Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
19 Entre quatro paredes.
Gandalf continuou ao lado da porta por uma quantidade de tempo que nem ele mesmo conseguiu contabilizar, tamanha era sua insatisfação e nervosismo e, ainda por cima, sentia-se fraco, as pernas frágeis, como se fossem de cristais, sua cabeça pendia para frente, pesada, dolorida, suas mãos pareciam dormentes, os dedos delas, duros, engessados, e a situação presenciada não era das melhores.
O mago sabia do que aquele ambiente dentro daquele quarto representava o mais comum item tão presente nos dias atuais, em nossa contemporânea sociedade: Estrupo.
O velho queria adentrar ali, queria influenciar de tal forma que tal violência parasse, mas como fazer isso, se seu corpo insistia em permanecer estático, como que num quadro extremo de esquizofrenia chamado Catatônico, só não se poderia dizer que se tratava de um surto, pelo fato do velho manter-se consciente do que ocorria ao seu redor, se houvessem deuses naquele ambiente Tolkiano, Gandalf os estaria invocando, estaria rezando, mas como esta era uma possibilidade distante daquela, o que ele pôde fazer, foi sentar-se ao chão e sentir sua respiração suspensa, chegando quase a se asfixiar com tamanho nervosismo que tapava-lhe a garganta como uma rocha.
E, foi neste instante, que um cavaleiro adentrou a sala do Rei Aragorn, no outro reino.
– Meu senhor.
– Sim?
Legolas encontrava-se ao lado do jovem, passando agora, a observar também o cavaleiro intruso.
– Gostaria de mencionar que foi visto o Rei Thranduil indo em direção a Valfenda, como o senhor, meu rei, pediu que qualquer movimento fosse-lhe narrado, estou aqui a avisá-lo.
– Agradeço, pode ir agora.
– Sim, senhor.
Legolas arregalou os olhos passando a encarar a face do moreno, este correspondia-lhe sem entender.
– Está ocorrendo algo que queira me contar, Legolas?
O elfo engoliu em seco, comentando baixo:
– Digamos que o clima entre Valfenda e as Florestas Negras não seja dos melhores.
– Quando iria me contar isso? – Retrucou friamente o Rei.
– Eu não queria preocupá-lo com possibilidades que poderiam não acontecer.
– Mas que estão acontecendo!
Aragorn levantou-se, andava para um lado, para o outro, esfregava uma das mãos em sua barba curta, mas grossa.
– Penso se deveria interferir, guerra entre os elfos?
– Não acredito que me pai cause esse tipo de conflito, no máximo deve ter ido conversar com o senhor Elrond. Acalme-se, tudo está bem... deixe-me apenas ir verificar, está bem?
O loiro não mencionaria do ritual, afinal, gente demais já sabia sobre algo que nem deveria ter conhecimento fora das Florestas Negras, o elfo postou-se diante de Aragorn, dobrando parcialmente um dos joelhos, o cumprimentando com tamanha formalidade que acabou por surpreender o espadachim.
– Devo ir, meu rei. Espero logo trazer-lhes notícia.
– Tem certeza que não quer que eu vá? É uma guerra iminente, pelo que vejo. Pode explodir a qualquer instante.
– Meu pai não começaria uma guerra assim, ele costuma dar sutis sinais...
– Sinais... Legolas está me tratando como um demente! Seu pai não sai à toa de seu território! Algo grave deve estar acontecendo!
O elfo levantou-se olhando desanimado para o outro, soltou um longo suspiro, resolveu contar.
– Meu pai tem ciúmes da relação de Gandalf e Elrond. É só isso.
– Legolas!
Aragorn tocou as laterais dos braços do elfo, apertando forte ali, indignado com tamanha frieza mostrada pelo amigo.
– Isso é grave! Se ele resolver agredir Gandalf? Afinal de contas... é lá que o Cinzento está, não é?
O moreno deixou seu corpo cair numa nobre e acolchoada cadeira ali perto, mantinha uma das mãos na própria testa, sua coroa até fora para detrás da cabeça e seguiu deslizando até cair dali, mas não chegou a atingir o chão, devido ao elfo pegá-la e devolvê-la ao dono, que ainda encontrava-se atordoado, disperso em pensamentos.
– Isso é muito grave! – Finalmente suas orbes esverdeadas encararam a do outro.
– Calma, meu amigo.
– Calma!?
Aragorn arregalou os olhos mantendo uma feição pasma, engoliu em seco para depois falar com uma voz rasgada, tensa.
– Legolas e se seu pai atacar Gandalf?
– Ele não faria isso, afinal, Elrond não permitiria. – Depois de uma longa pausa, continuou com uma voz calma. – Entenda, Aragorn, os elfos convivem há milênios, meu pai é amigo do Senhor Elrond há muito... muito tempo.
– Eu sei... Elrond costumava sair, às vezes, quando eu ainda morava lá... quando era apenas um garoto... mas eu lembro da face de desgosto que ele carregava toda vez que ia visitar diplomaticamente as Florestas Negras. Tamanho desgosto... nunca havia visto na minha vida... alguém ficar tão... amargurado em questões de segundos.
Legolas ajoelhou ali, tocando-lhe uma das mãos.
– Deixe-me ir, não gostaria de partir sem vossa permissão.
– Eu quero ir também.
Legolas apertou a mão do outro, entre as suas.
– Confie em mim, meu amigo... conheço meu pai... conseguirei convencê-lo a não fazer nada que não deva.
– Legolas...
– És um rei agora, deverás ficar aqui e não se meter em coisas assim... em qualquer confusão.
– Não é qualquer confusão, meu elfo.
Aragorn tocou-lhe a face, massageando-a, afagando uma das bochechas do outro. Legolas soltou um sorriso dolorido, tamanha era sua excitação com aquele gesto.
– Envolve sua família... meu futuro sogro.
Sorriu docemente o espadachim, Legolas sem mais se conter, puxou-lhe pela nuca, beijando-o, e, finalmente, com as faces próximas, o elfo comentou baixo:
– Está bem, arrume-se então.
– Sim. Tomara que Faramir possa me dar suporte novamente, em minha ausência. Aguarde-me aqui. — Aragorn levantou-se animadamente.
– Sim. – Respondeu o loiro se levantando também – Meu rei.
O clima entre as quatro paredes não eram dos melhores, Thranduil ainda beijava vorazmente o outro, chegava-lhe a cortar o canto dos lábios devido à violência empregada. O elfo loiro rasgou a vestimenta de seda expondo-lhe o tórax num solavanco, numa puxada só, feito isso, voltou a segurar firme o pescoço do senhor de Valfenda que apenas o observava imparcial.
– Você me machuca tanto! Não sabe como é ficar dias, noites e mais fartos dias o aguardando!
– Thranduil...
– O que é?!
O pai de Legolas tinha lágrimas em seus olhos, estas desciam pelas bordas do rosto e ele acabou por depositar a face ali, no peito exposto do outro.
– Sempre desconfiei que o veneno das serpentes que enfrentou, tenham lhe atingido o raciocínio.
– Voc... você sempre me menospreza. Sempre...
A face de Thranduil era dolorida, carente.
– Nem sequer me dá um carinho... ou a atenção devida.
– Não estou lhe dando atenção agora? – Comentou friamente o que se encontrava debaixo.
– Isso mesmo!
Thranduil Voltou a sentar-se ali, mantendo ambos os braços esticados, encarando o outro com uma fisionomia de desespero, agonizante.
– Só está me dando atenção! Só isso!
– Shiu... – Elrond tocou-lhe a face docemente, o elfo loiro sorriu meigo fechando os olhos, deixando a cabeça tombar para trás. – Não queremos que Valfenda inteira nos escute. Deixe-me dar logo o que deseja.
Dito isso, Elrond seguiu com as mãos, pela túnica acinzentada do outro rei, descendo-lhe pelas costas. Thranduil vestia uma espécie de vestido masculino, como uma túnica acinzentada, a qual tinham mangas longas, mesmo que elas afrouxassem nos pulsos, enquanto que pelo corpo, descia-lhe reto, apenas comprimindo-se um pouco na cintura, para seguir até o chão com uma calda imensa e um saiote anexados.
As mãos seguiram até as nádegas do loiro, apertando-a nas palmas das mãos. Thranduil permitiu que sua cabeça continuasse jogada para trás, mantendo um sorriso de completa satisfação nos lábios, chegando quase a um êxtase orgásmico, finalmente sua face pendeu para um dos lados, tocando calmamente e levemente na face de Elrond.
– Eu gostava quando eram somente nós dois...
– ...
– Você não?
Elrond respirou profundamente, fechando os olhos, sentindo o aroma de Gandalf ali perto, finalmente voltando a abri-los. Pensara que teria que terminar logo com aquilo, afinal, o mago não deveria ter se levantado, este fato irritava profundamente o Senhor de Valfenda, mas ele não deixou de pensar que o mago estava ali por se preocupar consigo, e ao mesmo tempo em que a preocupação consumia-o, a felicidade o preenchia mais ainda.
– Vamos acabar logo com isso, Thranduil.
O elfo moreno jogou a cintura para um dos lados, fazendo com que o elfo loiro perdesse sua majestade naquele movimento e se postasse debaixo de si. Elrond enfiou o dedo indicador e o médio na boca do outro, sem maiores delongas e logo puxou-lhe a calça, voltando a se posicionar entre as pernas do outro, adentrou-lhe os dois dedos, fato que fez Thranduil agarrar com força o lençol de seda e soltar gemidos agoniados.
– Você é tão mal comigo...
Retrucou o loiro olhando com uma face que misturava agonia e afeição pelo outro. Elrond sorriu, deixando uma risada sádica esboçar no canto da boca.
– Você me iniciou nisso, meu rei, não me deu a dúvida da escolha.
– Eu o amava e ainda amo... achas que era fácil segurar isso dentro de mim? – Disse jogando a face para um dos lados, ao sentir o dedo afundar mais dentro de si — Ah...
– Não, não é fácil... nunca o é... – Elrond olhou discretamente na direção da porta, engoliu em seco, voltando a olhar para o outro. – Essas coisas dançam dentro da gente como labaredas de fogo.
Elrond pôs-se de pé, retirando as próprias calças, seu membro estava em seu pico, duro, já lhe melava todo baixo ventre, Thranduil o olhava, lambendo ao lábios ansioso pelo que estava por vir. O Senhor voltou-se a se posicionar ali, ficando de joelhos e pôs-se a adentrar completamente, reação que não encontrou nenhuma resistência no corpo do outro elfo, Thranduil já tinha a marca de seu Senhor como uma coleira dependurada em seu pescoço, era sua propriedade particular, seu território élfico completamente dominado.
Thranduil funcionava como uma espécie de passatempo, quando o senhor de Valfenda encontrava-se em seu “limite”, e era graças àquele elfo loiro, que Gandalf conseguira ficar anos em Valfenda sem ser ao menos incomodado. O elfo moreno conseguira manter sob seus domínios seus sentimentos mais obscuros, sua sede insaciável, escondida através de uma máscara calma e gentil. Na verdade, ele que poderia ser considerado o vilão da história, não o outro.
Terminada a interação, Thranduil permanecera deitado sobre a cama, completamente satisfeito, Elrond aproximou-se de um móvel, vestiu um roupão de seda amarrando-o na cintura, passou pela porta e pôde ver Gandalf ainda ali, sentado no chão. Os grandes olhos azuis encontraram os do meio-elfo. O Senhor de Valfenda olhou para dentro do quarto, ao ver que o outro parecia dormir, fechou lentamente a porta sem fazer nenhum barulho, agachou-se ali pondo Gandalf em seus braços e seguia a passos calmos para o quarto aonde o mago estava anteriormente o recolocando cuidadosamente na cama.
– Sei me cuidar, meu amigo. Não deveria ter levantado.
– ...
O mago engoliu em seco, permitindo que o outro o cobrisse com um tênue lençol, ficando apenas a olhar-lhe a face e pôde ver sutis arranhões numa das bochechas e feridinhas nos cantos dos lábios. Dava a observação, comentou baixinho:
– Ele é louco, não é?
– Muitos diriam a mesma coisa de nós dois, Gandalf.
Elrond puxou uma cadeira sentando-se ao lado do mago, tocou-lhe a testa e franziu os celhos ao ver que se encontrava quente.
– Realmente...
Pegou uma toalhinha a umedecendo numa vasilha com água e ervas ali próximo, torceu-a com as mãos, para logo colocar na testa do outro.
– Não deverias ter levantado.
Elrond tocou-lhe um dos ombros, mantinha um sutil sorriso, que misturava amor com a sublime satisfação de ter o outro ali, próximo a si.
– Elrond... meu Elrond.
Gandalf tocou aquela mão, anexada a si, o elfo permitiu-se que seu sorriso sumisse, pois seu coração se apertara como se estivesse amarrado a arame farpado.
– Meu... amável Gandalf...
O Senhor de Valfenda afastou a mão dali, empurrou a cadeira para longe e sentou-se ao chão, próximo da cama, debruçando sua face ali, de forma a ficar próxima à do outro, olhava-o devotadamente, tocando-lhe a densa barba. Gandalf deitou-se de frente para o seu Lord, o dono de seu coração, suas orbes azuis pareciam perder-se naquela face élfica.
Os lábios do senhor abriram-se emanando uma sutil fonte de ar, sublime, tênue, afável. O mago também permitiu que sua boca se abrisse parcialmente tomando aquele ar emitido para si, engolindo-o calmamente.
O encarar, o amor e a dor se misturaram naquele instante.
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