, ficou tão receoso que decidiu seguir a pé até lá, claro, tomando toda cautela para que Gandalf não percebesse sua presença, ele logo desceu do cavalo, ordenando-lhe que o aguardasse próximo a uma discreta e pequena lagoa, então, o elfo seguiu por detrás de algumas árvores e parou detrás de uma quando viu que o mago agachou-se na direção do vulto.

Agora o elfo podia ver que se tratava de alguém ruivo e ele suor frio sentindo o coração apertar quando se deu conta que se tratava de uma fêmea.

– “Como que Gandalf pede para que me avisem dos orcs e voltar para Valfenda sendo que ele... que ele... Está aqui com uma fêmea?!” – Pensou o elfo sentindo uma raiva grandiosa brotar no peito.

Seguiu se aproximando, agora passando agachado detrás de uma rocha, encontrando-se a uns sete metros do mago com a elfa.

– Tome isso... – Disse Gandalf agachado, dando à jovem de beber. – Irás melhorar...

– “Melhorar?” – Elrond virou a face numa direção, deixando sua potente audição direcionada para o velho.

– Não acredito que aquele rei fez isso contigo...

Elrond engolira em seco, dando uma olhada rápida e pôde ver que a elfa deitada estava numa situação realmente deplorável, sua face era pálida, seus olhos estavam roxos como se não dormisse há tempos, sua fisionomia era tão magra, que as bochechas encontravam-se encolhidas permitindo que os ossos da face se destacassem.

– O... obrigado... – Resmungou a elfa agonizando, sentia sede, fome, mas por estar tão debilitada, não conseguia se mover, sentia faltar-lhe energia até mesmo para se mover ou respirar.

– Eu realmente não esperava encontrar alguém assim, neste estado. Estava pretendendo rever Thranduil, Legolas e avisá-los do perigo.

– Não... cof! Cof! Vá... ele... irá matá-lo... também... – E a elfa apertou as mãos na barriga sentindo o estômago implorar por algum alimento.

– Hum... – O mago olhou para os lados, lamentou não ter um cavalo à mão, pois dispensara o seu há alguns anos, seu corcel branco, resolvera dar-lhe férias contínuas. – Não vejo alternativa a não ser levá-la...

– Salve-se... corra... salve... se...

– Deveria poupar suas forças, minha cara. Vem, apoie-se em minhas costas, tentarei levá-la. – O mago olhou-a pesaroso, refletiu em como havia seres perversos na face da terra-media. — Tente segurar em meus ombros...

A elfa apenas o olhou, não tinha forças nem para respirar, imagina para segurar em algo e foi, neste instante, que Elrond apareceu. Ele saiu detrás de algumas árvores espaçadas umas das outras e de caules largos e entrelaçados entre si.

– Fugindo de mim, Gandalf?

– Oh! Meu caro, Elrond... – O mago arregalou os olhos e encarou a elfa, resaltando- Quero dizer, meu Senhor Elrond.

O elfo apenas deu um sorriso.

– Pensava realmente em visitar Thranduil?

– Sim, meu caro. Pensei em Legolas avisar a Aragorn... mas... me surpreendi com isso... – E olhou na direção da elfa, esta apenas os olhavam com a face abatida, com seus olhos pesados.

– Bastariam mais algumas horas para que ela morresse...

Disse o elfo se agachando ali, puxando-lhe para baixo uma das bochechas, olhando detrás de suas pupilas.

– Posso dizer com segurança que ela está desidratada e faminta...

Elrond se levantou olhando na direção da Floresta das Trevas com as mãos na cintura, parecia lamentar o ocorrido com tamanha insatisfação, percebido sua observação na direção daquele enorme bosque de árvores escuras e quase impenetrável, voltou-se para Gandalf, sorrindo-lhe gentil.

– E pretendia levá-la consigo? Em suas costas?

O mago deu de ombros, sorrindo-lhe sem jeito.

– Eu a levarei, mas se me garantir que irá para Gondor, avisar pessoalmente a Aragorn.

Uma brisa amena se revelou balançando ao ar os fios negros de Elrond, dando-lhe um aspecto bem sedutor, discretamente sensualizado, e este pareceu inebriar-se com as pupilas azuis que o encaravam sem ao menos piscar, os seus próprios olhos enfrentavam Gandalf, o Cinzento, com muito amor se sentimentos tão profundos que nem ele mesmo conseguia explicar.

Dado por vencido, Gandalf apoiou-se no seu cajado e sorriu-lhe dando um consentimento com a cabeça.

– Promessa feita. – E sorriu gentil.

Elrond engoliu em seco ficando a encará-lo por mais algum tempo, respirou profundamente e soltou o ar devagar tentando restabelecer suas forças, seu controle corporal, já que o mesmo se alterava nitidamente na presença do mago.

– Lhe arranjarei um cavalo... aguarde aqui, Gandalf. – Parou ao lado do mago tocando-lhe um dos ombros.

– Deixe que eu arranjo, tenho ainda minhas habilidades, embora a maioria delas tenha esquecido.

– Esquecido?

Gandalf sorriu melancolicamente.

– Sim, esquecido, meu caro... foi o que disse.

– Mas... como assim?

O elfo postou-se diante do mago, ficando frente a frente a ele, encarando-o diretamente nos olhos.

– Desde o renascimento venho gradativamente esquecendo minhas magias, meu senhor... pensei que fosse devido ao cansaço, mas... – O mago olhou para um dos lados, soltou um sorriso moribundo.- Realmente... ando me sentindo muito estranho.

– Gandalf! Quando iria me contar isso?

O mago deixou a cabeça tombar para frente, um sorriso amargo se manteve.

– Talvez nunca... – Deu uma pausa tomando um considerável gole de ar- Não pretendia incomodá-lo com essas besteiras... até porque... – Levantou as orbes azuis, encarando o elfo- Sei que a solução está longe de seu alcance e isto só o torturaria.

Elrond andou até uma árvore, olhava ansioso para os lados, mantendo as mãos na cintura, ele respirou profundamente, até que virou sua face para um dos lados, vendo o mago de perfil, encarando seus olhos diretamente.

– Primeiro, vamos resolver esse problema de Rohan... depois verificaremos em todos... – Virou-se ficando de frente para o velho — Livros possíveis, pergaminhos... uma forma de reverter essa situação, não pode esquecer de quem és, Gandalf. – Andou até o mago, segurando-lhe os ombros, apertando as mãos ali — Não podes esquecer-se de mim! – Seus olhos se arregalaram, ele encarava o outro bastante preocupado.

Gandalf permitiu entoar um sorriso gentil.

– Isso posso garantir de que não acontecerá, meu caro.

E o mago deixou seu cajado tombar ao chão, segurando a face daquele elfo entre suas mãos, encarando-o diretamente, seus lábios amoleceram num sorriso de satisfação, a brisa insistira balançando os cabelos de ambos e os negros do elfo dissipavam-se no a r, dançando ali, como se não houvesse gravidade presente naquele momento, e foi, neste instante, que o mago o beijou.

Lindir acordara ao lado de seu anão, logo se levantando e seguindo na direção do quarto onde Legolas e Aragorn haviam dormido, ao entrar ali, sentiu um cheiro forte de testosterona misturado a um gozo ainda presente. Levemente excitado, abriu as janelas para que aquele cheiro se dissipasse, aproximando-se apressado da cama, retirando-lhe os lençóis e correu na direção do tanque, nos fundos da casa, enchendo-o prontamente com água e pegando um forte sabão anão. Sim, Gimli fizera compras e de alguns itens ele não abria mão, como detergente e tipos de saponáceos e era justamente este saponáceo forte que Lindir jogava aos montes dentro de um balde.

– Se não limpar direito, terei que jogá-los fora! Que nojo!

E esfregava aqueles lençóis no balde, enquanto seu anão ainda dormia, não passavam das sete da manhã e o elfo de Valfenda decidira limpar a casa toda, inclusive onde Legolas havia jogado a terra, limparia cada cantinho do chão, pensava esfregando nervosamente aqueles lençóis.

– Ainda bem que se foram, não sei onde estava com a cabeça quando oferecia casa... além do mais... o Gimli nunca me tocaria se percebesse que tivessem mais pessoas na casa... além de nós dois... cruzes!

E levantou um dos lençóis ao ar, parecendo procurar manchas com seus olhos sobrenaturais.

– Já terminei um...

E logo jogou uma fronha ali, passando a esfregá-la.

– Nem vou trabalhar hoje... limparei cada cantinho da casa!

Disse raivosamente esfregando as mãos em seu avental, olhando para um dos lados, vendo que Gimli capinara muito bem aquele terreno, percebido isso, Lindir sorriu satisfeito, e se aproximou dali, vendo aquelas mudas de planta, as quais envolviam pés de tomate, alface, brócolis, entre outros.

– Ele sabe que nós elfos adoramos comida verde... então...

Lindir agachou-se ali, tocando a folha de pé de alface, o qual ainda não estava plantado.

– Gimli...

O sorriso na cara do elfo era inebriante, avassalador, dócil e gentil. Lindir levantou-se olhando para o sol, deixando que o sorriso em seus lábios se escancarasse.

– Mas nem nos tocamos ontem... – Soltou um longo suspiro. — Quero ele hoje, por isso, mãos à obra!

E terminou de limpar aqueles lençóis, para logo estendê-los num varal improvisado e correu para dentro da casa, preparando um balde com produtos de limpeza começando a limpar a sala, esfregando cada cantinho do piso de cascalho com uma esponja natural.

– Se ele quiser fazer no chão denovo, ele estará brilhando... ai ai... – Suspirou voltando a esfregar.

Aragorn dormira ao lado de sua esposa, gostara da conversa com o cavaleiro loiro Éomer e o arqueiro Faramir, o rei até gostara de perceber que eles estavam muito mais unidos do que nunca e que consideravam Gondor como seu segundo lar, claro, retirando suas próprias casas. Aragorn permitira que um sorriso de satisfação brotasse em sua face, ele acolhera Arwen em seus braços na noite anterior e ela dormira parcialmente sobre si, com a face depositada em seu peito, de forma a sentir-lhe o aroma da melhor forma que conseguia, ela mesma não sabia explicar em como gostava do cheiro de seu homem, que apenas aquele humano tinha.

Aragorn esperara um tempo, depois que acordou para se levantar, acolheu Arwen novamente em seus braços e a deitou cautelosamente na cama, saindo do quarto e pedindo que Marta cuidasse de sua alimentação.

– Marta, por favor, cuide da rainha... ela precisa se alimentar pelos menos três vezes ao dia.

– Eu sei meu senhor, sou parteira, sei a alimentação apropriada das grávidas, já cuidei de muitas meninas, já realizei muitos nascimentos até prematuros, ou seja, deixe comigo!

Aragorn tocou-lhe um dos ombros sorrindo-lhe gentil.

– Nãos ei o que seria de mim se não fosse você, Marta.

– Assim vou ficar metida, meu rei! Vá lá fazer a ronda, Éomer me disse...

– É, as coisas por Rohan andam estranhas, preciso verificar. Cuide-se.

– Boa viagem, meu rei.

E ele saiu apressado dali, seguindo até onde ficavam os cavalos, logo encontrando Éomer. Aragorn vestira-se com uma roupa consideravelmente leve, como que uma túnica real, era nítido que não estava indo para uma batalha, mas apenas parecendo que iria dar umas voltas pelo reino. A desculpa dada a Marta não se verificara, pois ele não iria guerrilhar, mas visitar a tal cidade eu o seu príncipe elfo indicara ao seu leal cavaleiro.