Legião [Gênesis - Livro I] - A Espada do Arcanjo
5 Uma serpente no sonho.
Notas iniciais
Rupert agarrou-me pelos ombros e me afastou da beira da cratera.
— Todos para cama! — ordenou severamente o Sacerdote-mor Óris — Não há nada que possam bisbilhotar aqui, tenentes e capitães, levem os legionários aos seus clãs e ordens.
Grupo de dúzia a dúzia começaram a se dispensar e a voltar aos edifícios de seus clãs. Sacerdote-mor Óris conversou com os anciões, homens de vinte anos vindos da cidade do Sol desceram a cratera, mas não tocaram no anjo Samuel até que o ancião do Clã dois permitisse. Alguém agarrou em minhas mãos, um toque quente.
— Vamos! — disse a Tenente Clair.
— Ele vai ficar bem? — perguntei. Era estranho ela ser alguns centímetros mais altos, assim tão próximos, eu precisava olhar para ela de baixo para cima.
— Não sei. — disse ela constantemente olhando para trás, evitando me olhar. — Melhor irmos.
Naquela noite no clã, um enviado do Sr. Rupert trouxe uma toalha vermelha de piquenique.
— Uou! Skatert-Samobranka. — disse Anu. — Teremos mais comida hoje.
Anu estendeu a toalha no chão, a estampa do tecido era repleta de comidas: cesta de pão, garrafas de soda e suco, frutas, bolos e salgados. Então o desenho ondulou e a comida se tornou real a minha frente; toda a Ordem Um aproveitou a noite saciando a infinita comida da toalha de piquenique mágica.
Minutos mais tarde, as tenentes pediram que nós dormíssemos e decretaram o apagar das luzes às oito. Depois que os últimos de nos usou o banheiro, e o último deitou a cama, as luzes, que por sinal não havia reparado antes, mas eram pontos luminosos de magia em cada canto se apagou e as duas deixaram a Ordem Um em partida de suas respectivas Ordens.
Alguns minutos, eu não peguei no sono em nenhum momento, e mais alguém também não, na cama ao lado uma esfera de luz se acendeu iluminando o quarto, dos andar de cima o restante da Ordem Um descia pela escada, sentei na cama com as costas na cabeceira.
— O que é isso? — perguntei.
— Meu presente! — respondeu Dakota com uma esfera de vidro a mão.
— Eu estou perguntando sobre o motivo de você acender uma esfera de luz.
— Reunião secreta noturna da Ordem Um. E não uma esfera de luz, isto é o presente de minha precedente Hecáte. — retrucou Dakota. — Uma Lua de Cristal.
A esfera tinha círculos sobre a superfície lisa, então entendi, era uma Lua de vidro com magia luminosa no interior. A luz era de cor prateada e intensa, mas não o bastante para chamar atenção de quem estivesse de fora, Gê sentou no chão, Anu sentou no pé da minha cama, Susi e André ao pé da cama de Dakota.
— Então, me conte o que foi aquilo? Você e meu pai? — perguntou Anu.
Pai e filho? Como eu não sabia disso antes? Anu e Óris? Porque nunca os relacionei, um é descendente de Ísis, o outro de Hórus, mas não parecia iguais, eu não entendia de genética, mas não quis questionar e sim perguntar.
— Seu pai?
— Adotado. — Anu respondeu. — Não quero falar sobre isso, eu respondi sua pergunta, agora responda a minha pergunta.
— É! — disse André com entusiasmo — Conta para nós! Na noite da vinda de cada um, nós nos reunimos para trocar história, hoje é sua vez como o último iniciante, eu gosto de história, não é Gê?
— Gê gosta de história. —animou-se o menino-ogro batendo palmas.
— O último?
— Nós já sabíamos desde antes que apenas seis veriam no mês lunar da iniciação, foi profetizado e está escrito no calendário de Tempus — disse Dakota — A primeira ordem seria composta por meia-dúzia: Gê, Susi e Anu já são daqui do solar, filhos de legionários locais, por isso foram os primeiros.
— Eu vim depois, não lembro o que houve ou como morri, era filho de um atirador de espadas com a mulher-alvo de um circo, durante um percurso, nossa caravana atravessou um desfiladeiro em meio a uma tempestade. — disse calmamente, alguns até se assustam pela leveza como André comenta sua morte. — Um dos vagões em que eu e meus pais estávamos se soltou e Puff! Estou aqui.
Dakota interrompeu os “meus pêsames” e pronunciou como veio.
— Sou filha de uma cigana de cidade, o próprio Matias falou com minha mãe, ela me deu este colar. — ela retirou de trás de seu pijama um cordão com pingente de lua — Quando o coloquei em meu pescoço, eu fui transportada para o Solar, há quatro dias, foi difícil, nem tive tempo de perguntar nada a minha mãe...
— E você?
Fiquei em silêncio.
— No momento eu não quero falar sobre como vim parar aqui, ainda é confuso...
Esperava que eles forcassem para que eu contasse sobre minha vida, mas senti os olhares de pesares sobre mim, um silêncio por um tempo e Anu pôs a mão em meu ombro, o que me fez relaxar, então refez outra pergunta.
— Tudo bem, então fale realmente o que os anciões e o Sacerdote-mor discutiram com você na torre da capela! — ordenou Anu.
Pensei por um tempo, eles seriam meus amigos daqui para frente, então não faria mal contar a eles, então falei tudo que ocorreu na sala mágica por trás da torre do sino da capela. Quando terminei, Anu cruzou as pernas e lançou um ar de deboche.
— Meu pai se encuca com o Clã Cinco!
— Por quê? — perguntei.
— O meu pai serviu ao Clã Maaturiano, há uma rixa entre eles e nosso clã. — respondeu Anu. — O Clã Arturiliano é meio que... Revolucionário.
— Você quer dizer meio eclético?
— Não! — respondeu Dakota. — Ecléticos são mais os Algonianos, eles são legais com todo mundo. Somos mais que ecléticos, nós somos mais volátil.
— Defina! — disse confuso.
— Está bem, vamos demonstrar. Anu, Gê, Susi e André. — disse Dakota.
Susi começou.
— Vamos Sr. Larry, suba lá em cima e me traga seu ossinho, por favor! — Sr. Larry era o nome do porquinho de Susi, ele saltou de seus braços subiu a escada, depois de alguns segundos voltou trazendo um ossinho de borracha. — Os domadores são do Clã Maaturiano.
Gê estendeu uma das mãos e derramou sobre a palma, algumas pedras de um saquinho de pano, as pedras flutuaram sobre sua mão e gravitaram em torno dele. Anu retirou uma tesoura do criado-mudo e feriu de leve sua palma, André tocou a mão de Anu e se concentrou por um segundo, o arranhão se curou.
— Gê, elementar de rochas, como os Algonianos e André, um necromante, como os Anubisianos.
— Necromante é um curador? — perguntei.
— Não! Necromantes são... Para ser mais claros, poderia chamar de magos ou elementais da morte, André não curou meu corte, ele apenas atrasou o processo que os tecidos morressem, mas então... —A ferida em sua mão tornou a sangrar, seu corpo brilhou em aura amarela e a energia se concentrou em sua mão, primeiro um corte, depois uma cicatriz, por fim uma pele limpa. — isto é cura, como os curandeiros do Clã Centauriano.
— É isso que nos torna diferente! — disse Dakota. — Somos desviantes, divergentes, discordantes, opostos e diferentes, somos o Clã Arturiliano.
Tão impressionado pela habilidade de todos, que não havia reparado nos da dela. Uou! Seus cabelos prateados estavam levitando aos ares, seus olhos brilhavam em branco profundo e sua esfera de luz brilhou mais intensamente.
— Clarividência, os Delfilianos. — disse.
— Exato! — confirmou Dakota, sua magia se apagou. — Magia é mais além de truques, ou encantos ou feitiços; se dermos liberdade ao poder, podemos fazer quase tudo, porque magia é a energia que molda o mundo, nada funcionaria se não houvesse a magia.
— No tanto essa liberdade é vista com maus olhos pelos anciões, pelos outros Infinitos e principalmente o Infinito Kosmus, da Ordem, não permitiria tal libertinagem, ele zela para que tudo tenha seu lugar no mundo e que nada desvie do seu caminho, ou isso encaminharia ao Caos. — disse Anu — E meu pai nada pode questionar, ela é o Olho dos Infinitos aqui na Cidade do Sol, ele deve zelar pela Organização e impedir que humanos entrem em contato com seres fantásticos.
— Então vocês estão restituídos de certos poderes?
— Sim! — respondeu Susi, e Sr. Larry guinchou. — Somente magia pura, nada além de outras magias.
Senti raiva daquelas regras, droga, tanto poderes legais meus amigos tinham e não poderiam fazer nada mais que meros truques. Também carregava um pouco de inveja, tantos poderes e a única coisa que tinha era uma espada na bainha e uma profecia perigosa.
— Pelo menos vocês têm poderes mágicos. — disse. — Eu ainda não desenvolvi nenhuma habilidade.
— Mas você irá desenvolver... — disse Dakota. — Do maior mago de todos os tempos.
Trocamos mais história à noite inteira, os olhos pesaram e bocas abriram em bocejos. As horas passaram e cada um de nós voltou a sua cama. Dakota desligou sua lua de cristal e caiu no sono, passei mais um tempo de olhos abertos fitando o piso do prédio forrado por madeira.
Então cai no sono e aos braços do sonho.
Em meu sonho, eu estava ao lado da minha mãe, seu nome era Anne Austin, ela tinha cabelos castanhos longos, seu tom de pele era mais claro que a minha, ela tinha a mesma cor de olhos que os meus, castanhos escuros. Vestia como uma arqueóloga, mochila, corda na cintura e um cinto de bolsos.
Meu pai não estava presente por que era uma recordação depois de sua morte, seu nome era Robert Austin era repórter e jornalista, viajava constantemente, mas especialmente dois anos ele fez uma matéria na Síria e nunca mais voltou, causa: atentado terrorista.
“Eu precisava voltar ao trabalho, Marcus!” disse minha mãe a mim. “Sabe, a vida continuar e preciso superar.”
“Tudo bem, mãe.” disse “Se você está feliz, eu estou feliz!”.
Ela bagunçou meu cabelo cacheado, o sonho abriu fronteiras do espaço e revelou ruinas de um castelo a nossa frente, minha mãe era historiadora e estava sendo contratada para reexplorar as ruínas do Castelo de Tintagel. Nos sonhos não havia cheiro, mas parecia tão real que era possível sentir o aroma do mar vindo da encosta lá em baixo.
Segundo outros exploradores, o Tintagel era um centro comercial, usado como ponto de intercâmbio de mercadorias entre navegantes, localizado na Península de Tintagel como matriz de artefatos. Quanto a minha mãe e os habitantes da cidade próxima, teria sido o local onde viveu o filho de Avalon, castelo do Rei Arthur e dos cavaleiros da Távola Redonda. Ela se baseia em um artefato chamado de “Pedra Artognol”.
A Pedra Artognol foi um achado arqueológico de 1998, Uma pedra de vinte por trinta e cinco centímetros, onde estavam gravadas palavras incompletas, até hoje se afirma que o quê aqui trago como suposta frase: “Paternus filho de Colus ergueu isto em memória de Artognou”.
Estávamos seguindo a caminho do sítio histórico, em um das trilhas para as ruínas, quando nos aproximamos de uma parede com arco de entrada, algo me chamou atenção, ao lado da entrada no alto gramado, algo brilhante.
“Olhe!” disse apontando.
“O que?” perguntou minha mãe preste a atravessar o arco, mas impedida pela minha voz.
“Ali” apontei e corri em direção ao brilho.
“Filho, espere!” gritou minha mãe.
Entretanto eu não parei e nem esperei, afastei as folhagens e o matagal, agachei e tateei o solo atrás do objeto brilhante, mas era uma armadilha, a terra se abriu em um túnel inclinado de um metro de diâmetro, tombei para frente e escorreguei pelo túnel com terra e pedregulho atrás.
“Aí!” exclamei de dor.
Cai em uma espécie de câmara subterrânea, iluminada apenas pela luz do túnel do qual vim, olhei de um lado para outro, a câmera tinha o teto abobado, o chão e parede feitos de pedras, em cantos existia apoio de tocha sem tocha. Havia dois caminhos em lados oposto.
“Meu bem!” gritou desesperada, minha mãe do alto.
“Estou bem!” respondi de volta.
“Consegue se levantar?” perguntou.
Tentei com esforço rejeitar a dor de minhas mãos que machucaram durante o deslizamento quando tentava me agarrar a algo. Ao tentar apoiar com o pé esquerdo, gemi de dor. Torção no calcanhar.
“Mãe, acho que torci o pé!” gritei.
“Tudo bem querido, vai ficar tudo bem, mamãe vai descer para busca-lo!”
“Ok!”
Minutos depois ela desceu pela sua corda, com uma lanterna acesa presa entre a boca.
“Você está bem?” perguntou novamente.
“Sinto dores no pé.” repeti.
“Tudo bem!” disse, ela me suspendeu pelos braços. “Agora só precisamos... Não!”
A entrada do túnel se fechou e cortou a corda que caiu pelo restante do túnel.
“Droga!” gritou minha mãe “Desculpe meu filho”.
“Tudo bem, mãe.” Disse tentando consola-la “Vai ficar tudo bem”.
“Ok! Vamos seguir em frente.” disse.
Ela tirou do seu cinto-bolso um isqueiro e acendeu, a chama curvou em direção ao túnel direito. Um velho truque, o oposto da direção que a chama aponta é à entrada de ar mais próxima, logo, uma saída.
“Vamos para o esquerdo!” disse.
Seguimos um túnel subterrâneo, eu mancava com um pé enquanto apoiava com os braços em torno do ombro de minha mãe. As paredes estão próximas, sofro de claustrofobia e começo a entrar em pânico do espaço pequeno. Imaginei que as paredes tivessem máquinas escondidas por trás e qualquer momento se ativasse e nos prensasse como waffles. Ou ocorresse um desmoronamento do teto e fossemos enterrado por quilos de terra e pedra.
“Mãe, a saída está tão longe?”
“Breve filho, está perto, filho!”
Luzes no final do túnel. Começamos a rir de felicidade, nós aceleramos os passos enquanto mamãe me consolava que tudo ficaria bem e que sairíamos daquilo junto. Entretanto a esperança se desfez, tínhamos entrado no que parecia ser o salão de corte de um reino.
O pé direito tinha mais que seis metros de altura e terminava em uma cúpula com desenhos santos e fantásticos de seres com asas, querubins; grandes colunas sustentavam o salão e possuía braseiros apagados, janelas e vitrais com grandes cortinas estavam subterradas, mas algumas brechas mantinha a luz entrando fracamente, um grande tapete vermelho cobria o chão, da entrada ao trono.
“Sejam bem vindos!” disse uma voz vinda do trono.
Os braseiros se acenderam como mágica iluminando todo o salão, menos quem se sentava no trono, onde apenas via seus pés descalços. Na base de seu trono havia dois seres distintos. O primeiro, sentado como um cão parecia uma quimera, tinha a cabeça de serpente com um longo pescoço, corpo de um leopardo, quatro patas de um cervídeo e cauda de leão.
A segunda era outra serpente, mas esta era grande e tinha os olhos em chamas rubras, ela parecia sussurrar algo, mas ninguém além de mim a notava.
“Quem é você?” perguntou minha mãe.
“Eu sou o nêmeses de Avalon” gargalhou o homem no trono “como conseguiram entrar, estou preso nesta prisão há anos, graças à magia de Merlin e... sinto a presença do grande mago... em você”.
A criatura apontou o dedo a nós.
“Besta labrador, pegue-os!” ordenou o homem nas sombras.
A criatura quimeriana apoiou-se sobre as quatro patas, sibilou e rosnou como um cão e saltou sobre nós. Minha mãe me empurrou para o lado contrário e saltou à direita.
“Mãe!” gritei.
“Corra!” ela ordenou.
Manquei desesperado pelo túnel que havíamos entrado, olhei para trás, não conseguiria dar mais passos. Minha mãe toureava e saltava sobre os dragões, e parecia duelar como profissional, acertou a criatura no seu focinho e correu à minha direção.
“O que foi isso?” perguntei, enquanto ela pousava o meu braço sobre o seu ombro e andávamos as pressas do salão.
“Luta greco-romana, filho!” disse sem folego “Sua mãe tem muitos segredos”.
As tochas e braseiros se acenderam magicamente enquanto atravessávamos o túnel, chegamos ao local em que caímos, a entrada ainda estava bloqueada, então seguimos ao túnel contrário. Corremos alguns metros por um labirinto de corredores e minha claustrofobia ameaçava.
“Onde está a droga da saída!” esbravejou minha mãe.
“Mãe!” reclamei.
“Desculpe, filho!” respondeu.
Chegamos a um beco de porta, ouvidos o uivar-rugido de uma criatura em nosso encalço, adentramos a última porta no fim do corredor, e deparamos com uma variedade tesouro subterrado: coroa, joias e no meio uma espada igual à Excalibur. Não tivemos tempo de apreciar tudo, logo em seguida a besta-labrador soterrou suas garras sobre a porta e abriu como uma faca corta uma manteiga.
Sobre as patas da besta, a esguia serpente deslizou e contornou todo o entorno do espaço, seus olhos eram hipnotizantes e suas presas afiadas, prontas para dar o bote. Minha mãe então agarrou ao cabo da espada brandiu ao ar. A Besta Labrador recuou, mamãe se aproximou e ameaçou a fera, eu puxava a barra de sua camisa para informar que a cobra também iria nos atacar, mas parecia que apenas eu conseguia vê-la.
“Para trás!” gritou minha mãe, tanto a mim, quanto para fera.
O que aconteceu a seguir foi muito rápido: O monstro atacou minha mãe com garras e tudo, eu cai ao chão, o corpo da fera sobre minha mãe, a mordendo e a arranhando, então parou, ouvi o barulho de metal cortando. Minha mãe ensanguentada ao chão segurando uma espada contra o peito da fera.
“Marcus!” disse mamãe antes de morrer.
“Não!” gritei.
Manquei até ela em prantos, não tinha mais medo. Empurrei o monstro de cima de seu corpo ignorei a grande serpente, apoiei sua cabeça sobre o meu colo. As pupilas de seus olhos perderam o foco de vida, com as mãos fechei seus olhos e chorei.
“Que degradante!” disse o homem ainda nas sombras “Me envia uma humana e um descendente de Merlin para me entreter, pelo menos me divertirei lhe matando garoto!”.
A raiva tomou forma em meu rosto, explodi em raiva, gritei e peguei a espada presa ao monstro, me levantei e ataquei o homem nas sombras, ele recuou, a lâmina deslizou pelo seu braço.
“Não é possível!” disse o homem.
A serpente se pôs entre nós, seu olho vítreo roxo se encontrou ao meu, sussurrou em minha mente, “Te vejo nos próximos pesadelos” e me abocanhou, a imagem de uma mandíbula com dentes sobressalentes nunca mais sairia de minha mente.
Acordei assustado.
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