Notas iniciais
O capítulo é apenas das irmãs humanas. Escrevi-o para iniciar a próxima história, mas achei que era o momento para ele, então modifiquei-o para esta.

Sunny parou. Sentia o ar pesado, a escuridão parecia além da habilidade das luzes de afastá-las. Primeiro olhou para a lâmpada no teto, imaginando que ela tivesse queimado ou algoa assim, mas lá estava ela, só parecia menos... Brilhante. Então olhou para sua irmã.

"Moon, você está bem?"

"Claro. Você é que está esquisita. O que houve?"

"Está perdendo o controle." Sunny protestou. "Acho melhor descansar um pouco. Sei como essas histórias são, adrenalina de mais para crianças como nós."

Não é a história. Estava pensando no que Felix disse."

"Esqueça isso, irmãzinha. Não é nossa batalha. Veja só, você não consegue nem mesmo controlar seus poderes. Eu sei como é. Apenas acame-se, controle-se..."

"...Sente e espere." A pequena completou zangada. "Essa é sempre sua resposta para tudo, Celestia!" Ela exclamou.

Celestia parou. Sua irmã só a chamava por seu nome verdadeiro quando... Bem, ela nem mesmo se lembrava da última vez.

"Já parou para pensar que, por uma vez na vida você possa estar errada?"

"Eu sei o que estou fazendo, Luna. Confie em mim!" Ela pediu.

"Ah é. Esqueci que você é a princesinha perfeita de lugar nenhum. Você sempre sabe tudo! Você sempre está certa e eu estou errada, não é isso?"

"Não! Só estou tentando proteger você!"

"Já parou para pensar que talvez eu não queira ser protegida? Não sou mais um bebê, Sunny. Nem uma criancinha indefesa. Sei me cuidar. Essa prisão aqui pode funcionar para você mas eu preciso de uma vida!" Então Luna se acalmou um pouco. "Pense, o que a mamãe faria? Ela não ficaria sentada esperando tudo acontecer."

Todas as histórias que você me contou..."

"São apenas histórias, Luna!" Celestia se levantou. "Acha que se metade delas fosse verdade ainda estaríamos aqui? Por que ela nunca fez nada?"

"Talvez porque essa batalha não seja dela, Tia. Talvez seja nossa. Como Celestia e Luna na história. Nós podemos fazer isso!"

"Não. Não podemos! Não vamos e não se fala mais nisso, Luna!" Ela protestou, quase gritando, sem se importar se os vizinhos iam ouvir ou não.

"Por que? Porque você disse? Bem, você não é minha princesa! As vezes eu duvido até que seja minha irmã!" Luna gritou, lágrimas começando a se formar em seus olhos.

Celestia quis responder, mas de repente percebeu que não podia. Ela nem mesmo podia respirar, parecia que todo o ar tinha desaparecido de repente.

"Luna... Não respiro..." Ela conseguiu murmurar, quase sem ar.

Enão Luna pareceu perceber o que estava acontecendo, olhou chocada para a irmã por alguns segundos, então saiu correndo escada à cima e se trancou em seu quarto, chorando.

Celestia deixou-se desabar pouco depois. Ajoelhada no tapete, ela também não pode mais segurar as lágrimas.

"Por que isso está acontecendo comigo?" Ela perguntou baixinho.

"Porque a tempestade se aproxima, jovem princesa." Uma voz respondeu. "Sua profecia está chegando. O véu cairá e a escuridão tomará conta. Nem mesmo sua luz será capaz de salvá-los, Celestia." A voz riu cruelmente.

"Sua irmã está certa." Uma segunda voz disse. "Você não passa de mais uma deles. Começa assim com todos. Você só será mais se se provar merecedora. Ninguém pode estar certo sobre tudo, nem mesmo a Chama da Noite. Devia escutar mais sua irmã."

Chama da Noite, era um dos apelidos de sua mãe. A voz estava errada. Sua mãe estava sempre certa.

Ela sabia que não devia ter falado daquela maneira com Luna. Ficar ali estava sendo difícil para ela também, mas ela não podia sair. Seus poderes? Não eram mais do que um sinal de destruição.

Ela foi até a janela e contemplou a luz brilhante no céu.

"Sinto muito, Luna." Ela murmurou. "Se ao menos você soubesse..." Tocou uma cicatriz branca e fina em seu braço. Tinha fracassado com ela uma vez. Não daria oportunidade de que acontecesse novamente.

Ao virar-se, notou o caderno de desenhos de sua mãe aberto sobre uma mesinha.

O desenho era o mesmo que ela mostrara a sua irmã. Foi até lá.

"Não sou você." Ela murmurou, como se o desenho fosse real. "O que posso fazer? Não estamos prontas, mas Luna não vai me ouvir."

"Já tentou ouvir a si mesma, Celestia?" Uma voz, diferente das outras que falaram antes, perguntou. "Você não tem forças? Ou tem medo de falhar novamente?"

"Quase morri quando tentei sozinha. Quase a matei tentando protegê-la..." Celestia respondeu, mesmo sabendo que a voz era apenas coisa de sua cabeça.

"Aprendemos ao longo da estrada. Não deixe que o passado te segure, apenas que ele te guie."

Celstia balançou a cabeça.

"Para com isso Clestia." Repreendeu-se.

Mas ela não podia. Ouvia aquelas vozes desde pequena. Lembrava-se do dia que perguntara a mãe se era normal.

"Ouvir vozes que ninguém mais ouve é o segundo sinal de loucura, Celly." Ela respondera, calmamente.

"E qual é o primeiro?" Celestia perguntara, confusa.

"Ver sombras que ninguém mais vê." Sua mãe rira, deixando-a sem saber se era sério ou apenas mais uma brincadeira.

Celestia precisava se distrair e esquecer aquilo um pouco e a melhor forma era limpando o porão.

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O porão era um lugar secreto, do qual ninguém, além delas e Felix, sabiam da existência. Ali haviam guardadas várias lembranças antigas pertencentes à sua família. Ela ia abrindo algumas caixas para descobrir o que havia dentro. Entre papéis, livros, medalhas e troféus, ela encontrou um baú adornado que, diferente de tudo o restante, estava trancado. Mas ela imaginava que sabia onde estava a chave. Retirou uma caixinha espelhada do topo de de uma pilha particularmente alta de livros e tirou de lá uma chave pequena de prata com um rubi incrustrado. A chave serviu no cadeado, como a garota esperava.

Uma fumaça levemente transparente escapou do baú quando ele foi aberto. No mesmo instante ela começou a ouvir música alta vinda de cima e ela tinha certeza de onde: seu apartamento.

Piscou, sua visão perdera o foco por um momento e ela sentiu a mente meio enevoada, mas mesmo assim saiu com cuidado para não ser vista e correu de volta.

Chegando lá encontrou Luna com a TV ligada e um tapete de dança. A TV rodava um vídeo das Esquiletes enquanto tocava Hot 'n' Cold.

Celestia se permitiu encostar perto da porta, enquanto assistia a irmã menor dançando.

Uma das vantagems de quem elas eram, ou melhor, de quem a família delas era, era que elas tinham coisas que outros ali não tinham chance de conseguir, mesmo antes da invasão AV. Sua mãe garantira aquilo clandestinamente quando tudo começara, mas parara depois que Pamela tentara fugir de casa e fora pega pelos AVs. Não podiam arriscar.

Então ela olhou novamente para a irmã e se surpreendeu com uma coisa: Luna tinha uma cauda, orelhas, chifre e asas, como um híbrido entre humano e alicórnio.

Celestia esfregou os olhos e olhou novamente. Nada, apenas a velha Luna de sempre. Ela tinha que pegar leve no chocolate, estava começando a ter alucinações.

Perguntou-se, rindo, em que lugar aquilo estaria na escala de sintomas da loucura. Balançou a cabeça e dirigiu-se para a cozinha para pegar um copo d'água, a música ecoava em seus ouvidos, quando ela de repente se viu olhando para o que parecia ser uma arena. Ela dançava ao som da mesma música, com um bando de outras garotas. Uma delas era desconhecida, mas as outras seis... Se pareciam muito com as seis pôneis heroínas de Equestria, dos desenhos de sua mãe.

E não eram só elas. Ela reconhecia, na plateia em volta do estádio, personagems como Spike, Shinning Armor e Candance e até mesmo Discord, em versões humanas mas ela reconhecia alguns padrões de roupas, como se fossem uniformes e os acessórios que os faziam parecer hybridos pôneis, ou dragões, em alguns casos.

Fechou os olhos. Quando os abriu estava de volta. Pegou um copo d'água e começou a se dirigir à sala, mas ela viu uma imagem dela, o mesmo estilo de roupas e os mesmos acessórios dos outros na primeira visão.

A visão mudou para uma imagem do sol, então a lua o cobriu, causando uma eclipse. Como se fosse vista através de uma câmera, a imagem baixou, se focando em duas figuras humanas. Sua irmã, em uma versão diferente de si mesma... "Nightmare Moon" A Celestia do sonho murmurou. A outra figura era um garoto, todo vestido de preto e que se parecia muito com... Não. Aquilo não podia ser real! Ela estava ficando maluca.

Celestia olhou para o lado, vendo uma criatura que lembrava um sol. Assim como ao lado da que deveria ser sua irmã havia uma que parecia uma meia lua.

As duas criaturas soltaram uma espécie de esfera de magia, que colidiram, causando uma explosão.

O impacto no sonho fez Celestia realmente perder o equilíbrio. Ela cambaleou para trás, até cair sentada na poltrona, lentamente se ajustando de volta à realidade. O que fora aquilo?

Um par de olhos azuis a encaravam, preocupados.

"Você está bem, Tia?"

"Estou. Um pouco atordoada mas estou." A verdade era que ela estava principalmente aliviada ao ver que Luna não estava mais zangada com ela.

Ficaram as duas um tempo em silêncio. Luna contemplando o céu pela janela, mas Celestia não tinha coragem para olhar naquele momento.

"Sinto muito." Ela finalmente murmurou para a irmã. Para si mesma disse: "É loucura! Não podem nos alcançar aqui. Não vai acontecer, só uma ilusão. Muito chocolate, contos-de-fadas e porões velhos, empoeirados e assustadores. Vamos ficar seguras longe de tudo e todos."

"Celly, você está estranha!" Luna protestou.

"Não estou não. Só está ficando tarde."

"Ainda são duas da tarde."

"Como é que eu ia saber? É sempre noite nesse lugar maluco!"

"Sei qual é o seu problema. Você sente falta da luz do sol."

"Não!" Celestia gritou. "Não preciso de luz do sol. Não preciso saber que horas são. Estou perfeitamente bem aqui."

Luna olhou preocupada para sua irmã mais velha, mas achou melhor não discutir. Sabia que algo estava errado, mas o que podia fazer? Não queria que brigassem de novo. Quase machucara a irmã mais cedo. Tinha medo de no que estavam se metendo. Precisava de sua família. Mas não podia enfrentar os AVs sozinha. Só queria poder entender do que Celestia tinha tanto medo.

Por mais que Celestia se recusasse a admitir, ela sabia o que aquilo significava. Sua profecia havia chegado. E, querendo ou não, ela estava caminhando para ela a cada segundo.

"Quer que eu continue a história?" Ela perguntou.

Luna assentiu.

"Você vai ficar bem?"

"Sim." Ela disse para a irmã, mas em voz baixa murmurou "Só não sei por quanto tempo."

–KK- -KK-

Em outro lugar, não longe dali, duas meninas, por volta da idade de Luna, estavam sentadas na beira de um lago.

A ruiva olhou para cima, onde o sol brilhava claro, apesar de já ser noite, totalmente diferente de onde Celestia e Luna moravam.

"Está chegando." Ela murmurou para sua amiga, então olhou para o lago e suspirou. "Não muito mais agora."

"Vai ser perigoso." A morena respondeu com um sorriso. "Mas mal posso esperar pelo fim."

"Vamos torcer para que todos sobrevivam." A ruiva murmurou de volta.

"Alguma vez já tivemos baixas? Desde o Labirinto, quero dizer?"

"Equestria." Foi tudo o que a ruiva murmurou.

Notas finais
O capítulo já está pronto há um tempo, mas resolvi postá-lo depois do feriado. Sobre o porque escolhi Hot 'n Cold e as Esquiletes? Simplesmente era a música que eu estava ouvindo quando tive aquelas ideias, quase da mesma maneira que Celestia teve a visão, imagens em flash na minha mente. Sobre as duas meninas no final, quem está acompanhando a coleção toda deve saber quem elas são, mas se não, bem, as identidades não serão reveladas tão cedo. Vejo vocês no próximo capítulo!