Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
26 Na cidade das Alegrias: Aragorn, Gandalf e Gimli
Elrond ficara ainda um tempo olhando para o mago, até que permitiu que sua face pendesse discretamente para frente tomando um grande gole de ar, para logo engolir em seco. Sua voz, embora saísse baixa, era melodiosa:
– Se assim desejam, lhes darei os melhores cavalos que temos.
– Um basta, meu amigo.- Disse o mago afagando de leve um dos ombros do pequeno.
– Frodo gosta da minha carona, não é mesmo, pequeno?
– Sim! Hehe... – Sorriu o hobbit consentindo com a cabeça alegremente. – Não há melhor carona em toda terra-média! – Disse empolgado.
Elrond permitiu que um sorriso sincero brotasse em sua face, voltou-se para os dois, comentando ainda baixo:
– Mas saibam que qualquer problema ou coisa que precisarem... estarei aqui. – Respirou profundamente voltando a falar parecendo corrigir algo– Valfenda estará à vossa disposição.
E os olhos do elfo encararam os do mago, perdendo-se em sua cor azulada e brilhante, penetrando neles, dizendo-lhe que o amava profundamente, que tudo que passaram deveria continuar. Ao sentir uma pontada de ciúme do que poderia causar a separação deles, o elfo pôs-se a seguir por um corredor e logo sendo seguido por ambos.
Poucos instantes depois, Frodo abraçava Sam em seu vilarejo, para logo Gandalf deixá-lo lá e seguir para o Reino de Gondor. O mago parou no meio do caminho, descendo do cavalo, agachando-se num rio que servia como orientação para o percurso, o velho tomou uns goles de água, deixando os pés molharem um pouco devido a estar muito quente, mesmo já sendo umas oito horas da noite aproximadamente. Sentado ali, olhava as estrelas, sentindo-se livre finalmente. Distante das garras daquele elfo que mexia profundamente consigo, soltou um longo suspiro.
– Aragorn... Legolas... Frodo... Sam... eu... o Senhor Elrond...
Soltou um longo suspiro novamente.
– Aonde vamos parar...
Levantou-se cambaleando um pouco, sentindo novamente uma pontada no peito, levou uma das mãos ali, suspirando novamente.
– Odeio quando Elrond está certo, ou seja, odeio ele todas as vezes em que afirma alguma coisa.
Disse em tom zombeteiro reaproximando-se do cavalo, após ter recolocado as botas, subiu ali e continuou a viagem. Ao se aproximar da entrada o reino, vieram dois cavaleiros que tomavam conta ali e o mago logo se identificou. Feito isso, um dos cavaleiros o acompanhou pessoalmente até o castelo, levando Gandalf até a maior sala que havia ali, no segundo andar.
Aragorn estava sentado numa enorme mesa, a qual tinha lugares para trinta pessoas aproximadamente e ao ver o mago levantou-se abrindo-lhe os braços e ambos se abraçaram demoradamente.
– Meu amigo!
– Rei Aragorn!
O espadachim convidou Gandalf a sentar-se, este o fez.
– Tem fome? Aceita uma água? Bebida?
– Apenas água e alguma fruta... ainda to meio fraco, não posso abusar.
Aragorn abriu a porta e chamou um serviçal que logo trouxe os itens solicitados, feito isso, o rei pegou a bandeja e colocou-a ao lado de Gandalf que logo encheu o copo tomando alguns goles espaçados de água.
– Pois bem... – Comentou o mago secando os lábios com um guardanapo – O que desejas desse velho, meu rei?
Aragorn olhou na direção da porta, viu-a fechada, mas mesmo assim se levantou a trancando, feito isso, voltou a sentar-se, comentando mais baixo:
– Gandalf, é algo muito íntimo, mas... sei que podes me ajudar.
– Acredito que eu seja como um pai para você, meu caro... então, não vejo problema. O que lhe atormenta, meu caro?
– Bem...
Aragorn se levantou, começando a andar pela sala, ora para um lado, ora para o outro, mantinha passos lentos, pesarosos, enquanto segurava o próprio queixo parecendo pensar cuidadosamente no que dizia:
– Eu e Legolas... bem...
– Eu soube, Elrond me disse.
O moreno arregalou os olhos, apoiando ambas as mãos na mesa, perguntou receoso numa voz consideravelmente alta:
– Do que ele sabe?!
– Você e o senhor Legolas... o menino Legolas... até onde sei ele é um elfo jovem...
– Sim, e? Não me enrole Gandalf, diga de uma só vez, por favor!
– Que vocês transaram...
O mago mordeu uma maçã, mastigava lentamente encarando a mesa, levemente tímido e encabulado, finalmente após um tempo, levantou as orbes azuis voltando a encarar o cavalheiro.
– Mesmo?! – Aragorn mantinha os olhos arregalados. – Por isso, ele deve ter chamado Legolas para ir à Valfenda!
Disse alto o moreno batendo uma mão na outra, ecoando um som no grande salão como uma palma.
– Bem, na verdade, ele o chamou para outra coisa... mas isto não vem ao caso, acredite.
O mago deu outra mordida, permanecendo a olhar para o outro que voltara a andar, mas agora, que também o encarava com a face virada em sua direção.
– Certo... eu queria saber a respeito de como dois machos... fazem, o que isso pode ser considerado, Gandalf?
– A mais pura sacanagem?
O mago balançou a cabeça para os lados, trazendo à tona seu tom zombeteiro e irônico que Elrond conhecia muito bem. Depois do que disse, voltou a depositar a maçã na bandeja, mantendo uma das mãos sobre a mesa, seu braço esticado, batucando na madeira com o dedo indicador.
– Mas... é só isso?
– Aragorn, meu caro... sexo entre machos existe há milênios...
– Eu sei, começou com os elfos, não foi?
Gandalf levantou uma das sobrancelhas, ele não tinha certeza dessa informação e embora fosse nitidamente racista, era bem possível, por isso apenas balançou a cabeça para os lados, no melhor sentido: “Não sei, não tenho a certeza, mas é provável.”.
– Dizem isso porque eles são a raça mais antiga que existe... pois bem, como não gera frutos, ou seja, filhos... é normal que a terra-média não a aprove até por questão de sobrevivência.
– Entendo. – Finalmente Aragorn sentou-se, entrelaçando os dedos diante do rosto, apoiando o queixo ali.
– O que posso dizer é que... seria interessante que vós tivesse uma mulher, filhos... enquanto que Legolas continuasse como seu... digamos... fiel companheiro.
– Foi o que ele propôs...
O mago levantou uma das sobrancelhas consentindo com a cabeça, até que finalmente retrucou:
– Mais alguma dúvida, my lord?
– Nós ainda... não...bem... fizemos sexo... com penetraçã...
Nesse momento, ouviu-se três batidas na porta. Aragorn e Gandalf se entreolharam, novamente três batidas, consideravelmente mais fortes,e , de repente um grito agoniado:
– SE NÃO ABRIREM ESSA PORRA A ARRANCAREI COM O MACHADO!
Aragorn soltou uma nítida risada, acompanhada do mago. O moreno levantou-se e a abriu. Gimli bufava raivosamente lá fora.
– Até que enfim! Já estava com câimbras nas pernas!
– Bem vindo amigo. – Comentou Gandalf sorrindo.
– Gandalf! O único mago que gosto! Tudo bem?
O anão sentou-se prontamente na mesa e ao ver Aragorn voltar a fechar e trancar a porta, comentou baixo:
– O que está acontecendo aqui? – Olhou desconfiado para o rei, falando mais baixo – Se não bastasse o Legolas, o Gandalf também?
Aragorn se sentou ali com uma face de deleite, dava gargalhadas, o mago olhava apenas para o rei com uma fisionomia desconfiada.
– Bem, acho que Gimli poderá ouvir nossa conversa. – Comentou o rei.
– Sobre? – Retrucou o anão.
– Sexo. – Falou calmamente o mago. – Mas eu não entendo o que isso o agradaria, afinal, anões não gostam de elfos...
– Não gostavam, né Gimli. – Aragorn falou expressando certo cinismo na voz.
– Como? – Comentou o mago curioso.
Gimli pareceu corar na mesma hora, sua coragem e indelicadeza pareceram sumir, ele olhava a mesa diante de si, tinha ambas as mãos depositadas sobre ela, apertava uma mão na outra demonstrando claramente certo nervosismo.
– Bem... – Comentou baixo o anão sem encará-los ainda – o Lindir andou comigo por toda a cidade e está dormindo e... eu aproveitei para dar umas voltas.. mas se ele acordar, deverá vir atrás de mim e...
– Lindir... – Comentou o mago afagando a barba.
– Sim.
– Eu lembro, bem que estranhei não vê-lo em Valfenda, geralmente ele que recepcionava as visitas da cidade, realmente... – Continuou afagando a grossa braba branca – Ele não estava lá quando Elrond me deu o cavalo, em outros momentos, o próprio Lindir costumava buscar os cavalos... bem, pelo jeito, Elrond ainda não encontrou um substituto...
O anão suspirou longamente, falando baixo:
– Lindir é insubstituível. – E acomodou a face numa das mãos, parecendo sonhador. – Ainda vou comprar uma presilha de marfim para ele... ainda arranjo isso...
Aragorn sorriu gentil, Gandalf também e eles se entreolharam.
– Nunca imaginaria... nós três perdidamente apaixonados por elfos... – Retrucou o mago lambendo os dentes frontais com a língua, afim de retirar um pequeno pedaço de casca de maçã dali.
– Gandalf.
– Sim, meu rei?
– Gostaria de saber melhor... tipo... – Aragorn colocou ambas as mãos na mesa, entrelaçou os dedos, passando a encarar o mago atenciosamente. – Como se faz amor... com eles,sem feri-los.
– É o que também gostaria de saber! – Comentou o anão.
– Bem... – O mago retirou a mão da barba colocando-a sobre a mesa, depois de um tempo coçou a própria nuca e depois voltou a segurar a barba numa das mãos, apertando os fios. – Eu fiz com Elrond e... o machuquei... num pico de excitação, enfiei de uma só vez e ele se feriu.
– E olha que Elrond é um meio-elfo, ou seja, tem uma resistência já fora do comum, digo... – retrucou o moreno. – Se comparar a um elfo puro.
– É, se Elrond já se feriu, imagina Legolas e Lindir... – O anão coçava a barba ruiva, pensativo – Eles que terão que ser os ativos...
Gandalf deu um longo suspiro, comentando baixo:
– Me desculpem decepcioná-los, mas não acho que nem Lindir, nem Legolas sejam ativos.
– Aí que você se engana! Lindir se eu deixar, ele me violenta em plena rua! Tem um fogo naquele caralho élfico dele... que... puta que pariu!
Os outros dois não deixaram de dar boas gargalhadas.
– Mas é verdade! Toda hora ele roça em mim, parece que quer deixar o cheiro do pau dele! E é só nas costas, toma-lhe nas costas, ainda bem que eu percebo e saio da frente senão iria roçar até na minha cabeça!
– HAHAHAHAH.. – gargalhou o espadachim.
– Hehehe... – Sorriu baixinho, secamente o velho.
– Vontade de colocar um elmo cheio de espetos para furar o saco dele, mas que porra! Toda hora, roça, roça, roça, porra! Se eu fosse lenha, já teria pegado fogo de tanta fricção, eu não aguento mais!
E as risadas continuaram por mais um tempo. Aragorn tomou fôlego e até bebeu um pouco de água, para continuar:
– Bem, no caso do Gimli o problema está resolvido então...
– Como assim, caralho?
– Ué, é só você "dar" pra ele.
– Mas e a porra do meu cú? Vai virar uma couve-flor... de tão inchado!
Mais risadas e gargalhadas. Continuou o anão:
– Porra, os elfos quando querem, eles são ligeiros, se movem numa velocidade enorme! Imagina só, ele vai fritar meu cú com o pau élfico dele!
Mais risadas.
– Bem... – Aragorn continuou engolindo a saliva algumas vezes, aliviando a garganta de tanta risada – Devemos descobrir alguma coisa que... bem... – Aragorn pareceu pensar ou lembrar-se de algo – Legolas que será o ativo também, puta merda!
O moreno arregalou os olhos, Gandalf continuou:
– Não me surpreenderia, pensando bem, ele não parece ser passivo como o pai.
– Ahá se fudeu! Ficou me zuando mas o reizinho vai tomar no fiofó, nos forévi! Igualzinho a mim e vai ser até pior, vai sentar no trono de ladinho pra não doer muito! HAHAHAHAH !
– Droga. – Retrucou o moreno pensativo e desanimado.
– Eu já sei crianças, acalmem-se.
– Gandalf?
– Iremos simplesmente dar uma volta na Cidade das Alegrias. Conhecem?
O anão consentiu com a cabeça, Aragorn fez uma expressão que não sabia ao que o velho se referia, Gandalf ao ver sua face, resolveu explicar:
– É uma área proibida... antes do seu reino, meu rei... era o único lugar onde todas as raças convivem, lá não há restrição para nada, tudo é possível e aceito.
– Mas o que deveremos fazer lá?
O anão olhava para o rei e para Gandalf mantendo uma face animada, pois ele mesmo já havia estado lá, pegara várias anãs numa só noite, chegou a secar a baba que saía da boca com a palma de uma das mãos, só de pensar nelas, imaginá-las nuas novamente.
– Coletar informações... tem elfos lá que trabalham para atender a todo tipo de volúpia...
– Mas... eu deveria trair Legolas?
– Não diria trair, meu amigo, mas sim praticar. – retrucou o mago- Não quer aprender como se faz?
– Mas quero que ele seja meu primeiro e o último... eu não conseguiria... minha consciência pesaria demais e, também, não conseguiria mentir para ele depois.
– Foi exatamente assim que me senti, quando saí de Valfenda... anos atrás... muitos anos atrás... quando ainda era jovem.
Gandalf lembrara-se que deixara Valfenda aos seus 22 anos, lembrava-se ainda de como Elrond lhe vigiava, tomava conta de si quase que 24 horas por dia. Lá na cidade, havia uma elfa que adorava conversar com o mago e escovar-lhe os cabelos. Gandalf a achara muito bela e um dia, quando estavam juntos em seu quarto, o Senhor de Valfenda apareceu e praticamente a expulsou de lá. Era exatamente assim, Elrond determinara uma castidade forçada ao Cinzento, mas na verdade, Gandalf só iria descobrir mais tarde que não era exatamente para que ele ficasse casto, mas era por puro ciúme. Elrond o amava e isto significava que se não fosse com ele, Gandalf não teria mais ninguém da cidade.
– Como disse, coletar informações, podemos pagá-los para fazer na nossa frente, para assistirmos... – Disse o mago.
– É, faz sentido. – Comentou o anão.
– Eu não sei não... – Comentou inseguro o rei.
Gandalf levantou-se indo até uma janela de pedra, soltou um longo suspiro e finalmente voltou-se para Aragorn.
– Acredite, meu rei. Não serás o primeiro do Legolas.
Aragorn levantou-se, pondo as mãos na mesa.
– Claro que fui. Ele me disse.
– Está bem, acredite no que quiser. — Gandalf soltou uma risada seca.
– O que está insinuando, Gandalf?
– Que Legolas, antes mesmo de você... ele teve um professor.
– Quem?
O anão encarava ambos atenciosamente e em silêncio.
– Thranduil.
– Como?! Ele é o pai dele!
– E ele é louco... não me surpreenderia... – Gandalf voltou a olhar pela janela.
– Com todo respeito, eu não acredito...
– Meu rei. -Comentou o mago ainda de costas. – Queres aprender ou não?
– Sim, claro.
– Então, recomendo que devamos ir agora... os elfos dormem cedo e acordam mais cedo ainda... devem ser umas nove horas, isso significa que temos até as cinco da madrugada para voltarmos.
– Certo. – Aragorn levantou-se mantendo as mãos na mesa, pensava se realmente Legolas era violentado pelo pai, fato que o fez expressar dor através de sua expressão facial.
– Aragorn, meu rei.
O moreno levantou os olhos, encarando o mago.
– Deves ir disfarçado, arranje uma capa e eu lhe farei uma magia. Gimli, disfarce-se também. Vão lá, os aguardarei aqui.
Dito isso, os dois saíram para logo voltarem com suas devidas capas. O mago se aproximou deles jogando-lhes uma magia que o fizeram envelhecer bastante, ao menos aparentemente.
– Mas Gandalf, se ficarmos muito feios, os elfos correrão de nós. – Retrucou o anão.
– Acreditem, meus amigos, aqueles elfos encaram até mesmo orcs na cama. – Depois de verificar que ficaram irreconhecíveis, comentou – Vamos.
E os três partiram dali, Gandalf ergueu o cajado no ar, uma luz tênue brotou em forma de uma nuvem rosada, a qual se localizava próximo de um pico de uma montanha.
– É para lá. Nesta cidade eles soltam tantos fogos, tanta madeira queimando, o ar é tão sujo, que o cheiro faz com que a atmosfera até mude de cor ao entrar em contato com uma magia restauradora.
E logo chegaram à tal cidade, Gandalf orientou que deixassem os cavalos a uns dois quarteirões de lá, amarrados em árvores, visto que lá costumava dar todo tipo de gente, ladrões, prostitutos, viciados, loucos e assassinos. Era a cidade que acolhia todos os renegados, órfãos das outras cidades e foragidos, mas era o melhor atendimento sexual de toda terra-media. Segundo o mago, ele mesmo soube que até mesmo Elrond quando criança passara por lá, para ser vendido como escravo, afinal de contas, o meio-elfo também teve uma origem miserável assim como o mago.
Logo que chegaram, o mago adentrou umas ruelas mais vazias da cidade, já que as principais pareciam pipocar de gente e eram nelas que ocorriam mais frequentemente os assaltos. Atravessado uns três quarteirões para dentro dali, Gandalf se aproximou de um prédio rosa, o qual tinham dois humanos fartos e gordos que faziam a segurança do local.
– Queremos nos divertir.
Disse o mago se aproximando deles e lhes dando umas moedas. Em segundos, estavam os três dentro de um enorme salão. O mesmo tinha exagerados castiçais que enfeitavam todo o recinto, fitas de seda que se dependuravam no teto de forma a amarrarem-se umas nas outras, ornamentos em forma de estátuas nuas, flores dos mais diversos tipos e incensos em todos os cantos.
Veio de encontro aos três uma mulher, com seios fartos, mas a boca tapada por um fino véu, em sua cabeça estava uma coroa com algumas jóias, parecia ser a dona dali. Suas orelhas pontudas entregavam sua raça e ela até tinha feito tatuagens na face de forma a destacar sua herança élfica.
– Bem vindos. – Disse a elfa com uma voz melodiosa.
– Outra elfa piranha. – Retrucou baixo o anão para Aragorn.
– Queremos nos divertir com... elfos.
Comentou Gandalf dando uma longa olhada para os mais diversos elfos que tinham ali, alguns já estavam até acompanhados, outros pareciam conversar entre si na sua língua natal.
– Deixe-me ver... – O mago apertava a farta barba numa das mãos. – Quero aquele loiro, aquele moreno... e aquele outro moreno, de pele bem clara.
– Estás com bastante apetite... estou vendo.
Disse a mulher sorrindo sedutoramente, dando uma ligeira cantada no mago, deixando transparecer bastante isso, embora ela mesma estivesse impactada com o fato da procura por elfos machos ter aumentado bastante, as fêmeas quase não eram pedidas. O quadro de pessoal girava em torno de 90 homens e 25 mulheres devido aos novos tempos. Ela mesma há tempos não tinha relações, é claro, exceto quando pedia o favor aos seus próprios empregados.
– Sim, aonde poderemos interagir com eles?
– Me acompanhem. – Disse a elfa chamando os elfos solicitados, os quais começaram a segui-los obedientemente.
Os elfos solicitados encontravam-se logo detrás deles e pareciam cochichar algo em sua língua élfica, Gandalf os ouviu soltando sutis risadinhas, o mago parou de andar e segurou um dos braços do anão, comentou baixo com ele:
– Eles parecem ansiosos para brincar contigo, meu pequeno amigo.
– Devem gostar de um baixinho, devem ser primos do Lind...
Antes de o anão terminar de falar, Aragorn tapou-lhe prontamente a boca, retrucando baixo:
– Sem nomes, esqueceu?
– Ops, é mesmo!
Finalmente a mulher abriu uma enorme porta, coberta por camurça aveludada.
– Fiquem à vontade.
E saiu dali, os elfos adentraram junto com eles, feito isso, pareciam aguardar ao lado dos três e foi neste instante que Gandalf ordenou.
– Podem se deitar, crianças... esperem na cama.
Aragorn olhava para o elfo loiro com os olhos arregalados, emanando prazer e volúpia, engolira em seco inúmeras vezes sentindo a garganta gelar de ansiedade, motivo pelo qual tomou até um susto quando Gandalf tocou-lhe um dos ombros perguntando se estava tudo bem.
– Sim! Está! – retrucou o espadachim mexendo na gola da capa, sentindo um calor enorme. – Está quente aqui, não?
O elfo loiro sorria-lhe abertamente e sem mais esperar, postou-se diante do cavaleiro, abrindo-lhe a calça enquanto permanecia olhando para cima, mantendo um sorriso safado nos lábios.
– Quero você.
Disse o elfo e na mesma hora, Aragorn pareceu ver a face do elfo se tornar a de Legolas, ele tocou-lhe os fios loiros, engolindo em seco, Gandalf levantou uma das sobrancelhas e sorriu irônico, soltando uma risadinha seca, pensou logo o tal “senhor certinho” era o mais alvoroçado a cair nas garras dos elfos profissionais.
Quando o mago olhou para o outro lado, viu Gimli correndo atrás do elfo de pele pálida e cabelos longos e castanhos, o baixinho se esforçava a alcançar o elfo, este não lhe dava facilidade, pulando na cama saltando dali para correr novamente em círculos pelo enorme quarto.
E o mago finalmente viu o elfo que lembrava Elrond, o qual tinha a pele mais bronzeada e cabelos castanhos, encontrava-se já, completamente nu, na cama. Ele mantinha os braços abertos e conservava uma face de entrega, desejo, levou o dedo indicador aos lábios, mordendo bem de leve a pontinha para logo esfregar a língua ali e sorrir maliciosamente.
O mago não pôde evitar, lembrara-se de seu amado. Mais uma vez olhou para Aragorn, este já estava num estágio avançado de sexo oral, olhou para Gimli e este já havia colocado o elfo de quatro e fodia-lhe dolorosamente. O mago franziu as pestanas quando viu que Gimli parecia machucar o elfo, além de pronunciar palavras obscenas e preconceituosas.
– Você nasceu para isso não é, seu safado! Todos vocês, seus arrombados, nasceram pra serem como tentações para machos como eu, então toma! Toma nessa bucetinha élfica! Nesse rabo aflorado, seu afrescalhado da porra!
– Vem comigo. — Gandalf tocou o ombro do elfo que estava sobre a cama. – Vista seu robe novamente.
E o elfo o acompanhou obedientemente e levemente decepcionado. O velho andou até outro quarto do corredor, adentrou ali, vendo-o vazio.
– Sente-se, meu amigo.
O elfo olhava-o atentamente ficando de pé, falou baixo:
– Pretende me matar?
– Como?
Gandalf sentara numa cadeira e ficara olhando para o outro, ainda de pé.
– Não, não... só quero conversar.
– Con...versar? – Perguntou o jovem elfo sentando-se ali.
– Tento imaginar como um elfo tão belo, poderia viver aqui... por que não tenta ir à Valfenda?
– ... eu nasci nessa cidade, tenho medo do mundo lá fora.
– Eu lhe garanto, não existe pior lugar do que aqui. – Disse o mago apoiando ambas as mãos em seu cajado, diante de si. – Bem, mas eu não vim para.. ajudá-lo... se bem que poderei deixá-lo na cidade de Valfenda e se quiser... o ajudaria a fugir.
– Eu... não sei fazer mais nada além disso.. meu senhor...
– Aprenderá, lá em Valfenda há muitos bons professores.
O elfos e inclinou para frente, comentou baixo:
– De sexo?
– Não. Qual seu nome?
– Agnor...
– Certo. Bem, depois poderá ir conosco, acredite, meus amigos não são os monstros que pareceram ser ainda a pouco.
– Eles estão apaixonados, não é?
– Como?
– A forma como o de cabelos castanhos olhos para o Krely... e o anão... quase disse um nome o qual foi abafado, isso enquanto ele olhava para o Brisse.
Gandalf ia dar uma enorme risada, ainda se surpreendia como os elfos eram inteligentes e observadores.
– Acho que vós sois o que meu amigo procura... – Pensou no cargo de Lindir, em Valfenda.- Pois bem, o que quero saber é como posso fazer amor com um elfo sem machucá-lo.
– Se seus amigos não fossem tão ansiosos... – O elfo tirou uma garrafinha de um dos bolsos do robe de seda. – Observe, cheire.
– O que é isso, um óleo? – Perguntou o mago.
– Sim, totalmente natural, trazido por uma elfa ruiva, chamada... Tauriel, de uma raiz rara que só existe nas Florestas Negras. Aliás... lá tem um elfo, segundo ela, Legolas... isso mesmo... – O elfo levou uma das mãos à boca, sorriu – Dizem que ele é lindo. Aliás... Tauriel disse que até poderíamos tentar mudar para lá, mas ela comentou que poderíamos nos mudar, mas também correr o risco de sermos mortos.
– Infelizmente é verdade. — Gandalf consentiu com a cabeça.
– Mas se Legolas for tão bonito... vale a pena levar uma flechada, ahhhhh – O elfo levantou-se balançando as mãos no ar até se abraçar-se – Uma flechada de amor!
– Meu jovem elfo, me diz, para que serve o óleo. — Disse objetivamente Gandalf voltando ao assunto.
– Para lubrificar lá embaixo, por ser natural, não arde, ele simplesmente esquenta de uma forma que não queima, ele não evapora e ajuda a não machucar. Já enfrentei cada cacete... hahaha...
– Imagino. – Gandalf olhava para a garrafinha. – Tauriel, certo? Gostaria de comprar.
– Ela deve chegar daqui a pouco, ela sempre vem às sextas de madrugada... deve estar chegando. – Disse o elfo olhando para a lua. – É, isso mesmo.
– Vou querer algumas. Bem, é isso. Obrigado.
– Me levarás à Valfenda ou para as Florestas Negras?
Gandalf soltou um longo suspiro, finalmente o respondendo:
– Claro, porque não... só me arranje umas três garrafas. Isso rende né? Vejo que é viscoso.
– Sim, uma gota basta, comigo costuma durar meses e eu faço amor todas as noites... umas... cinco, seis vezes... – Disse o elfo cruzando as pernas.
– Se for conosco... conseguirá ficar sem fazer... sexo?
– Claro.
– Tem certeza? Para as cidades que falei, você até faria, mas com menos... – O mago pareceu pensar e continuou. – Bem menos... frequência.
– Quero sair daqui... olhe isso.
E o elfo retirou o robe, pondo-se de costas para Gandalf, feito isso, abriu as abas da bunda expondo sua entrada. O mago olhou franzindo a testa, engolindo em seco.
– Perdeu as pregas realmente.
– Eu não tenho mais rabo, literalmente. Meu intestino fica exposto, volta e meia eu me cago todo. – O elfo voltou a se vestir, sentando-se cuidadosamente. – Eu não quero mais isso. – Uma singela lágrima pareceu brotar-lhe no canto do olho.
Gandalf não deixou de pensar em Elrond, no que ele passara antes de se tornar o Senhor de Valfenda, sentindo um amargor no peito, levantou-se tocando um dos ombros daquele elfo.
– Não se preocupe amigo, lhe levarei a Valfenda. Terás um emprego digno lá. Vamos me traga as três garrafinhas, para sairmos logo daqui.
– Me espere aqui, tá? – E o elfo saiu animado, cantarolando algo em sua língua.
– Coitado. — Gandalf soltou um longo suspiro.
O elfo voltou com a tal elfa ruiva, a qual ele tinha falado, Gandalf arregalou os olhos ao lembrar-se da temida Tauriel das Florestas Negras narrada pelos parentes de Gimli há anos trás.
– Aqui está, senhor.
E Gandalf entregou-lhe algumas moedas, Guardando as garrafinhas numa sacola de pano.
– Eu lhe conheço? Mago Gandalf?
– Não senhora, agora tenho que ir.
E o mago saiu dali, seguido de Agnor. Esta fingiu ter parado de segui-lo assim que o mago parou virando-se, ela sumiu. Aguardou ele continuar a caminhar para segui-lo novamente.
– “É o mago que acompanhou Legolas e Aragorn na guerra do anel!”
Pensou Tauriel os seguindo. Ela pôde ver que o mago adentrara um quarto e ao passar diante dele ela viu um anão e um homem lá dentro, ambos envelhecidos, mas que cheiravam a jovens e o rapaz tinha cheiro de uma linhagem nobre, aroma amadeirado.
–“Aquele é Aragorn?” – Pensou escondendo-se numa penumbra.
Depois de um tempo saíram os três dali, ela os acompanhou e os viu pegarem os cavalos. O mago permitiu que Agnor subisse em seu cavalo e Aragorn e Gimli deixaram as capas caírem no chão partindo em retirada apressadamente, já que se passava das cinco da madrugada.
Ela se agachou próxima da capa deixada pelo homem, dobrou-a calmamente, olhando na direção que eles haviam ido.
– Legolas vai adorar cheirar essa capa e descobrir aonde a achei... assim verás que este tipo de coisa é errada... e pensará novamente em mim.
Comentou como se conversasse consigo mesma. Logo se pondo a seguir para as Florestas Negras. Não demorou muito a chegar, direcionou-se para a rocha aonde costumava ficar, junto a Legolas, mas ele não estava ali, foi aí que escutou bem ao fundo, um barulho de flechas sendo atiradas, ela correu na direção.
Lá estava seu amor, ela andou a passos lentos e eis que ele virou-se tão rápido mirando-lhe a flecha, a mesma passou de raspão arrancando um pouco de sangue de sua face devido a um sutil corte, ela rapidamente levou a mão ali, olhando seus dedos ensanguentados. Legolas a olhava sério, amistoso, raivoso.
– Achei que tivesse ido embora. – Disse friamente voltando a mirar num alvo, o alvo já estava despedaçado e ele acertava talvez a milésima flecha no mesmo lugar, ele fazia isso repetidamente sem parar.
– Legolas, aconteceu alguma coisa?
Ele parou de atirar, soltou um suspiro dolorido.
– Não.
E voltou a mirar o local.
– Acho que... – Ela comentou insegura. – Gostaria de ver isso.
O elfo virou-se olhando a capa, seus olhos se arregalaram devido ao notar ser do seu amigo.
– Vim da Cidade dos Prazeres.
Legolas fitou a face dela por um tempo, depois comentou baixo:
– Está mentindo, você se meteu naquele pulgueiro?
– Eu não tinha para onde ir, quando saí daqui.
Ele andou até a elfa, tocando-lhe a face, vendo que ainda brotava sangue da face dela.
– Desculpe.
Disse dando um passo para trás, pegou a capa das mãos dela.
– Foi lá que encontrou isso?
– Ele estava lá, o mago e um anão.
Legolas levou a capa ao nariz, sugando o ar, sim, tinha a certeza, ela de Aragorn, até o fecho com o símbolo do Reino de Gondor.
– Obrigado, eu mesmo o entregarei. Cuide dessa ferida e prepare-se, pois será a nova general.
Disse andando rapidamente, logo sumindo dentro da floresta.
Tauriel sorriu, achava estar prestes a resgatar o amor de Legolas.
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