Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf

32 E então? Só passeando pela cidade? Er... não. - Lindir e Gimli


A manhã adentrara no quarto, Arwen só acordara agora, ainda sobre o marido, mas se surpreendera de vê-lo ainda dormindo pesadamente, afagou-lhe o queixo e só agora, pôde ver que o elfo não se encontrava ali. Seus grandes olhos azuis percorreram todo o quarto, acabando por olhar demoradamente na direção da porta de entrada. Resolveu sentar-se e assim o fez, respirou profundamente voltando a ver Aragorn, ali, dormindo tranquilamente, na mesma posição da noite anterior e não deixou de pensar em como deve ter sido cansativo para ele se dedicar a dois seres diferentes, ao mesmo tempo.

– Os novos tempos...

Retrucou baixo, com uma voz macia, ela fitou um ponto diante de si, deixando um sorrisinho inocente escapar-lhe, virou-se depositando os pés no chão e apertou bem de levinho o lençol entre os dedos, vendo o amanhecer apresentar-se através da grande janela dali, o raio do sol era opaco e frágil por ser filtrado por uma grossa cortina. A jovem se levantou, abrindo-a e sentindo o calor de seus raios na alva pele, ela manteve os braços abertos respirando profundamente, feito isso, voltou-se para dentro do quarto e quando se aproximou de um armário, pôde ver uma carta, sobre um criado mudo ali perto, se aproximou, a pegando numa das mãos, virou-a vendo seu verso e ali estava escrito em élfico: Aragorn. Ela soltou uma risadinha sincera e tentou imaginar se o cavaleiro conseguia ler naquele idioma, ela acreditara que não, por isso de sua risada.

– “Legolas, saiu tão desnorteado daqui que escreveu na língua dos Elfos das Florestas?”

Pensou a dama, reconhecendo apenas algumas sílabas, talvez seu pai conseguisse entender, mas ela temeu pelo conteúdo da mesma, soltou um longo suspiro e recolocou-a sobre o pequeno móvel. Na verdade, ela só reconhecera a vogal A que iniciava a palavra e o N no final, deduzindo que se tratava do nome de seu esposo. Ela pegou-a novamente, ficou impressionada com a delicadeza dos contornos, com as sutis sinalizações, pontos, discretas marcas que causavam os contornos da grafia.

– “É um idioma élfico mais difícil que o de Valfenda, quase indecifrável.”

Pensou recolocando-a ali, olhou ao redor, aproximando-se da lareira, agachando-se ali, vendo a madeira enegrecida por ter sido usada já algumas vezes. Cenas da noite anterior lhe vieram aos pensamentos e deduziu que o jovem estava tão desnorteado quanto a si mesma, mas que aquilo deveria se tornar comum, já que não restava alternativas aos três. Ela levantou-se dando passos até parar ao lado da cama, Aragorn dormia pesadamente, seu tórax subia e descia lentamente.

Ela sorriu, deixando-se contemplar a cena ainda por um tempo.

– Meu amor...

Sua fisionomia fragilizara-se demonstrando que sentia dor e agonia.

Gimli andava ao lado de Lindir pelos corredores enormes da cidade de Gondor, o anão estava já esbaforido, enquanto que o elfo percorria cada trecho da cidade parecendo flutuar, seus pés quase não tocavam o chão, e como se quisesse humilhar o anão, às vezes dava sutis passos de dança atraindo a atenção dos que passavam por eles.

– Eu mereço! Uma gaivota saltitante! – retrucou raivosamente o anão.

Lindir sorria escancaradamente:

– Nem sempre fui assim, viu?

Disse parando inesperadamente diante do anão que acabou por esbarrar nele e empurrá-lo devido ao susto tomado.

– Puta que pariu! Dá para parar com isso não?

– Gimli...

O elfo fez uma fisionomia triste, mantendo ambas as mãos detrás da cintura, olhava com o corpo sutilmente inclinado para frente, enfrentando a face ingrata e enraivecida do pequeno.

– O que foi? Não está animado a comprar uma casa para nós dois? Para podermos parar de ouvir os gritos e gemidos agoniados do rei?

– Shiu! Calado!

O anão se aproximou do elfo, segurando-lhe firme pela lateral de uma das pernas, puxando uma das abas de sua roupa élfica.

– Fala baixo, está louco?

Lindir agachou-se ali, colocando ambas as mãos nos ombros do anão, encarava-o com uma fisionomia séria.

– Pretende viver aqui comigo, certo?

O anão olhou um tempo para um dos lados, ficando em silêncio.

– Gimli...

– Eu não sei de nada.

Voltou a olhar o elfo que o encarou mostrando uma insegurança profunda.

– Mas...eu achei... que nós... – O elfo encarava o chão ainda mantendo as mãos nos ombros do baixinho- Íamos... quero dizer... viveríamos... – Voltou a encarar o anão- Você parecia animado a ficar comigo.

– Eu sei...

Gimli engoliu em seco, lembrando-se de sua própria cidade, a Cidade dos anões, finalmente resgatada por Thorin anos antes. Lembrara-se de seu pai, um dos anões que acompanharam Thorin, como seu fiel escudeiro, lutando em prol do resgate não só da cidade, mas do tesouro dos anões. De repente, ao ver a face amargurada de Lindir, lembrou-se de seu pai, do que ele lhe diria se soubesse do “casinho” do seu filho, da face de desgosto que faria, já que todos os anões odiavam elfos, tanto que todos eles gostariam e muito de arrancar as entranhas deles todos com seus machados, depois de enfrentá-los seguidamente como que numa fila.

O anão até sorriu ao lembrar-se de seu pai dizendo que adoraria decapitar alguns, arrancar-lhes os braços para ver se sobreviveriam tantos milênios e ainda comentava que se fizessem isso, seria capaz dos elfos atirarem flechas pelo rabo devido ao seu grandioso potencial com a mira.

Mas Gimli não queria causar esse desgosto, e ele mesmo, sentia falta de sua casa, de Matilda, de seus futuros filhos, talvez.

– Lindir, é complicado...

O elfo ainda o encarava fixadamente e por ser bem cedinho, umas seis da manhã, as ruas estavam consideravelmente vazias, as lojas fechadas e as casas também, sim, Lindir nem deixara Gimli dormir direito, acordando-o logo ao abrir a janela e deixar os raios de sol empertigarem o sono do pequeno guerreiro.

– Mas por que é complicado?

– Eu anão, tu elfo, entendeu?

– O que tem demais?

Finalmente o elfo se levantou, encostou-se numa beirada de um poço ali, apoiando as mãos na borda, mantendo-as próximas às laterais de seu corpo.

– Sei que se excita quando te toco... sei que gosta de me beijar, do carinho... o que há de errado?

– ...

O anão andou até uma cadeira velha próxima de um muro de algum casebre ali, sentou-se apoiando as mãos, nos joelhos, olhava fixadamente para frente.

– Lindir, eu descendo de uma família de anões...

O elfo levantou uma das sobrancelhas e cruzou os braços.

– Isso é óbvio, continue.

– Minha família... não aceitaria nossa relação, é isso!

– São eles que devem se deitar comigo? – Disse irônico e continuou. – Não, apenas você.

– Você não entende...

– Como não entendo? Gimli... você me deu falsas esperanças então? – O elfo levantou-se dali, gesticulava nervosamente até que parou diante de Gimli, com as mãos na própria cintura.

Gimli secou a testa suada com uma toalha velha e finalmente voltou a encarar o outro.

– ... eu não sei como dizer...

O elfo se ajoelhou diante do anão, segurando-lhe a face com as mãos, falou com uma voz baixa e calma, sim, ele tentava se conter ao máximo, embora o preconceito e a cabeça dura do outro fossem exageradamente grandes.

– Diga então, olhando em meus olhos, que deseja que eu vá embora e o abandone.

Gimli evitava olhar a face de Lindir, pressionava os lábios, fazendo uma fisionomia de dor, agonizante, não queria olhá-lo, não queria encarar aquela face que ele tanto gostava e se sentia atraído, de sua voz, de seus olhos, de suas orelhas pontudas... ele não queria ver nada disso, para não mostrar que Lindir estava certo.

– Lin...dir.

– Fale! Fale que não me deseja, Gimli, que não deseja ficar junto a mim!

O elfo o encarava fixadamente e o anão acabou por fechar os olhos e a chorar, o elfo se arrependeu um pouco quando viu que o pequeno chorava abertamente e até abraçou-o apertado.

–Gimli...

Lindir mantinha-se junto, afagando-lhe as costas e mantendo uma fisionomia preocupada.

– Calma... eu...

O anão chegava a soluçar, chorava tanto que até seu nariz pingava e o elfo sentia algo molhado e morno tocar-lhe um dos ombros, mas não se abateu e apenas o abraçou mais forte, comentando baixo:

– Isso, Gimli... meu amor... deixe sair tudo...

– Lind... dir...

O anão fungava bastante, e depois de um tempo, se distanciou um pouco ainda com a face totalmente molhada pelas lágrimas, o elfo pegou um lenço em sua bolsa e começou a secar-lhe os olhos cuidadosamente, gentilmente.

– Sim...?

– Você iria comigo...? Snif... snif...

O elfo permitiu que um sorriso gentil brotasse-lhe nos lábios.

– Aonde, Gimli?

– Ver meus pais... eu... gostaria de mostrar-lhe a eles, mas... eles... odeiam...

O anão baixou a face em direção ao chão, falava entrecortado, com a voz falhada, ainda umedecida pela dor profunda que sentia, Lindir voltou a abraçá-lo.

– Eu sei, eu sei... vamos, acalme-se... tudo vai ficar bem.

E voltou a olhar o baixinho, segurando-lhe a face com ambas as mãos, sorrindo-lhe gentil.

– Sorria, Gimli... porque estamos felizes juntos... não deixe que os outros lhe tirem isso... onde está meu anão brigão e desbocado, hã?

Disse brincalhão, Gimli deu uma risadinha tímida e baixa, mas deu.

– É porra... quem vai catar essa porra de elfo sou eu!

Levantou-se dali inesperadamente, fato que fez Lindir cair sentado no chão e olhá-lo surpreso, mas uma surpresa gostosa, animada. Depois de um tempo, levantou-se também, dando sutis tapas na bunda, limpando a poeira do chão de sua roupa.

– Bem... – O elfo deu uma longa suspirada- Acho que nossa casa vai esperar mais um pouco.

– Como?

– Não quer ir ver seus pais? Vamos lá!

O elfo olhou em direção ao céu, parecia observar as nuvens, os pássaros que voavam, uma brisa tocou-lhe a face e moveu seus cabelos castanhos, levemente dourados, fazendo-os voar, espalhar-se pelo ar, o elfo permitiu-se respirar profundamente, até baixar a face e olhar para o pequeno com um sorriso sincero nos lábios.

– Vai ter sol o dia todo, perfeito para visitar seus pais, o que eles gostam de comer? – O elfo olhava para os lados, algumas lojas já abriam- Carne, não é?

Gimli sorriu, e balançou a cabeça para frente algumas vezes, consentindo, afirmando com aquele movimento.

– E uma boa cerveja.

– Podemos comprar isso lá... levar no cavalo não acho que seja uma boa idéia.

– É... – Disse o anão coçando a densa barba.- Devemos apenas comprar mantimentos para o trajeto, vem.

E pôs-se a seguir por um caminho, sendo seguido prontamente por Lindir, que agora, estava infinitamente feliz, enfrentaria até mesmo a raiva ou ira de um dragão para ficar com seu “pequeno avantajado”. É, era assim que o elfo costumava pensar acerca daquele anãozinho: Pequeno avantajado, mas Lindir sabia que ele que comandaria, então, no fundo esse fator não fazia muita diferença.

– “Se os pais dele souberem de minhas intenções, eles me matariam variadas vezes, ou melhor, me torturariam durante dias antes de me matar.”- Pensou o elfo entrando numa loja, logo depois de Gimli. – “Mas eu farei isso, já decidi, quero tê-lo, quero fazê-lo sentar em mim e implorar por mais, vendo cada pneuzinho dele suar, dobrar-se de prazer.”

Pensava animado o elfo, olhando os itens pegos pelo anão, depois de coletados, ele se aproximou do caixa e pagou. Gimli se sentiu encabulado quando viu que o outro insistira em pagar.

– Ora... não precisava.

– Tudo bem. – Disse o elfo afagando-lhe os cabelos. – Vamos arranjar um cavalo.

– Sim.

E em poucas horas ele estavam na cidade dos anões, os mesmos criaram um trajeto que era desconhecido até mesmo para os elfos, um trajeto bem mais curto, que não passava pelas Florestas das Trevas, que oferecia pouco perigo, além de apresentar-se num caminho mais plano, mais facilmente percorrido tanto a pé quanto a cavalo.

Assim que Lindir aproximou-se da entrada, vieram dois anões de encontro, os mesmos pararam bruscamente o cavalo prendendo seu cavalgar com cortas. Gimli arregalou os olhos e berrou alto fazendo-os parar com aquilo. Saltou dali dando um soco num ombro de um e no braço do outro.

– Caralho! Não me reconhecem mais não?

– Desculpe, Gimli!

Os anões aproximaram-se de Gimli e cochicharam:

– Quem é aquele ali?

– Ah, só um escravo elfo.

– Hahaha!

Os anões sorriam escancaradamente, Lindir apenas os olhou com uma fisionomia séria, levemente irritada, finalmente o elfo desceu dali, puxando o cavalo e finalmente adentrando a cidade com seu companheiro.

– Escravo... – Retrucou zangado.

– Eles sabem que é só uma brincadeira, é o que costumo dizer quando Legolas vem comigo... porque senão, eles pedem explicações e eu não to com saco!

– Legolas já veio aqui contigo?

– Muitas vezes, sendo que com ele tenho mais dificuldade, já que todos se lembram da fuça dele... ele que prendeu meu pai nas torres, Thorin só faltou me matar quando o trouxe pela primeira vez, só o engolem pelo feito na Sociedade do Anel.

Finalmente pararam diante de uma casa pequena. Matilda jogava um balde com água e detergente sobre a calçada de uma taberna ali perto, quando ela viu Gimli o reconheceu, correndo até ele e dando-lhe um beijo estalado, o anão tentava empurrá-la, mas a anã não cedera e continuava beijando o baixinho alvoraçadamente, somente quando Lindir tocou-lhe um dos ombros, a anã correu dali, olhando-os assustada e berrou:

– Quem é esse aí?!

– Um amigo.

Lindir levantou uma das sobrancelhas, retrucando baixo:

– Quem é ela?

O elfo tocou a crina do cavalo e pareceu ordenar algo baixinho num de seus ouvidos, o cavalo balançou a cabeça algumas vezes. Lindir, distanciou-se do bicho e reaproximou-se de Gimli.

– Quem é ela? – Repetiu com uma voz mais mansa, porém, mais rouca.

– Um caso. Vamos.

A anã fez um “sinal feio” para o elfo e ele deu uma olhada para ela balançando a cabeça negativamente, desaprovando seu baixo escalão de educação, mas ele sabia que não se podia esperar muito deles, já que Gimli era uma rara exceção. A porta de entrada foi aberta, um casal saiu dali, abraçando seu filho.

– Ora, entre, meu garoto!

Disse um anão mais velho, chamado Gloin, e Gimli sinalizou para que Lindir o acompanhasse, o elfo teve que entrar levemente inclinado pelo fato do teto ser baixo e tomou cuidado com os lustres que pareciam esbarrar em seus cabelos. Acabando por sentar-se ao redor de uma pequena mesa, com os pais de Gimli e com ele.

O anão só agora se lembrara de que havia esquecido de trazer algo e quando olhou para Lindir, este lembrou-se também, levando uma das mãos à própria boca, mas quando este ia se levantar para comprar algo, Gimli segurou-o forte por um dos pulsos.

– Nem pense em andar pela cidade só.

Os pais de Gimli olharam aquela ação do filho e se entreolharam, o pai dele retrucou baixo:

– Vai casar quando com a Matilda?

Disse Gloin, dando um longo trago no cachimbo que fumava, Lindir voltou a sentar-se e, ele, agora, também olhava para Gimli parecendo esperar sua resposta. Já este suava frio, batucando levemente na mesa, olhando para seus dedos, mantendo os olhos fixados ali, tamanha era sua timidez, insegurança e medo. Odiaria decepcionar seus pais, estes o encaravam atenciosos, mas e o elfo? Ele não deveria ter certo valor? O preconceito não deveria ser combatido?

Gimli deveria ir contra seus pais? Combatê-los em prol de sua felicidade? Pensava o anão encarando Lindir, que não se conteve e tocou-lhe uma das mãos, apertando-a ali, com a sua, transmitindo-o apoio e calor. O elfo engolira em seco e olhava fixadamente para aquele anão, este o encarava também e nem sequer seus olhos pareciam piscavam.

O pai de Gimli e sua mãe começaram a perceber o que se formava ali, seus olhos começaram a arregalar lentamente, até tornarem-se esbugalhados.

– Pai.

Gimli não conseguia encará-lo, ficando a encarar a mesa, ele pretendia continuar com a confissão, mas sua voz sumira, sentia um peso enorme no peito e na consciência, em seus pensamentos, ele estava não só se desvirtuando do caminho, como levando aquele elfo também para o mesmo lugar, um lugar errado, recriminado por todos.

Gimli levantou o olhar e encarou Lindir, que lhe sorriu meigo e, finalmente tomou a certeza que queria que continuassem juntos, e foi, neste instante, que o anão segurou a mão de Lindir que estava sobre a sua e apertou-a forte entre as suas próprias mãos.

– Pai, mãe...

Ele finalmente encarava seus pais, Lindir sentia os olhos umedecerem, pois sentia a tensão que o anão presenciava ali.

– Eu... decidi por...

Os dois olhavam-no atordoado, até que o pai dele comentou friamente:

– Ficar com essa elfa.

– Hein?

Gimli olhou para o pai e para sua mãe sem entender. Lindir sorriu-lhes gentil.

– Sim, nos casaremos em breve, não é, meu amor?

Comentou o elfo piscando os olhos algumas vezes, forçando uma voz mais camurçada, doce, gentil. A mãe de Gimli levantou-se e abraçou Lindir, só achou estranho que aquela “elfa” não tivesse tetas muito exageradas, só sentiu bicos bem discretos, mas entendera que elas só despertavam sua feminilidade quando engravidavam, se bem que ela nunca soube de uma elfa que tenha tido um bebê anão. Depois de abraçado o elfo, ela seguiu até o filho, apertando-o tanto que o fez se levantar.

– Estamos tão felizes!

Lindir sorria sem jeito, sem encarar aquele anão mais velho por muito tempo, receoso que este o reconhecesse do banquete de Valfenda, pois o elfo lhe reconheceu rapidamente, mas deduziu, depois de um tempo, que a memória deles não era tão boa assim.

– Parabéns! Aonde vai ser o casório? – Perguntou o pai.

Lindir mantinha um sorriso tímido na face e olhava fixadamente para a mesa, ajeitando alguns fios de cabelo detrás de uma das orelhas.

– Ela é linda não é, meu filho? Não cedera a uma jovem magra e perfeita, olhe só, querido, não tem nem pêlos! – Disse a mãe de Gimli com uma voz ligeiramente emocionada.

– É se bem que eu gosto da minha gorduchinha peluda... hahaha – Resmungou o pai, levemente excitado.

E eles se abraçaram se beijando ali mesmo, sem parecer se importar com os convidados. Lindir tocou a mão de Gimli, enquanto que este mantinha a face jogada para frente, apoiada numa das mãos e morria de vergonha dos dois.

– Querido? Acho que seus pais querem saber onde será... – Comentou o elfo baixinho.

Gimli olhava para os dois, balançando a cabeça negativamente, finalmente berrando:

– Não vão transar na nossa frente, não né? Porra!

Lindir não deixou de rir, embora escondesse tal fato com uma das mãos, olhando discretamente para os pais de Gimli.

– Desculpe, meu filho, sua mãe é tão gostosa quanto uma potranca no cio!

– Ah, amor, que romântico.

– Ah querida... nosso filho vai fazer a elfa pegar no tranco...

– Ah, querido, tô com peninha dela, afinal, você sabe que nosso filho...

Os pais ficaram se olhando por um tempo, Gimli levantou-se tocando ambas as mãos ali, na mesa.

– Ei, eu tô aqui, dá para parar de falar do meu “tamanho”?

Lindir fez uma face de medo, fingindo estar horrorizado, Gimli olhou-o e tímido, voltou a sentar-se encarando um ponto qualquer ao lado.

– Mas não se preocupe, querida! – Disse a mãe do anão se dirigindo a Lindir. – Passa óleo de cozinha que não dói nada, só queima, mas preparar para o pior depois... se bem que Manteiga também serve!

– Pior é?

– Ah, querido, você me preenche tanto que parece que vou morrer afogada por baixo.

– Hahaha, minha gostosa!

Disse o pai dando um forte tapa na bunda da anã, esta se aproximou da pia trazendo para a mesa um bolo de laranja com cobertura de goiaba.

– Vamos, coma menina, tem que engordar, senão não aguentará meu filho... e olha que ele é pesado...

– Querida, ela é uma elfa, não vai crescer muito... os ossos são finos...

– Ih, é... por isso vou dar-lhe uma xícara com caldo de mocotó!

Lindir olhava para os dois com os olhos arregalados, aterrorizado, levantou-se dali com tanto medo que acabou batendo a cabeça no lustre da cozinha, o elfo balançou para os lados algumas vezes até que começou a cair em direção ao chão.

– Lindir!

– Olha que romântico querido, ele a chama de linda!

– Vou te chamar de gostosa... gostou?

Gimli segurou o elfo nos braços, este piscou os olhos algumas vezes, um sutil rasgo na testa, mas este sorria alegremente, acabando por tocar a face do anão que o olhava realmente preocupado, chegando a quase chorar.

– Fique calmo, estou bem... ai... – O elfo fez uma fisionomia de dor.

– Mãe, pega gelo, rápido!

– Sim querido!

E a anã começou a catar gelo de um barril ali perto, enquanto que o pai de Gimli apenas os olhava de pé, ao lado deles e fumava tranquilamente seu cachimbo.

– Elfas são tão frágeis, basta dar uma pancadinha para sangrar que nem menstruação.

A mãe trouxe gelo e Gimli encostou ali, na testa, o elfo não permitiu ficar muito tempo e acabou por abraçar Gimli, bem apertado.

– Você me cura, meu amor...

O anão sorriu sem jeito, devolvendo o gelo para sua mãe e correspondeu ao abraço o puxando para si. A anã não deixara de notar um volume na calça daquela “suposta” elfa, ela então percebeu o engano, puxou o marido para si e empurrou-o de encontro à pia dali.

– Querido, vou preparar uma carne, lave essa louça, é pouca coisa.

– Ah, amor... depois me promete que... – Disse o anão gesticulando algo ligado a ato sexual.

– Sim! Claro! Faço tudo que quiser...

E o anão começou a lavar a louça, cantarolando baixinho, ela se abaixou próximo do filho e olhou para seu marido por cima de um dos ombros, depois ao ver que ele não olhava, voltou-se para seu filho.

– Querido.

Ela apontou para os meios das pernas de Lindir, Gimli arregalou os olhos, puxando um saiote do elfo para cobrir-lhe o volume.

– Acho melhor os dois irem... afinal..., mas antes, querido, gostaria de dar-lhe uma coisa.

E a anã foi ate a sala, pegou um saquinho com moedas e entregou ao seu amado filho.

– Para a casa de vocês.

Gimli pegou o saco e guardou-o, sorrindo para a mãe e estranhou Lindir ainda estar ali, agarrado a si, mas depois de um tempo viu que ele desmaiara e ainda sangrava-lhe a testa.

– É melhor levá-la à cidade de onde vieram para ser examinada, aqui a colocarão nua, meu filho... e... você sabe, que esses anões são todos tarados, não é?

Disse a anã disfarçando e ajudando o seu filho a levar o elfo até uma poltrona da sala.

– Como o levarei... quero dizer... a levarei?

– Temos uma carroça atrás da casa... pode pegar, meu filho.

E a mãe reaproximou-se de Gimli, abraçou-o bem apertado, feito isso, segurou-lhe pelos ombros olhando-o fixadamente.

– Saiba que eu e o seu pai te amamos e queremos que seja muito feliz... sempre, não importa como.

Ela olhou na direção de Lindir, soltou um sorriso amoroso.

– É linda mesmo... estou tão orgulhosa.

Gimli voltou a abraçar sua mãe, chorava abertamente, esta comentou baixo:

– Vamos, a leve, afinal... não sabemos se é profundo o corte.

Gloin secava as mãos com um pano de prato e voltou a se aproximar deles, dizendo:

– Se quiser eu posso pedir para o doutor examiná-la.

– Não pai, deve ser só um desmaio, já estamos indo, depois eu juro... lhes mandarei o lugar onde será o casório.

E Gimli saiu dali levando Lindir nos braços, deitou-o cuidadosamente detrás da carroça e o cobriu com uma manta, ajeitando sua cabeça num saco com palha.

Em minutos depois, estavam a caminho de Gondor.

Gimli sentia um alívio no peito e este só aumentou ao ver Lindir ajeitar-se ali ao seu lado.

– Dormiu bem?

– O que aconteceu?

– Depois te conto...

Disse Gimli acelerando o passo do cavalo.

Notas finais
Quem desejar continuar acompanhando esta fic, deve seguir para: Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf ( Parte II ) Bom divertimento a todos! ^_^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.