Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II

1 A errante: Tauriel e o errante: Éomer.


Notas iniciais
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto o tempo
Me deixar passar
Errando
Enquanto o tempo me deixar...

Nada sei - Kid Abelha

A elfa ruiva seguia a passos apressados em seu cavalo, na direção de Gondor. Ela não via a hora de chegar e poder se justificar tanto para Legolas, como para Aragorn, de sua atitude, a seu ver, um tanto errada, mas o destino lhe reservava uma dura realidade: Ser capturada.

Éomer, um cavaleiro que recentemente estava auxiliando Aragorn a fiscalizar as fronteiras de Gondor, como um ajudante autônomo, ou seja, que não necessariamente lhe deveria servir ou seguir como um subordinado, mas como um amigo. Este fora o melhor destino que alcançou depois das perdas que teve, tanto por parte da família, quanto de suas riquezas. Sua fama de renegado e cavaleiro sem rumo se manteve e somente Aragorn fez vista grossa a isso, ignorando seu passado e o trazendo como aliado, embora Legolas tenha reforçado e muito a não chamar Éomer para isso.

Éomer fazia questão a mostrar àquele elfo, a seu ver, um tanto intrometido e inconveniente, afinal de contas, o guerreiro havia visto Legolas adentrar, nas noites anteriores no quarto do Rei Aragorn, ao passar por ali rapidamente. A princípio ele estranhara, até encostar um dos ouvidos na porta e ouvir o que parecia ser uma interação sexual e, assim, pôde ver que não havia nada de errado lá dentro, ele estranhou, claro, nunca pensara que o rei e aquele elfo, teriam alguma coisa, na verdade, ele mesmo ridicularizava os elfos, e a principio, não confiava neles, mas Aragorn insistia no contrário e nada o fazia mudar essa postura.

Agora, Éomer, estava numa posição difícil, o rei, após o casamento, estava tendo um caso com Legolas? Ele seguiu até Faramir e comentou algo, mas Faramir repreendeu-o e falou para que não fosse mexeriqueiro.

– Escute, Éomer... ignore isso, Aragorn é um bom rei, o que temos haver com sua vida privada? Nada! Agora, vá fazer suas tarefas, hã... antes que o diga para expulsá-lo daqui por falsidade ideológica.

– Falsidade ideológica? Fala sério! Eu vi!

– Pois bem, o corpo é do rei e ele faz o que bem desejar...

– Com um elfo? Após ter casado com Arwen?

– Éomer, não abuse de minha boa vontade e vá vigiar as fronteiras, ok?

– Um rei viado... era o que Gondor precisava!

E saiu dali retrucando alto, chutando o chão como um adolescente raivoso, praguejando que ele, um cavaleiro honrado, não tivesse nem metade do poder de Aragorn. Seu coração apertava em seu peito e acabara a xingar todos os elfos, todos eles.

– Seres malditos, aguento a todos, menos a eles...

E seguiu até sua cavalaria, levando consigo alguns homens.

– “Malditos, malditos!” – Pensava raivoso o espadachim loiro.

E, talvez por sorte do destino, encontrara Tauriel, uma elfa, que fora rapidamente capturada. Agora, neste exato momento, a mesma se encontrava amarrada a uma árvore e ela tinha uma amarra na boca que a evitava falar.

– Ora, ora... o que uma elfa... com suas armas... tão ridículas... – Éomer andava para um dos lados, enquanto encarava a elfa lateralmente — Mas cortantes... – Permitiu que um sorrisinho sacana e debochado saísse de seus lábios, parou de andar, diante dela — Fazia ao redor de Gondor? Saíste das Florestas das Trevas, pois eu vi de que direção vinha... – Ele olhou para o céu por um tempo, depois continuou- Aquele rei elfo... que todos falam com medo, de sua força e arrogância... tsc! – Deu uma cuspida no chão, como se Thranduil fosse alguma porcaria. – Elfos... elfos... sempre se metendo onde não são chamados... seres que não têm coisa melhor para fazer.

Tauriel se mexia desarmonicamente e agitada na árvore, sentindo alguns pedaços do tronco grudar à sua vestimenta, iria alertá-lo de que aquele local era de fronteira com as Florestas das Trevas, e que, provavelmente, logo seriam abordados por Thranduil e seus elfos, mas Éomer continuou andando, mantendo um sorriso debochado nos lábios. Tauriel tentava de todas as formas avisar do perigo, mas ele nem sequer parecia perceber seus olhos esbugalhados de medo.

– Bem...

Quando o cavaleiro loiro ia continuar, uma flecha tocou-lhe a face, a rasgando, e ele caiu em direção ao chão, desacordado, pois a mesma estava com sonífero.

Não demorou muito a acordar dentro de uma jaula, uma espécie de prisão. Ele levantou-se assustado aproximando-se da porta da cela e logo pôde ver Tauriel, que o olhava sorrindo amavelmente.

– Satisfeito? Tentei avisá-lo. – Disse a elfa, sentada dentro de outra cela. – Ele irá nos matar, então... relaxe, assim morreremos mais rápido.

– QUEM? – Berrou Éomer, raivoso, disposto a arrancar aquelas grades com as mãos.

– O rei Thranduil, não se preocupe, logo o conhecerá. – Disse a elfa olhando para as próprias unhas. – Pensei ter escapado do inferno, mas parece que é meu destino sempre voltar a ele. – Retrucou desanimada.

Éomer a olhava com as mãos apertando fortemente as grades, tentava em vão abri-la, a chocalhava nervosamente, criando uma espécie de chiado baixo.

– MALDIÇÃO, MALDIÇAOOOOOOOOO!!!!!!!!!

De repente, a face de Thranduil apareceu ali, a poucos centímetros da sua, diante de sua cela, fato que o fez cair sentado ali, engolir em seco mantendo um olhar atordoado.

O rei Sindarin apenas voltou a levantar-se, ficando ereto, pois havia se inclinado de forma a aproximar a sua face da do outro, ficou a olhá-lo “de cima” deixando suas orbes claras encararem aquele, a seu ver, “reles” humano.

Éomer tinha a respiração ofegante e a mesma acelerou mais, quando Thranduil ordenou que abrissem a portinhola da cela, feito isso, ele adentrou ali, numa calma inabalável. Seguiu dando passos lentos, calmos, para dentro da cela, a principio não encarando ainda aquele cavaleiro humano loiro, dado uns quatro passos, parou, ainda que parcialmente virado para Éomer, sua face encontrava-se de perfil para o outro, que parecia examinar o chão e a própria cintura procurando alguma arma.

Thranduil deixou um sorriso sádico ir brotando em seus lábios, até que olhou-o, finalmente, seus olhos arregalaram-se lentamente, voltando-se para o outro, parando a um passo dele. De repente, deixou sua cabeça tombar para um dos lados, ficou um tempo ainda olhando-o, um encarar acompanhado pela face aterrorizada de Éomer.

– “ Um elfo, um elfo! O tal rei, o tal rei!” – pensou olhando para os lados, com os olhos arregalados e só agora viu que havia sido trancado com aquele Ser ali dentro.

Thranduil ficou olhando-o, parecendo se deliciar com sua inquietação. Éomer forçava as costas na parede, com tanta força que sua pele pareceu ser esfolada pelas protuberâncias da madeira na parede detrás de si. O elfo respirou profundamente, sentindo o aroma do sangue, pareceu lamber os lábios, voltando a olhá-lo.

– Bom dia, nobre...

Disse calmamente o elfo e deu uma longa olhada para o outro, ameaçando dar um passo na direção dele, o apenas movimentar do seu pé, fez o cavaleiro levantar-se e se reaproximar da grade, segurando-a com uma face desesperada, começando a berrar:

_ SOCORROOOOOOOOOOOOO!!!!!

O rei não se conteve, soltando uma deliciosa gargalhada, num gesto muito rápido, postou-se detrás do espadachim, mantendo os lábios abertos, deixando um hálito quente tocar-lhe uma das orelhas.

Tauriel olhava-os segurando as próprias grades, ela tinha os olhos arregalados, estava horrorizada, torcia para que Legolas voltasse logo, para ela, seu pai estava um tanto insano e precisava ser contido imediatamente.

– Meu rei! – Berrou a elfa, em tom desesperado- A culpa é minha! Eu os atraí para cá! – Ela pareceu pensar e comentou — Ele é da cavalaria de Aragorn, não queres ter problema com Gondor, não é? Nem com Legolas, não é?

Éomer pareceu sentir o distanciar-se do elfo, voltou-se trêmulo e olhá-lo, agora o rei, apenas voltara a observá-lo de pé, diante dele.

– Tens razão. – Comentou o elfo, sorrindo meigamente- Não vale a pena.

A elfa levou uma das mãos ao peito, respirando aliviada.

Éomer tinha as costas ali, sobre as grades da portinhola de entrada, ofegava ainda.

– Parece que furou a fronteira do meu reino.

Thranduil deixou a face pender para um dos lados, mantendo um sorriso discreto.

– Peço desculpas... – Éomer inclinara-se para frente, tamanho era seu desespero. – Eu estava apenas fazendo a ronda... e eu encontrei a elfa, então achei melhor... – Voltou a olhá-lo, depositando ambas as mãos no chão, ficando de quatro, ajoelhado ali.- Fazer perguntas... e como a floresta estava próxima de nós...

– Não carregando um mapa? – Perguntou o elfo, no melhor tom irônico que conseguiu.- Ou será que o rei Aragorn costuma aceitar que invadam reinos fronteiriços?

Thranduil deu uns passos para um dos lados, mantinha as mãos detrás do corpo, os dedos entrelaçados e ele mantinha uma postura perfeita, ereta, reta.

– Cometi este erro, amável rei... "elfo".

Éomer encarava o chão, rangendo entre os dentes a última palavra. O elfo percebeu, virou-se de frente para o humano, olhando-o ainda com um ar superior.

– Alguma rivalidade, meu amigo?

– Co...como? – Perguntou Éomer surpreso, sem entender.

Thranduil aproximou-se do humano, caminhando em sua direção, bem lentamente, causando sutis barulhos de sua bota no chão, fato que fez Éomer sentar no chão e recostar-se na grade de ferro aterrorizado. Thranduil inclinou-se para frente, seus fios dourados caiam-lhe pelos ombros, quase tocando a face do outro, que, num ato de desespero, virou a face numa direção e fechou os olhos, expressando nojo ao sentir sutis toques dos fios em si. O rei franziu as sobrancelhas, mordendo a pontinha da língua num dos cantos da boca, não conseguia evitar, aquele humano fedia, mas fedia a excitação, e isto estava o instigando, o provocando de tal forma que nunca sentira antes.

– Pai?

Legolas olhara pelas grades e viu que se tratava de Éomer, feito isso, ele abriu as grades e o cavaleiro permitiu-se cair deitado no chão, rastejando-se para fora dali, tamanho era seu medo e o tremor em seu corpo que nem conseguira colocar-se de pé.

– O que pensa que está fazendo?

– Legolas! — Tauriel voltou a tocar as grades.

– Ele invadiu nossas fronteiras... e prendera Tauriel. – Thranduil deu uma longa pausa. — Não que me importe com ela, mas... não sabia que lhe devia explicações agora, meu filho. – Sorriu-lhe gentil.

– Por favor, pai. – Legolas se ajoelhou, cumprimentando-o obedientemente e respeitosamente. – Apenas lhes dê advertência e os libere, Aragorn não gostará de saber disso. Por favor.

Thranduil soltou um longo suspiro, comprimiu os olhos, mas logo olhando para o cavaleiro arrastando-se no chão, seguiu até ele e pisou-lhe com a sola de um dos pés nas costas, apertando ali. Éomer parou no mesmo instante, tanto de se rastejar, quanto de respirar.

– Escutou, invasor? – Sua voz era onipotente, grossa, mas suave.

Éomer mantinha uma feição de desespero e balançou vorazmente a cabeça variadas vezes para cima e para baixo, sinalizando que entendera.

Legolas não deixou de perceber que seu pai parecia se deleitar com aquela humilhação, tendo até a impressão que o mesmo estava sutilmente excitado, gotículas bem pequenas brotavam em sua testa, sua respiração acelerara discretamente e ambas as mãos em sua cintura apertavam nervosamente ali cravando as unhas.

– Sim, meu senhor... – Éomer nem pronunciara a última palavra, sabia que o elfo percebera sua ira, seu preconceito.

Thranduil soltou uma risadinha, continuou:

– Senhor...?

Éomer percebeu que ele desejava ouvir a palavra, mantinha os lábios abertos e os mesmos soltavam fortes bufadas de ar.

– Qual é a raça que tanto amas, meu nobre cavaleiro? – O rei apertou o pé ali, deixando um sorriso sádico brotar-lhe pelo canto dos lábios.

– “Queria tanto que esse filho da puta fosse estuprado na minha frente!” — Pensou Éomer, olhando-o por cima de um dos ombros. – Me trata assim, pois tirou minhas armas! Covarde! O que se podia esperar de um Elf...

Antes mesmo de Éomer acabar a frase, Legolas interrompeu, ele sabia do racismo daquele cavaleiro, tocou um dos ombros do seu pai, bem de leve, para logo tirar a mão dali. Thranduil olhou para seu filho e retirou o pé dali, mas logo voltou a olhar Éomer, que agora, sentara-se e o encarava provocador e ofegante.

– Pai, já chega, por favor.

O Rei Sindarin deixou um sorriso brotar-lhe nos lábios, Éomer não entendera essa atitude dele, mas não conseguiu parar de perceber que aquele elfo era alto, forte e mantinha uma postura tão arrogante quanto a sua. Suas orbes claras, puxadas para um castanho dourado, enfrentavam as verdes do Rei Sindarin, que reaproximou daquele humano, agachando-se sobre ele, puxando-o pelo colarinho. Ficaram se encarando, Thranduil respirando profundamente, sugando aquele aroma inebriante, já o espadachim tinha a respiração suspensa e mantinha a face virada para um dos lados, mantendo os olhos fechados.

Sem mais se conter, talvez por se sentir sem alternativas, o humano segurou firme o pulso daquele elfo, encarando-o fixadamente. As faces ficaram próximas, inevitável o encarar.

– Que raça amas... – Retrucou o rei com uma voz rouca.

Pronunciou lentamente finalmente soltando aquele reles humano ali, passando por cima dele e dando uns passos na direção de um corredor.

– Libere-os filho.

E saiu dali, Éomer sentou-se ali, ficando a olhar Legolas, mantendo as sobrancelhas franzidas.

– Seu pai é muito amável, elfinho de Gondor.

– Deixe para brincar depois que sair daqui, Éomer. Fica me devendo uma.

O cavaleiro fora liberado com seus subordinados, chegaram a cavalgar um pouco, mas seu líder parou e ficou a olhar fixadamente para a Floresta das Trevas.

Legolas, neste momento, estava com seu pai, ambos pareciam dialogar sobre algo na cozinha dali, o rei devorava algumas uvas, enquanto que seu filho tomava um pouco de licor.

– Como ocorreu a captura?

– Eles invadiram a fronteira, tive que manter limites... senão acham que aqui virou bagunça. – Disse o Rei Sindarin engolindo outra uva.

– Percebi que pareceu bem interessado naquele cavaleiro.

– Percepção errada... – Olhou demoradamente para o filho — fiquei muito interessado. – Retrucou Thranduil levantando-se e saindo dali, mas antes, parou diante da porta. – Quando Aragorn der uma festa, me avise. – E finalmente saiu.

– ... – Legolas soltou uma risadinha baixa.- Que casal perfeito. – Retrucou mordendo uma maçã.