Notas iniciais
Bem vindos a minha primeira história de My Little Pony!A única coisa de que me arrependo é não ter conseguido um nome melhor que Sweet Island

Em uma ilha ao norte de Equestria havia um reino diferente de qualquer um já visto. Sweet Island era todo feito de doces e era lar de uma rara raça de pôneis que nunca cresciam, mas que eram os mais velozes pôneis de toda Equestria, diziam que por causa da alta taxa de açúcar no sangue. O reino era também onde ficava a Academia de Voo Candy, a maior escola de voo de Equestria.

Esse reino era governado por um sábio e bondoso rei, King Candy, um unicórnio branco de crina cinzenta e a marca de um cetro de doce.

Algo que ninguém, além do rei, sabia, era que o reino de Sweet Island era sustentado por uma magia ancestral poderosa. Nem mesmo o rei sabia a origem dessa magia, armazenada em uma sala especial do castelo, uma Árvore de Doce Arco-Íris.

As lendas sobre a árvore variavam bastante, algumas das mais comuns sugeriam que as sementes de onde originara aquela árvore haviam sido abençoadas pelas princesas de Equestria, Celestia e Luna, lendas mais ousadas sugeriam uma magia ainda mais ancestral e as mais loucas sugeriam até que a árvore fora criada pelos próprios deuses que criaram Equestria.

O que era mito ou fato ninguém sabia, mas a verdade era que aquilo não importava muito para os cidadãos de Sweet Island, e que a maioria daquelas lendas começara à partir de um dos Candy Ponies, que não passavam de jovens potros.

King Candy tinha uma filha, a pequena Vanilla Lightning, uma Candy Pégaso verde-água, de crina negra e coberta de doces. O sonho de Vanilla era se juntar à Academia de Voo e se tornar uma corredora, mas seu pai a proibia.

Naquele dia, Vanilla assistia, de uma das janelas do castelo, a uma corrida entre Strawberry Ray, uma jovem Candy Pégaso considerada uma das melhores corredoras da equipe Sugarcube, e Dusky Spark, um Pégaso de Fillydelphia que estudava na academia.

"Ele não tem nem chance." Ela comentou rindo, Dusky Spark era veloz, mas ele não era um Candy Pony em Sweet Island, fora dali ele talvez tivesse chance, já que a falta de açúcar diminuía a energia deles, Strawberry tinha a vantagem.

Ela nem notou quando seu pai se aproximou.

"O que está fazendo, querida?" King Candy perguntou curioso.

"Só assistindo a corrida." Ela respondeu, entre uma risada e um suspiro. "Dusky acha que tem alguma chance contra Strawberry."

"Bem, e você acha que não?" Ele passou um braço em torno dos ombros da filha. "Não entendo muito de corridas."

Eles ficaram um tempo em silêncio, até que Vanilla suspirou novamente.

"Papai, porque eu não posso correr?" Ela perguntou chateada.

"Não é seguro, meu amor. Sinto muito." Ele bagunçou levemente a crina da garotinha.

"Por que não? Por que os outros podem e não eu? Sou mais forte que Cherry Comet, mais ágil que Caramel Tornado e mais rápida que Chocolate Arrow, por que eles podem e eu não?" A menina protestou.

King Candy suspirou, encarando a filha tristemente.

"Eu já te contei como foi que sua mãe morreu, meu amor?"

"Acho que não." Vanilla murmurou, pensando o que aquilo tinha à ver com a corrida.

"Tudo começou quando fomos a Cloudsdale para uma corrida importante que sua mãe iria participar."

"Espera!" A garotinha interrompeu. "Não disse que Unicórinios não podem ir à Cloudsdale?" Ela perguntou curiosa.

"E não podem, porque só os Pégasos podem andar nas nuvens, mas usei um feitiço especial, só para aquele dia, era uma competição importante para sua mãe. Aconteceu depois do evento, ela tinha ganho primeiro lugar pela segunda vez naquele tipo de competição, estávamos todos muito orgulhosos, mas tinha uma pessoa nada satisfeita."

"Quem?"

"Dusky Spark, que tinha recebido o segundo lugar na competição."

"Dusky..." Candy murmurou, olhando pela janela, não acreditava que ele já tinha corrido contra sua mãe.

"Ele a desafiou para uma revanche, mas queria que fosse em um lugar completamente inusitado, nas divisas de Equestria. Tentei convencê-la a não ir, mas ela conseguiu me convencer de que não era nada mais que uma corrida amigável."

"E o que o Sr. Spark fez?"

"Nada. Da parte dele era realmente isso, uma corrida amigável, apenas para disputar um lugar ao qual ele teimava ter direito. Uma corrida por sua honra. Mas foram pegos por uma tempestade durante o percurso. Dusky Spark voltou depois de três, com uma asa machucada. Enquanto isso procuramos por qualquer sinal de onde sua mãe pudesse estar, mas só a encontramos depois de mais dois dias, estava muito ferida. Ela contou que acabara em uma cidade que estava sob ataque de um grupo de mutantes. Ela não estava em condições, mas quis ajudar, percebeu tarde de mais que era uma batalha sem futuro, após a cidade ser completamente tomada ela conseguiu fugir. Eu a levei para o médico o mais rápido que pude, mas não adiantou muito, ela morreu uma semana depois. Tenho tentado criar você afastada de tudo isso, mas não adiantou muito também. Quanto a Dusky Spark, nunca mais o vi até ele vir para a Academia ano passado para reabilitação."

Vanilla não sabia o que dizer, primeiro por estar um tanto chateada por causa da história. Saber que a mãe tinha morrido era uma coisa, mas ela jamais imaginara nada parecido. Segundo, ela percebia o quanto o pai só estava tentando protegê-la e o quanto ela tinha estado errada nas vezes em que ficara zangada com ele por causa disso e até mesmo começar a treinar escondida. Ao menos ela não fizera igual Pumpkin Bolt, que fugira de casa para se juntar à equipe de corrida, ela nunca faria isso.

"Sinto muito." Foi tudo o que ela conseguiu murmurar.

"Não foi sua culpa, princesinha." Ele a abraçou gentilmente.

"Não. Desculpa por ser tão teimosa, devia ter te escutado mais. Prometo ser mais boazinha de agora em diante." Vanilla disse, já à beira das lágrimas.

"Eu é que lhe devo desculpas. Você é uma Candy Princess, como sua mãe era, a corrida faz parte de quem você é. Eu não deveria nem ter tentado tirar isso de você, devia saber que não conseguiria, devia ter pensado desde o começo, que enquanto estivesse aqui, comigo, estaria segura. Quero compensar você com algo especial."

"O que?" A pequena deu um passo atrás com um sorriso e os olhos brilhando de expectativa, King Candy riu baixinho.

"É uma surpresa. Venha comigo!"

Enquanto isso, fora do castelo...

"Ganhei de novo!" Anunciou alegremente Strawberry Ray, uma jovem Candy Pégaso rosa, pousando suavemente ao lado dos amigos, Chocolate Arrow e Candle Cake.

Dusky Spark pousou na linha de chegada depois de um tempo.

"Eu não corro aqui para ganhar, vocês tem tanto açúcar no sangue que tem o triplo de energia que qualquer Pégaso normal. Uma hora ainda vamos nos enfrentar fora de Sweet Island, aí vamos ver quem é que vai ganhar, pirralha." Ele comentou, sério, se afastando.

Seu olhar caiu sobre a janela do castelo, onde ele notou as silhuetas do rei e da princesa conversando. Revirou os olhos e balançou a cabeça, depois lançou um breve olhar para os Candy Ponies que ainda conversavam na linha de chegada. Dusky suspirou um tanto zangado e se afastou, sempre olhando para verificar se os três ainda estavam lá. Que fosse, ele não tinha tempo a perder com aqueles pirralhos, muito menos paciência para isso.

"Papai, onde estamos indo?" Vanilla Lightning perguntou, enquanto segui seu pai por uma passagem subterrânea do castelo. "É onde a árvore do Arco-Íris fica, não é?" Ela apressou-se para acompanhar o trote do rei.

"A árvore não é a única coisa guardada aqui. Mas sim, é onde a árvore fica, o coração de Sweet Island."

"Uau! Ninguém vem aqui em baixo, não é?"

"A árvore é muito perigosa. Um único doce arco-íris nas mãos erradas pode ser um desastre."

Eles pararam em frente a um portão de chocolate com nove ferraduras de chocolate branco em relevo.

Vanilla pensou ter ouvido alguma coisa e olhou para trás assustada, pensou ter visto uma sombra, mas foi apenas por uma fração de segundos, era provável que fosse só sua imaginação.

Mesmo assim ela ainda pensou em dizer alguma coisa à seu pai. Olhou para ele e para o portão que agora se abria, mudou de ideia. Era só aquele lugar escuro e assustador que estava lhe pegando uma peça.

"Papai, porque a árvore tem que ficar em um lugar tão sombrio, pensei que plantas, mesmo as de doces, precisassem de luz do sol."

"Essa aqui utiliza a luz dos cristais de açúcar que existem nas cavernas."

Os dois entraram numa caverna mais clara, iluminada pelos cristais de açúcar que enchiam-na do chão ao teto e que emanavam uma luz natural bem forte. No centro da caverna ficava a árvore do arco-íris. A árvore tinha um tronco listrado de vermelho e branco, como as árvores de Candy Cane Forest, mas era mais grossa até que as árvores de Laffy Taffy Forest, as folhas eram de gelatina de todas as cores que, à luz dos cristais, criavam arco-íris de luz por toda a caverna. Os doces arco-íris eram marshmallows com as cores do arco-íris e haviam bem poucos na árvore, além deles serem difíceis de notar em meio a tanta cor e a folhagem espessa.

"Maravilhosa, não é!" King Candy comentou para filha, aproximando-se da árvore.

"Muito! Mas o que viemos buscar?" Vanilla perguntou, curiosa.

O rei não respondeu, estava concentrado de mais, enquanto usava sua magia para pegar uma pá que fora deixada em um canto e cavar um pequeno buraco próximo ao pé da árvore. A pequena esperou pacientemente até ele voltar-se para ela, levitando uma pequena caixa de chocolate branco, ornamentada.

Ele depositou a caixa suavemente no chão e abriu-a, revelando um colar prateado com um rubi em formato de coração.

Vanilla aproximou-se, suspeita, tocou o colar com uma pata e recuou, nada aconteceu. Ela baixou a cabeça e toucou-o com o focinho, ainda nada, mas ela percebera algo suspeito.

"Não é feito de doce." Comentou, agora encarando seu pai, surpresa.

King Candy riu.

"Eu sei. Comprei esse para sua mãe em Canterlot, antes da primeira corrida dela. Ela dizia que era seu colar da sorte." Ele usou sua magia para colocar o colar na filha. "Espero que lhe traga sorte também."

Novamente a pequena Vanilla não sabia o que dizer, apenas sorriu, emocionada.

"Obrigada, papai!" Ela finalmente conseguiu deixar as palavras sair e correu para abraçá-lo. "Prometo que vou me esforçar, vou me cuidar e não vou te decepcionar."

"Só tomar cuidado já está bom. Você nunca me decepcionaria."

Por um momento a pequena pônei congelou. Tinha certeza que tinha ouvido algo como uma risada vindo do túnel, mas ela já estivera errada uma vez, provavelmente era só sua imaginação. Ela definitivamente tinha que parar com aquilo, especialmente agora que teria que focar mais em suas habilidades de voo. Aquele seria o começo de uma nova fase maravilhosa.

Então porque algo lhe dizia que aquilo não passava de um sonho?