Elrond dormira abraçado ao seu mago. Gandalf estava deitado de bruços parcialmente sobre Elrond. O elfo dormira um pouco, mas se contentara a passar toda a noite admirando aquele outro homem.

Eram quase a metade do dia e o mago ainda dormia pesadamente sobre o senhor de Valfenda, este, não reclamou e permaneceu inebriado com a cena. Parecia se lembrar da primeira vez que se encontraram, de seus olhos azuis arregalados, medrosos, implorando por ajuda.

O elfo moreno afagava os cabelos rebeldes do mago, deixando um sorriso ameno, frágil, enfeitar-lhe os lábios. Finalmente, Gandalf pareceu piscar os olhos, se deparando com o Senhor a olhar-lhe.

– Bom dia.

– Bom dia, Gandalf.

Elrond nem ousou retirar os dedos entrelaçados em alguns fios prateados do velho, deixou-os ali, afagando carinhosamente o couro cabeludo de seu parceiro.

– Tanto carinho, assim não vou embora nunca.

Disse Gandalf, deixando um sorriso transparecer. Elrond correspondeu e alegrou-se, pois havia tempos que não via seu amado sorrir daquele jeito. O elfo pronunciou lentamente com uma voz meiga.

– Não vá.

– Será que os outros já acordaram?

– Provavelmente.

O mago esticou os braços e acabou por sentar na cama, ele coçava a própria barba e parecia lembrar do que acontecera na noite anterior.

– Tive a impressão de que alguém nos observava.

– Hum...

Elrond sentou-se parcialmente, deixando o tronco levemente arqueado para a frente, enquanto que se apoiava sobre os braços estendidos para trás.

– Achei que tivesse visto Legolas. Por um milésimo de segundo.

– Não me preocupo com isso. Realmente.

– Mas, és o Senhor daqui, tem um nome a prezar, já pensou se...

– Descobrem?

– É.

– Não se preocupe, meu amado mago, Legolas não é uma ameaça.

– Eu tenho minhas dúvidas, ele parece ser bem...

– Tradicionalista?

Elrond levantou-se calmamente, pegou uma túnica que estava dependurada sobre um cabideiro de madeira talhada.

– Mas ele só parece.

– Como assim?

– Com o tempo, irá descobrir.

Disse o senhor vestindo sua roupa, ele despiu-se da camisola de seda, ficando com o belo corpo à mostra, fato que fez Gandalf olhar-lhe e deliciar-se com a visão. Ao contrário do que Legolas pensara, eles não haviam feito sexo, mas apenas Elrond ofertou-se para fazer uma massagem nas pernas do mago, em seus músculos e articulações e exatamente na hora que Legolas viu, Elrond levantava uma das pernas do Cinzento para dobrar-lhe o joelho e causar um discreto estalo, recolocando-o no lugar.

– Devemos ir, afinal Aragorn deve volta ao seu Reino. Irás acompanhá-lo, não?

Perguntou o elfo penteando os fios negros diante de uma penteadeira, ele ajeitava alguns enfeites em seu cabelo, os adornando, para logo colocar a coroa sobre a cabeça. Gandalf não comentou nada, apenas observava-o como se estivesse admirando-o. Elrond virou-se na cadeira, finalmente voltando a encarar Gandalf.

– Não sou o único apaixonado aqui, não é?

– Hehe...

O velho riu, finalmente levantando-se. Elrond o olhava calmamente, chegando a lamber os lábios lentamente, sentindo-os secos, pensou em quanto tempo eles estavam sem ter um momento íntimo só deles. O elfo perdera as contas por ser há tanto tempo.

– Sim, irei com o garoto.

– Entendo.

A voz do elfo expressava certo desapontamento.

– Voltarei logo e aí teremos nossa conversa.

– Tente não se cansar muito, pois irei cobrar tudo que está atrasado e... você sabe que eu cobro.

– Ôh, se sei.

Logo estariam todos na entrada de Valfenda, se despedindo da cidade para seguirem para o Reino que agora pertencia a Aragorn. Legolas acabara decidindo por acompanhá-lo e voltaria para sua casa depois, somente depois de deixar Aragorn em sua casa, com sua coroa na cabeça.

Ao chegarem à cidade, os moradores vieram recepcioná-lo, tamanha foi a festa e em algumas horas, lá estava o rei, totalmente vestido, sentado no trono que merecia, com a coroa que merecia. Ao seu lado estava Legolas e do outro Gandalf.

– Bem, meu povo, estou de volta, o rei justo e verdadeiro que merecem, voltou!

Ouvira-se um urra alto e em bom som que provinha de toda população.

Passado a festança e a recepção calorosa, Aragorn deu falta do amigo, ele levantou de seu trono e comentou com Gandalf que iria procurar Legolas, já que ele estava um tanto agitado desde a última vez que se falaram. O mago consentiu confirmando que observaria as pessoas e o lugar, mas não deixou de pensar nas palavras de Elrond, que Legolas escondia suas verdadeiras intenções, e como o Senhor de Valfenda muito raramente errava, Gandalf sabia que logo tudo seria revelado.

Aragorn seguiu pelos corredores do castelo, sentia-se agitado, pensara que Legolas não deveria ter ido embora antes de falar consigo ou se despedir.

– Ele não fez isso, ele não fez isso...

Andava a passos largos, ansioso, criando um atrito perturbador de suas botas com as pedras que cobriam o chão do castelo. Finalmente ele encontrou o amigo que estava numa torre e encarava a cidade, Legolas virou a face para o moreno e uma lágrima pareceu escorrer-lhe pelo rosto, mas ele vendo que o rei o olhava, logo a enxugou.

– Oi.

Comentou o loiro baixinho, voltando a olhar a paisagem. O moreno se posicionou ao lado dele, retrucando baixo:

– Saudade de casa?

– Sim.

– Decidi...

Legolas franziu os celhos e o olhou curioso, Aragorn apoiou os punhos na borda do muro da torre.

– Darei uma festa e convidarei todos os reis, seu pai virá se eu convidar, certo? Aliás... é uma festa para comemorar a paz tão batalhada.

– Sim, ele virá. Fa...

A voz do loiro estava falhada, insegura, mas mesmo assim, ele continuou:

– Faria isso por mim?

– Claro, somente por você.

Legolas sentiu vontade de abraçá-lo, mas se conteve ao ver que passavam algumas pessoas no corredor e alguns soldados olhava-os de alguns locais estratégicos.

– Obrigado.

Aragorn não deixou de observar a emoção que Legolas sentiu ao ouvir da festa, mas percebeu também, que este se continha o máximo que conseguia para não demonstrar algo que transbordava dos dois: Um sentimento chamado amor.

No dia seguinte, estava ocorrendo a festa. Legolas apareceu devidamente vestido, como um príncipe, já que seu pai lhe levara as roupas formais. Thranduil deduziu que seu filho estaria sem roupas apropriadas, por isso, levou-lhes uma coroa digna e vestimentas élficas.

– Pai!

– Filho...

E eles se abraçaram, Aragorn observava os dois com um sorriso de satisfação nos lábios. Thranduil cumprimentou-o e ele também o fez, já que se tratavam de dois reis.

– Thranduil seja bem vindo, minha casa é vossa casa.

– Obrigado, Lord Aragorn.

Todos estavam sentados à mesa, a maioria dos reis e senhores das cidades, mas será dado o foco a alguns.